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O diplomata e embaixador Paulo Roberto de Almeida analisou os impactos do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. Segundo ele, o cenário atual aponta para um enfraquecimento do sistema multilateral e pode provocar mudanças importantes na geopolítica mundial, com disputas entre grandes potências e interesses estratégicos globais.

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Transcrição
00:00Consequência, o conflito entre os Estados Unidos, Irã e Israel já dura mais de uma semana.
00:05Quais as consequências geopolíticas deste confronto e também qual o papel do Brasil nessa guerra?
00:11E para entendermos melhor essa situação, vamos conversar agora com Paulo Roberto de Almeida,
00:17que é embaixador e diplomata de carreira.
00:20Seja muito bem-vindo.
00:21Eu queria perguntar para os senhores, nós estamos nos acostumando, infelizmente,
00:25o ataque da Rússia contra a Ucrânia, depois tivemos a questão que envolveu Israel e o Hamas,
00:31na sequência agora Venezuela, depois Irã.
00:34Como é que o senhor avalia essa questão do direito internacional,
00:37o enfraquecimento de organizações como a ONU e a lei do mais forte prevalecendo?
00:42Seja muito bem-vindo. Bom dia novamente ao senhor.
00:45Bom dia, muito grato pelo convite.
00:48Veja, nós estamos vivendo um distúrbio internacional,
00:52talvez um desmatelamento do sistema multilateral político e também econômico,
00:58desde muito tempo.
00:59E o conflito não começou com o Trump, seja Trump-1, seja Trump-2,
01:04agora com a ofensiva contra o Irã, mas ela começou lá atrás.
01:10Podemos datar uma data mais expressiva, que é 2014,
01:15que é a invasão da Península Ucraniana da Crimeia,
01:19pelo Putin, que aproveitou uma nova revolução, uma nova mudança política em Kiev
01:27para invadir e tomar a Península da Crimeia,
01:31que sempre foi russa desde o século XVIII,
01:35mas tinha sido repassada a autonomia da Ucrânia,
01:38ainda sob o regime soviético, ainda sob a União Soviética, em 1954.
01:43Em 1991, quando se reconhece a soberania da Ucrânia,
01:49quando ela é reconhecida, entra na ONU,
01:52e há depois, em 1994, um pacto entre grandes potências
01:57de respeito à soberania da Ucrânia,
01:59em contrapartida à sua desnuclearização.
02:04Temos Estados Unidos, Reino Unido, a Rússia, de Putin,
02:10em 2004, e aí se reconhece a soberania.
02:13E, no entanto, em 2014, o Putin invade e anexe legalmente a Crimeia.
02:18Esse foi o primeiro rompimento do direito internacional.
02:21E depois você teve outra violação da Carta da ONU,
02:26dos princípios mais elementares do direito internacional,
02:28que é a própria invasão total da Ucrânia em 2022.
02:32Liga-se de passagem, evento anunciado pelo presidente americano Joe Biden
02:36desde setembro ou outubro de 2021.
02:40Parecia uma partida de futebol, não é?
02:42O radialista irradiando desde os vestiários
02:45a entrada em campo de jogadores.
02:48E, realmente, com base em inteligência,
02:51com base em informações da CIA e de outras agências,
02:55Biden anunciou que a Rússia estava concentrando tropas
02:59nas fronteiras da Ucrânia, não apenas na Rússia propriamente,
03:02mas também na Bielorússia, não é?
03:06E essa invasão ocorreu em fevereiro de 2022,
03:11depois que Putin compareceu aos Jogos Olímpicos Inverno em Pequim
03:17e fez aquilo que se chama de aliança sem limites entre Rússia e China.
03:22A invasão ocorreu, inclusive, uma semana depois do presidente Bolsonaro
03:28ter estado em Moscou, uma viagem que não foi recomendada pelo Itamaraty,
03:32nem recomendada por outros países, Estados Unidos em princípio,
03:36mas ele insistiu em ir e pronunciou, inclusive, aquela frase fatídica,
03:40nós somos solidários a vocês.
03:42Solidários a quem?
03:43A pessoas que tinham já intervindo no Dombás,
03:48a Ucrânia Oriental, invasão da Crimea menos de 10 anos antes
03:55e por razões talvez eleitoreiras, não é?
03:59Por razões de importação de combustíveis e fertilizantes.
04:02Mas essa postura de apoio objetivo à invasão de Putin
04:09foi confirmada no governo seguinte, a partir de 2023, não é?
