00:00Vamos voltar pra Brasília porque o presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin,
00:04se reuniu na noite de ontem com o próprio André Mendonça.
00:09E aí, gente, pra discutir sobre o caso do Banco Master.
00:13Ao longo do dia, o Fachin também conversou com outros ministros da Suprema Corte.
00:16Nos bastidores, integrantes do STF reclamam da postura da Polícia Federal na condução desse caso.
00:23Uma ala também critica a condução de André Mendonça na relatoria.
00:27Na reunião, Fachin declarou apoio total ao ministro.
00:31Piper, não quero comentar contigo porque o próprio ministro Edson Fachin,
00:35ele tava sendo muito criticado pela sua inércia.
00:38Ou pelo menos na tentativa de defender a instituição, ou seja, o Supremo Tribunal Federal.
00:43E levando consigo ainda esses problemas pessoais que os ministros estavam aí supostamente envolvidos
00:49com o caso do Banco Master, que eu cito o Dias Toffoli e também o ministro Alexandre de Moraes.
00:54Como é que você vê essa atitude, ou pelo menos essa ação do ministro Edson Fachin,
00:59de dizer, doa quem doer, vamos avançar no caso do Banco Master e dando apoio ao André Mendonça?
01:04Porque é o seguinte, ele tem que dar satisfação pro colegiado ou pra sociedade.
01:09Eu acho que ele tem que conversar mais com a sociedade.
01:12Ele não tem que fazer o que o colegiado bem entende.
01:16Ele não tem que agir no sentido de se limitar a blindar a Suprema Corte.
01:21Veja, eu acho que muitas vezes o STF precisa sim de desenvolver mecanismos de defesa,
01:29porque afinal de contas ele também está sempre exposto,
01:31porque ele tem que tomar o tempo todo decisões sensíveis.
01:35Você pode criticar ou aplaudir algumas decisões e isso faz parte.
01:41Isso aí, enfim, a sociedade ela tem clivagens diferentes.
01:46Então, cada setor enxerga de uma forma.
01:49Isso é uma coisa.
01:50A outra é o ministro Fachin ser obrigado a sair em defesa ética de companheiros,
02:02de colegas aí do colegiado,
02:04que estão expostos por conta de atos, de decisões pessoais,
02:11que não tem nada a ver com o funcionamento do tribunal.
02:16Essa é a questão.
02:18Então, o ministro Fachin, eu sou a favor de que ele se coloque em defesa da instituição.
02:25Agora, não faz o menor sentido ele sair, por exemplo,
02:28em defesa de um ministro que fez negócios privados com um banqueiro corrupto.
02:34Não é obrigação dele fazer isso.
02:36Essa é a diferença muito sensível.
02:39Então, ele tem que sair em defesa da nossa Suprema Corte,
02:46mas não dos ministros que agem aí motivados por interesses privados
02:52que são, inclusive, lesivos à própria reputação dessa corte.
02:57É aí que está.
02:59Então, quando ele dá respaldo ao ministro André Mendoza
03:02para que o ministro haja como tem que ser
03:06na questão da condução desse processo do Banco Master,
03:09ele está muito correto.
03:11Se, por acaso, ele recuar e falar,
03:13olha, vamos parar porque pode atingir algum colega nosso,
03:17aí ele manchou, inclusive, a própria reputação.
03:20O Alaguer, você acredita que foi um erro inicial do Supremo Tribunal Federal
03:23de defender as crises privadas e torná-las numa crise institucional?
03:29Olha, foi um erro porque, é claro que agiu de uma maneira corporativista, né?
03:36Então, num primeiro momento, quando, veja, o nome de Dias Toffoli apareceu
03:43no envolvimento do repasse de recursos para o fundo,
03:47que ele era um sócio oculto,
03:50logo ali ele já deveria ter colocado o impedimento.
03:54Opa, eu não posso julgar esse caso, eu não posso assumir essa relatoria.
