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No JP Ponto Final, o ex-senador Alvaro Dias analisa o cenário político brasileiro e critica a polarização que domina o debate público desde 2018. O ex-parlamentar afirma que o Congresso Nacional tem se afastado da função de legislar e passou a atuar como operador de despesas por meio de emendas e transferências de recursos.
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NotíciasTranscrição
00:05Salve, seja bem-vindo, mais um ponto final mostrando aqui as entranhas da política.
00:10Nós falamos de política porque é necessário. A política mexe com a sua vida.
00:15É a casa que você mora, o futuro dos seus filhos, enfim, é preciso saber o que está acontecendo por
00:22aqui.
00:23E dos estúdios da Jovem Pan, diretamente daqui do Planalto Central do país,
00:28hoje vamos falar com o ex-senador Álvaro Dias.
00:32Senador, muito obrigado por estar aqui nos estúdios da Jovem Pan.
00:36O senhor subiu a escadinha ali direitinho, né?
00:39Foi vereador, deputado estadual, governador do Paraná, deputado federal e depois quatro mandatos de senador.
00:49É muito tempo no Senado, né?
00:51É a ordem um pouco diferente, mas vereador, deputado estadual, federal duas vezes,
00:57senador, aí governador e depois senador mais três vezes, né?
01:03A política mudou muito.
01:06O senhor encarnava aquela política de discutir conteúdos, né?
01:09Exato.
01:10Eu me lembro do senhor no Senado Federal discutindo conteúdo independente de onde viesse.
01:15E isso mudou, né, Senador?
01:17Até é bom lembrar alguns nomes, né, para mostrar como mudou.
01:21A competência, né?
01:22Principalmente se nós fizermos um confronto com os nomes atuais do Congresso,
01:26sem tentar desmerecer ninguém, não é?
01:29Mas quando eu cheguei em Brasília com 29, 30 anos de idade,
01:33eu encontrava nos corredores do Congresso e via na tribuna da Câmara e do Senado,
01:38figuras como Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas,
01:44Paulo Brossar, Pedro Simão, Teotônio Vilela, Jarvas Passarinho, Roberto Campos,
01:50Saturnino Braga, Marcos Freire, enfim, veja que é uma seleção de nomes
01:57de expoentes da política brasileira em várias décadas, né?
02:03E se nós confrontarmos com os nomes atuais, nós temos alguns youtubers,
02:08alguns tiktokers, enfim, sem desmerecer...
02:13E o debate de conteúdo está perdendo.
02:15Mas não dá para estabelecer uma comparação, não é?
02:20Então realmente mudou bastante, mas mudou para pior, não é?
02:26Certamente, de uns tempos para cá, a polarização agrava.
02:30A partir de 2018, nós tivemos esta polarização.
02:36E isso agrava porque expulsa da atividade pública, da política,
02:42nomes que poderiam oferecer boa contribuição, né?
02:45Talentos, pessoas talentosas, não ousam vir para este campo da política
02:52porque há uma confragração, muitas vezes insana, né?
02:56Num ambiente inóspito, né?
02:58Tóxico mesmo, né?
03:00Que estabelece confrontos, muitas vezes irracionais, né?
03:04Entre os extremos.
03:05E isso nós estamos vivenciando novamente.
03:08Então, isto certamente é um desestímulo para a prática da boa política
03:13e leva o Congresso para uma situação desagradável, né?
03:19Do ponto de vista da eficiência, aliás, leva o Congresso para um movimento de distorção da sua finalidade.
03:30O Congresso deveria ser, essencialmente, né?
03:33A prioridade absoluta do Congresso deveria ser legislar.
03:37E hoje, a impressão que fica é que não é isso, né?
03:40O Congresso se tornou aí numa espécie de morada de cacheiros viajantes, né?
03:46Cada um com uma maleta dizendo, eu vou levar recurso para o meu município.
03:52E aí surgem certos expedientes que abrem portas para a corrupção.
03:58Aí o orçamento secreto, emendas excessivas, que coloca a Polícia Federal atrás de alguns, né?
04:05E o Supremo Tribunal Federal investigando e, enfim, adotando providências.
04:11Então, o Congresso Nacional deixou de ser, essencialmente, o parlamento, a casa legislativa
04:20para se transformar num operador de despesas, de transferir recursos.
