00:00Voltamos para os Estados Unidos, porque segundo o The Wall Street Journal, o presidente Donald Trump está avaliando uma operação
00:06militar com a incursão terrestre.
00:10E eu quero perguntar para o Eliseu Caetano qual que é o motivo dessa avaliação, porque eu estou sabendo que
00:15é uma operação bem específica, né Eliseu?
00:19Exatamente, Bia. Muito bom dia novamente para você, para o Cassius e para todos que acompanham a programação.
00:23A gente volta ao vivo direto dos Estados Unidos, porque essa é uma informação de momento.
00:27Como você disse, o Wall Street Journal, que é um dos periódicos mais importantes do mundo,
00:31teve acesso a um documento e também a fontes ligadas a essa situação, que afirmam que os Estados Unidos estariam
00:39avaliando uma operação terrestre,
00:43um ataque terrestre ao Irã, numa tentativa de confiscar algo em torno de 450 quilos de urânio enriquecido.
00:53Há uma expectativa no mercado global de que o Irã já tenha conseguido enriquecer algo em torno de 410 a
01:00450 quilos de urânio.
01:03Condição, portanto, suficiente que conferiria ao país, ao Irã, a possibilidade de fabricar uma arma nuclear.
01:11E aí, visando impedir essa possibilidade, Donald Trump estaria cogitando esse ataque terrestre, essa invasão terrestre,
01:22mas com um fim declarado, com um fim específico, um objetivo muito claro, que é confiscar, que é apreender esses
01:30450 quilos de urânio enriquecido.
01:33Vale lembrar que uma missão desse tipo é considerada muito arriscada, perigosa e também complexa, até para as tropas americanas,
01:43que são muito bem treinadas.
01:45Aliás, a matéria do The Wall Street Journal traz ainda informação de que Donald Trump estaria pressionando e pressionando muito
01:54os seus conselheiros
01:55que estão realizando as negociações lá no Oriente Médio.
01:58E aí, a gente fala de Jared Kushner, que é genro dele, e também a gente fala de Steve Witkoff,
02:05que é o emissário,
02:06é um enviado especial dos Estados Unidos para assuntos do Oriente Médio, que Donald Trump estaria pressionando eles
02:12a exigirem a entrega imediata e voluntária desses 450 quilos de urânio como condição sine qua non para encerrar a
02:24guerra,
02:24ou seja, como uma condição inevitável, como uma condição que ele não abre mão.
02:31Ainda segundo a matéria, caso o Irã não aceite negociar, Trump discute, portanto, ir em frente,
02:39seguir em frente com essa possibilidade de operação, apreensão à força.
02:43Vale lembrar que uma operação dessa, reforço, é arriscada e envolveria vários dias.
02:48Eu volto com vocês no estúdio.
02:50Valeu, Eliseu Caetano. Lembrando que esse foi um conflito que se iniciou com a promessa de que seria rápido,
02:55que não existia uma necessidade, uma intenção de prolongar a situação no Oriente Médio,
03:01mas justamente o que nós temos observado é uma escalada cada vez mais acirrada.
03:06Mota, o que se fala muito também nos bastidores políticos, econômicos e até nessa questão militar
03:11é que além de uma incursão terrestre custar caro, ela também traz ali reflexos políticos internamente para Donald Trump,
03:20tanto também em relações diplomáticas e que o Irã não tem qualquer intenção de negociar
03:26e justamente depois de ter sido atacado é que vai colocar também um turbo lá no programa nuclear assim que
03:34se reestabelecer.
03:35Daí essa iniciativa de Donald Trump de retirar esse urânio enriquecido, agora é uma iniciativa acertada?
03:43Boa pergunta, Bia.
03:45O fato é que Trump, agindo assim, domina a mídia.
03:49Ele coloca o foco da discussão onde ele quer.
03:52E isso faz parte da sua estratégia de negociação.
03:56A situação ali no Estreito de Hormuz continua crítica.
04:00Nos últimos dias, os Estados Unidos suspenderam as hostilidades na expectativa de concessões por parte do Irã,
04:07mas essas concessões não vieram.
