00:00O Eliseu Caetano está conosco lá de Miami, traz pra gente os detalhes.
00:05O que é que muda com o fim deste mandato em Eliseu?
00:10Pro presidente Donald Trump as coisas tendem a ficar mais tranquilas ou não?
00:16Bom dia pra você.
00:19Olha, aparentemente devem ficar mais tranquilas sim, pelo menos a expectativa é essa lá na Casa Branca, viu Aros?
00:25Muito bom dia pra você, pra Márcia e pra todos que acompanham o Jornal da Manhã, edição de sábado.
00:30Olha, tô gostando de ver sua animação nessa manhã, hein, de plantão.
00:34Fazia muito, mas muitos anos que a gente não se encontrava num plantão aqui, Carlos Aros.
00:39Alegria estar nesse dia, nesse plantão aqui na Jovem Pan ao seu lado, viu?
00:48Vambora porque essa é uma das principais notícias do dia deste sábado,
00:51mas essa notícia, Aros, ela também deve repercutir ao longo dos próximos dias por aqui.
00:56Porque se sai Jeremy Powell, entra Kevin Walsh, né?
01:00Mas vamos pros bastidores primeiro dessa despedida do Jeremy Powell, né?
01:04Porque o encerramento da gestão dele foi considerado discreto por muitos aqui na capital americana.
01:10Foi a administrativa a despedida, não há registros de evento, festa,
01:16ou até mesmo discurso público, ou sequer homenagem oficial pra essa saída dele no último dia dele, que foi ontem.
01:24A transição também, pelo que me contaram, foi de forma, assim, muito pacífica, muito tranquila.
01:31O último pronunciamento do Jeremy Powell, o público como chair, né?
01:36Como presidente do FED, do Federal Reserve, equivalente ao Banco Central aí do Brasil,
01:40aconteceu no último dia 29 de abril, após uma reunião, onde ele declarou,
01:45olha, essa é a minha última coletiva como chair, e se encerrou ali a conversa dele com a imprensa.
01:53O mandato do Jeremy Powell como presidente do Federal Reserve terminou ontem.
01:57Ele foi indicado por Donald Trump em 2017, portanto, ficou à frente do Banco Central americano por cerca de oito
02:05anos.
02:06Entre os principais pontos dele, ele promoveu o aumento de juros, o que gerou atritos nessa nova gestão de Donald
02:13Trump.
02:14Ele atuou de forma agressiva para salvar o sistema financeiro, com cortes de juros e compra massiva de ativos
02:22durante a pandemia da Covid-19.
02:23A recuperação, segundo os analistas, foi até rápida, viu?
02:27Mas veio acompanhada também por uma alta inflação.
02:30Aliás, o maior pico de inflação nos Estados Unidos nos últimos 40 anos foi enfrentado por ele, viu?
02:36Em 2023, ele combateu essa inflação com altas de juros.
02:41Aliás, 11 altas de juros seguidas, o maior nível aqui no país em mais de 20 anos.
02:48Agravada também, segundo os especialistas, por conta da guerra lá na Ucrânia.
02:52E daí, ano passado, o Donald Trump voltou.
02:54E voltou com muitas críticas, chamou o Powell de idiota.
02:59A gente acompanhou essas discussões aqui na programação da Jovem Pan, ameaçou, inclusive, demití-lo.
03:04O governo chegou até mesmo a abrir uma investigação criminal sobre supostas mentiras
03:10ditas por Powell ao Congresso americano com relação às reformas que estavam sendo feitas naquela ocasião
03:17na sede do Banco Central americano.
03:20Powell não deixou barato, acusou o Donald Trump publicamente, acusou o governo de intimidação
03:26e essa investigação acabou sendo encerrada a semana depois.
03:30Mas Powell, para quem pensa que ele saiu definitivamente do Fed, Aros e Márcia, não saiu não, viu?
03:37Ele permanece como membro do board de governadores, do conselho administrativo do Fed, por um período
03:46que ainda deve ser definido, viu?
03:49A expectativa é de que ele fique nesse mandato como governador do conselho, pelo menos até janeiro de 2028.
03:56Isso, inclusive, por aqui, na manhã desse sábado, está sendo bastante discutido
04:01porque é visto como incomum, como uma forma de proteger a independência da instituição.
04:10Então, a mídia dos Estados Unidos, nessa manhã de sábado, começa a questionar a permanência do Jeremy Powell no Fed
04:17porque, realmente, isso é raro, né?
04:21Agora, o que muda com a saída dele?
04:23Bom, vem aí Kevin Walsh, também indicado por Donald Trump, sucessor, ex-funcionário do Fed, Aros,
04:30alinhado com o Trump, viu?
04:32Ele assume o comando e disse já o seguinte, que vai manter a independência do organismo,
04:38mas defende uma mudança de regime.
04:41Eu acho que esse é o ponto, né, Eliseu?
04:43Obrigado pra você, você volta daqui a pouquinho.
04:46Eu quero acionar aqui o Acácio e o Túlio porque a sensação que se tem é que lá, como aqui,
04:57o tópico independência do Banco Central é um tópico sensível para quem ocupa a cadeira da presidência.
