00:00Os planos do governo contra o endividamento e as medidas de combate à inflação foram destaques da entrevista exclusiva do
00:06ministro da Fazenda, Dario Durigan, à Jovem Pan.
00:10Acompanhe na reportagem de Misael Mainete.
00:12Uma portaria do Ministério da Fazenda regulamentou o programa Desenrola 2.0 de redução do endividamento.
00:19Pelas regras, os descontos poderão variar de 30 a 90% a depender do tipo de crédito e do tamanho
00:27da dívida.
00:28As instituições financeiras já iniciaram as negociações com os clientes interessados, como explicou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em
00:37entrevista exclusiva a Denise Campos de Toledo.
00:41E já estamos convocando as pessoas para não perderem tempo, irem até os seus bancos, conversarem com os seus gerentes,
00:47buscarem nos aplicativos dos bancos a possibilidade de renegociar sua dívida, limpar o seu nome e poder estar pronto para
00:54tomar crédito de qualidade.
00:56Então, assim como a Febraban acaba de anunciar em nota, nós aqui também do Ministério estamos acompanhando essas primeiras integrações
01:03de sistema, mas tudo pronto, tudo em ordem, as pessoas podem fazer as negociações.
01:08A Febraban, que representa os maiores bancos do país, disse que a iniciativa tem potencial para alcançar a repactuação de
01:17100 bilhões de reais em dívidas e pode beneficiar 27 milhões de brasileiros com contas em atraso.
01:24Para que a gente consiga fazer essa renegociação com amplos descontos, descontos que chegam até 90% da dívida original,
01:31o governo está se comprometendo não a pagar as dívidas, mas a garantir, aí junto com o cidadão, que está
01:38renegociando a sua dívida e que tem o compromisso, o cidadão, de seguir arcando e pagando com as suas contas.
01:43Esse fundo garantidor, ele já tem 2 bilhões lá dentro de aportes que saíram do orçamento público, aprovados em lei
01:51no Congresso Nacional, validados pelo Tribunal de Contas que estão no FGO.
01:55Adicionalmente a isso, tem um recurso que é o recurso não resgatado no sistema financeiro.
02:00Nós estamos tirando o dinheiro dessa tesouraria, esse dinheiro esquecido, e passando para um fundo privado, poderia ser um outro
02:06fundo, como o FGC, por exemplo.
02:08E esse recurso, ele vai dar garantia para o próprio sistema bancário, como um todo, melhorar a sua situação.
02:16Os bancos vão receber parte da dívida que eles tinham, que hoje eles não recebem, as pessoas que hoje têm
02:22dívidas altíssimas e não conseguem pagar suas dívidas vão poder pagar uma dívida menor,
02:27e a gente otimiza recurso que está no sistema financeiro para garantir renegociações do sistema financeiro.
02:33Para o ministro da Fazenda, esse é o momento ideal para aprovar o fim da jornada 6x1.
02:39Ele diz que basta observar como outros países evoluíram em relação à jornada de trabalho e tecnologia.
02:47Eu acho sem dúvida que é o momento de aprovação dessa medida.
02:50A gente olha comparativamente no mundo, Denise, é algo que tem sido adotado, salvo pela Argentina, que é nosso país
02:57vizinho, que está na contramão.
02:58O mundo tem encaminhado nesse sentido de reconhecer um ganho de produtividade no novo ambiente digital,
03:04reconhecer que o trabalhador vai render mais se tiver um pouco mais de descanso.
03:09O que a gente tem levantado aqui na Fazenda é o debate do equilíbrio que é sempre delicado.
03:14Então veja, hoje, de cada 10 trabalhadores, 3 estão na escala 6x1, os outros já não estão mais.
03:21Desses três trabalhadores, quando a gente olha só para esse universo de quem está na escala 6x1,
03:26a grande maioria, vou dizer que 80% desses trabalhadores, ganha até dois salários mínimos.
03:33Então, em alguma medida, é também um pleito de justiça na relação de trabalho.
03:38Quem ganhar mais hoje já está numa escala 4x3, 5x2.
03:42E quem ganha menos segue na escala 6x1.
03:45Durigan também afirmou que vários segmentos importantes da economia brasileira não têm dependência da escala 6x1.
