00:00A gente vai falar agora do governo que deve anunciar hoje o novo Desenrola Brasil,
00:04que é o programa que tem o objetivo de reduzir o endividamento.
00:06O Marco está conosco e vai trazer as informações para a gente agora.
00:10Conta aí, seu Marco Viana, bem-vindo.
00:15Olá, Cine.
00:16Pois é, o governo federal lança hoje esse novo pacote para renegociação de dívidas
00:22que tenta atacar um dos principais problemas da economia brasileira,
00:27que é o endividamento das famílias.
00:29A iniciativa batizada de novo Desenrola Brasil vai permitir que milhões de brasileiros
00:35negociem débitos com bancos e instituições financeiras.
00:40Bom, segundo dados do Banco Central, mais de 100 milhões de pessoas têm algum tipo de dívida no país.
00:47O programa foi construído após negociações entre o governo e o setor financeiro
00:52e deve abranger dívidas como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e até o FIES.
00:59Durante o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os juros poderão chegar a, no máximo, 1
01:06,99% ao mês,
01:09com descontos que variam entre 30% e 90% sobre o valor total da dívida.
01:15Outro ponto que chama a atenção é a possibilidade do uso de até 20% do FGTS para ajudar na
01:24quitação dos débitos.
01:25Nesse caso, a operação será feita entre os bancos com autorização do trabalhador e a intermediação da Caixa Econômica Federal.
01:34Além disso, o governo também estabeleceu uma regra rígida.
01:39Quem aderir ao programa ficará impedido de apostar em plataformas online por um ano.
01:47Segundo Lula, a medida é para evitar que o alívio financeiro seja comprometido com os jogos.
01:53A expectativa do governo é reduzir a inadimplência, reaquecer o consumo e dar fôlego para a economia nos próximos meses.
02:03Instalado a partir de hoje e nós vamos acompanhar como tudo isso vai funcionar na prática, diretamente de Brasília.
02:10Volto com vocês.
02:11Valeu, Marco. Ótimo dia para você. Já estou aqui com os nossos comentaristas.
02:14O Lucas Merreiro mandou o irmão mais novo dele para cá.
02:17Barba feita.
02:18A inteligência, a competência são as mesmas.
02:22Tudo bem, Lucas Merreiro?
02:23Tudo bom dia, Evandro. Bom dia, Bia, Túlio.
02:25Você sabe que eu fiz uma aposta hoje com o meu pai.
02:27Ele falou, tenho certeza que o Evandro vai comentar alguma piada.
02:31Como é o nome do seu pai?
02:33Fábio.
02:33Seu Fábio, pois bem, o senhor acertou. O senhor nos conhece muito bem.
02:37Obrigado pela audiência de você.
02:38Exatamente.
02:39E aí, seu Túlio Nassa, bom dia para você.
02:41Bom dia, Evandro. Bom dia, Lucas. Bom dia, Bia.
02:44Muito bom começar a semana com esse trio aí de pura energia e alegria.
02:49Maravilha. Vamos nessa.
02:50Agora, vamos falar um pouquinho de Desenrola, Lucas Merreiro.
02:53Tudo indica que o Desenrola terá, sei lá, 20 edições,
02:56porque cada vez mais o governo tenta tirar as famílias do endividamento,
03:01mas sem pensar numa proposta que seja muito sustentável.
03:04Resolve a curto prazo.
03:05É algo, inclusive, interessante e pode trazer algum tipo de resultado em termos de popularidade.
03:10mas resolve, de fato, a situação das famílias brasileiras que acabaram se endividando nos últimos anos?
03:16Não, evidentemente que não, Evandro.
03:18O governo entende que há uma vantagem em manter as pessoas endividadas.
03:23Essa é a grande verdade.
03:24Porque você mantendo a população endividada, você consegue vir com esse tipo de populismo barato,
03:30especialmente em ano eleitoral.
03:32É por isso que a gente vê o PT falar muito em renegociação de dívida,
03:36mas não há nenhum tipo de discussão sobre como resolver o problema que faz essas pessoas se endividarem em primeiro
03:42lugar.
03:43É a mesma coisa com a proposta da escala 6x1, por exemplo.
03:46A gente fala em acabar com a escala 6x1, mas ninguém quer falar em como tornar o Brasil mais produtivo,
03:52em como tornar o Brasil um ambiente mais propício para negócios.
03:55Por quê?
03:55Porque essa é a parte chata, é a parte que tem que estudar,
03:58é a parte que tem que passar medidas que muitas vezes são impopulares,
04:01é a parte que tem que fazer o dever de casa.