04:26Isso não seria uma invasão de competência do Executivo?
04:30Cobra-se muito a invasão de competência do Judiciário, do Supremo, do Legislativo,
04:37mas não é essa invasão de competência do Legislativo no Executivo?
04:41E vice-versa, obviamente.
04:43Então, existem reformas que são imprescindíveis para retomarmos a boa política.
04:53É, um deputado até do seu partido, o Ildon Rocha, me mostrando que há uma bancada de emendas, né?
05:01São os emendistas que ele fala.
05:03E esses parlamentares, eles não estão nem aí para a política, para o partido político, nem para o projeto, nem
05:09nada.
05:10Eles administram cerca de ali 300 a 400 milhões de reais no mandato.
05:15Isso é muito dinheiro, né?
05:19E é uma aberração, porque quem faz o orçamento e quem fiscaliza o orçamento, não poderia executar o orçamento.
05:27Exatamente.
05:28A prioridade se estabelece por projetos.
05:31Então, é evidente que se há um orçamento que estabelece recursos consignados para várias áreas,
05:39o prefeito e o governador possuem equipes técnicas que deveriam elaborar projetos e apresentar ao Executivo para a obtenção desses
05:51recursos.
05:52O parlamentar, ele elabora o orçamento juntamente com o Executivo, vota o orçamento.
05:58Ele não é um operador de despesas, né?
06:01Agora, é ano eleitoral, então é hora de a gente trabalhar com o eleitor, né?
06:07E dizer que o eleitor tem que oferecer um voto pedagógico, que oriente o comportamento do político.
06:16Ele deve escolher o político que tem postura, que tem comportamento, que...
06:22Honestidade, competência, eficiência.
06:28Porque, na verdade, o que nós assistimos?
06:31O eleitor exige comportamento do político.
06:35Se você fizer uma pesquisa qualitativa, você vai ver lá.
06:39O que o eleitor exige do político?
06:43Experiência para cargos executivos, aí vem honestidade, combate à corrupção,
06:50combate aos privilégios das autoridades e vai por aí.
06:54Mas chega na hora do voto, acaba votando exatamente contra as suas convicções.
07:02Pois é, senhor.
07:02Porque votando em quem usou o orçamento secreto, usou o auxílio moradia,
07:06não abriu mão de nenhum dos seus privilégios, né?
07:10Porque, evidentemente, há uma ilusão durante a campanha.
07:14Existem os animadores de auditório, né?
07:17Os encantadores de serpente, que acabam iludindo...
07:21Pois é, senador. Esses encantadores de serpente, esses novos políticos,
07:27eles não brotam aqui por acaso.
07:29Não há uma criação espontânea de deputados e senadores.
07:32Eles vêm exatamente de votos, né?
07:34Eu entendo que há um apagão de líderes.
07:36Quando eu falo de líderes, pessoas que dão norte, né?
07:40Que dão linhas de ação e tal.
07:42E já houve... Eu já conversei com várias pessoas sobre a origem desse apagão.
07:47Já fiquei, assim, tentado a acreditar que houve um momento atrás
07:51de que era líder aqui quem tinha dinheiro, quem alavancava a arrecadação e tal.
07:58Por que o senhor acha que esse apagão aconteceu?
08:01Olha que o apagão foi anterior a essa história das plataformas digitais.
08:05É, na verdade, procura-se saber o que aconteceu.
08:10Há poucos dias um ministro do Supremo...
08:14Quem virou a arrecada?
08:15...me perguntou o que aconteceu com o nosso povo, né?
08:20Há uma decepção muito grande em relação à política,
08:25aos políticos, aos partidos políticos, às instituições públicas, né?
08:31E isso, de um lado, faz com que o eleitor fique desestimulado
08:39e, do outro lado, desestimula também, isso desestimula os políticos de boa fé.
08:45Os políticos que têm ainda a vocação para a atividade
08:50e que está na atividade por vocação.
08:53Então, eu tenho defendido, e você sabe disso, há muito tempo, né?
08:57Consegui aprovar no Senado, e está lá paralisado na Câmara dos Deputados,
09:02o projeto que acaba com o foro privilegiado das autoridades.
