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Categoria

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Diversão
Transcrição
00:03Ana Rafaela, o Banco Central vai fazer uma vistoria aqui na sua casa amanhã.
00:15Mamãe, as joias.
00:30Que legal, nós dois velados aqui, que nem me conheceram o dia que eu nasci, que nem no banho, por
00:36baixo da etiqueta, é sempre tudo igual, curiosa, xereta, e gostoso, sem frescura, sem disfarce, sem fantasia, que nem seu
00:45pai, sua mãe, salvou sua tia.
00:50Indecente é você ter que ficar descrito de cultura, daí não tem jeito quando a coisa fica dura.
01:00Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral, a barriga é pelada, é que a vergonha é nacional,
01:09vai!
01:09Pelado, pelado, tu com a mão no poço!
01:14Pelado, pelado, tu com a mão no poço!
01:20Pelado, pelado, tu com a mão no poço!
01:23Du com a mão no poço, du com a mão no poço!
01:26Luzinho pelado, tu com a mão no poço!
01:32Mãe, as joias, mamãe, as joias!
01:36Calma, minha filha, eu fiz o que você me pediu!
01:40Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu cheguei a pedir?
01:44Você não se lembra mais?
01:46Não!
01:48As joias estão muito bem guardadas!
01:52Ótimo!
01:52Elas nem estão nesta casa mais!
01:57Como assim?
01:59Elas estão guardadas no cofre da minha amiga Maristela!
02:05Ô, mamãe, ô, mamãe, ô, mamãe, isso, isso não é perigoso?
02:11Por quê?
02:12Você acha que ela vai tirar alguma?
02:14Não sei!
02:15Eu não conheço a Maristela!
02:18Pois eu conheço a Maristela muito bem e tenho toda a confiança nela!
02:22E você pode estar certa que as suas joias estão muito bem guardadas!
02:29Uma boa medida!
02:31De quem foi a ideia?
02:33É, do Herbert!
02:36É, realmente, o Herbert pensava em tudo!
02:46Bem, eu, eu acho que chegou a hora de nós enfrentarmos a dura realidade!
03:04Dona Rafaela, desculpa!
03:10O governo vai confiscar todos os bens do doutor Herbert?
03:16Todos?
03:19A casa de Vinhedo, também?
03:23Claro!
03:24A casa, as fazendas de Goiás, o gado, a destilharia de Monte Alegre, os galpões de Osasco e Barulhos,
03:32além de todos os bens da empresa.
03:35Enfim, tudo!
03:41O apartamento do Guarujá, também?
03:45Também, é lógico!
03:48Mas, é da Tamires o apartamento, ele prometeu!
03:53Mesmo que estivessem no nome da Tamires, eles pegam tudo!
03:58E esta casa?
04:01Também!
04:03Infelizmente!
04:04Por isso é que eu quero que vocês tiem tudo o que tiver de valor aqui dentro, hoje mesmo!
04:09Mamãe, o quadro de Renoir!
04:13Alô, simbolesa!
04:15Alô, simbolesa!
04:15Nós temos que esconder tudo!
04:16Você pode pedir a sua amiga Zilda que esconda em casa dela?
04:19Claro!
04:20Acho que sim!
04:22Dona Rafaela, existe uma pequena possibilidade da senhora não perder a casa.
04:26Vamos tentar comover os homens do Banco Central, provando que a senhora fica praticamente sem nada.
04:34Praticamente sem nada?
04:36Eu fico sem nada mesmo!
04:37E outra coisa!
04:39Nós temos que zerar a conta nos bancos!
04:42Da senhora, dos seus filhos, tudo!
04:46Você passa para mim a conta?
04:48Mamãe, eu quase não tenho dinheiro no banco.
04:51Maurício deve ter mais!
04:53Ai, meu Deus!
04:55Ai, meu Deus, que vergonha!
04:58Estamos contando as migalhas!
05:01Eles não podem fazer isso comigo, eu não sei nada dos negócios do Herbert!
05:07Eu sinto muito, dona Rafaela, mas não temos muito tempo.
05:14Nós temos que agir, e rápido.
05:17Bom, e finalmente, uma boa notícia.
05:23O Herbert realmente devia estar planejando alguma coisa, porque ele deixou comigo 50 mil dólares para que entregasse a senhora
05:29se acontecesse algo.
05:3250 mil dólares?
05:34Oh, meu Deus, então ele se lembrou de mim.
05:38Mas isso devem ser centavos perto dos dólares que tem na Suíça, não é?
