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No JP Ponto Final, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, fala sobre a relação do governo com movimentos sociais, critica o modelo atual de emendas parlamentares e defende uma reforma do sistema político. O ministro também comenta a regulamentação dos aplicativos de transporte e a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1 no Brasil.

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00:05Salve, seja bem-vindo. Nós estamos aqui nos estúdios da Jovem Pan, no Planalto Central do País.
00:12Brasília é a terra das decisões e onde estão os representantes de vocês.
00:18Esse é um ano muito importante, um ano eleitoral e você sabe que a política mexe com sua vida,
00:23a casa que você mora, a educação do seu filho e a projeção de futuro.
00:27Por isso é que falamos sempre do que está acontecendo aqui nas entranhas do poder.
00:33Hoje é uma conversa muito boa com o ministro Guilherme Boulos.
00:36Ministro, muito obrigado por estar aqui nos estúdios da Jovem Pan.
00:40Obrigado, Zé Maria. Prazer poder conversar contigo aqui hoje.
00:43Pois é, ministro. Eu fico até grato com a sua vida, porque eu conheço muito bem o funcionamento do Palácio
00:50do Planalto
00:50e sei da agenda como é que é pesada, né? E tem que ser assim, né, ministro?
00:56Mas o que faz exatamente o ministro da Secretaria-Geral do Palácio do Planalto?
01:02Zé, você sabe que muita gente me pergunta isso?
01:05Porque todo mundo sabe o que faz o ministro da Saúde.
01:07Todo mundo sabe o que faz o ministro da Educação.
01:10Todo mundo sabe o que faz o ministro do Transporte.
01:12Agora, a Secretaria-Geral da Presidência da República.
01:15Faz tudo.
01:15Pois é.
01:17No governo do presidente Lula, ele tem, desde os primeiros mandatos dele, uma postura de que a Secretaria-Geral da
01:25Presidência
01:26tem que ser o espaço da participação da sociedade.
01:32Essa é uma coisa que o Lula valoriza muito, acredita.
01:34A ligação do presidente com os movimentos sociais, com as organizações da sociedade civil, com os setores da sociedade.
01:43Pega agora o negócio da greve dos caminhoneiros.
01:46Nós fomos acionados lá para dialogar com os caminhoneiros, buscar o entendimento.
01:50O presidente ouviu os caminhoneiros, soltou uma medida provisória, não teve greve.
01:53Para poder atender a pauta deles.
01:56Pega o caso dos indígenas, o caso dos metalúrgicos, o caso dos sem-teto, dos sem-terra.
02:01E não só. A gente assinou esses dias um relatório sobre os trabalhadores de aplicativo,
02:09motorista de Uber e entregador de iFood, para garantir direitos para eles,
02:15para criar pontos de apoio nas grandes cidades do Brasil, para que eles possam parar, usar o banheiro, descansar,
02:22carregar o celular, usar a internet, para poder atuar no Congresso para garantir a remuneração deles.
02:29Nós vamos aprofundar mais nessa lei, ministro, mas eu queria que o senhor continuasse falando.
02:33Também cuida da agenda do presidente.
02:36Cuida, cuida. Está lá na Secretaria-Geral também.
02:39Mas o que é o essencial?
02:40Zé Maria, estava dando esses exemplos?
02:42Sim.
02:42Porque, sim, política a gente não faz só de quatro em quatro anos.
02:47Aliás, eu acho que a política ficou tão desmoralizada no Brasil e em outras partes,
02:51porque o tradicional virou aquele político, quadradão, aparecer a cada quatro anos, fazer um monte de promessa,
02:59não cumprir e voltar quatro anos depois, fazendo promessa de novo.
03:04Para o nosso governo, a política tem que acontecer permanentemente.
03:10A participação da sociedade tem que ser permanente.
03:13Não só para apertar um botão e depois ir embora e voltar quatro anos depois para dizer se gostou ou
03:18não gostou.
03:19Então, por exemplo, conselhos para escutar os vários setores da sociedade.
03:24Estão lá na Secretaria-Geral da Presidência.
03:26O Lula pediu uma coisa para mim.
03:28Quando ele me nomeou, ele falou, Boulos,
03:31cara, banqueiro, grande empresário, gente privilegiada, sempre teve tapete vermelho no palácio.
