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O governo federal revogou as medidas do programa Remessa Conforme, zerando as taxas de importação para compras internacionais de até US$50, conhecida como a "taxa das blusinhas". Em entrevista ao programa Fast News deste sábado, o doutor em economia Fernando Agra analisou os impactos da decisão nas contas públicas e no comércio nacional, apontando para um possível viés eleitoral, além de alertar para os riscos de desemprego na indústria brasileira.

Assista ao programa completo: https://youtube.com/live/GtLExq8XPtM

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Transcrição
00:00Nessa semana, o presidente Lula assinou o fim da taxa das blusinhas, à medida que havia sido instaurada.
00:06Em agosto de 2024, sofria forte pressão popular e chegou a arrecadar para o governo, nos primeiros quatro meses deste
00:15ano, cerca de 1 bilhão e 780 milhões de reais.
00:18Para entender melhor esse cenário, nós vamos conversar agora com o doutor em economia, Fernando Agra, para falar sobre o
00:24impacto real dessa taxa, da extinção dessa taxa, agora como é que vai ficar a economia, a vida dos brasileiros
00:34e a vida também do poder público, da situação fiscal do governo em relação a essa nova renúncia de arrecadação.
00:43Doutor, bem-vindo e boa tarde.
00:46Boa tarde, Kovayashi. É um prazer estar por aqui. Boa tarde a toda a sua equipe e quem nos acompanha.
00:52Fernando, conta para a gente qual a sua análise a respeito dessa medida de revogar a taxa das blusinhas.
00:59Isso foi feito com planejamento? O governo já estava preparado para voltar atrás em relação a essa arrecadação? Como é
01:07que você analisa?
01:09Olha, eu acredito que deveria ter sido feito um planejamento melhor.
01:15Eu acredito, não tenho certeza, eu acredito que foi uma decisão muito mais visando questões eleitorais, assim como outras também
01:23que foram tomadas ao longo dos últimos dias e semanas, do que um estudo mais detalhado.
01:30Porque é muito bom para o consumidor final pagar menos em termos de impostos, sejam eles impostos de importação e
01:38da carga tributária brasileira, que é muito alta.
01:40Nós pagamos hoje em média 30% a 33% de tributos, sejam eles diretos ou indiretos.
01:47Isso pesa muito no bolso do trabalhador.
01:50Então, é importante sempre revisar essa questão da carga tributária.
01:54Mas as coisas não podem ser feitas de uma maneira muito rápida.
01:57Tem que ter estudos, tem que ter uma análise mais técnica.
02:00Por quê? Como você falou bem, o governo vai abrir mão de uma receita muito grande, né?
02:06De uma receita muito grande, uma arrecadação recorde nos quatro primeiros meses, que superaram os quatro primeiros meses do ano
02:13passado.
02:14E as contas públicas já estão com problema.
02:18A gente vem de sucessivos testes, ou seja, o governo gastando mais do que arrecada.
02:22Então, quando ele vai abrir mão de um tributo, o que acontece?
02:27Lá na frente, a gente pode ter aumento de carga tributária também em outros segmentos.
02:33Ou seja, pode ser cobrir um santo agora para descobrir outro lá no futuro.
02:38E tem também a questão da indústria nacional, que vai sentir com isso.
02:43A indústria nacional, que vai sentir com uma concorrência mais acirrada da economia internacional.
02:48Então, eu acredito que uma redução de carga tributária, ela é sempre bem-vinda e necessária,
02:53ainda mais num país que se paga muito de tributos.
02:56Mas também é preciso olhar para as empresas nacionais,
02:59para rever também a carga tributária das empresas nacionais,
03:02e também investir em tecnologia, qualificação, para aumentar a produtividade da mão de obra,
03:08para que a gente possa competir de igual para igual com o resto do mundo.
03:13Então, respondendo aí, finalizando essa minha primeira fala,
03:17todas as decisões de um ambiente macroeconômico,
03:19elas precisam ser respaldadas em estudos técnicos,
03:23mas infelizmente a gente sabe que seja do governo A, seja do governo B, independente,
03:28tem questões políticas também interessadas nessas decisões.
03:33Então, assim, vamos ver o que vai acontecer nos próximos dias ou semanas.
03:37Doutor, eu vou chamar para a nossa conversa a Cintia Nunes,
03:40nossa analista dessa edição do Fast News, ela vai te fazer a próxima pergunta.
03:44Bom, primeiro, boa tarde.
03:46Eu concordo completamente com a sua análise,
03:50e é difícil a gente não pensar, né, doutor Fernando,
03:52que isso não tem um caráter eleitoral,
03:55porque vai favorecer a população que faz esse consumo de produtos de menor valor.
04:02A gente fala tarde da blusinha, mas obviamente que não são só as blusinhas,
04:06mas realmente a gente atinge uma população que é um público, digamos assim,
04:13votante primordialmente da atual situação do governo.