05:43Dólares na Suíça!
05:44Ele tem, não tem, doutor Montenegro?
05:47Sim, sim, sim, sim, realmente, ele tem uma conta na Suíça.
05:59E isso é o mais doloroso.
06:05São contas numeradas.
06:08Somente o Herbert conheceu os números.
06:12Eu acho que esse dinheiro está perdido.
06:18Mas isso é estranho, doutor Montenegro.
06:21Muito estranho.
06:26Um homem se mata e deixa a sua fortuna em dólares na Suíça para ninguém.
06:33O senhor há de concordar que isso não tem a menor lógica.
06:40Mas ele deu de presente e agora vem cobrar?
06:43Não, mas eu já entendi.
06:45Ele está querendo ir a forra comigo, não é?
06:47Não pague, mamãe, não pague.
06:49A garota, olha, você vai voltar lá e vai dar um recadinho para ele.
06:52Uma palavrinha só.
06:54Vem cá, vem.
06:59Ah, dona, o Batazar não gosta dessas coisas, não, hein?
07:03Tane-se, dê o recado.
07:05Ele pensa que minha mãe é o quê?
07:06Chega aqui, marca o cinema com ela na maior,
07:09calmenda por cima, aposta com um amigo.
07:11E depois?
07:12Essa casinha de cachorro não vale 150 praias.
07:16O que é isso?
07:17Tem os acabamentos.
07:18Tem as colas, tem a cinta, a madeira.
07:19Pensa que pouca coisa não é, não.
07:21Vai grana lá, tá?
07:22Tá bom, então pode ir, tá?
07:23Espera aí, mamãe.
07:25Ah, senhora, desculpe, viu?
07:27Só desculpe que essa ideia assim não foi minha, não, hein?
07:29Tá desculpado, pode voltar.
07:31Você não tinha nada a ver com isso?
07:33Você não ia ganhar algum dinheirinho?
07:35Ah, claro que não!
07:36Que isso?
07:37Só vim trazer o recado lá do Batazar.
07:39Tá dado, claro, tá?
07:40Pode ir.
07:45E pra falar mesmo?
07:47Aquilo que os meus ouvidos escutaram?
07:50É.
07:52A palavrinha inteira, tá?
07:56Sim, senhora.
07:57Agora pode ir.
07:58Ele é brabo, hein?
08:00Mas eu também sou.
08:02Pode ir embora, tá?
08:06Ele vai morder a língua de raiva.
08:09Eu fiquei com pena do garoto.
08:11Ele não tinha nada a ver com isso.
08:14Espera aí, mamãe, que eu já volto.
08:16Espera aí, Vânia.
08:16Onde é que você vai?
08:27O que é?
08:28Fica triste com a gente, não, tá?
08:31É que seu...
08:32Que seu Baltazar foi meio arrogante, sabe?
08:35Arrogante?
08:36O que é isso?
08:37Ele pensa que é o tal, não é?
08:39É.
08:40Sabe em papel uma mina.
08:41Pensa fazer ele entender que a minha mãe não é uma mina.
08:44É uma senhora casada com filhos.
08:47Não é o que anda pelas bocas aí, não.
08:48O que corre nas bocas?
08:50Se a tua mãe reside com o véio que dá grana pra ela.
08:52Eu não vou perder mais tempo com você, não.
08:54Tchau.
08:54Não, não, não.
08:55Espera aí.
08:55Espera aí, espera aí.
08:58É...
08:58Vamos à noite aí fazer um programa?
09:01O quê?
09:03É...
09:04Pegar um cinema.
09:05Você tá pensando que eu sou o quê, hein?
09:08Não gosta de cinema, não?
09:10Você não se enxerga, né?
09:13É...
09:13O que é?
09:14Tá com a barriga cheia de reia?
09:16Escuta, quem ensinou a falar, hein?
09:19Por quê?
09:20Porque você fala de um jeito que ninguém fala.
09:22Que coisa!
09:24Não é bom?
09:25Não.
09:25Dói no ouvido, sabia?
09:27Quando dói...
09:28Quando dói, a gente passamos remédio.
09:31Meu Deus, que pecado.
09:33Tá.
09:35Fazer o programa?
09:37Não.
09:38Você vai fazer o seu programa sozinho.
09:40Vem conversar comigo quando você aprender a falar.
09:42Tá legal?
09:46Mina besta, vai!
09:55Viu?
09:57Viu o que aconteceu, não?
09:58O quê?
10:00O apartamento do Guarujá, Tamires.