03:37Sempre entrou sem marcar hora.
03:39Ele falou, eu quero que os trabalhadores, o povo, possa ter esse mesmo espaço.
03:44Então, eu já recebi mais de 40 categorias de trabalhadores em movimento.
03:50E andando pelo país também, né?
03:50E andando pelo país.
03:51É mão dupla.
03:53Ou seja, a gente recebe no palácio representantes da sociedade e vai para poder levar as políticas do governo para
04:01a ponta.
04:02Nós criamos, por exemplo, essa é uma iniciativa da Secretaria-Geral da Presidência da República.
04:06O governo do Brasil na rua.
04:08O que é isso?
04:09Já fui para 10 estados, vou para mais 17 até junho, completando os 27 estados do Brasil.
04:16É a gente levar os programas do governo de 11 ministérios, né, Maria?
04:21Tem lá desde o INSS, com o perito.
04:24Um representante de cada pasta.
04:25Não é só um representante.
04:27É a política do governo, por exemplo.
04:29O programa.
04:30Lá no INSS, quando a gente vai, estabelece lá a Feira da Cidadania, que a gente chama do governo na
04:35rua.
04:37Lá na periferia, aqui em Brasília, por exemplo, nós somos no Sol Nascente, que é o bairro mais popular aqui
04:41de Brasília.
04:42Semana passada eu estava em Manguinhos.
04:44Um dos maiores bairros mais populares.
04:45Do Brasil.
04:45Do Brasil.
04:46Estava em Manguinhos, uma comunidade no Rio de Janeiro, ali perto do Jacarezinho.
04:51O que a gente leva?
04:53Mutirão.
04:54Peritos do INSS atendendo para zerar a fila de perícia naquela região.
04:59O INSS manda o zap para as pessoas e faz um mutirão de atendimento.
05:03A gente leva a Caixa Econômica Federal para poder fazer análise de crédito das pessoas para o Reforma Casa Brasil.
05:10Que é um programa que o Lula criou e dá um empréstimo, não é dinheiro dado.
05:14Então o papel é levar o governo e também fazer essa ligação do dia a dia.
05:20É isso.
05:21Assim a Secretaria Geral.
05:22E é um chamado ministro da casa.
05:24O ministro da casa que tem o gabinete lá no Palácio do Planalto, que sempre é consultado e é um
05:30cargo muito importante.
05:31Estou vendo que o senhor está muito à vontade.
05:33Eu acompanho o senhor há muito tempo aqui, como deputado e como político.
05:37Estou vendo o senhor bem à vontade na função.
05:41Zé Maria, eu vou te confessar uma coisa.
05:44Cara, como deputado, eu ali tive meio que um estranhamento naquele lugar.
05:49Sabe por quê?
05:51Muitos falam isso.
05:52Chega no final do dia e acha que não fez nada.
05:55Trabalhou, trabalhou, fez nada.
05:56Você trabalha pra caramba.
05:57E quando você olha, porque assim, você olha lá, bicho, aqui entre nós, o Congresso
06:03Nacional, hoje, eu converso com gente que foi deputado em outras legislaturas e todos
06:07me dizem, piorou pra caramba.
06:09O Congresso Nacional hoje virou um espaço em que lobista vai lá e fica pra vender as
06:14ideias deles e tem, infelizmente, deputados, deputadas, senadores, senadoras que vão.
06:20Esse também.
06:21Não por ideologia, vão por ideias, vão por negócio.
06:25Mas por emprego, ex-deputados e ex-senadores.
06:27Ou seja, por negócio.
06:30Virou um balcão de negócio numa medida importante.
06:33Você fala, pra quem quer ganhar dinheiro na política, pode ter boas oportunidades.
06:41Pra quem vê a política como um espaço de você disputar um projeto de país, de transformar
06:46a realidade das pessoas, que é o que eu acredito, é o que eu fazia antes de virar deputado,
06:50de candidato, antes de entrar em partido.
06:53Eu atuava no movimento social, lutando pras pessoas terem casa.
06:57Por isso eu te digo que na Câmara eu tive mais dificuldade.