09:06Muitos não sabem, mas vários candidatos se apresentam para a eleição
09:13com o objetivo de obter o foro privilegiado.
09:17Nós temos mais de 200...
09:18Se proteger, né?
09:19É.
09:19Nós temos mais de 200 ações criminais nas gavetas do Supremo.
09:24Muitas delas prescrevem, prescreverão, porque elas ficam na gaveta.
09:30Então, fica a suposição da existência de um coluio entre os poderes.
09:35Porque, todos sabem, só o Senado pode decretar impeachment de ministro do Supremo.
09:40E só o Supremo pode julgar autoridades, condenar autoridades.
09:45Então, essa suposição acaba tendo alguma razão de existir, né?
09:52Que existe esse coluio.
09:54Por que não aprovar esse projeto?
09:56Não há, não há nenhum do mundo, algo semelhante, não é?
10:00Não há.
10:01Nós aprovamos no Senado, eu apresentei em 2013,
10:05aprovamos em 2017,
10:07está na Câmara desde junho de 2017.
10:10Na emenda Álvaro Dias, né?
10:12São oito anos.
10:13O senhor coloca como foram privilegiados os presidentes dos poderes.
10:19Apenas os três presidentes.
10:20Na verdade, o meu projeto eliminava, não tinha nem presidente.
10:24Aí houve uma emenda e contemporizou.
10:28A aprovação do projeto no Senado se deu depois de quatro anos de trabalho.
10:33Senador, o senhor está bastante tempo...
10:40Houve um momento, a Constituição original, ela nem processava deputado ou senador.
10:46Porque precisava de autoridade, autorização dos deputados,
10:51em caso de deputado ou senador ou senador,
10:52para abrir qualquer investigação, qualquer processo contra um deputado ou senador.
10:58E aí houve uma emenda à Constituição que permitiu que o Supremo processasse.
11:03Hoje, o que se fala é que o foro privilegiado, ele é prejuízo.
11:08Porque já começa no Supremo, não seria assim?
11:11Seria se realmente houvesse julgamento de todas as autoridades denunciadas, né?
11:19Na verdade, o foro privilegiado rasga a Constituição no artigo 5º,
11:23que diz que somos todos iguais perante a lei.
11:26E quer queiram, quer não queiram...
11:28Mas é a própria Constituição que garante o foro.
11:31Exatamente, porque esse artigo que estabelece o foro privilegiado,
11:37desmente o artigo 5º.
11:39Existem outros...
11:40Nós somos todos iguais, alguns são mais iguais que outros.
11:43Uma caça de privilegiados com um manto protetor para a prática de crimes.
11:49E devemos dizer que o foro privilegiado, ele não é exclusividade da Câmara e do Senado, não.
11:54Não, Judiciário, Ministério Público, enfim...
11:57Eles falam em 30 mil, né?
11:58São mais de 55 mil autoridades protegidas...
12:02Vai até ver a dor.
12:04Vai longe, pelo foro privilegiado.
12:07Então, eu repito, não há em lugar nenhum do mundo isso.
12:10Quer dizer, é uma excrescência.
12:12E a aprovação desse projeto seria um salto civilizatório, né?
12:17Vamos imaginar que isso beneficiasse o político.
12:20Não, mas não temos que ser iguais perante a lei.
12:23Mas, é claro, eu estou dizendo que o fim do foro beneficiasse o político,
12:29porque ele não seria julgado já diretamente no Supremo, não é?
12:34Não beneficia pelas razões que já expus.
12:36Mas, mesmo que o fim do foro viesse a beneficiar os políticos, né?
12:42Nós estaríamos celebrando um salto civilizatório,
12:47porque todos seríamos iguais perante a lei.
12:49Não há por que distinguir, né?
12:51O senhor sugere que os ministros pinçam quem eles querem levar para o plenário?
12:56É evidente que isso pode ocorrer, né?
12:59Porque não há o julgamento de todos os envolvidos.
13:02E essa relação...
13:03Nós sabemos que há...
13:04Essa relação, senador, de Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional.
13:09Aqui eu tenho ouvido muita reclamação de congressistas
13:12de que há uma invasão de poder,
13:14de que o Supremo tomou o poder e que seria ditador.
13:18Como é que o senhor vê essa relação?