03:59É claro que isso já ajudaria bastante a ter estancado a crise,
04:05mas não foi assim que ele agiu, muito pelo contrário, né?
04:09O caso subiu para o Supremo e, a partir daquele momento,
04:13em vez de falar do impedimento, ele foi dobrando a aposta,
04:16como, por exemplo, as provas não poderiam ficar na Polícia Federal
04:20e, sim, inicialmente, na custódia da Suprema Corte.
04:25Aí pegou tão mal que acabou falando, não, ok, vamos deixar lá na PGR.
04:30Depois daquela reunião também, a portas fechadas,
04:33um negócio meio esquisito que a própria Suprema Corte disse o seguinte,
04:37olha, não tem nenhum conflito de interesse, nenhum conflito ético,
04:40nenhum conflito privado, misturando aqui o público e o privado,
04:44mas vamos afastar o ministro Dias Toffoli.
04:47Vai afastar da relatoria, você não tem problema.
04:49Então, também ficou tudo muito esquisito.
04:53Agora, de qualquer maneira, eu acredito que o ministro André Mendonça
04:59tem muito a consertar do que aconteceu recentemente, né?
05:06Ele, justamente aí, com o apoio do ministro Fachin,
05:10que são as investigações.
05:12Ou seja, investigar por que que 129 milhões de reais parou na mão
05:17de uma mulher, de um dos ministros da Suprema Corte,
05:21sem que ela nunca tivesse prestado um serviço relevante ao Banco Master.
05:26Ou investigar que troca de mensagens foi essa, né?
05:29De acordo que foi apurado pela coluna da Malu Gaspar,
05:32de entre o ministro da Suprema Corte e o Daniel Vorcar,
05:35no dia da prisão dele, e um dia antes da liquidação do Banco Master,
05:40precisamos bloquear. Bloquear o quê?
05:43Bloquear a liquidação? Bloquear a prisão?
05:46Não é uma conversa, evidentemente, republicana.
05:48E também investigar essa movimentação financeira
05:52de um dos fundos ligados ao REAC, que era ligado ao Banco Master,
05:56que parou aí na Maridite, que é a empresa do Dias Toffoli.
06:02Enfim, tudo isso precisa ser investigado.
06:05É claro que os ministros têm o direito à ampla defesa,
06:10à presunção de inocência, mas a sociedade quer explicações.
06:14Afinal de contas, trata-se também do nosso dinheiro.
06:18Zé, até para colocar o ingrediente nessa discussão,
06:21é importante lembrar que agora, nessa sexta-feira,
06:23os ministros da própria segunda turma vão discutir
06:26a manutenção ou não da prisão de Daniel Vorcaro
06:29numa decisão monocrática por parte de André Mendonça.
06:32E dentro da própria turma está o Dias Toffoli,
06:35que em nenhum momento se julgou impedido
06:37de analisar os desdobramentos agora do caso do Banco Master.
06:42Toda essa, podemos dizer assim, essa série de recados,
06:45essas manifestações, essas declarações de Edson Fachin,
06:48foi na tentativa de trazer mais transparência,
06:50até mesmo tentar limpar a barra ou a imagem do STF.
06:53Mas sexta-feira a gente pode estar diante de mais um constrangimento.
06:57Pois é, a primeira vez que o plenário do Supremo analisa esse caso Master,
07:01esse caso vergonhoso, coisa de bandido,
07:05era uma pirâmide financeira com o nome de Banco Master,
07:08que vai lesar, sim, inocentes, aposentados.
07:13Haverá consequências, enquanto os poderosos que tomaram as decisões ficam fora.
07:18Mas, olha, é um momento muito difícil para o Supremo Tribunal Federal.
07:22Eu nunca vi o Supremo nessa situação.
07:26Veja bem, o Supremo está fragilizado,
07:28e diante disso há ameaças de todos os lados, né?