04:09Uma invasão terrestre é improvável, porque poderia levar a uma escalada incontrolável desse conflito.
04:17E a última coisa que os Estados Unidos querem é uma nova guerra do Iraque ou do Vietnã.
04:25Lucas Merreiro, quero conversar com você também, porque é interessante poder analisar esses desdobramentos do conflito,
04:31porque a gente está vendo um certo, aquele assopro e morde muito grande por parte do presidente dos Estados Unidos,
04:36Donald Trump.
04:36E muitas vezes ele tenta dominar a narrativa desse conflito.
04:40E agora, avaliando uma invasão para extrair urânio no Irã,
04:44querendo ou não, ele está dobrando a aposta de um conflito, de uma guerra,
04:48em que ele já teve, inclusive, muitas perdas políticas e eleitorais?
04:52Ele está dobrando a aposta e, ao mesmo tempo, abrindo mão de uma parte do discurso.
04:59Vejam só que interessante.
05:00Ele dobra a aposta no momento em que ele diz que está disposto a fazer uma incursão terrestre,
05:05uma incursão militar terrestre no Irã.
05:08Só que ele abre um pouco mão do discurso quando ele diz que seu objetivo agora
05:11será simplesmente coletar esse urânio enriquecido,
05:16que, por sinal, seria algo muito bom de ser feito.
05:19Afinal de contas, a gente sabe que o Irã deter armas nucleares seria um pavor para o mundo todo.
05:25Então, seria muito bom que os Estados Unidos conseguissem apreender esse urânio enriquecido.
05:29Só que, até pouco tempo atrás, o Trump dizia que o seu objetivo principal,
05:33dentro de cinco semanas, cinco, seis semanas, era derrubar o regime iraniano.
05:38Então, veja, agora ele já diz, não, não, meu objetivo imediato não é derrubar o regime,
05:42é recuperar esse urânio enriquecido.
05:44Por quê? Porque ele viu que não é tão simples assim derrubar o regime iraniano,
05:49mesmo sendo os Estados Unidos um país militarmente muito mais forte,
05:53com muito mais aliados políticos, com muito mais influência internacional.
05:57Mesmo com todas essas vantagens, eles acabaram vendo que derrubar o regime iraniano
06:02não é tão simples assim, né?
06:04Vejam só, um regime que está aí firmado, né?
06:07Desde os anos 70, que sempre vem se fortalecendo.
06:10Um país que tem uma indústria bélica muito forte, comparado com o de outros inimigos dos Estados Unidos, né?
06:16Como Cuba, Venezuela, por exemplo.
06:18O Irã é muito mais forte nesse sentido.
06:20Um país produtor de tecnologia.
06:22Um país que faz negócios com a Rússia, com a China.
06:25Vejam só que interessante.
06:27Eu já trouxe esse dado aqui, mas eu trago de novo porque eu achei bem bacana.
06:29O Irã é o principal fornecedor de drones pra Rússia.
06:33Então, vejam só, quantos drones a Rússia não comprou do Irã nos últimos anos,
06:37já que a gente está falando de guerra na Ucrânia, né?
06:40Onde são utilizados drones, muitas vezes ali.
06:42É o Irã que fornece tudo isso.
06:43Então, é um país que tem dinheiro, sim, né?
06:46E o Trump está vendo agora que simplesmente é impossível destruir o regime iraniano
06:52dentro dessas cinco semanas.
06:54Só que, aí eu termino com um tom até relativamente positivo pro presidente americano.
06:59Seria muito bom pra ele, pra que ele pudesse ao menos virar pra população,
07:03pro eleitorado dele e dizer, olha, eu posso não ter derrubado o regime.
07:06Mas, pelo menos, eu impedi de vez que o Irã desenvolvesse uma bomba atômica.
07:11E, no final das contas, isso é o mais importante de tudo, né?
07:14Ele pode dizer isso e tentar resgatar um pouco da popularidade
07:18que ele vem perdendo ao longo dos últimos meses
07:20por conta dessa guerra contra o Irã que os Estados Unidos entrou.
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