00:002 horas e 41 minutos, a guerra continua lá no Oriente Médio.
00:04Há milhares e milhares de quilômetros daqui, mas os impactos estão chegando e gerando muita dor de cabeça para nós.
00:12Aqui dentro, o preço do diesel está nas alturas.
00:15O Marcelo Matos é quem nos conta mais informações quanto os caminhoneiros estão encontrando, em média,
00:22o combustível nessas rodovias quando vai abastecer um caminhão e que não é pouco.
00:28São muitos litros para abastecer um caminhão, enquanto, mais ou menos, qual a média de valor que tem sido oferecido
00:37esse combustível?
00:38Marcelo, ótima tarde a você.
00:43Boa tarde a você, Bruno, e a todos que nos acompanham aqui na Jaminpan.
00:46Falamos de um posto aqui na região central de São Paulo, acompanhando toda essa movimentação dos preços,
00:52nesse choque de petróleo após a guerra, então, entre Irã e Estados Unidos.
00:56Como você dizia, em 27 de fevereiro, o litro estava em 5,74.
01:03Depois, nós tivemos 6 de março, 6,35.
01:0618 de março, 7,23.
01:09A média nacional, uma pesquisa que envolveu 4.600 postos em todo o Brasil.
01:16Antes, então, 5,74.
01:18Após a guerra, nós tivemos, então, toda essa evolução negativa, infelizmente, para os preços.
01:23O levantamento da Truck Peg, que faz uma gestão de frotas, e ela apurou, então, 7,22 na quarta-feira,
01:32143 mil transações foram avaliadas, 4.664 postos em todo o Brasil, 94% postos em rodovias,
01:41que são grandes, utilizados aí, por parte dos caminhoneiros.
01:45Então, em 30 dias, nós tivemos aí, portanto, a utilização dos caminhoneiros.
01:49Então, fica agora a expectativa, a Agência Nacional do Petróleo também já indicou uma alta de 11%,
01:54praticamente 1% ao dia, a partir do momento da greve.
01:581,50 a média nacional desde 28 de fevereiro.
02:01Estados mais atingidos, região norte e Tocantins, 37% de aumento.
02:06Nordeste e Piauí, 28%.
02:08Goiás Centro-Oeste, 29%.
02:11São Paulo, 27%.
02:12É a mais alta do Sudeste e Sul.
02:15Santa Catarina, 29,9%.
02:17Nós falávamos ontem, e todo o temor, né, da paralisação, empresários ligados ao setor,
02:23acelerando suas entregas para evitar realmente essa questão da possível paralisação,
02:29o acesso ao Porto de Santos.
02:30Nós lembramos que em 2018, no governo Temer, a paralisação custou 1 ponto percentual
02:36para o PIB, para o Produto Interno Bruto Brasileiro, então, um reflexo muito negativo
02:40para a economia brasileira, para o brasileiro, chegou à mesa a inflação e nós estamos acompanhando.
02:46Havia todo esse temor, então, agora da paralisação, era um temor real.
02:50O governo reagiu, primeiro retirando, né, piscofins, daí a parte federal dos impostos.
02:56Ontem, Lula esteve aqui em São Paulo numa agenda, pediu que os governadores façam o mesmo
03:00em relação ao ICMS e que ele pode pagar metade do benefício que foi dado pelos estados.
03:05Também está disposto a fazer isso, prometeu isso ontem em São Paulo.
03:08E agora nós tivemos essa reação, que Lula assinou uma medida provisória,
03:12que endureceu as regras e aumentou a proteção em relação à categoria
03:16e também a reivindicação de valores e pagos que são considerados insuficientes
03:21diante da situação hoje, né?
03:23Uma viagem para o Nordeste.
03:25Então, ele sai daqui com sete reais, pode encontrar onze reais lá no Nordeste.
03:30Então, há uma grande preocupação em torno aí dos gastos excessivos agora com essa alta de diesel.
03:36Mas, de qualquer forma, com essa medida provisória e demais medidas,
03:40o governo, a princípio, consegue ganhar tempo para uma reivindicação da categoria,
03:45atender parte dos pleitos e, portanto, nós tivemos de momento essa paralisação revogada,
03:51mas o perigo real e imediato havia, portanto, o governo agiu e fica a expectativa agora também
03:56se os estados poderão atingir.
03:58Claro que nós vamos acompanhar tudo e daqui a pouco voltamos com mais informações
04:02dentro da programação da Jovem Pan.
04:05Retornam agora aos nossos estúdios.
04:09Ao vivo das ruas de São Paulo, o Marcelo Matos, duas horas e quarenta e seis,
04:14com esse retrato de momento sobre os combustíveis.
04:16Quero ouvir aqui a análise de Mano Ferreira, Mano, porque, além disso,
04:20tem também a diferença sobre o ICMS de cada estado.
04:24Se aqui é um valor, ele chega no estado vizinho a um outro valor,
04:28em Minas em um outro valor.
04:29Isso vai aumentando, vai escalonando.
04:31O que ele faz um plano para levar uma mercadoria até o estado de São Paulo,
04:37mas em cada estado tem uma surpresa no imposto, no ICMS e na venda do combustível.
04:43Isso vai encarecendo o produto final.
04:46De que forma resolver isso?
04:48Somente com essa fiscalização ou isso ainda não será o remédio certo
04:53para combater isso que estamos enfrentando?
04:56Olha, Bruno, acho que tem duas dimensões, né?