07:04Como um ministro da Secretaria-Geral, você tá na rua ali com o pé no bar, resolvendo
07:08os problemas, tem um problema concreto, e você ter a caneta e ajudar a resolver, ver a
07:12coisa acontecendo, ver o produto do seu trabalho, aí te deixa mais aliviado.
07:17O senhor tocou num ponto muito importante aí sobre realização, sobre o Congresso Nacional.
07:21Eu assisti, eu vi uma reunião do ex-ministro da sua pasta, o Luiz Eduardo Ramos, com líderes
07:30falando sobre emendas parlamentares.
07:32E aí ele virou e falou assim, eu não quero colocar as mãos nisso.
07:37Os líderes olharam um pro outro e falaram, nós queremos.
07:41E ali foi estabelecida essa perigosa relação de emendas que o Congresso manda, fiscaliza
07:49e determina, quer dizer, desequilibrou.
07:51O senhor faria diferente?
07:53O senhor acha que as emendas parlamentares estão exageradas?
07:56Totalmente.
07:57Zé Maria, eu acho que não tem ninguém em sua consciência no Brasil que ache normal
08:02essa situação das emendas parlamentares.
08:04Por duas razões.
08:05Primeiro o que você falou, é o poder legislativo tomando uma atribuição que é do executivo.
08:12Executar.
08:13Pera um pouquinho.
08:14Tem três poderes.
08:15O judiciário tem que julgar.
08:17Não tem nem que legislar nem que executar.
08:19E eu acho que às vezes exagera.
08:22O legislativo tem que legislar.
08:25Não tem nem que julgar nem que executar.
08:27O poder executivo, o presidente da república, o poder executivo federal, tem que executar.
08:32Só que executar é executar o orçamento.
08:34Aí você pega o legislativo.
08:36Pô, 51 bilhões?
08:38Zé Maria, o que é isso?
08:40É isso virando política clientelista.
08:43E não é só isso, né?
08:44Tem as extras.
08:45É, tem as extras.
08:46De comissão, de bancada.
08:49Ou seja, você olha isso, cara.
08:50Então, administra cerca de 300 milhões no mandato.
08:54Me disseram que lá existem deputados emendeiros.
08:57Os deputados da bancada da emenda.
08:59Que eles não estão nem aí para projeto, para debate.
09:02Só dinheiro.
09:03E quer que eu te diga uma coisa?
09:05Tem o pior.
09:06Porque assim, uma coisa já é esse problema.
09:08Só isso em si já é grave e teria que mudar.
09:10O conceito, né?
09:11Tem que ter uma reforma do sistema político no Brasil.
09:14Esse sistema político esgotou.
09:15Tem que ter uma reforma do sistema político nesse país.
09:18Eu estou convencido disso.
09:19O Lula está convencido disso.
09:20Não dá.
09:21Do jeito que está, não dá mais.
09:23Esse país vai ficar ingovernável.
09:25Ou na mão de picaretagem.
09:27Essa é a realidade.
09:28Agora, é pior.
09:31Porque muitas vezes, uma parte desse dinheiro, das emendas, de alguns...
09:36E aqui não vamos generalizar, porque tem deputado sério e tem senador sério.
09:40Tem gente correta.
09:41Eu convivi lá e vi.
09:43Agora, uma parte, cara, faz negociação com emenda.
09:49É, tem quantos por cento de volta.
09:53Porque virou, tem...
09:54E aqui eu não estou fazendo ilação.
09:56Isso está sendo investigado.
09:57Pela Procuradoria-Geral da República, Supremo Tribunal Federal, tem condenado Polícia Federal fazendo operação.
10:03E às vezes é aquele cara que gosta de vir na rede social dizer que é o bastião da moralidade.
10:09Apontar o dedo para os outros.
10:10E o cara está fazendo esquema com emenda.
10:12Então, porra, isso tem que mudar.
10:14Se a gente quer um país sério...
10:16Zé Maria, você pode ser de direita e eu de esquerda.
10:18Quem pode estar assistindo a gente aqui na Jovem Pan, pode ser de direita.
10:22Sabem que eu sou de esquerda.
10:24Mas tem uma coisa, cara, que é você ter...
10:27Sim, ser correto.
10:29É você não fazer sacanagem.
10:32Disputar as ideias é da democracia.
10:35Eu respeito pessoas que são de direita e são corretas.