13:20Olha, é...
13:22O Congresso, muitas vezes, não tem razão de se queixar,
13:27porque é ele que se omite.
13:29O Supremo é convocado a deliberar sobre determinadas matérias
13:36que não foram alvo de deliberação do Congresso,
13:41que deveria ter acontecido.
13:44Se o Congresso não elabora a legislação,
13:46o Supremo acaba determinando uma jurisprudência que prevalece.
13:51Então, a responsabilidade principal é do Congresso.
13:55O que o Congresso pode questionar do Supremo
13:59é esse modelo de escolha, né?
14:01Modelo de escolha dos ministros dos tribunais superiores.
14:04O que nós propugnamos?
14:08Um outro modelo de composição dos tribunais,
14:12substituindo o apadrinhamento político pela meritocracia.
14:17Ao invés do presidente da República escolher,
14:19nós teríamos uma lista tríplice, não é?
14:22Que seria submetida ao presidente.
14:25O Ministério Público indicaria um,
14:27a advocacia outro e a magistratura outro.
14:31O presidente escolheria, iria para o Senado,
14:34que faria sabatina,
14:36e esse ministro chegaria ao Supremo
14:38com autoridade de quem não deve nada a ninguém,
14:43a não ser ao seu próprio talento,
14:45ao seu próprio preparo, mérito seu de chegar lá,
14:49não terá que corresponder a nenhum presente recebido.
14:52Desta forma, nós podemos recuperar a credibilidade do Supremo,
14:59restabelecer a credibilidade do Supremo,
15:01o respeito que deve existir da sociedade para com a Suprema Corte,
15:07e aí podemos também definir duração de mandato,
15:098, 10, 12 anos.
15:12Quando o senhor foi governador, não tinha reeleição, né?
15:16Não, não tinha.
15:16Eu fui governador apenas 4 anos.
15:18São suficientes os 4 anos?
15:20Eu acho que poderíamos ampliar esse mandato de 4 anos para 5 anos.
15:28Se eu tivesse 5 anos, eu teria concluído todas as grandes obras.
15:34No meu governo, eu assumi com algumas obras importantes iniciadas,
15:40concluí.
15:42Iniciei outras importantes obras, concluí,
15:46e outras deixei por concluir, né?
15:49Faltando, às vezes, muito pouco para a conclusão.
15:54Então, eu imagino que 5 anos seria o ideal, sem reeleição.
15:58E quando o senhor estava no Congresso,
16:00é que se aprovou aquela emenda do Mendonça Filho, né?
16:03Do Mendonça Filho, da reeleição.
16:04A reeleição foi...
16:06Eu estava sem mandato no período da aprovação da reeleição.
16:12Eu estava sem mandato.
16:13Foi no período que eu fiquei sem mandato,
16:15depois que eu deixei o governo.
16:16Pois é, senador.
16:17No governo Lula, no segundo governo Lula,
16:20houve, houve, há quem negue, mas houve uma articulação
16:26para votar a possibilidade...
16:27No governo Fernando Henrique, se votou a emenda que permitiu a reeleição.
16:31E no governo Lula havia uma articulação para votar uma reeleição,
16:36mas uma possibilidade de mandato.
16:39E houve ali um levantamento completo do Congresso Nacional
16:44e um teste, que foi a prorrogação da CPMF,
16:48e chegou à conclusão que no Senado não passaria.
16:51Você se lembra como é que foi essa articulação?
16:54Eu acho que ela ficou apenas nos bastidores,
16:57não chegou às tribunas, não é?
17:01Diz que o Lula não quis.
17:02Não houve um avanço, não, em relação a essa tentativa.
17:06Ela morreu no nascer do...
17:09O teste foi a prorrogação da CPMF.
17:11Se a CPMF passa.
17:12Que nós derrubamos.
17:13Isso.
17:14Ali ficou comprovado que...
17:16Eu tive a oportunidade de ter uma atuação muito firme,
17:19porque eu era do PSDB.
17:21O senhor e o Arthur Vigil.
17:23E o PSDB tinha governadores importantes
17:27e que queriam a prorrogação.
17:30E eu me lembro até que eu cheguei a dizer,
17:33na reunião de bancada,
17:35vocês vão ter que me expulsar,
17:38mas eu vou debater contra a prorrogação.