10:02Foi pra Cucuia.
10:04Meu Deus, eu cansei de falar, mas eu cansei de falar.
10:09Não ia adiantar nada, Maurício, mesmo que estivesse no meu nome.
10:14O que é isso aí?
10:16O Renoir.
10:18Vai ficar com você?
10:19Não, vai com a Zilda.
10:21Não, senhora.
10:22Esse Renoir é nosso.
10:23Calma, Maurício, é da família.
10:25Da família uma ova.
10:26É meu.
10:26É pra pagar o tempo que eu perdi naquele escritório.
10:30Maurício.
10:32O papai foi enterrado hoje.
10:37Tá bom, tá.
10:38Tá, desculpe, desculpe.
10:43Mas não me entra.
10:44Não me entra.
10:46O quê?
10:51Sua avó tem razão.
10:52Sua avó tem razão.
10:54E a conta na Suíça?
10:55Quem é que vai ficar com aqueles dólares?
10:58O papai já devia ter tirado muito.
11:01A conta deve estar a zero.
11:03Senão ele teria deixado os números com a mamãe.
11:05É.
11:06É possível, é possível.
11:14Tamirice.
11:15Escuta.
11:16Você já parou pra pensar um minuto?
11:18Na situação que nós estamos ou não?
11:20Não quero nem pensar.
11:23O quê?
11:24Ele deixou a família na miséria.
11:28A mamãe tem 50 mil dólares.
11:31E nós ainda temos muito o que vender.
11:35Ah, não.
11:36Não, para com isso, vai.
11:3850 mil dólares.
11:40Você pensa que é muito isso?
11:42Só o vestidinho de noiva da Ana Cláudia custou uns 10 mil dólares.
11:46Tanto assim?
11:50Você não enxergava as coisas aqui dentro?
11:53Claro que enxergava.
11:55Até mais do que você.
11:57Eu não tenho nenhuma queixa do papai.
12:00Enquanto ele pôde, ele nos deu tudo.
12:02E daí?
12:03Agora nós vamos ter que ganhar dinheiro.
12:05Isso por acaso é alguma desgraça?
12:07Alguma vergonha?
12:08Tá bom, tá bom, tá bom.
12:09Calma.
12:10Tudo bem, tudo bem.
12:10Ok.
12:11Mas eu quero que você me diga só uma coisinha, tá?
12:15A sua mãe vai trabalhar no quê?
12:18A Ana Cláudia vai fazer o quê?
12:21Bom, o Ted, o Ted então nem se fala.
12:23Esquece, esquece.
12:24Mas e você?
12:26Hã?
12:27Você vai abrir uma fábrica, meu bem?
12:29Saia daqui!
12:32Fala aí embaixo, ajuda aí.
12:38Ele, pelo menos, está descansando.
12:41Nós é que vamos começar a canser agora.
12:46Aí o português falou assim,
12:47não, eu estou indo explicar eu no olho do peixe.
12:50Ah, chegou o gênio.
12:52Ué, foi lá mesmo?
12:53Foi.
12:54E cobrou?
12:57Bom, eu falei, né?
12:59Já sei, ela não pagou.
13:01Não.
13:02Essa mulher que me provoca.
13:03Essa mulher que me provoca.
13:05O que foi que ela disse?
13:08Fala, rapaz!
13:09O que é que ela disse?
13:10Pode falar, pode falar.
13:11Ela fez todo mundo, vem cá.
13:12Vem cá você, pode falar.
13:13O que é?
13:15Tudo amigo, aqui.
13:17O negócio está engrossando.
13:19Você quer leitinho agora?
13:20Tudo amigo, aqui.
13:21Fala, fala, o que ela disse?
13:22Fala.
13:23Vai, fala.
13:30Mas que desbocada.
13:32Dizer isso é um menininho como esse não pode ser.
13:34Ah, mas que menino.
13:35Esse menino não para de falar palavrão.
13:37Não, isso é um insulto, sim.
13:38Ela não pode dizer isso.
13:40Quer dizer, eu vou lá, levo uma casinha para ela, construo a casinha, ela me dá um fora,
13:44ainda perco 200 as práticas e ela ainda me manda...
13:46Olha, Amadeu, você me desculpe, mas eu vou dar um jeito nessa mulher.
13:49Esse é um problema seu, né?
13:50É, claro que é problema meu, sim.
13:52Olha, eu vou jurar uma coisa para você.
13:53Se dentro de um mês esse lugar não estivesse arrastando nos meus pés, eu não me chamo
13:56mais Baltazar.
