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DiversãoTranscrição
00:05MÚSICA
00:12Nada de especial, eu estava batendo um papo aqui com o seu pai.
00:15Mas estava falando em dólar, não tá?
00:17Pô, eu tinha dito que você pretende trabalhar na bolsa.
00:21É, senta aí, seu negócio, senta aí, está à vontade.
00:23É uma coisa que eu tenho pensado, sabe? Mas eu ainda não estou certo disso não.
00:26Bom, agora me diz uma coisa, e aquele porra, e seu Norival? Passou mal?
00:31Nem me fala, uma ressaca danada.
00:35Agora, com esse negócio de dólar, eu acho que nesse país todo mundo devia entender de dólar, viu?
00:39Porque é ele que dá as cartas há anos, antes do seu nascer, muito antes do seu nascer, ele já
00:43dava as cartas aqui.
00:44E eu?
00:44É, e o pai também.
00:47Exploradores.
00:47Mas não é? Dezenas e dezenas de anos vendendo, vendendo, vendendo e mandando dólar pra fora.
00:53Agora, eu duvido, eu mesmo duvido que metade tenha ficado nesse país.
00:57Agora, quando a gente quer equilibrar um pouquinho as contas, eles botam a boca no trobolho lá fora, não é?
01:03É, quando descobriram este país, ele já começou a ser explorado.
01:07E daí vem.
01:10Mas o senhor está querendo saber de dólar pra quem quer investir algum?
01:13Eu.
01:14Quem sou eu, meu filho?
01:16Então fazemos o seguinte, quando o senhor ganhar na loteria, quiser investir algum, é só me procurar.
01:21Dá licença.
01:25Tá vendo?
01:26Entendo de tudo.
01:28De tudo um pouco.
01:29É como esses caras aí que vivem inventando coisinhas que nunca são terminadas.
01:34Ele me parece um bom rapaz.
01:36E é.
01:39Aqui eu não elogio ninguém.
01:41Porque eles acostumam e montam no meu cangote.
01:45Mas os meus filhos são ótimos.
01:47E o Luiz Paulo é muito querido aqui no bairro.
01:49Todo mundo confia nele.
01:52Isso é motivo de orgulho pra um pai, né?
01:55É, mesmo.
01:57Eu tenho orgulho dele.
02:04Oba!
02:06Mas que falta de consideração, não é, Maurício?
02:10Ué, por quê?
02:11Você disse que almoçar em casa a gente fica esperando e nada, não é?
02:14Não foi melhor assim.
02:15Sobrou mais comida.
02:16Pronto.
02:17Maurício, será que não dá pra você fazer um esforço e vir comer em casa?
02:21Seria muito melhor pra saúde.
02:23É.
02:24A senhora promete que não põe veneno na minha comida?
02:27Não.
02:27Ainda não chegou o momento.
02:30Maurício, vamos subir?
02:31Não, não, não, pera.
02:33Calma, espera um pouco.
02:36Olha aqui, dona Francine, nós vamos aproveitar agora e deixar umas coisas bem esclarecidas aqui.
02:40Por favor, Maurício.
02:42Antigamente, eu era obrigado a engolir suas indiretas por causa do doutor Herbert.
02:46Mas acontece que isso acabou.
02:48É, porque agora eu sou o mais velho aqui dentro e ninguém vai ficar me gozando, não.
02:53Se você se comportar bem com a sua mulher e a sua família, eu prometo que eu vou ficar bem
02:57boazinha.
02:58Olha, e tem mais uma coisa, tem mais uma coisa.
03:01A senhora que vai ter que se comportar comigo agora, entendeu?
03:04Porque acabou a sua ditadura aqui dentro.
03:06É, eu não tenho que dar satisfações aos meus atos.
03:10Chega, Maurício.
03:11Não, não, não, olha, olha.
03:12E eu não vou permitir também que fique se intrometendo na minha vida particular com a Tamires, ouviu bem, ô
03:17velhinha?
03:22Eu sempre achei você meio covarde mesmo.
03:25Tá, tá.
03:26A senhora pense o que quiser, mas a sua idade não lhe dá o direito de ficar me ofendendo pelas
03:29costas, tá?