17:42Aí eu me lembro que o Sérgio Guerra disse assim,
17:45é, nós vamos, pela primeira e última vez,
17:51atender a minoria, né?
17:52Porque nós éramos minoritários nessa proposta de derrubar...
17:57O Arthur Vigil ficou ali de um lado...
18:00Ele, como...
18:01No final foi contra.
18:02Ele tinha uma boa relação com os governadores, né?
18:06Estava muito próximo de governadores.
18:08Ele teve dificuldade.
18:11Mas no final ele veio junto
18:13e nós conseguimos derrubar o projeto de prorrogação.
18:18Era o quê? 40 bilhões de arrecadação?
18:20É, é por aí, exatamente.
18:22Não funcionou nessa...
18:23A sua memória é boa.
18:26Mas houve aí uma...
18:28Um compromisso de que não haveria elevação do IOF, né?
18:36No ano seguinte.
18:38E houve.
18:39Não se cumpriu esse compromisso.
18:40É, o negócio é arrecadar.
18:41Todo governo quer arrecadar.
18:43Eu me lembro que a CPMF foi criada num momento de dificuldade
18:47para a saúde brasileira.
18:50E o Jateni, uma pessoa famosa, um médico conhecido, né?
18:56É que levou essa ideia ao Congresso
18:59em aprovar um desconto inicial ali de 0,2%, né?
19:07Exato.
19:08E depois foi aumentando,
19:10que era o dinheiro para a saúde.
19:12Tá, aí o dinheiro chegou para a saúde
19:14e o governo tirou o que o governo colocaria.
19:16Ou seja, tomou o dinheiro.
19:19Exatamente.
19:20E a saúde não melhorou.
19:21E hoje ainda é uma grande preocupação e um problema, né?
19:25É, sem dúvida.
19:27A questão do CPMF, né?
19:31É que é um imposto malvado, né?
19:36Ele é um imposto que realmente castiga,
19:41porque ele não está substituindo outros impostos, né?
19:46Ele vem como uma cascata, né?
19:50Pega todo mundo.
19:50Um imposto em cascata,
19:51que vai pegando e vai multiplicando, né?
19:54Vai tornando oneroso para o contribuinte pagar esse imposto.
20:01Essa foi a razão da disputa no Congresso
20:04e da vitória dos que propuginaram pelo fim do CPMF na época.
20:10Pois é, senador.
20:11Foi uma grande batalha,
20:13demonstrando ali claramente
20:14quem estava do lado do então presidente Lula, né?
20:18E quem era a oposição.
20:19Um momento muito tenso.
20:21Abrir mão de 40 bilhões em arrecadação naquela época, né?
20:25Foi um golpe duro no governo
20:28que teve que fazer cortes, né?
20:31O senhor acompanhou muito o orçamento,
20:35a elaboração do orçamento e tal.
20:37Hoje a gente vê, e lá atrás o senhor previa,
20:41aliás, uma das suas grandes previsões
20:44foi quando o senhor alertou sobre as pedaladas.
20:46Ele falou, isso vai dar problema no futuro.
20:48E deu.
20:49O senhor foi o primeiro a alertar.
20:50Olha, estão fazendo isso, isso,
20:53isso vai dar problema.
20:54E deu com a Dilma.
20:55Mas voltando ao orçamento.
20:57A gente vê, senador,
20:58que o orçamento está engessado.
20:596 trilhões e 400 bilhões,
21:02ali é 2 trilhões e 300 bi
21:05para o pagamento de serviços da dívida,
21:07mais 2 trilhões previdência e folha.
21:11Quer dizer, não sobra nada.
21:13E aí?
21:14A verdade é que não sobra,
21:17porque cresce muito o item despesa pública.
21:20E o endividamento público...
21:22E os obrigatórios, né?
21:23É, o endividamento público acaba ação barcando
21:26a parte maior do orçamento.
21:29Em 2018, eu pregava um redutor de despesas.
21:34Isso para início de mandato de governo.
21:38Lembrando a Merkel na Alemanha,
21:43Angela Merkel,
21:45que ela, acho que 2008,
21:47numa crise incrível do Estado alemão,
21:51ela adotou esse redutor
21:53em torno de 30% das despesas.
