00:00E após uma semana desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã,
00:06o agronegócio assiste com cautela os próximos passos para setores como fertilizantes e proteína animal,
00:13além da própria logística.
00:15Nós vamos conferir na reportagem de Matheus Lopes.
00:18Diferentes segmentos que compõem o agronegócio estão atentos à duração da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
00:26Os conflitos no Oriente Médio impactam diretamente o fluxo de importação e exportação de commodities
00:33e a disponibilidade de navios que transportam as cargas.
00:36Entre os setores mais afetados está o de fertilizantes.
00:40Na última quinta-feira, 5 de março, a Bolsa de Chicago registrava alta de 36% no preço do contrato
00:47futuro da UREA no Brasil,
00:49com vencimento em abril a 573 dólares por tonelada.
00:54O aumento acumulado inclui custo e frete, reflexos do fechamento do Estreito de Hormuz,
01:00rota marítima que atravessa as águas territoriais entre Irã e Oman.
01:05Douglas Santos, diretor da Peniel Management, explica o cenário.
01:09O Oriente Médio é responsável por 40% da ureia, 28% da produção de amônia e 29% do
01:19DAP,
01:19que seria o fosfato de amônia, exportados globalmente.
01:23Todos os produtos são utilizados no agro, principalmente, e todos os produtos têm uma aplicação direta no momento.
01:30Então, com o conflito, o que está acontecendo?
01:33Fornecedores estão retirando as ofertas e os navios não estão aceitando passar pelos treinos.
01:39Logo, nós estamos criando escassez e, definitivamente, incerteza de preços.
01:44Na avaliação de Douglas Santos, a nova tarefa para o agro global agora é buscar fornecedores alternativos de fertilizantes
01:53para diminuir a dependência, já que o Estreito de Hormuz é rota de um terço na ureia mundial.
02:00O Brasil importa 93% dos fertilizantes que consome e a ureia representa 17% desse total.
02:08E, além disso, Irã, Catar e Arábia Saudita, todos afetados pela rota de um jeito ou de outro,
02:14estão entre os dez maiores exportadores mundiais de ureia.
02:18Então, ou seja, é um colapso anunciado se o tempo se estender demais.
02:22O Oriente Médio é a maior região exportadora do mundo, com 20 milhões de toneladas no ano,
02:29aproximadamente 35% do comércio global.
02:33Douglas afirma que armadores de contêiner anunciaram a suspensão da passagem pelo Estreito de Hormuz
02:40até que a região esteja segura.
02:42Isso gera desvio do trajeto em milhares de quilômetros, adiciona semana às viagens
02:48e leva à redução de navios ao longo do ano, pressionando os fretes.
02:52Isso acontece, por exemplo, com os navios que transportam grãos.
02:56A região não foi projetada para esse volume massivo de granés,
03:00os logísticos vão explodir e os riscos, na verdade, não é o risco,
03:04já é uma realidade de gargalos e atrasos.
03:08Então, como uma síntese final, a gente pode entender o seguinte,
03:12que o Estreito de Hormuz fechado em relação ao navio,
03:16nós temos portos do Mar Vermelho acima acessíveis somente pelo transporte terrestre,
03:22portas muito mais longas, o que viabiliza.
03:26O que isso significa na prática?
03:28Aumento de custos, atrasos, menor disponibilidade de navio e um gargalo logístico global.
03:34O Irã foi o maior comprador de milho brasileiro em 2025, com 9 milhões de toneladas.
03:40Também importa soja, farelo e o açúcar do Brasil.
03:44Aves, suínos e ovos não são vendidos diretamente para Irã ou Israel,
03:49conforme esclarece Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal.
03:54Dos 160 países com quem o Brasil faz comércio para este segmento,
03:5912 estão na região do conflito e somente 3 apresentam dificuldades de acesso.
04:04Neste sentido, o setor já se organiza com o Ministério da Agricultura
04:08para redirecionar as cargas para outros importadores.
04:11Nós já falamos com o ministro Carlos Fávaro, secretário popular, secretário rua, secretário Elan,
04:17fazendo pedidos de medidas emergenciais, como armazenagem container,
04:22como tramitação burocrática, revalidação de alguns certificados sanitários internacionais.
04:27Por exemplo, o que foi vendido para Dubai e estava chegando lá.
04:32Daqui a pouco eu revendo para a Malásia, mas eu preciso ver se a Malásia aceita o documento
04:37e como é que eu faço essa mudança, aquilo que se chama correção de certificado sanitário.
04:41Isso tudo são partes burocráticas que estão sendo feitas.
04:44A gente sabe que isso vai ter custo, que vai ter prejuízo no futuro.
04:48Por exemplo, quando eu pago a taxa de guerra, quando eu passo a taxa de risco,
04:54ou quando eu mando para um outro destino, eu tenho que complementar o frete,
04:57que não estava previsto e assim por diante.
05:00Mas isso sim é uma coisa que é preciso você esperar um momento.
05:05Ricardo Santin afirma que o atraso nas operações não afeta a produção brasileira de aves, suínos e ovos,
05:12nem o abastecimento do mercado interno.
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