00:00O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a sociedade brasileira não tolera mais inflação.
00:06A declaração aconteceu durante seminário no Rio de Janeiro e quem acompanhou foi o Rodrigo Viga.
00:12O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a cautela adotada no passado recente
00:18pelo Comitê de Política Monetária com relação à taxa básica de juros está sendo favorável.
00:24Agora, em um momento de crise e de choque de oferta provocados pela guerra entre Estados Unidos e Ira.
00:33Muitas tentativas nas últimas horas de um cessar-fogo, propostas e contrapropostas
00:38que ainda não foram efetivamente acertadas e também assinadas.
00:45Taxa básica de juros do Brasil começou a subir ainda no segundo semestre do ano de 2024
00:52para colocar a inflação medida pelo IPCA dentro dos eixos, dentro da meta.
00:58E o seu objetivo foi alcançado no ano passado, dentro do teto da meta de 4,50%.
01:05Somente agora, na reunião do Copom do mês de março, é que a Selic saiu do incômodo patamar de 15%,
01:14nível mais alto em cerca de 20 anos.
01:18O corte, inicialmente, esperava-se que fosse um pouco mais contundente, de meio ponto percentual.
01:26Mas veio a guerra entre Estados Unidos e Irã e o Copom foi relativamente conservador,
01:33reduzindo a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para 14,75%.
01:40Esse conservadorismo, essa cautela do Banco Central, adotada no passado recente,
01:48tem sido favorável no enfrentamento agora à crise provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, segundo Galípolo.
01:55A ideia de cautela para o Banco Central do Brasil é você poder tomar tempo para conhecer melhor o problema
02:02e fazer movimentos mais seguros, dar passos mais seguros na direção da política monetária
02:09a partir do conhecimento que você tem maior do problema.
02:12E foi, entendo, dessa cautela que a gente vem se beneficiando agora mais recentemente.
02:18As medidas que foram tomadas ao longo das últimas reuniões do Copom foram mais cautelosas,
02:24permitiram a gente enfrentar um choque como a gente está enfrentando,
02:26numa condição que está mais favorável do ponto de vista de ter um crescimento econômico
02:31que está mais próximo do que é o crescimento potencial do país.
02:34O presidente do Banco Central afirmou que a autoridade monetária, aqui ou fora do país,
02:39está acostumada a apanhar de todos os lados, de situação e também de oposição.
02:46Quando os juros estavam na casa dos 15%, houve um coro, um movimento dentro do atual governo
02:53para a redução da taxa Selic, mas ela só aconteceu agora, no mês de março desse ano de 2026.
03:01E há dúvidas com relação ao movimento da redução dos juros nas próximas reuniões do Copom.
03:09O Calípulo disse, no entanto, que a sociedade brasileira está mais madura, mais amadurecida
03:16e não tolera mais inflação elevada aqui no país.
03:21Todos os tipos de informação que a gente tem mostram que esta é uma sociedade que não tolera mais inflação.
03:29A inflação e o tema de affordability, a discussão, viram um tema central.
03:35E isso é positivo, mas não tem nada melhor para um banqueiro central do que essa incorporação
03:41de uma vigilância contra a inflação dentro da sociedade.
03:46Essa é a verdadeira disciplina.
03:48A disciplina não era o padrão ouro, a disciplina não era Bretton Woods.
03:53A disciplina, mesmo no sistema de métodos de inflação, ele vai ser tão eficiente e tão duradouro
03:58quanto maior for incorporado dentro da sociedade, que a defesa e o combate e a intolerância contra a inflação
04:06for um valor socialmente difundido.
04:10O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou nesta segunda-feira
04:14de um evento do IBRE, o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas,
04:19aqui na sede da instituição, na zona sul da capital do Rio, Rodrigo Viga.
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