05:05Porque essa é uma discussão antiga.
05:08O Brasil, aliás, se inspirou, sob certa maneira, no modelo norte-americano
05:13para estabelecer o que está em vigência hoje em relação ao Banco Central.
05:20Mas tem um ponto curioso nesse processo, é que é o seguinte, né, Acácio?
05:26Ser independente e estar alinhado são coisas absolutamente diferentes.
05:32Uma não deve estar subordinada à outra.
05:35A expectativa é entender se o Walsh vai conseguir fazer isso por lá,
05:40assim como aqui a gente tem visto acontecer, né?
05:44Exatamente.
05:46É importante nós ressaltarmos, e você bem disse,
05:49a independência do Banco Central brasileiro,
05:52que é algo recente,
05:54foi pautada,
05:56teve como referência
05:58a independência do Banco Central norte-americano.
06:01Portanto, as vantagens e os problemas de lá
06:07acabam acontecendo nas mesmas medidas aqui no Brasil.
06:12E é importante nós ressaltarmos também que,
06:15com essa dinâmica de mandato,
06:17portanto, o presidente da República indica
06:21a sabatina e aprovação por parte do Senado Federal.
06:25E, consequentemente, após a nomeação ao exercício de um mandato,
06:31deveria servir para blindar o presidente do Banco Central
06:36e a política econômica deveria passar ao largo,
06:41deveria não estar automaticamente vinculada à política do dia a dia.
06:48Mas, lá como cá, nós acompanhamos que isso não é algo que exatamente acontece.
06:56O presidente da República,
06:59apesar da independência do Banco Central,
07:02acaba dando pitacos
07:04e, por vezes, influenciando
07:07as decisões do presidente do Banco Central,
07:10sem contarmos que,
07:12mesmo que o presidente tenha indicado o presidente do Banco Central atual,
07:18mas, caso o presidente da República não goste das decisões do Banco Central,
07:25ele faz críticas e, por vezes, até pressão política
07:30para que o presidente do Banco Central
07:32acabe abraçando o seu posicionamento.
07:36Portanto, no papel,
07:38essa independência é muito bonita,
07:41mas, em termos práticos,
07:43ela não é tão efetiva.
07:46E, no fim do dia,
07:47quem acaba, entre aspas,
07:50pagando essa conta é o povo,
07:52que sofre por conta das decisões políticas
07:56e acaba sofrendo,
07:58ainda mais,
07:59por conta das decisões econômicas.
08:03Túlio Nassa,
08:04até que ponto essas interferências
08:06de Donald Trump
08:07no Banco Central
08:09interferem também na política econômica
08:12de todo o país?
08:13Até que ponto o povo americano
08:15sente no bolso também
08:16essas interferências, Túlio?
08:19Olha, Márcia,
08:20se ele conseguir interferir,
08:22realmente o povo americano
08:24vai sentir muito no bolso.
08:25Agora, eu vou lembrar aqui
08:27de Milor Fernandes,
08:28que dizia o seguinte,
08:29como são admiráveis as pessoas
08:31que não conhecemos bem, né?
08:33Porque a gente conhece mal,
08:35na verdade,
08:35quem é Donald Trump
08:36e até mesmo quem é Lula,
08:38porque, no fundo,
08:39eles são muito parecidos.
08:40Olha só,
08:41Donald Trump nunca foi
08:42um político liberal.
08:44O político liberal
08:45é aquele que garantiria
08:46a independência do Banco Central,
08:48que garantiria
08:49que as decisões do Banco Central
08:50fossem pautadas pela técnica,
08:52pela menos intervenção estatal.
08:55Mas, na verdade,
08:56Donald Trump é um nacionalista,
08:58um desenvolvimentista.
09:00Ele não tem nada a ver
09:01com os founders americanos,
09:03com o Benjamin Franklin,
09:04que pregava o liberalismo.
09:06Na verdade,
09:07ele quer sim,
09:08está pressionando
09:08para redução da taxa de juros
09:10a qualquer passo
09:12por conta do populismo,
09:14igual o nosso presidente Lula
09:15faz aqui.
09:16Quem não se lembra
09:17o quanto ele criticava
09:19Campos Neto
09:20na gestão anterior
09:20e o quanto ele pressionou
09:21Galípolo agora.
09:22E Galípolo foi firme,
09:24o atual presidente do Banco Central,
09:25e não cedeu
09:26às pressões políticas
09:27e está mantendo
09:27uma política econômica firme.
09:29Será que nos Estados Unidos,
09:31Kevin Walsh,
09:32que é um economista
09:33e jurista
09:33de linha liberal,
09:35conservador,
09:36que já atuou ali no Fed
09:38e teve uma passagem
09:39sempre pautada pela técnica
09:41vai ceder às pressões
09:42de Donald Trump?
09:43Tomara que não,
09:44porque nesse assunto,
09:46como você bem destacou,
09:47Márcia,
09:47quem sofre com o populismo,
09:49com a intervenção estatal
09:51nas questões
09:51da política de juros,
09:53é o cidadão
09:54na ponta final.
09:55E aí
09:55Vamos lá.
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