04:03Aqui, com essa história da renegociação de dívidas, é a mesma coisa.
04:06O governo não quer discutir o que está fazendo as pessoas se endividarem.
04:10Por que elas estão indo ao banco e contraindo dívidas que elas não têm como pagar depois
04:15e têm que ficar dependendo dessa mediação do governo para fazer uma renegociação.
04:20Vejam só, o Brasil é um país pobre, as pessoas não têm educação financeira,
04:25as pessoas não têm oportunidades.
04:27E para piorar, nós temos um oligopólio, uma pequena elite de bancos
04:31que resolvem colocar as taxas de juros, as taxas de empréstimos lá no alto
04:35e acabam, na prática, extorquindo a população brasileira.
04:39E o que o governo faz é se aproveitar dessa situação
04:43para mediar ali uma renegociação e conseguir fazer disso uma pauta eleitoreira.
04:49Porque algumas pessoas vão olhar e falar
04:51nossa, olha como o Lula é bonzinho, ele me ajudou aqui na renegociação, vou votar nele.
04:55Pelo menos é isso que o governo conta que vai acontecer.
04:57A gente sabe que pelos índices de rejeição do Lula,
05:00essas estratégias podem ser que dessa vez não estejam dando muito certo.
05:05Túlio Nassa também vem para a conversa conosco,
05:07aqui remotamente, ao vivo.
05:09Túlio, a gente está falando de uma expectativa,
05:11segundo o Ministério do Trabalho e Emprego,
05:13de cerca de 4 bilhões e 500 milhões de reais que sejam injetados na economia
05:17a partir do acesso desse fundo do FGTS
05:21para as famílias, para os trabalhadores
05:23que estejam aí enfrentando algum problema de endividamento,
05:27inclusive com cartão de crédito.
05:28Então vai desde conta pequena até a mais volumosa.
05:32E o setor produtivo, principalmente imobiliário,
05:36está preocupado com essa medida porque a gente sabe que o FGTS também é usado
05:39como amortização para boa parte desses financiamentos.
05:43Ou seja, o governo tira de um lugar,
05:45mas também pode comprometer outro quando toma esse tipo de medida.
05:49Bom dia.
05:50Bom dia, Beatriz.
05:52Pois é, por essas e por outras, esses 4 bilhões e 500 são pura aspirina.
05:57Por quê?
05:57Eu vou explicar aqui.
05:58Dessa vez a analogia fica com a medicina, exatamente.
06:02O governo federal cria a doença.
06:04Qual que é a doença?
06:05O custo do Brasil é muito caro.
06:07O custo para o consumidor brasileiro é altíssimo.
06:10E não é para consumir picanha, não.
06:11É para consumir arroz, feijão, é para comprar remédio,
06:15é o transporte coletivo, é a gasolina.
06:17E esse custo é altíssimo e faz com que o brasileiro recorra a empréstimos.
06:22Os empréstimos têm os juros mais altos do mundo.
06:25Na verdade, o segundo juros mais altos do mundo.
06:28E, portanto, o brasileiro se endivida.
06:30Nós temos hoje 80 milhões de brasileiros endividados.
06:33E o que faz o governo, após criar essa doença?
06:36Porque essa doença é criada em razão do alto custo da despesa do governo federal.
06:41O governo federal não reduz as suas despesas, aumenta o risco Brasil
06:45e faz com que os juros fiquem altos.
06:47E qual seria o remédio que deveria atacar a causa?
06:50Não, é um remédio sintomático.
06:52Ele ataca apenas os efeitos, os sintomas.
06:55O governo diz o seguinte, vamos lançar o programa Desenrola.
06:59Consumidor brasileiro se desenrole de um empréstimo se enrolando e pegando um próximo empréstimo.
07:04Ou seja, ele não está atacando a causa.
07:06A causa seria a responsabilidade fiscal.
07:09Fazer com que o país gaste menos do que arrecada.
07:13Reduzir o risco Brasil.
07:14E daí fazer com que os juros caia de forma consistente.
07:19E não apenas dar mais um segundo empréstimo.
07:21Porque, na verdade, isso já foi tentado em 2022.
07:24E pior, com dinheiro do trabalhador ainda.
07:27Por essas e por outras, o Brasil realmente é o país do futuro.
07:30Só que nunca é o país do presente.
07:33Valeu, Túlio Nassa.
07:34E eu quero agora trazer um pouquinho também da avaliação econômica com o nosso querido Alan Gani.