10:38Agora, a pessoa usar a política para enriquecimento pessoal, para ganho, para sacanagem, para esquema, não dá.
10:49Pois é, até conceitualmente o papel das emendas é danoso.
10:54Porque ele tira do governo a possibilidade de fazer uma grande obra, pulveriza.
10:59Um calçamento ali, uma rua lá.
11:02E acaba assim, são demandas justas para o município, mas tira a possibilidade do gasto bom, que é um investimento.
11:09Isso é questionário, mas é difícil demais mudar isso aí.
11:12Que quem vai mudar é o Congresso.
11:14É fácil, mas é contra ele mesmo.
11:16Mas deixa eu te falar, tem uma coisa que é a pressão da sociedade, né?
11:18Vamos lembrar que ano passado a Câmara aprovou por 310, 15 votos a PEC da blindagem, lembra?
11:27Sim.
11:28Nós fomos para a rua.
11:30Uma semana depois ela foi engavetada.
11:33Ficou no Senado por pressão popular.
11:35Por pressão popular, já estava combinado que o Senado tinha, você sabe, tinha um acordo
11:39que o Senado ia aprovar e iam botar.
11:42E o pior, PEC, nem passa pelo veto do presidente.
11:45PEC é promulgada, você sabe disso.
11:47O presidente nem tem o direito de vetar.
11:48Mas ali, deputado, era voltar ao texto original da Constituição, né?
11:55O constituinte definiu assim, de que o parlamentar só poderia ser julgado se houvesse uma autorização
12:04da Câmara.
12:05O que que aconteceu?
12:07A Câmara e o Senado viraram um refúgio de bandidos, né?
12:12Mas aí, a Câmara caçava.
12:15Hoje, não.
12:16A Câmara e o Senado não caçam, não julgam.
12:18Olha, tem três condenados por roubo de eventos parlamentares e não tem nem processo na Câmara.
12:23Quer dizer, inverteu a história, jogaram tudo para o Supremo.
12:27Exatamente.
12:28Então, assim, veja, não vou nem entrar no mérito.
12:31Lógico que a constituinte, lá em 88, fez um monte de...
12:35Foi muito cuidadosa na proteção dos mandatos, porque a gente vinha de 21 anos de ditadura
12:40que tinha caçado o mandato parlamentar, não por sacanagem, mas por ideologia, né?
12:45Agora, é o que você falou.
12:47Não era aquilo que estava em jogo quando se propôs.
12:49Mas eu dei esse exemplo para dizer que eu acredito numa reforma do sistema político no Brasil.
12:53Acho que o Brasil precisa de uma reforma do sistema político, uma reforma do sistema judiciário.
12:58Nós precisamos arrumar a casa, porque do jeito que está, não vai bem.
13:04Não vai terminar bem isso aí.
13:05Estavam certos os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando reclamavam do Supremo Tribunal Federal?
13:12Pelos motivos que reclamaram, não.
13:14Todo mundo tem o direito de reclamar do Supremo Tribunal Federal.
13:17O senhor reclama?
13:18Porra!
13:19Eu fui processado pelo Gilmar Mendes.
13:21Eu escrevi artigo na Folha de São Paulo contra o Alexandre de Moraes.
13:26Já fiz críticas públicas.
13:28Aliás, os bolsonaristas outro dia usaram um vídeo meu antigo, acho que foi na Carta Capital,
13:34atacando, descendo a lenha no Alexandre de Moraes, dizendo, ah, olha o bolo...
13:38Criticar não é o problema.
13:40O problema é quando você planeja fechar um poder.
13:44É quando você faz um plano, como o punhal verde e amarelo, para matar um presidente de um tribunal.
13:51Então, por que eu digo que a crítica é diferente?
13:55Porque esses caras tentaram dar um golpe.
13:57Alguns podem dizer, ah, Bolsonaro não é golpe.
13:59Ô, Zé Maria, pera lá.
14:02Bolsonaro perdeu a eleição.
14:05Depois que perdeu a eleição, ele tentou virar a mesa.
14:07Os caras acamparam no quartel.
14:10O Braga Neto tem...
14:12Alguém negar isso...
14:14Negar a realidade.
14:15É, houve ali um planejamento, né?
14:17Houve um planejamento.
