00:00Destaques de Brasília. Com a guerra no Oriente Médio e a pressão no preço dos combustíveis,
00:05o governo anuncia um pacote de medidas para conter a alta do diesel.
00:10Repórter André Anelli chega agora para nos traduzir, explicar o que efetivamente o Planalto pretende
00:16e quando as ações vão entrar efetivamente em vigor, quanto vão custar para os cofres públicos.
00:23Boa noite, André. Bem-vindo.
00:27Obrigado, Tiago. Muito boa noite a você também e a todos aqui no Jornal Jovem Pan.
00:32O corte de pis e cofins determinado pelo decreto do presidente Lula deve reduzir o valor do litro do diesel
00:41em 32 centavos na refinaria.
00:43Já a subvenção aos produtores e importadores, que também foi instituída, deve ter impacto de mais 32 centavos por litro.
00:52Ao todo, as duas medidas devem reduzir então o preço em 64 centavos por litro do diesel, segundo cálculos do
01:01Ministério da Fazenda.
01:02As medidas foram anunciadas em caráter temporário, com validade até 31 de dezembro desse ano.
01:09A justificativa foi a alta do preço do barril do petróleo causada pela guerra no Irã.
01:14Com os impostos do pis e cofins zerados para o diesel, o governo espera perder 20 bilhões de reais em
01:23arrecadação.
01:24Já a subvenção ao diesel deve ter um impacto de 10 bilhões de reais, totalizando 30 bilhões de reais até
01:32o fim do ano.
01:33O presidente Lula disse que o conjunto de medidas representa um esforço para combater a inflação que costuma subir, provocada
01:42pelo encarecimento do transporte de mercadorias.
01:45Nós estamos dizendo alto e bom som, estamos fazendo um sacrifício enorme aqui, uma engenharia econômica, para evitar que a
01:58irresponsabilidade das guerras chegue ao povo brasileiro.
02:03Nós vamos fazer tudo o que for possível e quem sabe esperar, até com a boa vontade dos governadores de
02:10estados, que podem reduzir um pouco o ICMS também no preço do combustível,
02:14naquilo que for possível cada estado fazer, para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do
02:22motorista, ao bolso do caminhoneiro,
02:24e sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro, não vai chegar ao prato de feijão.
02:33A salada do alface, da cebola e a comida que o povo mais cobra.
02:40Para compensar a perda na arrecadação e incentivar o refino de petróleo no Brasil, o governo vai passar a cobrar
02:47uma alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo.
02:52Um outro decreto, em caráter permanente, foi publicado com medidas de fiscalização para combater o aumento abusivo dos preços dos
03:01combustíveis,
03:01para fins de especulação.
03:03O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as mudanças não alteram a política de preço da Petrobras,
03:11mantendo a previsibilidade e o retorno aos acionistas privados minoritários da estatal.
03:18Então, nós não estamos falando de nada que altera estruturalmente o país, nem do ponto de vista fiscal, nem do
03:28ponto de vista tarifário.
03:30Então, isso em primeiro lugar.
03:31As medidas anunciadas, elas têm como razão o estado de guerra que nós estamos vivendo e que está afetando a
03:41economia global de maneira mais incisiva.
03:44Então, é com o diesel que nós estamos mais preocupados e pelo fato do diesel afetar as cadeias produtivas de
03:51maneira muito enfática.
03:54Toda a colheita que está sendo feita agora da safra brasileira, que deve mais uma vez chegar a níveis recordes,
04:03não sei se supera do ano passado ou não, mas sempre de uma maneira a expandir a produção, depende do
04:10diesel.
04:10Todo o escoamento da produção é feito por caminhões a diesel.
04:17Todo o plantio é feito com maquinário agrícola que usa diesel.
04:24Quer dizer, o diesel é um elemento importante da economia brasileira.
04:31Ainda de acordo com o Haddad, a cobrança abusiva nos preços deve ser definida por critérios objetivos que vão ser
04:39desenhados pela Agência Nacional de Petróleo, a ANP.
04:44Tiago.
04:44Pois é, Andréia.
04:45Essa foi uma das promessas do governo de punir quem aumenta os preços de forma indiscriminada.
04:51Você volta daqui a pouquinho.
04:52Vou chamar a Denise Campos de Toledo, aqui a Dora Kramer com a gente também.
04:56Denise, o seu olhar técnico em relação a isso.
04:59Adianta?
05:00O consumidor vai ser preservado com essas medidas?
05:03Boa noite e bem-vinda.
05:04Boa noite, Tiago.
05:04Boa noite, Dora.
05:05Boa noite a você que nos acompanha.