13:57Eu fecho essa droga e saio desse bairro.
13:58O que é?
13:59Você ficou louco?
14:00Ah, eu juro que eu vou fazer isso.
14:01Não pode fazer isso.
14:02Tem que acabar as coisas aqui, as camas, os armários, tudo.
14:05Ah, deixa disso, Baltazar.
14:06Você já foi indelicado com a Rosemary mandando cobrar aquela droga?
14:09Droga é uma droga.
14:10Quer dizer que dentro de um mês você acha que conquista a Rosemary?
14:14Fácil, fácil.
14:15Não é fácil, não.
14:16Você está se esquecendo do velho titular, né?
14:18Eu quero que esse velho se dane.
14:20Você vai ver, se dentro de um mês ela não estiver aqui nesse bolso, eu não me chamo
14:25Baltazar.
14:26Agora eu vou fazer a coisa com calma.
14:28Com calma.
14:30Repensada, pensada.
14:31Não tem jeito.
14:32Agora, desta vez, não tem jeito.
14:34Ai, pronto.
14:37Já colocamos tudo no meu carro.
14:39Eu vou fazer a primeira leva, depois eu volto para apanhar o resto.
14:43Maurício pode te ajudar com a Mercedes.
14:46Não, Rafaela, não, não.
14:47Ele está muito irritado.
14:49Deixa que eu levo tudo sozinha.
14:51Cuidado com a louça inglesa, hein?
14:53Está muito bem embalada.
14:54Não tem perigo.
14:56Ô, Zilda.
14:58Zilda, parece que eu estou sonhando.
15:00Eu não consigo aceitar como realidade isso que está me acontecendo.
15:04O que vai acontecer comigo, Zilda?
15:07Rafaela, você vai encontrar uma saída.
15:10Eu tenho certeza.
15:11Que saída, Zilda?
15:13Que saída?
15:14Nós estamos na miséria.
15:16Essa que é a verdade.
15:18Vamos ter que mudar de casa.
15:20Você vai ver.
15:21Mas o doutor Montenegro disse que há uma esperança de você ficar com essa casa.
15:24Mesmo que fique, como é que eu vou sustentar esse palacete?
15:28Ah, Zilda, eu vou ter que vender.
15:30Isso é um bom dinheiro que entra, Rafaela.
15:33Você pode até abrir um negócio.
15:36Depois, mais os 50 mil dólares.
15:41Não se preocupe.
15:43O doutor Montenegro vai te ajudar a aplicar esse dinheiro.
15:45Confie nele.
15:46Não, eu confio.
15:47Nossa, nossa, eu confio.
15:49Se não fosse pelo Montenegro, amanhã esses homens entrariam aqui e limpariam a minha casa.
15:56E o Renoir?
15:59Está no porta-mala do meu carro.
16:00Não se preocupe.
16:01Zilda, você teve prática durante tanto tempo com decoração.
16:04Você podia tentar vender o quadro, não?
16:07Fácil vender.
16:08Um Renoir, Rafaela.
16:09Vale muito dinheiro.
16:12De qualquer forma, na Europa se vende fácil.
16:15Ah, Zilda.
16:17Não sinto o que vai acontecer na minha vida.
16:19Ai, Zilda, eu estou apavorada.
16:22Eu estou com medo, Zilda.
16:25Olha, eu não sei fazer absolutamente nada na vida.
16:31Rafaela, Rafaela, os seus filhos são grandes, são adultos.
16:34Vão ter que trabalhar para sustentar você.
16:36Quem?
16:37O Ted?
16:39A Ana Cláudia?
16:41O Maurício que vegetava naquele escritório do Herbert?
16:44Nada, Zilda.
16:45Estamos perdidos.
16:46Essa é a verdade.
16:49Bom, eu vou indo.
16:50Depois eu volto para buscar o resto.
16:51E você fique calma.
16:55Nós vamos ter muito tempo para pensar.
16:58Obrigada.
17:11Meu Deus.
17:14Ai, como estou horrível.
17:33Alô?
17:35Dorinha?
17:36É Rafaela Alvaray.
17:39Tudo bem, querida?
17:42Você tem uma horinha para mim amanhã?
17:45Ah, tudo.
17:46Tudo.
17:46Olha, cabelo, pé, mão, pele, sobrancelha.
17:51Tudo.
17:52Tem?
17:54Ótimo, querida.
17:55Muito obrigada.
17:56Até amanhã.
18:02Ai...
18:04Tchau.

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