00:00Essa semana eu estive na Expo Direto Cotrijal, que acontece no município de Não Me Toque, no Rio Grande do
00:06Sul.
00:07A guerra travada entre Estados Unidos, Israel e Irã está preocupando produtores de lá,
00:14que foram atingidos pelas enchentes lá em 2024.
00:19Eles precisam muito do fertilizante para recuperar a saúde do solo e o abastecimento.
00:25Quando a gente olha para esse impacto do conflito geopolítico, isso acaba influenciando no abastecimento dos fertilizantes.
00:34Mas tem outras práticas de conservação do solo que podem ser adotadas e a Embrapa já estudava isso de forma
00:43antecipada,
00:44pois entendeu então que as mudanças climáticas realmente são uma realidade e, é claro, atingem o sul do Brasil há
00:52muitos anos,
00:53como a gente tem visto nas últimas safras.
00:56E é isso que a gente vai conferir na reportagem que teve a contribuição do Matheus Lopes.
01:00A estação agroclimatológica de Pelotas, vinculada à Embrapa, foi inaugurada em 1888,
01:08muito antes da concepção da empresa brasileira de pesquisa, na década de 70.
01:13Portanto, a geração de dados climatológicos acontece na região gaúcha há mais de 130 anos,
01:19três vezes ao dia, de forma ininterrupta.
01:22Este banco de dados contribuiu para a elaboração de uma plataforma inédita criada pela Embrapa
01:28em setembro de 2023, conforme explica Leonardo Ferreira Dutra, chefe-geral da Embrapa Clima Temperado.
01:36E com os resultados que a gente vinha observando do aquecimento global,
01:41das mudanças mais drásticas, aumento de episódios mais extremos, chuvas mais intensas,
01:47a gente percebeu, bom, o nosso principal desafio no futuro serão as mudanças climáticas e os eventos climáticos extremos.
01:56E nós temos que saber como é que nós vamos resistir, como é que nós vamos ser resilientes a eles,
02:02como é que nós vamos trabalhar sistemas de produção mais competitivos, produtivos,
02:09mas principalmente resilientes, que convivam com essas mudanças, com esses extremos climáticos de todos os aspectos.
02:19Meses depois, o trabalho de pesquisa fez ainda mais sentido diante das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
02:25Isso foi possível porque a Embrapa já havia cruzado informações regionais, climáticas e de bacias hidrográficas.
02:32Daí então, nasceu o programa Recupera Rural Rio Grande do Sul.
02:37Então, rapidamente, de forma emergencial, nós diríamos assim, nós instituímos a partir da plataforma,
02:46o plano Recupera Rural com ações emergenciais e depois ações, como eu diria, estruturantes.
02:56Hoje, nós estamos com ações estruturantes.
02:59Então, partirmos para ações definindo unidades de referência tecnológica em regiões do Estado,
03:09norte e noroeste do Estado, na Serra e na Bacia do Taquariantas.
03:14O diagnóstico para entender qual tipo de intervenção no solo precisa ser feito
03:18contou com o trabalho das 23 unidades de referência tecnológica localizadas no Estado,
03:25como explica o chefe-geral da Embrapa.
03:27As estadas estão localizadas na região norte e noroeste do Estado,
03:32que é um tipo de... onde nós começamos algumas atividades,
03:36pegando aqui a parte, a região aqui de Passo Fundo e em torno.
03:40Temos algumas coisas na Serra, onde nós tivemos muitos deslizamentos.
03:46A Serra Gaúcha foi principalmente afetada por grandes deslizamentos,
03:52aquelas cicatrizes que foram criadas pelos deslizamentos de terra.
03:57E tivemos regiões como inundação, que foram no sul do Estado.
04:01O Recupera Rural RS conta com vários parceiros, entre eles a Iara Brasil,
04:07atualmente no segmento de fertilizantes.
04:09O insumo é essencial para recuperar a saúde do solo depois do excesso de chuva e sedimentos.
04:16Mas um fator preocupa.
04:18O fertilizante está no centro das discussões da guerra no Oriente Médio.
04:22Mesmo diante de um contexto desafiador para o Rio Grande do Sul
04:26e o recente encarecimento dos fertilizantes,
04:29a Iara segue com investimentos que somam R$ 750 mil nesta iniciativa com a Embrapa.
04:36Recuperar os solos do Estado com o máximo de agilidade possível é o foco da parceria.
04:41Até porque produtores como os de batata relatam margens negativas,
04:46conforme conta Diogo Rezende, vice-presidente de vendas da Iara Brasil.
04:51Se o produtor tem um custo muito alto, ele reduz a área.
04:56Mas ele pode até não reduzir a área, mas ele reduz o investimento.
05:00Se ele reduz o investimento, em vez de ele produzir, vou tentar ser simplista até no exemplo,
05:05três batatas por metro, ele vai produzir duas.
05:09Eu tenho menos produção.
05:11Se eu tenho menos produção, eu tenho menos disponibilidade no supermercado.
05:14Se eu tenho menos disponibilidade no mercado, eu tenho aumento de preço,
05:18porque vai ter uma competição maior.
05:20Isso é cíclico, né?
05:21Por isso que a gente vê grandes variações, principalmente de hortifruti,
05:24no mercado de hortifruti, com base na produção,
05:28quanto que a gente está produzindo, consumo e custo de produção.
05:32Para a Embrapa, a tendência é que pesquisas envolvendo a meteorologia
05:36se intensifiquem com instituições de ensino e a iniciativa privada.
05:40Manter estas colaborações dentro do país se faz ainda mais necessário
05:44em um momento de protecionismo global e mudanças climáticas.
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