04:58O ICMS é um imposto muito ruim, porque ele é muito complexo,
05:03ele tem diversas alíquotas diferenciadas por cada estado,
05:07mas, de um ponto de vista de médio a longo prazo,
05:10ele vai deixar de existir porque foi aprovada a substituição do ICMS
05:15em uma série de outros impostos pelo novo imposto sobre o valor agregado.
05:20Então, a gente está falando, portanto, da situação de imediato prazo, né?
05:25É do curto prazo, a situação causada pelo aumento do preço do petróleo
05:31que vem de um choque na oferta de petróleo em função de uma guerra.
05:36Portanto, é aquela história de que o acontecimento da guerra
05:41não é uma culpa nem dos caminhoneiros, nem do governo,
05:45muito menos dos consumidores finais.
05:47E o ponto é como lidar com isso.
05:50A gente acaba, como não temos muitas alternativas logísticas
05:55em função de uma escolha estrutural,
05:57que é manter a nossa alta dependência do modal rodoviário,
06:02a gente fica ainda mais suscetível a uma situação como essa.
06:07Na prática, a receita que temos é a diminuição de impostos,
06:13que pode gerar esse alívio imediato.
06:17Mas isso precisa ser feito com muito rigor,
06:19porque há, do outro lado, a conta que precisa ser paga
06:24de um ponto de vista dos gastos públicos.
06:26O ideal é que, ao fazer um corte de impostos,
06:30o governo fizesse, na mesma medida,
06:33um corte na própria carne,
06:35uma economia nos gastos do governo,
06:37para que isso não acabe sendo cobrado do consumidor
06:41de toda forma por um outro caminho,
06:43que é, geralmente, o que acaba acontecendo.
06:47Um segundo fator é que,
06:49quando a gente está falando de um aumento do preço,
06:52na prática, isso vai fazer com que haja um aumento
06:54na arrecadação da própria Petrobras.
06:57Então, de um ponto de vista do governo,
06:59como controlador da Petrobras,
07:01isso vai gerar uma receita excedente,
07:04que é difícil de calcular em que medida
07:06vai ser essa receita,
07:08para pensar em algum tipo de compensação
07:10na negociação com os estados,
07:13para que abram mão do ICMS.
07:15Então, é algo que precisa ser bem conduzido
07:18por parte do presidente.
07:19Mas ele só jogou a batata quente
07:21e está lançando o desafio para os governadores,
07:24que têm muito menos instrumentos na mão
07:26para lidar com a eventual receita
07:30sendo retirada deles por meio dessa redução do ICMS.
07:35Então, para ter um desfecho,
07:37eu acho que o governo federal vai precisar chegar mais junto
07:40e, para fazer isso de forma responsável,
07:42devia fazer também um corte de gastos
07:45proporcional ao corte de impostos.
07:48Pois é, Mônica Rosenberg,
07:49o governo tem pouco apoio também ainda.
07:52E o que eu analiso, já incluindo o que o Mano disse,
07:56é que existem estados que têm dívidas enormes,
07:59nem tem de onde tirar também.
08:01Ah, vamos cortar o ICMS.
08:03Os governadores têm que também colaborar.
08:06De que forma isso vai ser feito efetivamente?
08:08Já que tem, por exemplo, o Rio de Janeiro, dívida,
08:11um monte de estado muito importante aqui para o país,
08:13também não tem condição de ficar no vermelho
08:15mais do que já está, né, Mônica?
08:17O problema é que o nosso governo continua
08:20querendo rejeitar e negar as leis da economia.
08:24Eles acham que basta fazer política,
08:26basta falar de política,
08:27basta jogar nas costas deste ou daquele adversário político
08:31e a situação vai se resolver.
08:32E o que eles não entendem é que tudo isso tem
08:35leis da economia que regem.
08:37Então, por que a gente insiste tanto?
08:39Por que os liberais falam tanto em responsabilidade fiscal,
08:43em respeitar o teto de gastos?
08:46É exatamente para situações como essa,
08:48para que você tenha uma reserva,
08:50para que você possa usar subsídios,
08:52que sim, é uma ferramenta para situações pontuais
08:54como esta, que não dependem das decisões internas do país,
08:59e sim, são dadas por um contexto internacional
09:02de guerra e de falta de petróleo no mundo,
09:06nessa hora você tem que usar essas ferramentas.
09:08Mas não, o governo gasta sem a menor responsabilidade,
09:12não se preocupa com o teto nem de salários,
09:15nem de gastos, nem o teto fiscal,
09:18e simplesmente na hora que precisa.
09:19Porque este é um momento em que, sim,
09:21é necessário ter um olhar para controlar esse aumento de preço.
09:26Por quê?
09:26Porque o aumento de diesel,
09:28o aumento do petróleo no Brasil,
09:30significa aumento do preço da comida na prateleira.
09:33Pelo que o Mano falou,
09:34de que nós fizemos uma escola estratégica lá atrás,
09:36de só ter estradas,
09:38governar é construir estradas,
09:39e nunca construíram outros modos,
09:42como o trem ou a água ática.
09:45E aí a gente teria menos dependência dos caminhões.
09:47E por que isso afeta até as colheitadeiras
09:50que são movidas a diesel,
09:51que não estão conseguindo fazer a colheita.
09:54Então é muito grave.
09:55Esse é um aumento que impacta a vida do brasileiro
09:58muito profundamente.
09:59E os mecanismos que o governo poderia usar econômicos
10:02não estão sendo usados,
10:04porque eles estão mais preocupados com o ano eleitoral
10:06e em discutir quem é o político
10:08que vai ser culpado desse aumento.
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