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  • há 2 dias

Categoria

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Diversão
Transcrição
00:00Música
00:05Meu Antônio, mandamos investigar o nome de Antonieta Cantarelli,
00:08que é como ela se diz chamar em São Paulo, onde diz morar e ter negócios.
00:12Acontece que em São Paulo não existe absolutamente ninguém com esse nome.
00:16E o pessoal do Rio deixou passar esse furo.
00:21É, se eu não penso em tudo.
00:24Meu filho, é evidente que esta mulher está usando um nome falso.
00:30Se ela está usando o nome falso, é porque ela tem um motivo muito sério para isso.
00:36E este motivo muito sério pode atrapalhar o nosso trabalho.
00:41É, mas acontece que...
00:42Acontece que nós não podemos correr riscos.
00:47Acontece que cada detalhe tem que ser investigado, por menor que ele lhe pareça.
00:54Eu quero um relatório completo sobre a visita desta Tieta ao Agreste.
01:02Eu quero também que você diga à dona Bebê que isto é urgente.
01:07E que ela investigue outras possibilidades de nome em São Paulo.
01:10Tudo bem.
01:11Eu vou tentar descobrir o sobrenome da família.
01:13Ah, ótimo.
01:16Finalmente você tomou uma iniciativa.
01:18Parabéns.
01:21Volte e dê o meu recado ao coronel.
01:24Sim, senhor.
01:25Com licença.
01:40Com licença.
01:42Será que este plano vai dar certo?
01:45Se é pouco quente não, Carolina.
01:48Uma coisa que eu aprendi nesta vida é que tirando a morte, tudo tem um jeito.
01:53Por pior que seja a situação, a gente sempre consegue dar um jeito de sair dela.
01:59É.
02:00Esses dias eu estava pensando na minha vida.
02:04O moderno...
02:06Quer dizer, sempre me falaram que eu não fui feita pra pensar.
02:12E o pior é que eu acreditava.
02:16Desde molecota eu nunca tomei uma atitude, nunca decidia nada.
02:21Mas agora que eu peguei o Juninho, meu filhinho pra criar, é que eu vi que isso não dava certo.
02:29Sabe, dona Aida, agora eu não sou mais sozinha.
02:33Sou eu e Júnior.
02:37E daqui pra frente, qualquer atitude que eu for tomar na minha vida, eu vou pensar muito.
02:43Porque o meu filho é a minha responsabilidade.
02:47A senhora tá me entendendo?
02:49Pois eu não sou mãe também, Carol.
02:54A minha situação é um bocadinho diferente da tua.
02:59Eu tenho mais segurança na vida.
03:02Eu me preocupo muito com minha filha.
03:05E não me preocupo demais comigo, não.
03:09Eu vou levando a vida do jeito que eu aprendi a levar.
03:14Sem querer mudar as coisas com as quais eu não concordo.
03:21Tenho que me acostumar.
03:24Que remédio.
03:27Eu não posso me indispor.
03:30Eu não sou dona de meus passos.
03:34Não sou dona de meu sustento.
03:37Eu sempre dependi.
03:40Primeiro dependi de pai, depois de marido.
03:44E os dois sempre disseram que eu sou lealdazinha das ideias.
03:49E se sou mesmo, como é que eu poderia ser responsável pela minha vida?
03:55O jeito era...
03:56Era ir levando dessa maneira.
03:59Deixando que eles cuidassem de mim.
04:03Até que...
04:05Até que eu lhe conheci, Carolina.
04:12E percebi que, de uma certa maneira, eu tinha responsabilidade sobre você.
04:22E, de uma certa maneira, eu também poderia levá-la para o bem ou para o mal.
04:33E aí, a senhora interferiu na minha vida, salvando ela.
04:38E tu, sem saber, salvou a minha também.
04:43E eu?
04:44Mas como?
04:45Abrindo meus olhos.
04:48Me fazendo tomar uma atitude.
04:50Ou tu acha que foi fácil ir contigo para Salvador enquanto juniozinho?
04:55Eu nunca tinha viajado sozinha em toda a minha vida.
04:58E não é só isso, não.
05:00É tudo.
05:02Eu nunca tinha tomado nenhuma decisão sozinha.
05:07Nunca tinha tomado nenhuma atitude.
05:10Nunca tinha feito plano nenhum em minha vida.
05:14A gente não pode ser assim, não, Carol.
05:17A gente não pode viver por covardia na dependência de pai, de marido, ou seja lá do que for.
05:25A gente e eles não somos iguais.
05:29Mas a gente tem que pegar a rédea do próprio destino na mão.
05:34E ir pelo caminho que a gente quiser ir.
05:40Olha aqui, dona Aida.
05:42Mas agora, com a minha ajuda, e a senhora me ajudando, a gente vai seguir esse plano até o fim.
05:52Mas vamos com calma.
05:55A gente tem que ir construindo bem devagarinho, porque se a gente se apressa, a gente pode botar tudo a
06:01perder.
06:03A única coisa que a gente não pode é ficar mostrando um orgulho bobo.
06:07Porque o orgulho não deve a ninguém, a lugar nenhum.
06:11A gente vai com calma que vai conseguir fazer direitinho o que a gente quiser.
06:17E eu, eu tenho fé em Deus, eu tenho fé em nosso Senhor Jesus Cristo do Céu, que nosso plano
06:25vai dar certo.
06:26Com fé em Deus e o nosso trabalho aqui na Terra.
06:30Porque se a gente ficar sentado, de braço cruzado, esperando, não acontece nada, não.
06:35Então, Carolina, agora eu tenho que ir fazer umas visiteias.
06:39Mas a senhora volta logo, não volta?
06:41Claro.