14:20Houve um planejamento de golpe e reuniões, ações preparatórias.
14:25E isso é crime.
14:26Porque as pessoas dizem, ah, mas não teve golpe, então não tem crime.
14:29Ô, cara pálida, se tivesse golpe, aí é que não teria crime mesmo.
14:34Se o golpe desse certo, ninguém ia julgar quem deu golpe.
14:37Esses iam estar no poder.
14:38É um crime tentado.
14:39É, você só pode julgar a tentativa fracassada de golpe.
14:43Foi isso que foi feito.
14:44Então, nesse caso, o Supremo foi corajoso, cara.
14:47O Alexandre de Moraes, nesse caso, foi corajoso.
14:50Porque ele segurou a onda e falou, não, eu vou preservar a democracia brasileira.
14:56Isso merece o respeito por ter feito isso.
14:59Agora, isso não dá salvo conduto para depois fazer o que quiser.
15:06Eu acho que a gente tem que botar cada instituição no seu lugar.
15:10Ô, ministro, você não acha que há um exagero, um certo exagero na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro,
15:16numa penitenciária, ele com a saúde debilitada?
15:21Teve domiciliar já.
15:22Sim.
15:22Mas o senhor não achou exagero e o senhor acha que ele está agora domiciliar?
15:27O senhor acha que está no local correto?
15:30Deixa eu te falar uma coisa, Maria.
15:31Eu não vi ninguém falando que era exagero quando o Lula foi preso 580 dias em Curitiba
15:40e o ministro Toffoli impediu ele de ir no enterro do irmão.
15:47Eu não vi ninguém dizendo que era exagero quando o ministro Fux, se eu não me engano,
15:56impediu o Lula de dar entrevista para a imprensa.
15:59Ele como candidato a presidente, mesmo preso na Polícia Federal em Curitiba.
16:05Então, veja...
16:06Vou acrescentar hoje o Mar Mendes impedindo de virar ministro.
16:11Então, veja...
16:12E as pessoas ainda dizem, não, porque o Supremo é do Lula.
16:16Porque olha o que esses caras fizeram contra o Lula lá atrás.
16:20Então, assim, nós temos que ser realistas.
16:23Eu não vi ninguém dizendo que era exagero isso.
16:26E o Lula, diferente do Bolsonaro, não ficou pedindo prisão domiciliar,
16:31não ficou pedindo tornozeleira e muito menos ainda tentou soldar a tornozeleira.
16:36Não, mas foi oferecido a Lula sair do tornozeleira e...
16:40E ele negou.
16:41E ele negou.
16:42E ele disse, eu não troco a minha liberdade pela minha dignidade.
16:47Há quem troque.
16:48Ô, ministro, voltando um pouco para a sua atividade política,
16:53recentemente eu vi uma comparação ali,
16:55que o senhor não precisa de ajuda para ter um teto.
17:01E iniciou ali no movimento sem teto.
17:05E isso foi até visto como uma comparação boa de um representante que não precisa passar por aquilo
17:12para entender o processo.
17:15Mas ficou essa ligação do senhor com os movimentos mais de base, mais populares.
17:24Isso atrapalha ou ajuda a partir de agora?
17:27Zé Maria, para mim, me dá orgulho.
17:31Você continua com as mesmas relações?
17:34Lógico.
17:35Eu fico aqui em Brasília agora durante a semana como ministro.
17:37No final de semana eu vou a São Paulo, cara.
17:39Eu visito comunidade, eu vou para as ocupações de movimento social,
17:44eu vou conversar com o povo.
17:45Eu moro na periferia de São Paulo, continuo morando na mesma casa,
17:49no bairro do Campo Limpo.
17:50Quem é de lá sabe.
17:52Agora, cara, é lógico que você paga um preço pelas escolhas.
17:58E é normal.
17:58Eu não fico me lamentando, não, choramingando.
18:01Eu fiz minha escolha e tenho orgulho dela.
18:05Faria de novo.
18:07Não me arrependo um milímetro de, quando 18 anos de idade,
18:11ter saído da casa dos meus pais, num conforto.
18:13Meus pais são médicos, infectologistas.
18:17Meu pai com 80 anos, minha mãe com 75, até hoje trabalhando no SUS.