05:07Pois é, é uma tensativa de governos de segurar pelo menos o aumento do diesel.
05:11Agora é importante lembrar que a gente tem um mercado híbrido.
05:13A Petrobras domina a maior parte desse mercado, mas tem refinarias independentes.
05:17Inclusive, uma delas hoje anunciou um aumento importante de 20% do diesel para as distribuidoras.
05:24Foi a refinaria de Mataripi.
05:27Ela já pertenceu à Petrobras.
05:28Foi privatizada no governo Bolsonaro.
05:31Então, você tem outros aumentos ocorrendo em paralelo à paralisação da Petrobras.
05:37A Petrobras vai ter que lidar com essa situação.
05:39O governo está montando um quebra-cabeças com relação aos tributos,
05:42esperando que isso minimize a situação e talvez contando com uma guerra não muito prolongada.
05:48Porque o fato é que a pressão externa prossegue, vai contra as indicações do ministro Haddad,
05:53que talvez isso tenha uma curta duração, e o preço do petróleo continua subindo.
05:57Então, a Petrobras vai trabalhar com defasagens.
06:00O governo está fazendo com que a estatal, que tem capital aberto,
06:05trabalhe contra as regras de mercado financeiro.
06:08Ela pode ter perdas.
06:09Claro que ela ganha do lado da exportação, porque o petróleo fica mais caro.
06:12Mas boa parte do combustível consumido aqui no Brasil vem de fora e está com um preço mais caro.
06:19Então, é uma tentativa que o governo Bolsonaro também recorreu.
06:22Hoje, faz exatamente quatro anos que o governo Bolsonaro anunciou,
06:27na época era a guerra da Ucrânia e da Rússia,
06:29que ele anunciou também um corte de impostos para segurar os preços.
06:33Naquela época, sobrou para os estados também com o corte do ICMS,
06:37que acabou sendo decidido.
06:39Lula deu uma indireta em relação a isso.
06:41Resta ver se algum estado vai aderir para tentar segurar os preços.
06:44Naquela época, não teve essa compensação fiscal.
06:46Agora, houve essa preocupação.
06:48O governo já está num momento delicado em relação à situação fiscal.
06:51Então, ele vai cobrar das exportações, uma taxação maior de 12%,
06:55para compensar o que ele vai deixar de arrecadar,
06:58tirando o pisco físico, esse estímulo dado à produção do combustível aqui no Brasil.
07:02Dora Kramer, a Denise já te deu a deixa política.
07:05Ao citar o ex-presidente Jair Bolsonaro, numa medida semelhante tomada há quatro anos,
07:09a leitura política disso.
07:11O Planalto, claro, preocupado com a inflação e o bolso do consumidor.
07:17Boa noite, Dora.
07:17Bem-vinda.
07:18Boa noite, Tiago.
07:20Boa noite, Denise.
07:21Boa noite a todos.
07:22Pois é, não poderia ser diferente.
07:24Nesse aspecto, o governo brasileiro não está fazendo nada diferente do que o mundo inteiro está fazendo.
07:30Todo mundo mobilizado em torno desse assunto.
07:34Agora, do ponto de vista das consequências da economia,
07:38o que vai falar sobre isso, essa engenharia a qual se referiu o presidente Lula está correta,
07:44e a duração da guerra, esses dois fatores, a engenharia e a duração da guerra,
07:51é que vão nos dizer quais são as consequências da economia.
07:55Na política, é claro que o ano eleitoral coloca mais peso nessa necessidade,
08:03mas uma guerra como essa, uma situação como essa,
08:08ainda que o ano não fosse eleitoral, qualquer governo, qualquer governo tomaria medidas,
08:15porque a inflação é o fator crucial.
08:19E é preciso tomar medidas que segurem.
08:22Eu repito, no mérito, eu não sei se isso realmente vai segurar, se está correto ou se não está.
08:27Mas do ponto de vista político, é a única coisa que o presidente Lula poderia fazer.
08:32tomar alguma medida.
08:35Agora, ele também tomou cuidado, veja só, de não repetir o Bolsonaro,
08:40que lá atrás impôs a questão do ICMS aos governadores,
08:45e agora o presidente Lula deixou ao livre provimento dos governadores.
08:50Para quê?
08:51Para não criar um atrito com governadores,
08:54exatamente por causa do ano eleitoral, não vai arrumar uma briga,
09:00porque ele já tem bastante problema nesse aspecto eleitoral para acrescentar mais um.
09:08Agora, é bom a gente lembrar que o presidente Bolsonaro tomou essas medidas,
09:15já o ministro de Minas.
Comentários