21:58Obrigatoriamente.
21:59E aí, depois, o Obama seguiu o mesmo caminho.
22:01Então, eu propunho aqui 10%.
22:04E o Michel Temer aprovou também um teto
22:07que foi no meio caminho.
22:08Eu me lembro que o déficit daquele ano
22:09seria 128 bilhões
22:12e os 10% seria suficiente
22:14para eliminar o déficit daquele ano.
22:16E a proposta é que no ano seguinte,
22:19ao elaborarmos o orçamento,
22:21para o ano seguinte,
22:22verificaríamos excessos em todas as áreas,
22:27desperdício em todas as áreas
22:29e eliminaríamos mais 10%.
22:31Então, completaríamos 20%,
22:33o que colocaria superávit
22:37nas contas públicas.
22:39Então, é o grande calcanhar de Aquiles,
22:42é o endividamento público, evidentemente,
22:46e o deste público.
22:49E o outro grande calcanhar de Aquiles,
22:52de quem governa o Brasil,
22:54é a dívida da família brasileira,
22:58que aumentou de forma, assim, exorbitante.
23:02Esse endividamento da família
23:04é um problema muito sério.
23:08Está quase chegando a 40%.
23:1180% das famílias estão endividadas.
23:15E a maior parte, cartão de crédito.
23:18Eu tentei, consegui aprovar no Senado,
23:21na Câmara não passou,
23:23limitar os juros do cartão de crédito.
23:27Na época, limitamos em 30%.
23:31Havia casos em que o cartão de crédito
23:33chegava a 1.200%.
23:36Ao ano, né?
23:37Ao ano, exato.
23:39A média, 300%.
23:41Então, nós propusemos 30%.
23:45Limitação.
23:46O Banco Central poderia fazer,
23:47isso não faz.
23:48Então, por lei, nós tentamos fazer.
23:51É exemplo do que ocorre em outros países.
23:54Portugal, há uma limitação
23:56em torno de 17% ao ano.
24:01E outros países, menos.
24:02Aqui, senador, o Fernando Gasparian,
24:05que era um deputado da área de economia,
24:07colocou na Constituição,
24:08limite de 12%.
24:09Ninguém nunca obedeceu esses 12%.
24:11Eu obedeci no governo do Paraná
24:14e tive uma vitória em razão.
24:17Porque...
24:18O Gasparian de lá, é?
24:20Fernando Gasparian.
24:21Eu era governador, né?
24:23E a Constituição estabelecia 12% ao ano.
24:26Taxa de juros.
24:28E nós praticamos esse juros
24:31no Banco do Estado do Paraná
24:32financiando obras.
24:34As empresas realizavam obras,
24:36tomavam empréstimos
24:37e o banco cobrava os 12%.
24:41Alguém, ingresso porque o banco é público,
24:45mas tem associados,
24:47ingressou-se com um pedido de investigação,
24:51de inquérito, enfim,
24:53para intervenção no Banco do Estado.
24:55em razão da cobrança
24:57dessa taxa de juros
24:59que prejudicava os acionistas.
25:02Eu só mostrei a Constituição
25:04e encerrou o assunto.
25:06Nós estamos cumprindo a Constituição.
25:08E foi,
25:10inclusive,
25:11para o Banco Extraordinário.
25:12Que o Banco do Estado do Paraná
25:14era o 17º banco privado
25:17do país,
25:19banco público,
25:19aliás,
25:20banco público do país.
25:21e, ao final do nosso governo,
25:24era o 2º banco público,
25:26só perdia para o Banespa,
25:28em função, é claro,
25:29da grandiosidade do Estado de São Paulo.
25:31Mas,
25:32tornou-se o 2º banco público
25:36estadual do país.
25:37Exatamente com medidas
25:40de austeridade.
25:41Era uma época
25:42de bancos estaduais.
25:43Senador,
25:44eu queria que o senhor explicasse
25:45um pouco, assim,
25:46da política do Paraná.
25:47A política do Paraná
25:48chamou a atenção do país, né?
25:51O Sérgio Moro,
25:52que foi aquele juiz
25:53da Lava Jato,
25:54que era ministro
25:56do ex-presidente Jair Bolsonaro,
25:59brigou com o ex-presidente,
26:00agora voltou o aliado,
26:02vai fazer o palanque
26:03do Flávio Bolsonaro lá.