04:19E por outro lado, como o senhor muito bem disse,
04:21isso acaba também prejudicando o fabricante nacional.
04:26Será que talvez, ainda que seja uma pergunta um pouco até não só econômica,
04:31mas será que o tiro não sai pela culatra?
04:34Porque quando a gente favorece o setor e vai trazer aí um outro
04:39que vai ficar naturalmente desconfortável,
04:42porque acredito que vai ter um impacto bem negativo na competitividade
04:48e um setor que já está tão massacrado com excesso de impostos.
04:53Então, são duas perguntas.
04:54A primeira é, será que não é um tiro que vai sair pela culatra?
04:57E o segundo é, diante de tantas questões que o governo poderia abrir mão de imposto,
05:03qual seria uma outra que eventualmente seria possível
05:07e que não teria esse caráter, agora sim, minimamente curioso e suspeito eleitoreiro?
05:15Boa tarde, Cíntia.
05:17É muito boa a sua análise também, né?
05:19Com relação à sua primeira pergunta, se o tiro vai sair pela culatra,
05:24a gente vai ver nos próximos dias, semanas e até a eleição,
05:28porque a gente sempre tem que olhar a questão da balança, né?
05:31É bom para os consumidores, foi muito bom você ter falado, né?
05:34Ficou popularmente chamado como taxa das blusinhas, mas não são só blusinhas, né?
05:38São os produtos de menor preço, né?
05:40Até 50 dólares de produtos importados, que não tinha essa taxa,
05:45passou a ter em agosto de 2024 e agora já não tem mais desde o dia 13 de maio, salvo
05:51engano, né?
05:52Então, assim, são os produtos de preços mais baixos consumidos por uma população,
05:58não é que tem condições de comprar um produto só por preços mais baixos.
06:03Então, assim, vamos ver o que vai acontecer.
06:06Pode ser sim que o tiro saia pela culatra por conta da insatisfação
06:10e dos efeitos negativos que isso vem a ocasionar na indústria nacional.
06:15Por quê?
06:16Porque determinadas empresas podem não ter condições de competir com a indústria nacional
06:21e fechar, gerar desemprego, o governo arrecadar até menos, né?
06:26Eu não sou a favor de tributação, sabe?
06:29A gente vive num mundo globalizado, onde os países se estreitam cada vez mais as relações,
06:36então é muito importante que o fluxo de mercadorias que sejam intercambiáveis entre os países
06:40tenham as menores restrições possíveis.
06:43Só que cada país tem suas especificidades e tem que tomar cuidado com o que entra,
06:48com o que exporta, para não faltar aqui dentro, né?
06:51Então, eu sou a favor de investimentos em infraestrutura, em aumento de produtividade,
06:58seja da mão de obra, seja do transporte, que a gente depende muito do transporte por caminhão,
07:03isso é caro.
07:04E isso, o que é que acontece?
07:05O preço do diesel está muito caro, impacta ainda mais negativamente na inflação,
07:10em fontes de energia alternativa, entre outras, que me amparatear o custo da mão de obra.
07:15Muito mais do que colocar barreiras à entrada, muito mais do que colocar barreiras à entrada.
07:20Então, nesse sentido, eu acabei aqui me delongando muito, Cíntia.
07:24Me refaz a segunda pergunta, por favor, para eu ser breve até.
07:28Então, você teria alguma outra medida nesse cenário que poderia ser mais efetiva
07:34e menos com caráter eleitoral?
07:37Pois é, ele poderia tributar produtos nocivos à sociedade, tá entendendo?
07:43A gente vê aí, por exemplo, como foi feito nos anos 90, no início dos anos 2000,
07:49o tributo com o cigarro poderia ampliar tributações com essas petes,
07:54que têm prejudicado muito a saúde mental, a economia e a vida das famílias.
07:59E, por outro lado, seja o governo A, o governo B, eu estou fazendo uma análise econômica,
08:04deve priorizar a eficiência do gasto público, a redução dos gastos,
08:08muito mais do que aumento de carga tributária, tá entendendo?
08:12A redução dos gastos.
08:14Então, assim, essas medidas não são medidas de uma hora para outra,
08:18não são medidas ao longo de quatro anos, mas são medidas estruturais
08:21que, independente da continuidade do governo atual ou de um novo governo que a gente venha a ter,
08:26elas precisam estar na pauta, medidas de longo prazo e não medidas de curto prazo,
08:31que só vem apagar fogo.
08:32Quero agradecer demais o doutor Fernando Agra, doutor em economia,
08:35nos ajudando a entender agora como é que fica a situação da economia
08:38com a revogação das medidas da taxa das blusinhas.
08:42Muito obrigado, doutor. Até a próxima.
08:45Eu agradeço, um abraço a todos. Até a próxima.
08:48Muito obrigado.
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