07:32Vários, até o Congresso, várias instituições,
07:36eles cresceram diante dessa fragilidade do Supremo,
07:39e o presidente Edson Fachin está tentando limpar a imagem da casa.
07:44Já veio com a história de fazer ler o Código de Conduta.
07:48Tá, eu entendo que cada lei, quando ela chega,
07:52é sinal de falência da sociedade.
07:53Porque a ética, a moral deveriam estar acima de tudo, né?
07:58A honestidade, a decência.
08:00Se houvesse isso, não haveria necessidade de leis,
08:04ou o mínimo possível.
08:06Nesse caso do Código de Conduta,
08:08o próprio presidente veio com a ideia,
08:11não foi ninguém de fora, não, de lá de dentro,
08:13porque entendeu que há esse arranhão.
08:16O discurso do ministro Edson Fachin,
08:18que falamos agora há pouco,
08:19é muito importante no chamamento, exatamente, da imagem.
08:22Ele prometeu a representantes da Ordem dos Advogados do Brasil
08:26de que doa em quem doer,
08:28que ele vai seguir em frente com as investigações.
08:31Vai colocar nada debaixo do tapete.
08:34Palavra do ministro Edson Fachin.
08:36Então, a ideia agora é de reação.
08:38Mas veja bem, pelo que eu estou sabendo,
08:41pelas conversas do próprio Supremo,
08:45é de que existe uma divisão ali,
08:48sobre exatamente a reação, né?
08:50O espírito de corpo está muito grande.
08:53O ego nos poderes é uma coisa assim,
08:56extraordinária, hipertrofiado.
08:58É por isso que eu digo sempre,
09:00o político poderoso aqui morre e vai no caixão.
09:02O ego deve ir no caminhão, né?
09:05O ministro Flávio Dino, falando a advogados e tal,
09:11sem citar nomes na instituição,
09:14ele deu um exemplo muito bom.
09:15É a história do bezerro de ouro.
09:18Os israelitas fizeram o bezerro de ouro,
09:21começaram a idolatrar o bezerro de ouro,
09:24enquanto Moisés, no Monte Sinai,
09:26ia atrás exatamente dos mandamentos de Deus, né?
09:30E eles estavam adorando o bezerro de ouro.
09:33O ministro Flávio Dino diz o seguinte,
09:36o advogado, o juiz, o magistrado,
09:39passa por um concurso dificílimo,
09:41estuda horas, investe a vida,
09:43e quando chega lá,
09:45é enriquecimento a qualquer custo.
09:48Não sou eu que estou falando isso,
09:49o ministro Flávio Dino.
09:51Isso destrói tudo.
09:52E ele considera o bezerro de ouro
09:53exatamente essa vontade de enriquecer a qualquer custo.
09:57E tem um preço, como no filme O Advogado do Diabo, né?
10:01Que acaba tendo um preço.
10:03Sacrificar a família, ir para a cadeia.
10:05O próprio ministro Flávio Dino falou.
10:07O advogado fica querendo enriquecer e estava cadeia.
10:10Então, assim, é o caso do bezerro de ouro.
10:13Então, para evitar exatamente essa tendência,
10:16essa fragilidade que é humana,
10:18é uma fragilidade humana,
10:20eu tive a oportunidade de acompanhar aqui
10:22o caso Collor de Mello,
10:24que tinha o PC Farias como operador.
10:27Ele tinha um jato chamado mocego negro,
10:30um jato negro,
10:31que tinha banheira,
10:34uma torneira de ouro.
10:35Aí eu pego, mas gente,
10:36mas para que uma banheira num jato?
10:38E para que uma torneira de ouro?
10:40É porque assim...
10:41Aí me disseram, uma vez que eu publiquei,
10:44Zé, se esse pessoal se contentasse com a vida normal,
10:47não roubaria.
10:49Roubar é para comprar torneira de ouro,
10:51como Imelda lá,
10:52comprar 400 pares de sapato
10:54e mais de 2 mil vestidos que ela nunca vestiu.
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