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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que pretende votar a PEC que acaba com a jornada 6x1 até o mês de maio. No entanto, o otimismo político colide com os números alarmantes apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo a entidade, a proposta, do jeito que está, pode elevar os custos das empresas em até R$ 178 bilhões anuais, gerando um impacto de 7% na folha de pagamentos e colocando em risco a competitividade do setor produtivo.

Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.

Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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Transcrição
00:00O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, Leuro Manto Júnior,
00:06vai anunciar oficialmente, na tarde desta terça-feira, o nome escolhido para ser o relator da proposta de emenda à
00:14Constituição
00:14que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso no Brasil.
00:20E quem tem mais detalhes é o nosso repórter Guilherme Resc.
00:25Guilherme?
00:29Guilherme Resc.
00:55E essa discussão, para definição do relator, do nome que vai relatar essa proposta de emenda à Constituição,
01:01lembrando, passou também com a presença do Hugo Mota, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota.
01:07Então não foi apenas uma escolha por parte apenas do presidente da CCJ.
01:11Enfim, o anúncio oficial deve ocorrer agora à tarde.
01:13E essa proposta de emenda à Constituição, também lembrando, como já trouxemos outras vezes aqui no programa,
01:17é uma prioridade do governo Lula, no Congresso Nacional, neste semestre.
01:20O governo Lula coloca aí a acabar com a escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso,
01:24a famosa escala seis por um, como uma das suas prioridades, sem redução também de salário,
01:29e também trazendo a jornada semanal de trabalho de 44 horas, o limite máximo, para 40 horas.
01:35Então o governo está pressionando para que esse tema avance e não descarta ainda,
01:39como já falamos outras vezes também, enviar para o Congresso um projeto de lei com urgência constitucional
01:43para acelerar esse debate.
01:45Porque não vai ser fácil, né, Inácio?
01:46Apesar daí de ter essa discussão, de ter uma atenção por parte também do presidente da Câmara,
01:50de avançar com esse tema, não vai ser fácil avançar, porque há muita pressão contrária
01:55por parte de alguns setores que serão afetados, como a indústria e o comércio.
01:58Ontem mesmo, a Confederação Nacional da Indústria, a CNI,
02:01divulgou mais uma projeção de qual será o impacto de uma redução para 40 horas semanais
02:06da jornada de trabalho, dizendo aí que pode, o aumento dos custos com empregados formais na economia
02:13pode ser de até 267 bilhões de reais, ou seja, bastante significativo.
02:18E na própria, na indústria em si, seria um impacto ainda maior, proporcionalmente, né, falando,
02:23seria de 11% a CNI coloca na sua projeção.
02:26Então há essa preocupação de diferentes setores, indústria, comércio, e vão pressionar, né,
02:30vão discutir aqui no Congresso Nacional, para que eles façam, se for fazer alguma mudança
02:34na escala, na jornada de trabalho, se faça com bastante responsabilidade,
02:38não seja uma discussão acelerada.
02:41Então, vamos esperar agora a escolha desse relator, a discussão vai começar na Comissão
02:45de Constituição e Justiça, e lembrando que nesse primeiro momento também,
02:48a CCJ apenas discute o mérito da proposta, o mérito não, perdão,
02:52a admissibilidade da proposta de emenda à Constituição, ou seja, se ela não viola
02:55as cláusulas pétreas da Constituição.
02:57E só depois da CCJ, se for aprovada ali, seguiria, então, para uma comissão especial,
03:01que discutiria, então, o mérito.
03:03Aí sim, podendo fazer mudanças no texto, nessa PEC da deputada federal Erika Hilton,
03:08que está tramitando em conjunto com uma PEC mais antiga,
03:11sobre o mesmo tema do deputado federal Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais.
03:14Então, Inácio, seguiremos acompanhando.
03:17Muito obrigado, Guilherme.
03:18E eu já passo a palavra a você, Duda Teixeira.
03:21Bom, a gente está vendo aí que agora, estou falando não só de acabar com a escala 6x1,
03:26mas também de uma redução da jornada de trabalho.
03:29O vice-presidente Geraldo Alckmin chegou a dizer,
03:31ah, mas isso é uma tendência mundial, trabalhar cada vez menos.
03:35Agora, essa história não é nova, né?
03:37Isso já vem desde a década de 90, lá quando o Domênico Demasi escreveu aquele livro,
03:43O Ócio Criativo, né?
03:44Se imaginava ali que, olha, com o aumento das máquinas, automatização,
03:49as pessoas vão trabalhar cada vez menos.