18:21Uma vida, me orgulham pra caramba também.
18:23Me deram uma lição de vida.
18:25O que eu mais aprendi com meus pais, Zé Maria, foi ser solidário.
18:30Isso não é comunismo, não?
18:32Não é socialismo?
18:34Isso é comunismo, isso é cristianismo, isso é socialismo.
18:38É tudo junto.
18:40Pessoal, cara, o que Jesus Cristo fez, Zé Maria?
18:43Leia a Bíblia.
18:44É um discurso popular.
18:45Pra quem é cristão.
18:46Ele tem um discurso popular mesmo.
18:47Poxa, não, mas aqui não é nenhuma...
18:49Em um outro momento.
18:51O Jesus Cristo é uma inspiração, inclusive, pras ideias socialistas.
18:55Depois, o Cristo foi quem dividiu o pão, dividiu os peixes, multiplicou os peixes, foi quem olhou pro próximo.
19:08Então, veja, a ideia de você ser solidário, de você sentir uma dor que você não sofre diretamente, sentir a
19:19dor do outro.
19:21Cara, isso, infelizmente, a gente tá perdendo muito na sociedade, né?
19:25A nossa sociedade é cada vez mais, e a rede social influencia muito isso.
19:29É uma sociedade, mas, ó, cada um por si, eu cuido do meu, o outro que se dane.
19:36E eu acho que faz falta a solidariedade.
19:39O movimento social é isso.
19:40Aí, ministro, houve um momento em que a esquerda e o PT perdeu, assim, o discurso, perdeu essa, vamos dizer,
19:49essa vantagem de falar popularmente.
19:52Parece que agora as mídias sociais trocaram de personalidades e as pessoas que falam para as massas, que falam para
20:02os pobres, são outros.
20:04Cara, mais ou menos, né, Maria?
20:06Por exemplo, o Lula ganhou a eleição há três anos, porque ganhou entre os pobres, né?
20:12Ganhou amplamente entre quem ganha menos de dois salários mínimos.
20:16Então, não é exatamente verdade que a direita entrou na consciência dos pobres, da sociedade.
20:22É lógico que tem uma parte da sociedade, nós vivemos numa sociedade polarizada, cara.
20:28Você pega aí.
20:29E é no mundo inteiro.
20:30Quase 40% é bolsonarista, quase 40% é lulista, é de esquerda, né?
20:37E você tem mais ou menos 20% ali que flutua.
20:40Numa eleição vai com um, numa eleição vai com outro.
20:42É mais ou menos assim que é a nossa sociedade no mundo, como você falou.
20:46É assim no Brasil, é assim nos Estados Unidos, é assim na Europa, é assim na América Latina inteira.
20:51Tanto é...
20:52Pega hoje.
20:53O Lula está fazendo um governo com muitas realizações.
20:57As pessoas podem gostar do Lula ou não, podem ser bolsonaristas ou não, mas é inegável você olhar e falar,
21:03poxa, nós estamos com um desemprego mais baixo, teve aumento de salário mínimo,
21:10nós estamos com a inflação mais baixa acumulada de quatro anos de um governo desde a redemocratização,
21:17os programas sociais foram retomados...
21:19Mas o sentimento assim da economia...
21:21Mas é que eu estou te dizendo, acho que tem duas coisas aí.
21:24Uma, assim, para alguém que virou bolsonarista de carteirinha, Zé Mariana,
21:29o Lula pode dar um Porsche pintado de ouro para ele que ele vai continuar bolsonarista.
21:35Ou seja, a vida dele pode melhorar, né?
21:37Ele pode dizer, mas ele vai continuar dizendo, esse governo é ruim, é de esquerda, é os comunistas.
21:43Então, hoje, o peso da ideologia, para um lado e para o outro, é muito maior.
21:48Então, é lógico que a percepção e a avaliação de governo não vai ser a mesma.
21:51Essa polarização desenha isso.
21:54Agora, ministro...
21:54Mas deixa eu só dizer, tem uma outra coisa que você falou que eu acho que é importante.
21:58Eu estive conversando isso com o presidente esses dias no Palácio do Alvorada, numa reunião,
22:01junto com outros ministros.
22:03E o Lula dizia, cara, a gente se perguntando e falando,
22:07poxa, o governo fez coisa pra caramba, fez tanto.