07:38Ô, Gani, e como é que você avalia mais essa fase do programa?
07:42E o que ele pode trazer de benefícios ou não?
07:44Vamos olhar para os dois lados, para a gente ser justo aqui.
07:46Mas é interessante sempre manter um olhar crítico também sobre esse tipo de proposta
07:52que vem para resolver de uma maneira muito superficial um problema que é bem profundo no Brasil.
07:59Olha só, Evandro.
08:00É uma medida paliativa, mas não resolve do ponto de vista estrutural.
08:05Se a gente pegar o programa aqui, os juros vão ficar limitados a 1,99% para quem aderiu.
08:13Agora, também resta saber se os bancos vão aceitar.
08:17Porque será que vai ser um bom negócio para os bancos?
08:20Eu vejo que, basicamente, o banco vai aderir quando ele vê que não tem mais chance de recuperar o empréstimo.
08:28Juros de 1,99% até que é razoável, dado o histórico aqui do Brasil.
08:35Os descontos variam entre 30% e 90% do valor inicial da dívida.
08:39Então, se você tem lá uma dívida de 20 mil reais, ela poderá chegar a 2 mil reais.
08:45Novamente, será que o banco vai aderir em massa com desconto tão grande?
08:50Não me parece.
08:51O uso do FGTS vai poder utilizar até 20% do seu saldo.
08:57Lembrando aqui pessoas que ganham até 5 salários mínimos.
09:01Todo mundo que pode sacar o FGTS para pagamento de dívida.
09:04E, uma vez que você aderiu, Evandro, você não tem acesso ao FGTS e você vai lá no banco com
09:10o dinheiro para pagar a dívida.
09:11Não.
09:12O recurso vai diretamente da Caixa Econômica Federal para o banco que você tem a dívida.
09:18Caso contrário, você ia querer consumir esse dinheiro.
09:21Prazo de pagamento até 4 anos e tem uma carência de um mês para a primeira parcela.
09:27Muito bem.
09:28Qual que é meu ponto em relação a esse programa?
09:31Em parte, a pessoa não consegue sair da dívida porque os juros são muito elevados no Brasil.
09:38E não há nenhum diagnóstico sério até agora para atacar a raiz do problema, que são os juros elevados.
09:46Em parte, os juros são elevados porque o Estado brasileiro é muito inchado, muito gastador.
09:52E, para ele se financiar, ele tem que oferecer taxas de juros muito atrativas.
09:56Então, não é possível que dois terços do que é poupado no país acabe indo para o governo, para títulos
10:03públicos.
10:04Porque são taxas muito atrativas.
10:06Só que se você está colocando todo esse dinheiro para títulos públicos, você também não está investindo no setor produtivo.
10:15Então, diminuir o tamanho do Estado, diminuiriam os juros de mercado.
10:20Aumentar a concorrência bancária também é fundamental.
10:23Você tem, basicamente, quatro, cinco bancos que dominam o mercado de crédito aqui no Brasil.
10:28Então, Evandro, atacar o problema de várias frentes, melhorar o comportamento da população.
10:36Educação financeira é um programa sério.
10:38Mas, lá na base, não adianta você dar educação financeira para a pessoa que tem 18, 19 anos.
10:43Esquece.
10:44Você tem que formar esse comportamento enquanto criança.
10:50Porque daí, sim, ela vai ter responsabilidade para lidar com o dinheiro.
10:54Existe algum programa nesse sentido?
10:56Não.
10:57Claro, também porque não dá voto.
10:59Você investir em educação de base.
11:02O resultado é muito a médio e longo prazo.
11:04Então, vejo que isso aqui é uma medida paliativa, mas não resolve a questão estrutural, Evandro.
11:10Até porque, se você der essa educação ali na base, provavelmente você não vai precisar depois oferecer esses programas que
11:15são extremamente populistas, né, Alangana?
11:17Então, uma coisa eliminaria a outra.
11:19E qual é, de fato, a intenção e a vontade que esses políticos têm?
11:24Exatamente.
11:24E olha só, Evandro, pegar o próprio presidente Lula, ele, durante vários discursos, ele estimulou o consumo.
11:32Falando para as pessoas, tem que consumir, tem que pegar crédito.
11:35O consumo é o motor da economia.
11:38Não foi uma vez que ele falou isso.
11:39O resultado está aí.
11:41Enquanto, na verdade, o discurso deveria ser, você tem que poupar.
11:45Você tem que investir.
11:47Valeu, Alangani.
11:48Até.
11:48Até.
Comentários