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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou a sua visita oficial à China sem alcançar grandes acordos em temas sensíveis, evidenciando impasses em áreas como inteligência artificial, defesa e na questão de Taiwan. O encontro com o líder chinês, Xi Jinping, ocorre em um momento de forte pressão interna sobre o governo norte-americano devido aos impactos inflacionários da guerra contra o Irã. Enquanto Washington tenta redefinir a sua política bilateral para reduzir os prejuízos das empresas, Pequim consolida a sua relevância geopolítica global e já se prepara para receber o presidente russo, Vladimir Putin.

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Transcrição
00:00E convidar o professor Paulo Velasco, ele que é professor de relações internacionais da UERJ aqui conosco.
00:08Professor, muito bom dia. Eu ouvi de alguém, não me lembro quem, que a gente descobre para que lado pende
00:16a balança
00:17quando a gente identifica quem ficou parado e quem se deslocou para ir fazer a visita.
00:23Nesse caso, nós temos três instituições importantes, três atores importantes no cenário global.
00:31Dois deles estão se deslocando para visitar um.
00:35A gente talvez esteja vendo de maneira clara para que lado essa balança hoje em dia está pendendo
00:43a despeito do que a gente tem assistido aí nas discussões e no noticiário todo.
00:49Queria que o senhor comentasse, começasse comentando essa questão.
00:53A China, Xi Jinping recebendo Trump e Putin.
00:57Ele ficou parado, os dois é que resolveram ir até ele.
01:00Bom dia, professor.
01:02Bom dia, Carlos. Márcia, para ver sempre falar com vocês.
01:05É isso, na verdade a China já, ao longo das duas décadas, se consolida com uma referência internacional inescapável.
01:12Pouco importa se a gente está pensando no Ocidente, nos atores mais tradicionais do Ocidente, como os Estados Unidos,
01:17por isso a gente está pensando em atores mais de matriz euroasiática ou pós-ocidental, como é o caso da
01:24Rússia.
01:24A China é um parceiro necessário para todos, se tornou já há bastante tempo o maior player no comércio mundial.
01:32É um grande investidor em praticamente todo o mundo, se coloca como grande investidor.
01:37É um grande financiador de projetos.
01:39Geopoliticamente, claro, a China só tem crescido em termos de importância de envergadura.
01:43Em qualquer tabuleiro geopolítico global, hoje a China senta à mesa e dá seus pitacos.
01:48Então, claro, que é um sinal dos tempos, sem dúvida alguma, de um mundo cada vez mais pós-ocidental,
01:54que não são apenas os líderes do Ocidente, da Europa, dos Estados Unidos, que dão as cartas.
01:59Mas é preciso ouvir outros atores.
02:01E, claro, a China acaba sendo um ator buscado, procurado pela sua envergadura, pelo seu tamanho,
02:06pela sua economia, pela sua projeção geopolítica cada vez maior no globo,
02:10se tornando uma referência necessária.
02:12Então, a viagem de Trump à China, a primeira, de um líder americano, em praticamente 10 anos,
02:18desde 2017, é um sinal inequívoco, claro, do reconhecimento do peso da China.
02:23E o Putin, que já frequenta o território chinês com mais permanência, reconhece,
02:29e tem ali na China o seu grande parceiro em um momento em que ele sofre brutais sanções do Ocidente,
02:34desde 2014, quando foi a anexa da Crimea, e mais ainda depois da invasão da Ucrânia, em 2022.
02:40Agora, professor, parece que Trump não conseguiu negociar, né?
02:44Qual a análise que o senhor faz dessa visita dele e os principais pontos de negociação com o Xi Jinping
02:51que não foram muito bem resolvidos, né?
02:54É, não foram.
02:54Na verdade, o Trump volta para casa sem grandes dividendos, né?
02:58Para apresentar para o público interno, né?
03:00Não foram já pressionados, Márcio, como a gente sabe, né?
03:02Por conta dos impactos ali dramáticos da guerra contra o Irã, né?
03:07Dentro dos Estados Unidos, em termos de preços, de inflação, né?
03:10Sobretudo na área de energia, o preço da gasolina.
03:13E ele buscava justamente essa ida à China como também uma demonstração de força,
03:18um desvio de atenção e trazer, colher algum tipo de resultado mais prático, mais imediato.
03:23Isso não acontece.
03:24Um dos temas mais sensíveis da conversa ali foi a questão relativa à Taiwan, né?
03:28E ele ouviu, né?
03:29De maneira muito clara do presidente chinês, né?
03:31Que a postura da China se mantém como uma postura de força, né?
03:35Reconhecendo ali e considerando Taiwan uma província rebelde, né?
03:39E um território que, evidentemente, não pôde caminhar de forma alguma para qualquer independência, né?
03:44Além, claro, de Taiwan ser um ator muito importante para a economia global, né?
03:48Por ser o grande produtor fabricante mundial de chips de semicondutores, né?
03:53E o mundo inteiro depende de Taiwan nesse sentido.
03:55Então, há diferenças que ficaram muito claras nesse encontro.
03:59O Trump percebeu isso de maneira muito direta, né?
04:02E não houve, de fato, nenhum tipo de acerto, né?
04:04Nos vários temas que se buscavam, né?
04:06A inteligência artificial, né?
04:08Cooperação contra o clima organizado, né?
04:10Questões relativas à defesa, né?
04:12A própria questão do Irã também, né?
04:13O Trump assinou ali para a China para ver se a China consegue ajudar os Estados Unidos, né?
04:17No tema Irã, mas em termos de resultados práticos e concretos, né?
04:21Muita coisa foi discutida, mas verdadeiramente poucos dividendos foram oferidos.
