O pré-candidato à presidência Aldo Rebelo soltou o verbo sobre o clima político atual.
Com investigações atingindo em cheio o mercado de capitais e figuras públicas, Rebelo alertou que o país corre o risco de viver uma "eleição da lama". Analisamos o impacto dessa declaração na corrida presidencial.
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#AldoRebelo #Eleições2026 #PolíticaBrasileira #Presidência #DebatePolítico #Brasil #PodcastBrasil #Política #Notícias #EleiçãoDaLama #AnálisePolítica #Planalto #Candidaturas #Entrevista #Democracia #Bastidores #Viral #Opinião #BrasilHoje #Tendências
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NotíciasTranscrição
00:00E agora a gente entrevista aqui o Aldo Rebelo, ele que é pré-candidato à presidência da República pelo Democracia
00:07Cristã.
00:08Aldo veio aqui ao estúdio conversar com a gente. Aldo, tudo bem? Boa noite. Obrigado por vir aqui até o
00:14estúdio.
00:15Muito obrigado, Duda, pelo convite. É uma honra e uma alegria poder partilhar com vocês esse momento tão tumultuado da
00:24nossa vida institucional e política.
00:27Aldo, então vamos falar já desse último tumulto, que são essas revelações do site Intercept, mostrando ali as mensagens entre
00:38Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, falando lá do filme Dark Horse.
00:45Como é que você viu essas mensagens? Faça uma pergunta mais ampla, depois a gente entra nos detalhes.
00:50Eu já posso cumprimentar o Rodrigo e o Almeida aqui. Então, boa noite a vocês.
00:55Boa noite, ministro.
00:57Duda, em primeiro lugar, a constatação de que são revelações filtradas, selecionadas.
01:07Lamentavelmente, tornou-se no Brasil quase que institucional vazamentos seletivos.
01:14E ninguém escapa disso. Isso é feito ou era feito contra Lula, contra Dilma, contra Bolsonaro, contra qualquer um.
01:23A seletividade aqui não tem ideologia, não tem lado.
01:29Então, a primeira recomendação é prudência, para que você possa analisar o conjunto das informações.
01:37Sem isso, do meu ponto de vista, é precipitado você fazer qualquer julgamento.
01:44Se era no passado, continua sendo precipitado no presente.
01:49Me perguntaram se isso inviabilizaria a pré-candidatura do senador Flávio.
01:57E eu dizia que no Brasil, esses episódios nunca inviabilizaram a vida pública de ninguém.
02:03E lembrei o próprio caso do presidente Lula, que teve o nome, a gestão, a administração dele envolvida em episódios
02:12como o Mensalão, como o Petrolão.
02:15Chegou a ser preso, condenado, ficou quase 600 dias preso lá em Curitiba, saiu da prisão, foi reabilitado como candidato,
02:27disputou as eleições e ganhou as eleições.
02:31Está certo.
02:32Então, é preciso, portanto, cautela.
02:35O que eu acho que o episódio pode contribuir é para nivelar, ou seja, os escândalos.
02:42Lembram a final de campeonato paulista entre o São Paulo e o Palmeiras, em 51, que ficou conhecido como o
02:49jogo da lama?
02:50Porque era muita lama no Pacaembu e o juiz não conseguia mais identificar o jogador pela camisa, porque ficou tudo
02:58enlameado.
02:59Ele tinha que olhar assim, perto, para ver o rosto do jogador, para saber se era do Palmeiras ou do
03:04São Paulo.
03:05Nós podemos ter uma eleição da lama.
03:08Essa é a situação que nós estamos marchando para testemunhar.
03:13E isso é ruim para as eleições, é ruim para o país.
03:17Nos tira da agenda que é importante, o desenvolvimento do país, a democracia, a redução das desigualdades,
03:27para ficar discutindo problemas que, infelizmente, assolam a vida política do nosso país.
03:33Aldo, mas o que as mensagens revelaram é que Flávio Bolsonaro teria pedido dinheiro para Daniel Vorcaro.
03:42Essa informação você coloca em dúvida ainda?