22:11E por que as pessoas não estão sentindo isso?
22:15Aí entra essa parte da ideologia, mas entra uma outra coisa.
22:18O salário melhorou, mas boa parte das famílias brasileiras estão endividadas.
22:23Então, mesmo que o salário tenha melhorado, no fim do mês, não está fechando a conta também.
22:30E as pessoas estão endividadas porque a gente tem um juro obsceno, um juro de agiotagem no Brasil.
22:36Então, quem se endivida, cara, você vai comprar qualquer coisa, ainda mais início de ano.
22:41Você tem que pagar IPTU, você tem que pagar IPVA.
22:43Não paga nunca mais.
22:44Não paga.
22:45Você vai passar o ano endividado, porque com juros, ainda mais rotativo, cheque especial, cartão de crédito.
22:51Isso é um escândalo.
22:52Ministro, eu queria trocar em dois pontos muito importantes aqui, agora no final da nossa conversa.
22:58Primeiro, o fim da semana 6x1.
23:01Há uma reação muito forte, mas eu tenho a impressão que algo será aprovado.
23:06Tem que ser, né, Zé Maria?
23:07Mais de 70% da sociedade quer acabar com a escala 6x1 e reduzir a jornada de trabalho.
23:13Então, por que não reduzir só a jornada de trabalho?
23:15Porque, Zé Maria, você acha justo uma trabalhadora, um trabalhador, ficar seis dias trabalhando e só ter um dia com
23:24a sua família?
23:26O projeto pelo fim da 6x1 é o projeto da família brasileira.
23:31É o projeto da família brasileira.
23:33E quem defende a família, defende o fim da escala 6x1.
23:37Mas não há diferença em setores?
23:39Alguns setores já adotam, né?
23:41Não, alguns já adotam, outros não.
23:43Todos têm que adotar.
23:44Essa é a defesa, é a lei e tem que valer pra todos.
23:48Cara, pense uma mulher, Zé Maria.
23:50Uma mulher que tá na 6x1.
23:52O único dia de descanso que ela tem, que teria pra ficar com os filhos, pra ficar com os seus.
23:58No país machista que a gente vive, ela vai lavar roupa, arrumar a casa, fazer comida, cuidar dos...
24:05Ela não tem descanso.
24:06Então, há uma prioridade total, né?
24:09A prioridade total do presidente Lula orientou a gente, é pra acabar com a escala 6x1.
24:15Outro assunto é a regulamentação das plataformas de entrega, né?
24:19Duas rodas e quatro rodas.
24:21Houve um primeiro momento de separar, mas agora é junto.
24:24Juntou.
24:24É um projeto que está sendo relatado por um liberal, Augusto Coutinho, de Pernambuco, que é um liberal.
24:31E há convergências, né?
24:33Entre a proposta do governo e a proposta dele.
24:36É de que a regulamentação já está posta, já existe no setor.
24:43Mas uma regulamentação das empresas, com o jeito dela, com os interesses dela, né?
24:49Quer dizer, agora há um enfrentamento necessário.
24:54E nisso eu sempre digo o seguinte, toda tecnologia que chega tem que ser regulamentada.
25:00Eu cito sempre um jeito de falar o carro.
25:02Era um brinquedinho de gente rica, dos barões do café, chegou e começou a atrapalhar.
25:08Não, peraí.
25:09Mão contra mão, proibido de estacionar, autorização pra dirigir.
25:13Censurou o carro, proibiu o carro?
25:14Não, regulamentou.
25:16É isso.
25:16E é por isso que a gente tem carro até hoje.
25:18Porque estabeleceu regra.
25:20Regulamentar, às vezes é uma palavra meio...
25:22O pessoal tem medo, fala, pô, regulamentar.
25:24O governo vai vir cobrar imposto, vai botar burocracia, vai dificultar a minha vida.
25:28Não é isso.
25:29Colocou burocracia, colocou IPVA, mas não é necessário.
25:32Isso depois veio pro carro, né?
25:34Mas, assim, nesse caso, o que nós estamos falando é de poder garantir que esse trabalhador
25:42tenha dignidade na sua condição de trabalho.
25:44Motorista de Uber, o entregador de aplicativo.