03:52A prática hoje já é de uma realidade do 5x2.
03:56Para esses outros setores, é claro que vale um debate, um diálogo para conferir ganho de produtividade para esse setor.
04:04Não quero que nenhum setor da economia brasileira fique para trás.
04:07Pelo contrário.
04:08E é por isso que a gente tem o Simples Nacional no Brasil,
04:12que é um grande instrumento de renúncia tributária e de benefício para as pequenas empresas do país.
04:17Por isso que a gente anunciou, junto com o Desenrola, linhas melhores para as pequenas empresas,
04:22com mais limite global para empréstimo.
04:26Por isso que a gente tem feito o FGI renovado, para que as empresas tomem crédito barato no BNDES.
04:31Por isso que nós temos que otimizar a digitalização no país,
04:35para que o ganho de produtividade do mundo, e eu não digo isso só pelo Brasil,
04:38o mundo está tendo ganho de produtividade, se reverta minimamente em prol do trabalhador.
04:44Então, eu digo, como o presidente Lula tem advogado por essa medida,
04:4940 horas semanais, com dois dias de descanso, sem redução de salário,
04:54e digo eu, sem compensação tributária para as empresas.
04:59O ministro disse ainda que o Brasil é um dos países menos afetados pela guerra no Oriente Médio,
05:04e que diferentemente de outras nações que sofrem com o aumento no preço do petróleo,
05:10o Brasil conseguiu impedir uma alta maior.
05:13Aqui no Brasil, o que a gente tem sentido é, o país é um dos que menos foi afetado com
05:18a guerra,
05:18então, quando a gente olha volatilidade de preço de combustível, por exemplo,
05:23é claro que nós fomos afetados, apesar de todo o esforço que o governo tem feito,
05:27para mitigar o efeito da guerra, a gente teve um aumento de um pouco menos de 20% no valor
05:34de combustível,
05:35tem países que foi 150% de aumento, como a África do Sul, 85% de aumento, como no caso
05:40do Chile.
05:41Isso tem chegado para a nossa população de maneira mitigada, graças ao esforço do presidente.
05:47E aqui, como nos preparar para a guerra? Esse é um grande tema que tem sido debatido.
05:53Questionado sobre a preocupação em relação às contas públicas,
05:57o ministro da Fazenda pontuou que, do ponto de vista fiscal, o Brasil melhorou nos últimos anos.
06:03A razão principal para a gente ver a dívida pública brasileira aumentar é exatamente a taxa de juros,
06:10não o esforço que o governo faz, ano após ano, de ir limitando o gasto de um lado e recompondo
06:16a receita de outro.
06:17O que eu posso dizer do lado fiscal é que o esforço fiscal tem sido feito,
06:22foi um esforço fiscal de 2% do PIB nesses últimos anos,
06:26e que, mais importante de tudo, e diferente do governo anterior, e que fica como legado para o país.
06:32Não tem surpresa amarrada para frente.
06:34Então, não estou contratando um gasto, não estou dando calote em precatório,
06:38não estou tirando ICMS de governador, não estou contratando um Fundeb que vai exigir 50 BID daqui a uns anos.
06:45Nós estamos organizando, estamos diminuindo o benefício fiscal,
06:48e isso vai gerando resiliência fiscal para o país.
06:52Então, a gente vai legar para os próximos governos uma resiliência fiscal muito grande.
06:57Dario Durigan disse que não tem tabu em discutir privatização dos Correios,
07:01mas acredita que é necessário um plano de reestruturação de um ponto de vista rígido.
07:07O que eu tenho feito agora é acompanhado esse plano de reestruturação dos Correios
07:11e exigido da nova administração, do novo presidente dos Correios, que é o Emanuel,
07:16que tem feito um bom trabalho até aqui, que entregue melhores resultados dos Correios,
07:20e não é só para essa gestão do presidente Lula, é para o país e para o futuro.
07:24Até porque, como você disse, o Correio cumpre uma função,
07:27que é a universalização da entrega postal para qualquer pessoa do país.
07:33O ministro estima que o rombo da estatal possa chegar a 10 bilhões de reais em 2026.
07:39O que é isso?
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07:40O que é isso?
07:40Obrigado.
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