03:46Não, não coloco em dúvida, porque eu pergunto, tirando nós quatro aqui,
03:51quem não pediu dinheiro para Daniel Vorcaro no Brasil?
03:55Quem? No mundo político, no mundo jurídico, no executivo.
04:01Esse Daniel Vorcaro, se fosse julgado como tipo sanguíneo, seria doador universal.
04:09Está certo? Doou para todo mundo.
04:12Então, não teve encontro também com o presidente Lula, se não me engano?
04:17Teve.
04:17Segundo a notícia?
04:18Quatro encontros com o presidente Lula, que foram até...
04:22Quem fez a ponte foi o Guido Mantegna, que era um assalariado, aliás, do Banco Máster, também Ricardo Lewandowski.
04:28Teve como advogado, ex-ministro do Supremo, ministro da Justiça.
04:32Então, eu acho que nessa circunstância, está certo, diria, como na Bíblia, quem atira a primeira pedra?
04:44Está certo.
04:45Com exceção de nós quatro que estamos aqui, talvez mais alguns.
04:51Pessoal da produção também.
04:52Pessoal da produção também.
04:53Acho que minha esposa também, porque lá em casa nós estamos do mesmo jeito.
04:57Não teve dinheiro também para órgãos de imprensa, ou não teve?
05:02Do Vorcaro, do Máster?
05:04Sim, do Vorcaro.
05:05Vários sites, não vamos citar aqui, mas teve sim.
05:08Não, não vou citar, só quero...
05:09Não precisa do santo, eu quero saber se o milagre aconteceu.
05:13É.
05:13Agora, essa não é uma maneira de nivelar, relativizar o que está acontecendo?
05:19Ou eu te pergunto de outra maneira?
05:21Quer dizer, o fato de que ele, então, entrou em contato, que ele tinha essa comunicação direta com o Vorcaro.
05:30Você acha que isso seria um problema?
05:33Isso se confirmando?
05:37Duda, nós sabemos como essas coisas funcionam, está certo?
05:41Todos esses episódios, é como diz aquela música lá do Nordeste, né?
05:46Tu me ensina a fazer renda, que eu te ensino a namorar, está certo?
05:50Então, essas relações, geralmente, envolvem favores, expectativa de favores.
06:00O Vorcaro não é um bom samaritano.
06:03Não saía distribuindo recurso como o Madre Tereza de Calcutá distribuía a sua bondade, está certo?
06:11Não era para qualquer um que ele dava dinheiro, né?
06:14Exatamente.
06:15Não passava na Avenida Paulista distribuindo com os pobres, nos orfanatos, nas obras de caridade.
06:21Não, era tudo muito selecionado e dirigido a quem tinha capacidade de exercer alguma influência no poder.
06:28Seja no judiciário, no legislativo ou no executivo.
06:33E isso, naturalmente, é uma forma de promiscuidade, mas a política no Brasil, a justiça no Brasil, o legislativo no
06:44Brasil, passaram a ser conduzidos por essas relações, que são condenáveis e espúrias.
06:54Mas é o que, pelo amor de Deus, olha para o Congresso, para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro,
07:02para o Supremo Tribunal Federal, para o Poder Executivo.
07:06Está todo mundo lá, está lá o Guido Mântica, estava lá o ex-ministro da Justiça, estava lá alguém do
07:11Supremo, estava lá.
07:12Então, isso aí é uma coisa deplorável.
07:14E isso é um grande prejuízo para a política, porque isso reduz a autoridade da política.
07:20Porque governar, você tem que ter dois requisitos.
07:27O poder é concedido por uma norma, a Constituição dá poder.
07:31Autoridade é biografia e comportamento.
07:35Então, quem está no poder hoje tem poder, porque a Constituição dá poder ao ministro, ao deputado, ao senador, ao
07:40ministro do Supremo, ao presidente da República.
07:41Mas o poder hoje tem cada vez menos autoridade, porque autoridade é biografia, é comportamento.
07:48E isso deixa um vácuo que passa a ser ocupado por quem quer que seja.
07:53E agora é a corrupção do sistema financeiro.