03:51E em alguns países, de fato, eles reduziram a jornada semanal.
03:56Qual que foi o problema disso?
03:57As fábricas foram para outros países, foram para a China, foram para o Vietnã.
04:02Então, vários países se desindustrializaram,
04:05porque deixou de ser interessante para essas empresas pagar salários altos
04:11em países com alto custo de vida, onde as pessoas trabalhavam por poucas horas, né?
04:17E o Brasil, por outros motivos também, por causa de imposto alto,
04:22o custo do Brasil também tem se desindustrializado, né?
04:26As fábricas saíram daqui, isso é um fenômeno que já tem vários anos.
04:30E aí você fala ainda de reduzir a jornada semanal,
04:35aí com certeza os investidores vão para outros países
04:38e o Brasil vai só perder postos de emprego.
04:42Ricardo Kertzmann, analisando essa proposta de redução
04:46de 6 por 1 para 5 por 2,
04:48ninguém quer fazer 3 por 4, como é na Câmara dos Deputados e no Senado, né?
04:53Não chegamos a esse extremo.
04:55Na verdade, Inácio, não é 3 por 4,
04:59é 4 por 3, às vezes 5 por 2.
05:02Assim, né?
05:035 dias de descanso por 2 de trabalho.
05:06Então, às vezes, é nessa linha.
05:09Desculpa te cortar porque...
05:10Não, não, é boa a sua retificação porque nos tira essa impressão
05:14de que eles estariam muito sobrecarregados com o trabalho.
05:18Mas, Ricardo, essa ideia, se no papel é defensável,
05:23pessoas com mais tempo livre, pessoas com mais tempo dedicado,
05:27as suas famílias, mas como é que a conta seria paga
05:30pela iniciativa privada e pelo próprio governo,
05:33se a gente for pensar, mas sobretudo iniciativa privada
05:36sem redução de salários, com redução horária.
05:40A produtividade ia cair.
05:43A gente já foi colocado num ranking mundial
05:45onde a produtividade do brasileiro média
05:47é abaixo de muitos pares nossos.
05:51Como é que fecha essa conta?
05:52Ou não fecha?
05:54E o governo sabe disso e está empurrando o preço moral
05:58e, digamos assim, de imagem reputacional
06:01para a oposição que vai barrar.
06:03Mas quem é que está preocupado com conta aqui no Brasil, Inácio?
06:07Quem que se preocupa com conta na hora de fazer Copa do Mundo,
06:09na hora de fazer Olimpíadas?
06:11Quem que se preocupa com conta na hora de propor a criação
06:13de mais municípios?
06:14A gente acabou de falar nesse tema.
06:17Conta é um negócio abstrato que só as pessoas como nós
06:21que pagamos essa história toda, a gente se lembra.
06:24Porque a turma que cria todas essas despesas,
06:26a turma que viaja na maionese, principalmente em Brasília,
06:29nunca se preocupou com conta.
06:31Eles têm os salários garantidos,
06:33eles não têm que responder para patrões nenhum,
06:35eles não ganham por produtividade,
06:37trabalhando muito ou pouco o salário no final do mês.
06:40Mas aqueles benefícios todos estão mais do que garantidos.
06:43Saiu agora um dado estarrecedor a respeito do judiciário,
06:46que 99%, esse é o número,
06:49só 1% dos magistrados no Brasil inteiro
06:52receberam abaixo do teto.
06:54Todo o resto recebeu acima do teto,
06:56que é o salário do ministro do Supremo.
06:58Tudo que vem organizado pela casta do poder,
07:01dos três poderes, mas do poder público de modo geral,
07:04nunca se preocupou com conta.
07:06Nesse caso aqui, você lembrou da produtividade?
07:08A produtividade média de um trabalhador brasileiro
07:11é 1 quarto, 25% da produtividade de um trabalhador americano
07:15para a mesma função.
07:17Estou comparando alhos com alhos.
07:19Saiu uma pesquisa essa semana,
07:21causou um alvoroço danado,
07:23porque parecia, pela manchete,
07:26dizer que brasileiro trabalha pouco.
07:27Não é isso.
07:28A pesquisa comparava o número de horas,
07:30médias, trabalhadas no mundo,
07:33160 países pesquisados,
07:3597% da população mundial,
07:37a média trabalhada é de 42, alguma coisa por cento.
07:4142, alguma coisa horas semanais trabalhadas.
07:44E aqui no Brasil, a média é de 40, alguma coisa horas semanais trabalhadas.
07:50Ou seja, quando você compara esses dados,
07:52o brasileiro trabalha em média menos.