03:30Toma cuidado comigo, dona Francine.
03:34Maurício, por favor.
03:36Você não pode falar assim com minha avó não, sabia?
03:38Tem que ter um pouco mais de respeito.
03:40Olha, olha, você fique sabendo que aqui eu respeito a sua mãe e olhe lá, tá legal?
03:44É, mas não se mete comigo não, viu?
03:45Ana Cláudia, você não tem nada a ver com isso.
03:47Por favor, não se meta.
03:48E olha, tem mais uma coisa, hein?
03:49Tem mais uma coisa.
03:50Eu quero ver todo mundo se mexendo e ganhando dinheiro aqui dentro, entendeu?
03:53Porque eu não vou ficar sustentando vagabundo nenhum, não.
03:55Por favor, Maurício, vamos subir?
03:57É, acabou a mamata.
03:57Quero ver todo mundo se mexendo aqui dentro.
03:59Você também, ô, seu cretino.
04:00Ah, cretino é você.
04:03Maurício, onde é que vai...
04:04Ai, meu Deus, é assim mesmo.
04:06Quando acaba o dinheiro, o caráter vem logo à tona.
04:10Se mete com ele não, hein, vó?
04:12Não provoca.
04:13Bom, eu não quero criar problemas.
04:14Já basta isso que nós temos, né?
04:19Abriu a cestinha e viu tudo.
04:22Ô, Rosemary, você é disso que tinha guardado bem escondidinho, não é?
04:25Então eu tive que contar, né?
04:28Mas ele vai ficar de bico calado.
04:31Não pelos dólares, né?
04:32Porque ele morre de medo de mim.
04:34Coitado, seu Lourival.
04:36Ele esteve lá na casa do seu Justino e me disse que eu posso confiar no Luiz Paulo.
04:42O que você acha?
04:43Olha, eu não conheço bem o rapaz, mas justiça seja feita, né?
04:48Todo mundo fala bem dele aqui no bairro, não é?
04:51É.
04:52Meu Deus, eu preciso encontrar uma pessoa que eu confie, que me ajuda, que entenda de dinheiro.
04:58Eu estou com uma fortuna aqui dentro dessa casa e eu não sei o que eu vou fazer com ela,
05:01Mercedes.
05:03Mercedes, o Baltazar me ligou e me contou quanto é que vale em cruzado um dólar.
05:12Mercedes da minha alma, se eu não errei nas contas, se eu fiz tudo certinho, o Mário me deixou mais
05:22de 30 milhões de cruzados.
05:25Gente do céu, por que tanto?
05:32Meu Deus, eu vou arriscar a Mercedes.
05:36Eu tenho que encontrar alguém.
05:39Eu vou falar com o Luiz Paulo.
05:46O que o senhor acha, doutor Martineko?
05:49É, acho que está faltando alguma coisa aqui.
05:54Ele cita vários vinhos, mas esquece de colocar a marca em muitos deles.
05:58De qualquer forma, todo mundo sabe que o doutor Herbert era um homem que costumava comprar bebidas caríssimas.
06:05Infelizmente, eu preciso catar dinheiro de todos os lados.
06:08Essa adega deve dar um bom dinheiro.
06:10Ah, sem dúvida, sem dúvida.
06:13De qualquer forma, eu acho que a senhora devia separar alguma coisa para ficar com a senhora.
06:19Imagina, naquela casa, nem vai caber tanta bebida.
06:27Ainda hoje estive lá, visitando e...
06:31Ah, me sinto tão triste lá, doutor Martineko.
06:39É, eu entendo, dona Rafaela.
06:42As pessoas falam em destino comigo.
06:46Mas não é só isso.
06:49Eu acho uma injustiça isso que está me acontecendo.
06:52Eu não merecia isso que está me acontecendo.
06:57Dois terços da minha vida foram dedicados inteiramente ao Herbert.
07:02Eu me casei muito cedo, me dediquei completamente a ele.
07:06Sobrou muito pouco para mim.
07:09Todos sabem disso, dona Rafaela, hein?
07:12Inclusive, hoje à tarde, esteve no meu escritório a dona Cidinha de Verde Mara,
07:16que foi tratar de um assunto jurídico, e me falou da senhora com muita pena.