04:13O Lula confirma, de certa forma, a postura de complacência
04:19ou desprezo da diplomacia brasileira, da diplomacia lulipetista
04:24pelo direito internacional.
04:26Paulo Roberto de Almeida, embaixador e também diplomata de carreira
04:30ao vivo no Jornal da Manhã, nos ajudando a entender os detalhes
04:33que envolvem justamente esse andamento do conflito no Oriente Médio.
04:37Embaixador, até por conta do nosso tempo aqui, que é justo
04:40para a gente correr com mais algumas informações que são muito importantes nesse caso,
04:44a gente viu, por exemplo, lá atrás, na história, na Guerra Fria,
04:47os conflitos ideológicos entre as grandes potências,
04:50todo mundo querendo se posicionar como o líder global.
04:54Novamente, nós vemos alguma semelhança nesse caso,
04:57enquanto a Rússia protagoniza esses conflitos no leste europeu,
05:00Estados Unidos também, que é aumentando essa tensão global.
05:04A gente pode falar também que por trás de tantos discursos
05:08em busca de territórios que deveriam pertencer a determinadas nações
05:12ou ao reestabelecimento da democracia,
05:14ou ainda ao fim de regimes autoritários,
05:18existe esse potencial desejo de demonstrar
05:22quem é que manda na geopolítica,
05:25na esfera, no global todo,
05:28entre principalmente as potências,
05:30Estados Unidos, Rússia e a crescente China.
05:35Sim, existe esse potencial de tentar provar
05:39quem é que manda no mundo,
05:40mas isso não tem nada a ver com a Primeira Guerra Fria,
05:42com o elemento ideológico da divisão entre capitalismo e socialismo
05:45entre 1947 e 1991.
05:48Essa Segunda Guerra Fria, como já chamada pelos jornalistas,
05:52ela não tem muitos elementos ideológicos,
05:54todos são capitalistas.
05:55A China é um capitalismo com características chinesas,
05:59a Rússia é um capitalismo,
06:01mais bem pelo lado político, uma cleptocracia, não é?
06:05E os Estados Unidos continuam sendo capitalistas,
06:08cada vez mais ainda, né?
06:11O Trump se interessa mais por negócios,
06:13dinheiro, fortuna para si mesmo e para a família,
06:15do que por, digamos, inclinações ideológicas.
06:20A despeito dessa reunião que está ocorrendo agora na Flórida, né?
06:23de escudo das Américas,
06:25que é uma junção aí dos elementos da direita latino-americana
06:29para favorecer a nova política dos Estados Unidos.
06:33Mas o objetivo são negócios, não é ideologia, não é?
06:37E nesse caso da invasão
06:41ou da guerra unilateral contra o Irã,
06:46tampouco se trata de ideologia.
06:48O próprio Trump afirmou que ele não está defendendo a democracia no Irã,
06:52e sim ele quer uma submissão, uma totela,
06:54como ele fez com a Venezuela.
06:56Na Venezuela houve uma reunião ontem
06:58de restabelecimento das relações diplomáticas
07:01entre os Estados Unidos e a Venezuela, não é?
07:04Aliás, uma reunião presidida pela própria Delcy Rodrigues,
07:07que é a chavista encarregada do poder na Venezuela
07:12depois da captura do Maduro.
07:14E estavam nessa reunião
07:15não apenas diplomatas americanos
07:17encarregados de abrir a nova embaixada ou reabrir,
07:20mas também 30, parece que empresários de petróleo dos Estados Unidos.
07:26O que interessa ao Trump é o domínio do petróleo, não é?
07:30Empresários americanos ou companhias americanas
07:32explorando o petróleo venezuelano,
07:33que é a maior reserva mundial de recursos fósseis, não é?
07:38No caso do Irã,
07:39eu acredito que o petróleo também seja o objetivo.
07:42Se ele fizer como na Venezuela, o que será impossível,
07:45ou seja, colocar um novo governo,
07:48não um novo regime,
07:49poderá continuar um líder religioso, como ele disse, não é?
07:52Um novo governo sob tutela dos Estados Unidos
07:55estará aberta não só à exploração do petróleo
07:59em favor dos Estados Unidos,
08:00como uma certa oposição à China
08:04no Oriente Médio, na Ásia do Sul, não é?
08:07É o mesmo objetivo que ele persegue
08:09com a reunião que está sendo iniciada agora,
08:12na Flórida, de congraçamento dos líderes de direita
08:17da América Latina,
08:19não necessariamente para negócios apenas,
08:22mas para se contrapor à China,
08:24que já é o primeiro parceiro comercial
08:26da maior parte dos países latino-americanos.
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