07:55Antigamente era uma empreiteira que dava dinheiro por uma obra, por uma ponte, por uma estrada, por um viaduto.
07:59A corrupção acontecia e ficava lá uma estrada, um viaduto, uma hidrelétrica, uma ponte.
08:07Hoje em dia não fica nada.
08:08Fica apenas uns títulos podres que não servem para nada o dinheiro dos aposentados,
08:15dos fundos de pensão das prefeituras, dos estados, ou dos bancos públicos como o BRB.
08:20Essa é a situação.
08:22Candidato.
08:23Sim, senhor.
08:23Deixa eu...
08:25Estou aqui pensando nas suas respostas e pensando nas respostas dos seus outros competidores a essa situação.
08:31O Romeu Zema reagiu super rápido à história do Flávio Bolsonaro e de uma maneira agressiva.
08:37Flávio Bolsonaro é imperdoável ver você recebendo, ouvir você pedindo dinheiro ao Vorkar.
08:45O Caiado respondeu de uma maneira mais comedida.
08:49Olha, precisamos de respostas, mas é mais importante não dividir a direita neste momento.
08:56Eu vejo que o Romeu Zema está esperando o voto bolsonarista, o voto antipetista, que não necessariamente é bolsonarista.
09:06O Caiado está falando assim, bom, eu não vou brigar ali, vai que cai no meu colo o voto bolsonarista,
09:15não vou brigar com eles.
09:16Qual é o voto que o senhor quer nessa situação?
09:22É o voto do Lula para se eleger?
09:24Da onde viria o seu voto?
09:28E qual é o efeito que o seu discurso de agora pode fazer com esse objetivo de, enfim, posicioná-lo
09:35no tabuleiro?
09:37Eu não tenho a mínima ideia.
09:40A minha ideia de ter um comportamento correto, adequado, é de não tripudiar sobre a desgraça alheia, ou a possibilidade
09:50de desgraça.
09:51Eu acho que isso atrai maus sinais para você.
09:55E eu não vou disputar o voto com direita ou esquerda, eu vou disputar o voto com uma plataforma própria,
10:03com uma agenda própria.
10:05Eu vejo que há no país, chamo aí de polarização, seja lá do que for.
10:12E eu não embarco nessa aventura.
10:16Eu quero apresentar para o Brasil um projeto de desenvolvimento, que é o que o país precisa.
10:22Dizer que o Brasil é um país rico e um país interditado.
10:27Essa agenda que está aí não vai resolver nenhum problema do Brasil.
10:31O Brasil vai continuar tendo o Supremo Tribunal Federal como um poder acima de tudo e de todos.
10:36O Brasil vai continuar tendo dificuldades para licenciar uma obra que não se sabe se dura 5 anos, 50 anos
10:43ou 500 anos.
10:44O Brasil vai continuar tendo o IBAMA, FUNAI e o Ministério Público parando o país como está parando há muito
10:50tempo.
10:51E esse debate resolve o que?
10:53Então que o Flávio possa esclarecer ou não as denúncias e os vazamentos envolvendo a vida dele,
11:02que o Zema vá surfar sobre essa situação, o meu esporte não é esse.
11:08Está certo?
11:08A minha agenda não é essa.
11:10A minha agenda é discutir com o Flávio, com o Zema, com o Caiado e com o presidente Lula,
11:16que é candidato à reeleição, um caminho para o Brasil.
11:19Essa é a minha agenda, esse é o meu interesse.
11:22E não me prender a essas circunstâncias que eu acho que é uma circunstância deplorável,
11:30mas que não vou fazer dela a minha plataforma de campanha, Graieb, de jeito nenhum.
11:39Aldo, tem alguma coisa que você, caso venha a ser presidente, poderia fazer
11:45para evitar isso de um banqueiro com muito dinheiro sair comprando todo mundo?
11:53De dentro do Poder Executivo, tem alguma coisa ali moralizante que poderia ser feita?
11:59Claro que sim.
12:00Eu fico imaginando.
12:02Eu fui presidente da Câmara.
12:04Um escândalo de mensalão.
12:07Severino Cavalcante renuncia porque recebeu um dinheiro lá de uma terceirizada.