04:27Agora, professor, o Eliseu Caetano, professor, me avisou aqui que parece que há uma previsão
04:33de visita do Xi Jinping em setembro à Casa Branca.
04:39Então, vamos aguardar se isso se confirmará.
04:42Agora, de todo modo, a gente vem assistindo aí nessa queda de braço entre China e Estados
04:48Unidos já há algum tempo e esse não é um fenômeno nascido.
04:52Ao contrário das outras tensões que o Trump criou, esse não é um tema que nasceu com
04:57a gestão dele, né?
04:59É um processo que vem se arrastando já há bastante tempo e vem ganhando corpo à medida
05:03que também a China vai se fortalecendo aí como um player global.
05:09No ponto de vista da tecnologia, o senhor mencionou Taiwan e etc., a gente tem essa disputa
05:15por, acho que, dois temas centrais e que acabam sendo definidores aí das diretrizes, das
05:24estratégias das empresas.
05:25Um é a energia, que é um tópico absolutamente sensível.
05:28A gente está vendo agora a questão do petróleo e tal, mas a energia é um tema super sensível
05:32para viabilizar, por exemplo, o desenvolvimento com inteligência artificial e os avanços todos
05:37que precisam ser acompanhados.
05:40E do outro lado, também ligado à tecnologia e inovação, a questão das terras raras.
05:45O Brasil está no centro dessa disputa envolvendo aí os dois países e tudo mais.
05:50Só que me parece que do lado americano e das empresas americanas, essa tensão tem sido
05:57mais sentida do que do lado das empresas chinesas.
06:03Elas têm conseguido, de alguma maneira, sobreviver a despeito disso.
06:06O Trump e, antes dele, o Biden, estavam sendo pressionados, têm sido pressionados para encontrar
06:13uma outra estratégia.
06:15O senhor acha que esse encontro é o começo de um redesenho dessa política bilateral com
06:20a China em função dos prejuízos que as empresas americanas já têm sinalizado que
06:26existem e que podem se intensificar?
06:30É uma tentativa, justamente, de tentar sair um pouco de um degelo.
06:33A relação dos Estados Unidos e China viviam um momento ruim, como você muito bem coloca,
06:37Carlos, no começo hoje, a gente tem tido essa percepção de um afastamento, de problemas,
06:43desencontros, uma dissonância cognitiva em várias áreas, já há bastante tempo.
06:48Não é um acaso que no governo Barack Obama houve a estratégia do pivô para a Ásia,
06:53justamente, a gente está desbloqueando sua atenção maior do plano da Europa para o
06:57plano asiático, justamente por conta do avanço chinês.
07:00É isso, a gente pega hoje.
07:01A realidade é uma realidade de disputa ampla entre o Washington e Beijing, com alguma defasagem
07:07para o Washington em algumas áreas.
07:08A gente citou o tema das terras raras.
07:10A gente sabe que a China é justamente o país que tem as maiores reservas de terras
07:16raras no planeta, o que dá a ela, claro, uma vantagem competitiva muito importante.
07:20Os Estados Unidos tentam correr atrás do prejuízo, pressionando outros atores, por
07:24exemplo, pressionando a Ucrânia a oferecer acesso às suas reservas, pressionando o país
07:28na América Latina.
07:29Esse foi um dos temas, objeto de conversa no encontro entre Lula e Trump.
07:34A China já tem isso em seu território, então já tem essa vantagem naturalmente, o que significa
07:38um desafio para os Estados Unidos, na medida em que são, claro, recursos, são meios
07:43estratégicos fundamentais para as áreas de tecnologia, do tecnologia do futuro, até tecnologia
07:47via verde, enfim, todas as áreas dependem muito disso.
07:51O outro ponto de discussão tecnológica ampla e de embate entre os dois gigantes é a
07:55questão da inteligência artificial, que já está no dia a dia de qualquer pessoa, qualquer
07:59um usa de alguma maneira na sua vida cotidiana, e nesse ponto aí é um pouco o contrário.
08:05A gente tem alguma vantagem ainda em relação à China, mas é uma corrida de dois, em que
08:09a China está correndo atrás a passos muito acelerados, tentando compensar essa defasagem
08:14e equilibrar um pouco o jogo.
08:15Então, são temas que serão objeto de conversa, claro, muito ainda entre os dois gigantes.
08:19O grande desafio é tentar encontrar aí um ponto de equilíbrio, um ponto que traga
08:23algum tipo de previsibilidade e de estabilidade maior na relação entre eles.
08:27Não interessa ao mundo, claro, um cenário de hostilidade e de conflagração, ainda que
08:31não militar, mas uma conflagração mais ampla, tecnológica entre os dois.
08:35Vimos os impactos da guerra comercial, China e Estados Unidos, como abalaram o mundo
08:40inteiro, então há, de fato, a ideia de que a partir de agora, desse degelo nas relações,
08:45desse encontro e outros encontros que possam vir ainda adiante, isso possa trazer alguma
08:50perspectiva de coordenação, de esforços, de consertação.
08:54Claro, não haverá uma amizade profunda jamais entre Estados Unidos e China, porque eles
08:58são competidores, são concorrentes, mas algum tipo de acerto e de consertação que
09:02permita trazer previsibilidade nessas áreas reiteiras, super estratégicas, ligadas às
09:07tecnologias do futuro e do presente, de alguma maneira também.
09:11Obrigada, agradecer o professor de Relações Internacionais, Paulo Velasco, que esteve
09:16aqui conosco no Jornal da Manhã.
09:19Professor, muito obrigado e até a próxima.
09:21Até a próxima, bom dia a todos.
09:23Obrigado.
09:23Obrigado.
09:23Obrigado.
09:23Obrigado.
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