06:43Olhe, vá pela sombra e com Deus.
06:48Fique com Deus também.
06:50Até mais vezes.
06:57Peraí, silêncio.
06:59Quer dizer que agora a Imaculada vai trabalhar na casa de dona Milu?
07:03É, mas com tudo que tem direito.
07:05Como se fosse pessoa da família.
07:07Oi, mas senhora, imagina.
07:09Como é que a gente fica contenta em saber disso?
07:11Eu tô tão aliviada.
07:13Então, foi por isso que eu vim correndo lhe trazer a notícia, né, Filó?
07:17Bom, eu também vim pegar a caneta de ouro do Coronel, que ele esqueceu, né?
07:21Vixe, o Coronel só escreve com essa bendita dessa caneta, não sabe?
07:25Pode deixar que eu pegue a caneta do Coronel, senhora, senhor.
07:28É, mas na verdade, Imaculada até é melhor que nós tudo, vixe.
07:32Mas também, ela fez por onde?
07:34Bem que isso podia acontecer com a gente também.
07:36Já pensou?
07:37Tudo que eu queria era sair daqui pra trabalhar numa casa de família.
07:41Vixe Maria, deixa o Coronel te ouvir, viu, Ritinha?
07:44Tá aqui a caneta do Coronel, senhor Leôncio.
07:46Bom, então eu vou rapidinho levar, que o Coronel hoje tá com a macaca, né?
07:52Até logo, Filó.
07:53Até logo, senhor Leôncio.
07:54Olha, e muito agradecida para a boa notícia, sim?
07:56Claro.
07:59Filó, se for toda troncha, a caneta do seu Leôncio.
08:04A gente faz uma cabeça bem pobre, viu?
08:07Só bala.
08:08E olha, preste atenção.
08:09É bom parar com essa história de ficar sonhando e trabalhar em casa de família.
08:13E mais, inamoricos.
08:15E nossa realidade é essa daqui, dessa casa.
08:17Na casa grande.
08:18Somos tudo propriedade do Coronel.
08:27Imaculado.
08:28Olha aqui, o que eu te prometi.
08:30Agora é só escrever aquelas histórias que tu me contou.
08:33E a primeira que fica pronta, me dê, que eu quero ler logo, visse?
08:36Eita, Carmo, sem sou capaz, não.
08:39Oxe, e tu não me disse que sabe escrever?
08:42É só botar as palavras aqui no papel, escrever aqui, ó.
08:47É, saber escrever eu sei.
08:49Que tem um padre lá onde eu morar que me ensinou um bocadinho.
08:53Agora sim, escrever uma história inteira, sei se consigo não.
08:59E tu vai desistir sem tentar?
09:02Imaculada, tu tá com medo?
09:04Tem medo de nada, não senhora.
09:06Então deixe de trelelê e comece logo de uma vez, criatura.
09:10Qualquer coisa me chame no correio.
09:12Tá.
09:25Meu castelo é a casa da fazenda
09:30Onde teço a minha lenda
09:33Sei meu príncipe virá
09:38Esse sonho bom que me alimenta
09:43Era uma vez
09:50Um príncipe
09:52Que vivia no reino muito distante
10:00E era muito só
10:20O que eu dei meus papéis, minhas anotações, tudo que eu deixei aqui em cima da mesa?
10:27Sumiu, ô Leôncio?
10:28Sabe o que foi, seu Ascânio?
10:30O coronel pegou toda a sua papelada e trancou no armário a chave e depois saiu.
10:36Tudo bem, Leôncio.
10:37Eu vou acertar com ele.
10:39Eu vou ter uma conversinha séria com o coronel.
10:44Você não acha estranho, Helena, que uma ilustre senhora volte à cidade para visitar a família, os parentes, com o
10:59nome falso?
11:01Por quê?
11:06Estranho, não é?
11:12E o que é que você vai fazer?
11:15Eu?
11:17Nada
11:20Você vai a São Paulo
11:24Não é por causa desta enteada que você está aqui?
11:32Pois então eu quero que você acompanhe, pessoalmente, uma investigação que eu vou mandar fazer sobre ela.
11:44Cantarelli pode não ser o sobrenome de Tieta.
11:48Mas talvez seja de Leonora, sim.
11:52Então, se a gente descobrir quem é uma, talvez a gente descubra o que é que a outra está escondendo?
12:04Não é por causa desta enteada que você está aqui.
12:31Faça alguma coisa para ajudar a minha mãe.
12:36Cato, a única coisa que eu posso fazer para ajudar a perpétua é contar para ela por que ela ficou
12:43cega.
12:45Tu quer que eu faça isso?
12:48Eu vou lá, conto tudo e acabo com tudo de uma vez.
13:10Eu vou lá, conto tudo e acabo com tudo de uma vez.
13:24Eu vou lá, conto tudo e acabo com tudo de uma vez.
13:40Eu vou lá, conto tudo e acabo com tudo de uma vez.
14:03Tieta é a serpente que inventava o paraíso.
14:14Ela veio ao mundo para virar nossa chinesa.
14:18Tieta, Tieta, pelos olhos de Tieta me deixei guiar.
14:23Tieta, Tieta, no frente de Tieta encontrei o meu lugar.
14:28Tieta, Tieta, os seios de Tieta construí meu ninho.
14:33Tieta, na boca de Tieta morri como um passarinho.
14:37Tieta, meu amor, vem com calor no meu corpo sem rosca.
14:45Tieta, minha flor, vem sem pudor.
14:49Em seus braços me mata.
14:51Tieta do agressor, lua cheia de tensão.
14:55É lua, estrela, nuvem carregada.
14:57Tieta, meu amor, vem com calor no meu corpo sem rosca.