12:11Da lanchonete.
12:12Exatamente.
12:13É um orçamento de dois bilhões e meio de reais.
12:16E coisas que o presidente não acompanha, porque é da administração da casa.
12:21Mas renunciou.
12:22Teve uma eleição.
12:24Aí aparece o escândalo do mensalão e o julgamento dos deputados.
12:27Deputados importantes, líderes importantes, como Zé Dirceu, como Roberto Jefferson,
12:33João Paulo Cunha e outros que foram julgados, caçados.
12:40A Câmara tomou a iniciativa de oferecer uma saída para a sociedade, para a população.
12:47O Senado, senadores que renunciaram ao mandato para não ser caçados.
12:54E era gente com muita representatividade, eu lembro, envolvendo o senador Antônio Carlos Magalhães, entre outros.
13:00O que é que o Congresso está fazendo agora em relação a essas denúncias?
13:04O que iniciativa?
13:06A outra coisa que eu penso que deve ser oferecida ao Ministério Público e ao Judiciário,
13:16no lugar de parar o país, são normas especiais, normas de exceção para combater a corrupção.
13:25A corrupção e o crime organizado, que eu acho que são coisas que podem ser associadas.
13:30Então, acho que tem que ter normas especiais, normas de exceção.
13:34A corrupção desmoraliza o país, não é que desmoraliza só a política.
13:38Tira da política exatamente a sua vocação, como disse uma vez um Papa, da melhor forma de caridade, de fazer
13:47o bem.
13:48Então, a norma precisa ser mais rigorosa na condenação ao crime de corrupção.
13:55E quanto ao Supremo Tribunal Federal, no primeiro dia de governo, qualquer presidente da República que quiser governar o Brasil,
14:02ele tem que propor uma emenda.
14:04Eu chamo de emendão, porque é reunir a revogação ou a modificação de todos os artigos da Constituição,
14:12de todos os parágrafos, de todos os incisos que impuderam o Supremo Tribunal Federal
14:17para invadir atribuições do Executivo e do Legislativo.
14:21Que o Supremo fique como poder constitucional, como um tribunal constitucional, e não um tribunal de tudo.
14:26Que legisla sobre matéria tributária, como legisla sobre o IOF.
14:30Que legisla sobre orçamento, acabou de legislar, o ministro diz, não pode contingenciar o orçamento do Ministério Público.
14:37Aí o outro chega e diz, também não pode contingenciar o orçamento das áreas de meio ambiente.
14:41Pode contingenciar da educação, da saúde, do transporte, da segurança pública, da defesa.
14:45Isso não é matéria do Supremo Tribunal Federal.
14:47Posso?
14:48Claro.
14:48Eu entendo perfeitamente, ministro ou pré-candidato?
14:53Vamos lá.
14:54Ministro, a gente tem pelo protocolar, o senhor foi ministro, teve expressividade, tem expressividade.
15:00Eu entendo perfeitamente, mas muitas vezes não são os seus colegas políticos que quando são derrotados no debate,
15:06judicializam e acionam o Supremo também?
15:10Porque assim, vamos lá, na democracia, perdemos, a gente vai reconfigurar, vai tentar conquistar outra coisa depois.
15:16Mas no Brasil, o partido perde, independente se é de direita, de esquerda, de centro, perdeu, ele não aceita a
15:24derrota, ele quer judicializar.
15:25Não tem também uma parcela dos próprios políticos que acabam também incomodando, não é incomodar, mas eles acabam interpelando o
15:34Supremo constantemente, jogando tudo isso.
15:37Como é que os políticos também têm a sua parcela ali para dar essa hiper expressividade do Supremo?
15:43Você tem toda a razão e não é uma parcela pequena de responsabilidade, não é uma parcela grande.
15:48Agora tem que tomar o problema na sua origem. Qual é a origem do problema?
15:52Por que é que o deputado que perde uma votação na Câmara recorre ao Supremo?
15:58Eu já vi partido, grupo que perdeu uma eleição de líder, recorrer ao Supremo e o ministro do Supremo indicar
16:06o líder do partido.