07:21É, mas desde que o Herbert morreu, ela nunca mais apareceu.
07:25É, eu sei.
07:27Todos se afastaram, né?
07:29É natural.
07:30Ninguém quer ter problemas, dona Rafaela.
07:33E hoje, para a sociedade, a senhora é um problema que pode dar muito trabalho.
07:36Mas eu não pretendo pedir dinheiro a ninguém.
07:39A ninguém.
07:41Muito menos essa sociedade hipócrita, que eu conheço muito bem.
07:47A dona Verde Mar, por exemplo, vivia me telefonando.
07:52Vivia insinuando que o Herbert tinha um amante.
07:55E nunca teve.
07:57Nunca teve.
07:58Nunca teve.
08:00Depois que ele morreu, sumiu.
08:02Desapareceu.
08:04Nunca mais ligou.
08:06Ela pensa o quê?
08:07Que eu vou pedir dinheiro a ela?
08:08Não peço.
08:09Eu não peço.
08:11Eu morro seca.
08:13Eu morro seca.
08:15Esturricada.
08:16Mas eu não peço dinheiro para essas falsas amigas.
08:21Bom, de qualquer forma, dona Rafaela, eu acho que a senhora deve separar alguma bebida
08:26e levar para a sua nova casa.
08:27Sempre terá alguma utilidade.
08:30O grosso, a senhora não se preocupe,
08:32que eu conseguirei vender pelo melhor preço que eu der.
08:39É o que eu digo, doutor Montenegro.
08:42O que seria de mim sem o senhor?
08:56Sim?
08:59Você, essa hora?
09:01Não, é que eu acho que você devia estar em casa com a sua mulher.
09:04Ah, sei, acredito.
09:07Como é que você descobriu meu telefone?
09:10Você tem feito grandes amizades naquela firma, né?
09:15Tá, mas eu não posso, não.
09:17Não, eu já estava me preparando para dormir.
09:19Não, é muito tarde.
09:21Não posso.
09:22Você me desculpa, mas eu vou ter que desligar, tá?
09:24Tchau, não posso.
09:29João Antônio, você não disse que ia ficar uma semana?
09:32Sou um fraco, não aguentei a saudade.
09:34O que você estava falando?
09:44O que é que há?
09:46Está tão apagada.
09:49Ah, minha filha.
09:53Parece que o mundo acabou para mim.
09:57Por causa do dinheiro?
09:59Você não acha que é um pouco cedo para isso?
10:02Ah, tá vendo?
10:05Muda tudo.
10:05Falou em casamento, muda tudo.
10:06O que?
10:07Você está brincando?
10:08Claro que eu estou brincando, você não falou certo.
10:10Agora muda tudo com essa brincadeira.
10:11Vai ser sério?
10:12Vai ser sério?
10:13Vai ser sério?
10:13Vai ser sério?
10:14Claro que um dia eu posso pensar que eu vou aí você, com você.
10:16Claro que eu vou casar com você.
10:17Pode ser que eu estiver de pobre.
10:18Cega o que?
10:19Cega o que?
10:20Cega o que?
10:21Meu cabelo é garçom.
10:25Prova o gosto desse tom, seu tom, do meu batom na tua boca.
10:33Alô, doceura, me puxa pela cintura.
10:40Tem tudo a ver o meu pinguim
10:44Com a sua geladeira
10:48Uau, que legal, nós dois velados aqui
10:51Que nem me conheceram o dia que eu nasci
10:54Que nem no banho, por baixo da etiqueta
10:57É sempre tudo igual, curiosa, xereta
10:59Que gostoso, sem pressura, sem disfarce, sem fantasia
11:04Que nem seu pai, sua mãe, salvou sua tia
11:10Indecente é você ter que ficar descrito de cultura
11:14Daí não tem jeito quando a coisa fica dura
11:19Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral
11:24A barriga é pelada, é que a vergonha é nacional
11:28Vai, pelado, pelado, tu com a mão no bolso
11:34Pelado, pelado, tu com a mão no bolso
11:39Pelado, pelado, tu com a mão no bolso
11:43No com a mão no bolso