26:04E o Ratinho desistiu
26:06para preservar
26:07a sua base eleitoral.
26:08O que está acontecendo
26:09na política lá do Paraná?
26:11É,
26:12são reflexos
26:14da polarização,
26:15não é?
26:15O governador Ratinho Júnior
26:17tinha a pretensão
26:18de ser candidato
26:19a presidente da República.
26:21Aliás,
26:22desde os tempos
26:23que eu me conheço
26:24por gente,
26:25todos os governadores
26:26do Paraná
26:27tiveram essa pretensão,
26:29essa ambição.
26:31Nenhum deles
26:32foi candidato.
26:33Eu fui candidato
26:34a presidente,
26:35mas em 2018,
26:3829 anos
26:39depois de ter deixado
26:40o governo.
26:41Então,
26:41não me aproveitava
26:44dos reflexos
26:46da gestão
26:46no Executivo.
26:48Então,
26:48o governador Ratinho
26:49teve esse sonho,
26:51né?
26:52Eu até conversei
26:53com ele em julho
26:54do ano passado
26:55e estimulei.
26:58Mas,
26:59ele verificou
27:00que essa polarização
27:03torna inviável
27:04uma candidatura
27:06da chamada
27:07terceira via,
27:08né?
27:09Você pode ter
27:10o melhor projeto,
27:11você vai ouvir,
27:12o seu projeto
27:13é o melhor,
27:14mas você não tem chance.
27:17Então,
27:17os dois extremos
27:19é que prevalecem,
27:20então nós teremos
27:21sem dúvida,
27:23é o que eu estou prevendo,
27:25e imagino que
27:25não só eu,
27:27né?
27:27nós teremos
27:28um enfrentamento
27:30de Lula
27:31com Flávio
27:32Bolsonaro
27:32e quem
27:34ousar disputar
27:35entre ambos,
27:36né?
27:37Sofrerá as consequências.
27:39Então,
27:40o governador Ratinho
27:41Júnior deve ter
27:42se apercebido
27:42disso
27:43e priorizou
27:45o Estado.
27:46É importante
27:47eleger o sucessor
27:48no Estado.
27:50Então,
27:50ele vai agora
27:51empenhar-se,
27:52ficando no governo
27:53até o último dia,
27:55para eleger o sucessor.
27:56aliás,
27:57quando eu fui governador,
27:58fiz o mesmo,
27:59né?
27:59Foi o Requião, né?
28:00Eu abandonei
28:02um mandato certo
28:03de senador,
28:04né?
28:05Tinha época,
28:06cheguei a ter 93%
28:08de aprovação
28:09do governo,
28:10tinha uma eleição
28:11muito tranquila
28:12de senador,
28:13mas eu fiquei até
28:13o último dia
28:14para eleger o sucessor,
28:16que tinha época
28:172% nas pesquisas,
28:20enquanto 45%
28:21José Richa
28:22e o Martinez,
28:25né?
28:25que era o candidato
28:26do Collor
28:26em alta
28:27na época,
28:29chegou ao segundo turno
28:30com 70%
28:31dos votos
28:32e nós ganhamos
28:33a eleição.
28:34O Ratinho
28:35Júnior
28:36está repetindo
28:38esse episódio.
28:40Ele vai
28:41permanecer
28:42no governo
28:43até o último dia
28:44nessa tentativa
28:46de eleger
28:47o seu sucessor.
28:49Muito bem,
28:50uma conversa
28:50muito boa
28:51com o ex-senador
28:52Álvaro Dias,
28:54um político
28:54muito influente
28:55até hoje,
28:56né?
28:56E que está de novo,
28:58está na política.
28:59Quem entra na política
28:59não sai.
29:00Olha,
29:01foi muito bom,
29:02muito bom conversar
29:03com o senhor.
29:04Muito obrigado.
29:04Muito obrigado, senhor.
29:06E obrigado a você
29:06que nos acompanhou aqui.
29:08Continue na Jovem Pan.
29:09E aí
29:10Tchau.
29:11E aí
29:11tchau.
29:13Legenda por Sônia Ruberti
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