16:07Eu era presidente da Câmara. Liguei para o ministro, eu digo, o senhor indicou um líder de partido?
16:11É, fui provocado e indiquei. Eu digo, o senhor vem da posse ao líder que o senhor indicou?
16:15Porque nem eu que sou presidente da Câmara posso me meter em eleição de líder.
16:18O que aconteceu? A Constituição de 88, para enfrentar uma corporação muito forte,
16:26que governara o país durante 21 anos, que eram os militares,
16:30O poder civil, tanto os conservadores quanto os progressistas, se reuniram para decidir como neutralizar essa corporação,
16:41empoderando corporações civis. Empoderaram o Supremo, o Judiciário de primeiro grau,
16:46e criaram aquilo que o ministro Sepúlveda pertence, chamou de um monstro,
16:50que foi o Ministério Público Federal completamente fora de controle,
16:54onde não há hierarquia, não se é administrativa.
16:57Cada promotor é um Ministério Público autônomo.
17:00Criaram essas corporações, empoderaram essas corporações, elas ficaram ali,
17:05enquanto a democracia funcionava, a política tinha prestígio.
17:08Aí começou, eu vi isso no governo do presidente Collor, depois no Itamar, depois no Fernando Henrique.
17:15Você perdia uma votação na sua instituição, que é o Legislativo,
17:19você, ao invés de respeitar a decisão do seu poder, você ia ao Supremo.
17:24Ora, o Supremo dizia que tudo bem, dava razão ao recorrente, ora, dava razão à outra parte,
17:33mas foi tomando gosto por substituir atribuições que não eram dele, do Supremo.
17:41Candidato, o senhor tem um histórico no PCdoB, a maior parte da sua carreira política foi no PCdoB.
17:50E hoje a gente vê o senhor adotando posições que não têm nenhuma identidade clara,
17:58mas com as pautas da esquerda, de maneira geral.
18:01Então, como é que foi esse seu processo de desvincular-se da esquerda, do comunismo?
18:11Foi um dia que o senhor acordou e falou, não quero mais?
18:14Foi um processo que as fichinhas foram caindo?
18:18O que aconteceu?
18:19Eu posso, em intensidade, a pergunta do meu colega,
18:22porque o senhor colocou a questão de poder e autoridade,
18:27que é uma das minhas primeiras aulas de ciência política,
18:30e que a gente faz com um menino de 17 anos que está chegando na universidade.
18:35E o senhor falou que a autoridade, ela está ligada à biografia, à trajetória,
18:42à própria expressividade daquele que tem um poder que é autorizado por lei.
18:46Autoridade é um poder autorizado por lei.
18:48E a pergunta do Greber era muito próxima do que eu ia fazer.
18:51Eu até falei, não, vocês podem fazer depois,
18:53porque é o seguinte, tem uma trinca de autores, na década de 30,
18:57o senhor conhece o Sérgio Buarque, o Gilberto Freire,
19:00e o Caio Prado Júnior, que é um dos primeiros a articular o pensamento marxista
19:05no estudo da história do Brasil,
19:07ele escreve lá,
19:08Formação do Brasil Contemporâneo, Dois Pontos, Colônia.
19:12E lá na introdução ele vai à essência.
19:14Ele diz, olha, se nós vamos à essência da formação do Brasil,
19:17esse Brasil foi formado para ser explorado e mandar,
19:20não chamava commodities, mas matéria-prima para o exterior.
19:23Então o centro decisório estava fora do Brasil e não aqui.
19:26Na pergunta do Greber, eu não compro a tese barata
19:31de que o senhor saiu do comunismo e foi para o bolsonarismo.
19:34Eu acho, aliás, isso de uma simplicidade temerária
19:38para quem tem a trajetória que o senhor tem.
19:40Mas a minha pergunta é,
19:41qual é a essência na sua percepção da mudança
19:45se houve um adiornamento do seu pensamento
19:49saindo do comunismo?
19:51Não sei se o comunismo marxista, leninista, trotskista,
19:57mas desse comunismo para estar na democracia cristã
20:01e citar a Bíblia aqui, enfim, eu concordo com a citação bíblica.