25:48Quer dizer, Maria, hoje é o que você falou.
25:50Hoje é a raposa fazendo, definindo qual é a lei da cerca do galinheiro.
25:56Para, né?
25:56Ela pode tirar um...
25:58Quando ela quiser, ela tira um profissional do trabalho.
26:02Ela paga o quanto ela quiser, paga menos, paga mais.
26:06Sem regra.
26:07Imagine.
26:08Mas o mercado tá funcionando.
26:09Eu soube que já existem mais de 600 plataformas.
26:12Existem muitas, mas você tem um oligopólio.
26:16O iFood, por exemplo, na entrega, tem quase 90% do mercado.
26:20A Uber, no transporte, é a líder de mercado.
26:24Então, você pode ter várias plataformas, mas as maiores comandam o mercado.
26:29Tanto é que você fala, eu vou pedir um iFood.
26:31Tanto é que você fala, eu vou pegar um Uber.
26:33Porque...
26:33É, mas eu acho que elas escravizam não só os profissionais, mas também os restaurantes.
26:39Hoje não há como...
26:40Totalmente!
26:41Não há como ter um restaurante...
26:42Deixa eu te falar, eu conheço uma dona de restaurante aqui,
26:44filha de um companheiro nosso,
26:47aqui na Asa Norte, em Brasília.
26:51O iFood, pra cada pedido, isso vale pra ela e pra todos os restaurantes do Brasil.
26:56É o modelo de negócio deles.
26:57Pra cada pedido, Zé Maria, eles ficam com 30%.
27:02Ela tava contando isso pra mim, cara, 30% do pedido.
27:05É muito.
27:05É muito.
27:06Diminui muito a margem.
27:07Aí eu perguntei pra ela, mas por que você não sai do iFood, então?
27:10Ela falou, porque eu perco metade dos meus pedidos ou mais.
27:16Então, o iFood garante a escala, só que, assim, enforca o dono do restaurante na margem.
27:23E ainda querem enforcar e enforcam o entregador na taxa de entrega.
27:29Não dá.
27:29Então, o que nós estamos fazendo, o projeto que nós estamos defendendo?
27:33Existem diferenças e convergências com o projeto que o Augusto Coutinho relata.
27:38Qual que é a convergência?
27:40Ele também acha que as empresas têm que cumprir o seu valor.
27:42Por isso que as empresas não contam o texto do Augusto Coutinho.
27:45Aliás, as empresas não querem nada.
27:47Querem deixar do jeito que tá, que elas mandam, desmandam,
27:50fazem o que querem com o trabalhador e com os restaurantes.
27:53O que a gente defende é aquilo que os trabalhadores têm pedido e apresentaram como reivindicação.
28:01No caso dos motoqueiros, dos entregadores de iFood, hoje eles recebem R$ 7,50 para cada entrega.
28:08Nós estamos propondo aumentar R$ 2,50 para que eles recebam R$ 10 por entrega.
28:12Essa é uma pauta deles.
28:13Eles fizeram movimentos no Brasil inteiro e apresentaram.
28:16E o nosso governo, o Lula, resolveu encampar e falar, vamos defender isso.
28:20No caso dos motoristas de Uber, hoje a Uber, Zé Maria, fica com 40, 50% de cada viagem.
28:29Se você sair daqui do estúdio da Jovem Pan em Brasília, pegar um Uber, sei lá eu, lá para o
28:34Lago Sul,
28:35você vai gastar R$ 70.
28:37Às vezes o motorista que te levou vai estar recebendo R$ 35 e os outros R$ 35 a
28:42Uber.
28:42Mas pera lá, o carro é dele, a gasolina é dele, o risco é dele, o trabalho é dele, o
28:47tempo é dele.
28:47A Uber só entrou com o aplicativo para ficar com metade.
28:51Isso é uma esculhambação.
28:53Não, querendo equilibrar essa balança.
28:55Essa é a briga.
28:57Pois é, eu acho que tem que ter mercado nisso aí mesmo.
29:00Olha, uma conversa muito boa com o ministro Boulos aqui.
29:05Ele está muito à vontade, a gente nota toda a vontade na pasta e isso é muito importante.
29:10e agradecer a você por nos acompanhar aqui e continuar na Jovem Pan.
29:19A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
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