07:55Isso não significa que o brasileiro não é trabalhador,
07:58muito pelo contrário,
07:59até porque as condições de trabalho aqui são péssimas.
08:02Para poder chegar no local de trabalho,
08:04a maioria das pessoas enfrenta duas, três horas de trânsito
08:06para ir e vir, em ônibus pinhados, em trens pinhados,
08:10para ganhar um salário muito baixo,
08:11para poder no final do mês,
08:12no máximo que conseguir sustentar minimamente as suas famílias.
08:17Não é isso que a pesquisa criticava,
08:21o que a pesquisa mostrava e não era nenhuma crítica,
08:23é que não há essa alegação de que no Brasil se trabalha muito
08:26em relação a outros países,
08:28isso não acontece.
08:29E essa questão da produtividade é determinante,
08:33porque se você produz menos,
08:35para cada trabalhador que produz menos,
08:39o custo da mão de obra é transferido para o produto,
08:43que é transferido para o preço,
08:44e o consumidor sempre paga mais caro,
08:46além de todas as questões envolvendo infraestrutura,
08:49envolvendo impostos, burocracia e tudo mais.
08:51Só que, repito, Inácio,
08:52esse pessoal não se lembra de fazer conta.
08:54Eles criam as ideias populistas,
08:56principalmente na eleitoral,
08:58e depois a sociedade que se vire para pagar.
09:01Wilson, rapidamente,
09:03seria essa, digamos assim,
09:05mais uma movimentação do Hugo Mota
09:07em prol da agenda positiva que ele tenta construir,
09:11só que deixando a conta justamente para os seus colegas.
09:15Ele traz a pauta,
09:16e aí quem mata ou vota,
09:18ou, no caso, rejeita,
09:20é o público.
09:22Quer dizer, ele fica com a positiva,
09:24aos olhos da população,
09:25mais desatenta,
09:27e os pares dele ficam com a agenda negativa.
09:31Bem para a imagem dele, né?
09:33Não, não vai fazer nada bem,
09:36porque ele esqueceu de combinar
09:37com a Confederação Nacional da Indústria,
09:39como bem falou o Guilherme no link dele.
09:40Agora eu quero aproveitar e pegar um gancho,
09:42como o nosso grande Ica estava falando,
09:47é o seguinte,
09:48esses caras falam,
09:49ah, vamos reduzir a jornada de trabalho.
09:51Mas isso não somente é uma pauta populista,
09:54como é uma pauta hipócrita.
09:56É uma pauta que tem até coro junto à população,
09:59mas ela é uma pauta que poderia ser resolvida
10:01de uma outra maneira.
10:02Sabe como?
10:03Se o parlamentar trabalhasse,
10:05se o político,
10:06se o governador trabalhasse
10:08para dotar o trabalhador
10:09de um transporte mais eficiente,
10:11em que ele tivesse menos sacrifício,
10:14para, como falou agora há pouco o Ricardo,
10:15de perder duas horas,
10:17três horas do seu dia
10:18para sair de um ponto ao outro para o trabalho,
10:21esse trabalhador já teria condições
10:23de ter mais tempo em casa
10:24para passar com a família.
10:26Se as cidades tivessem um mínimo de infraestrutura,
10:29a infraestrutura é essa que demanda
10:30apoio público,
10:32o trabalhador não ia perder tanto tempo
10:35para poder conseguir deslocar para o trabalho
10:37ou conseguir, de fato,
10:39vivenciar aquilo que ele precisa vivenciar.
10:40E tem outra coisa, Inácio.
10:42Muitos falam que essa PEC de 6x1,
10:44ela pode criar um efeito reverso,
10:46porque o camarada,
10:47num país pobre como o Brasil,
10:50ele não trabalha muito,
10:51não é necessariamente porque ele quer,
10:53ele trabalha muito porque é a necessidade dele.
10:55Então, o que acontece?
10:56Você pode até reduzir essa escala de 6x1,
10:59só que o camarada vai ganhar um dia de fogo,
11:00o que ele vai fazer?
11:01Ele vai para a informalidade,
11:03ele vai trabalhar com Uber,
11:05ele vai trabalhar com MyFood,
11:07ele vai fazer desse aumento
11:10uma complementação de renda.
11:12E é isso que esses caras aqui no Congresso
11:13não conseguem perceber.
11:14infelizmente, nessa pauta,
11:16há muita hipocrisia,
11:18muito populismo e pouca,
11:20pouca sensatez.
11:21E aí
11:21E aí
11:23E aí
11:24Obrigado.
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