20:05A essência, assim, como que o senhor fez esse adiornamento?
20:09Qual era o teu melhor autor no campo do marxismo?
20:14Quem é hoje no campo liberal?
20:16Quem o senhor lê, quem o senhor acompanha?
20:18Essa é uma dúvida sincera de um professor
20:20que gosta muito de entender o pensamento político,
20:23mas que tem um lastro no pensamento social brasileiro.
20:27Desculpa se eu me estendi muito,
20:28não queria citar autores,
20:29mas era muito próximo do que o Garaebi está perguntando,
20:32eu também queria saber,
20:33porque eu tenho essa curiosidade, ministro.
20:35Olha, vocês veem aí um debate lá no Supremo
20:38sobre um código de ética do Supremo.
20:43Eu digo, se você não sabe o que é ética
20:45quando chega no Supremo,
20:46você não vai aprender com o código.
20:48O meu código de ética eu aprendi em casa,
20:51com a minha mãe.
20:52Você aprende geografia, história, ciências na escola.
20:54O que é certo e o que é errado,
20:56você aprende em casa.
20:57Se você não aprender, você não vai aprender mais nunca.
20:59Eu nasci na roça,
21:01lá no sertão das Alagoas.
21:03Nasci de parteira,
21:05fui alfabetizado numa escola rural,
21:08estudei em escola técnica agrícola,
21:10de uma família muito católica,
21:11muito religiosa.
21:12Então, meus valores, meus princípios,
21:15minhas crenças estão ligados a esta origem.
21:18E isso eu trouxe para a política.
21:21Eu fiquei 40 anos no PCdoB
21:23pensando do jeito que eu penso hoje.
21:24O que é?
21:25No desenvolvimento, no nacionalismo,
21:27na democracia,
21:28porque vivi sob o regime militar,
21:30com censura, imprensa,
21:31com falta de liberdade.
21:33E com a luta em defesa dos direitos dos mais pobres.
21:37Quando eu fui relator do Código Florestal,
21:39eu estava no PCdoB,
21:40acusado de fazer o jogo dos grandes proprietários.
21:43Quando eu fiz a lei dos transgênicos,
21:45eu estava no PCdoB.
21:47Quando eu disse ao presidente Lula
21:48que demarcar a Raposa Serra do Sol
21:51como terra indígena,
21:52daquela forma,
21:53seria um grave erro do governo dele,
21:55escrever artigos para o jornal Estado de São Paulo
21:58sobre aquilo,
21:59eu estava no PCdoB.
22:00Então, a minha militância partidária
22:03nunca impediu que eu defendesse
22:06as minhas ideias.
22:08Quando eu era da UNE,
22:09eu ia para as passeatas
22:10com a bandeira do Brasil.
22:12Fundei o Movimento em Defesa da Amazônia
22:14aqui em São Paulo
22:15com outro grupo de jovens lá no Tuca,
22:18no Teatro da Universidade Católica de São Paulo.
22:20Então, essa é a minha trajetória,
22:22esse é o meu pensamento
22:23e procuro me manter coerente com essas ideias.
22:26Mas me afastei por quê?
22:28Porque achei que uma parte da esquerda,
22:31pelo menos,
22:32deixou a agenda da ideologia
22:35pela agenda da biologia.
22:38Substituiu um projeto comum,
22:41interesses gerais,
22:42por uma agenda de cor de pele,
22:45de orientação sexual,
22:47de gênero,
22:48que é tudo muito bom,
22:50muito democrático,
22:51mas eu acho que não é a principal agenda do país.
22:54Foi isso que me levou a esse distanciamento.
22:57Mas saí sem brigar,
22:58recebi uma carta de reconhecimento
23:01pela contribuição que dê a vida partidária
23:04com o presidente Lula e a presidente Dilma,
23:06do mesmo jeito.
23:07Eu tenho críticas ao governo,
23:09à orientação que para o país
23:11da atual gestão do presidente Lula,
23:14que não era o que ele fazia
23:15quando eu era ministro,
23:16Roberto Rodrigues era ministro,
23:18Luiz Furlan eram ministros,
23:20era outra coisa.
23:21Sim, senhor.
23:21O Prando tinha feito aqui também uma pergunta
23:24quais são os autores,
23:25os livros.
23:26Não, se o senhor quiser.
23:27Não, por favor.
23:29Eu tinha um professor de português
23:31que era um latinista, um padre,
23:33que abria os horizontes para a leitura.
23:36Nós liamos desde cedo
23:37de Júlio Verne
23:38aos sul-americanos,
23:41ao Vargas Llosa,
23:43ao Gabriel Garcia Marques,
23:45aos brasileiros,
23:46Machado de Assis,
23:47Guimarães Rosa,
23:48os poetas,
23:49o Graciliano Ramos,
23:50que é lá o nosso conterrâneo
23:52das Alagoas,
23:53Economia,
23:54eu também li tudo.
23:55Li dos clássicos
23:57de Ricardo,
23:59Adan Smith,
24:00o Marques,
24:01tudo isso
24:02era quase que
24:03uma leitura obrigatória
24:04no tempo
24:05em que a universidade
24:06te impulsionava
24:08para uma convivência
24:09ecumênica.
24:10E convivi também
24:11com grandes economistas,
24:13convivi com Roberto Campos,
24:15lá,
24:16convivi com Delfi Neto,
24:17convivi com todos os deputados,
24:19com a Maria da Conceição Tavares,
24:21e te digo que aprendi
24:22com todos eles,
24:23lições muito importantes.
24:25No campo do liberalismo,
24:26quem que o senhor
24:28recomendaria um jovem
24:29ler hoje?
24:30Eu acho que um
24:31grande economista
24:33liberal do Brasil
24:35é o Roberto Campos,
24:37que era um economista liberal,
24:39mas era também
24:39um homem de Estado,
24:41um planejador,
24:42criou o BNDES,
24:45quando isso
24:46era importante
24:47para o país.
24:48O Delfi Neto também,
24:49pode dizer que o Delfi Neto
24:51era um
24:52economista
24:52estatizante,
24:54era de matriz liberal
24:55aqui da USP,
24:57mas era também
24:57um homem ligado
24:59aos interesses
25:00de Estado,
25:01e tinha também
25:02o planejamento
25:03como uma coisa importante.
25:05O senhor tem um nome
25:05para cuidar da economia
25:07no seu governo?
25:08Todos os economistas
25:10que eu consulto
25:10estão mortos.
25:13eu observei isso.
25:16O senhor tem um nome
25:18para cuidar do seu marketing?
25:19Oi?
25:20Tem, tem.
25:20Quem é?
25:21Eu mesmo.
25:24É muito caro,
25:25e eu faço de graça.
25:27E o senhor falou
25:28do BNDES,
25:29o Lula agora
25:30pôs o BNDES
25:30até para financiar
25:32a compra de viatura
25:33por polícia
25:34em cidade pequena.
25:35Não é uma tragédia, Duda?
25:37Como é que você vê isso?
25:38Porque essa não é
25:38a finalidade do BNDES,
25:40isso teria que ser
25:40dinheiro do orçamento.
25:42Como não tem orçamento?
25:43Porque dizem que o país
25:44vai quebrar em 2027.
25:45Esqueça,
25:46o Brasil já quebrou.
25:47A guerra do Irã
25:50antecipou
25:51a quebradeira do Brasil.
25:52Não só do país,
25:53do Tesouro,
25:54que não tem mais recursos,
25:56que contingência a tudo,
25:57da população,
25:58que tem 82 milhões
25:59de inadimplentes no país.
26:00Eram 70 milhões
26:01quando o presidente
26:02começou a governar,
26:03são 82 milhões.
26:04Alguém imaginava
26:05um pão de açúcar quebrar?
26:07Alguém imaginava
26:08uma raiz em quebrar?
26:09a agricultura
26:11não consegue gerar
26:12para pagar
26:12as dívidas,
26:14as dívidas da gasolina
26:15não conseguem mais
26:16gerar isso.
26:16Música
26:17Música
26:30Legenda por Sônia Ruberti
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