00:00A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre e encerrado em janeiro segundo o IBGE.
00:06Alan Ghani, traduza esses números pra gente.
00:09Pois é, mercado de trabalho aquecido dentro do esperado.
00:13Com isso a gente tem mais ou menos 102,9 milhões de pessoas empregadas, 5,9 milhões de pessoas desempregadas.
00:23Isso compõe a população economicamente ativa do Brasil, ou seja, o número de empregados mais os desempregados.
00:30Agora, Evandro, aquela pessoa que ela não procura emprego por opção, ela não tá trabalhando por opção.
00:37Então, seja porque recebe um benefício do governo, seja porque é herdeiro, seja porque tá estudando, mas tem idade pra
00:44trabalhar,
00:45representa hoje 66,3 milhões de pessoas no país.
00:50É muita gente.
00:51Se a gente somar 66,3 milhões com o total de desempregados, 5,9 milhões,
00:59a gente tá falando aí próximo de 72 milhões de pessoas que não trabalham no país.
01:05Seja porque são desempregadas, 5,9 milhões, ou porque optaram por não trabalhar.
01:11Então, é um grande desperdício de mão de obra num país emergente que precisa crescer, que precisa produzir.
01:20Enfim, eu acho que isso responde também um pouco a discussão sobre a PEC 6x1.
01:26Exatamente, Alangani.
01:27Inclusive, é sobre isso que eu quero avançar aqui com os nossos amigos, porque, Lucas Merreiro,
01:31o Alangani traz um comentário crítico sobre a produtividade no Brasil,
01:35exatamente no momento em que há discussão sobre a mudança na escala 6x1.
01:40O que, por muitos, é vista como uma escala inadequada para o país,
01:45diante de um nível de produtividade que a gente ainda não teria atingido.
01:50Como é que você avalia esses números e essa quantidade de gente que tem condições de trabalhar,
01:55mas que continua fora do mercado de trabalho ou sem oferecer uma mão de obra,
02:00justamente com o debate de uma redução de escala?
02:05Perfeito, Evandro.
02:06São esses dados aí que mostram por que o Brasil está muito longe de atingir um patamar econômico e social
02:16para que se discuta aí sim o fim da escala 6x1, como tantos países da Europa fizeram.
02:21Essa discussão, lembrando, ela é uma discussão importada da Europa.
02:25Só que o Brasil não tem as mesmas condições dos países europeus.
02:28E mais, mais importante, não tem a mesma produtividade dos países europeus.
02:33O Brasil é um país pobre, um país que produz pouco.
02:36E aí a gente vê esse índice de desemprego, ah, 5,4%.
02:39Parece que é pouco, né?
02:41Mas o Alan Ghani já trouxe a informação para a gente aí,
02:4460 milhões de pessoas ao total de pessoas que não trabalham.
02:47Quer dizer, um absurdo.
02:48Quantas pessoas no Brasil que estão aptas, que estão saudáveis, que têm os dois braços, as duas pernas, têm tempo,
02:56podem ir trabalhar, mas estão recebendo dinheiro de auxílio?
02:59Estão dependendo do governo para sobreviver.
03:03O que é que aquilo é viver?
03:04É sobreviver.
03:05É pegar o mínimo com o governo para poder se sustentar ali.
03:09Não, a gente tem que estimular o trabalho.
03:11O PT sempre falou muito isso, né?
03:13Não, porque o Bolsa Família é a medida temporária, porque aí a pessoa consegue andar com as próprias pernas
03:18e ela vai buscar trabalho.
03:20Ora, eu sou super a favor do Bolsa Família, acho que tem que ter auxílio para quem precisa,
03:24mas tem que vir acompanhado de um projeto em que a pessoa consiga se livrar daquela dependência.
03:30E aí sim vai trabalhar.
03:31Mas não é o que acontece.
03:32O número de beneficiários do Bolsa Família só aumenta.
03:37Inclusive tem uma cidade em Itaubau, na Amapá, só para completar,
03:40em que 93% das pessoas dependem de auxílio para sobreviver.
03:4593%.
03:45Isso apenas ilustra o problema que todo o Brasil enfrenta.
03:49É aquilo que todos os especialistas falam sobre esse tema também, né?
03:52Os programas sociais precisam existir com porta de entrada, mas também com porta de saída.
03:57Zé Maria Trindade, você também considera nessa avaliação que esses mais de 60 milhões de brasileiros
04:02que não estão procurando emprego e muitos dependem, sim, do assistencialismo.
04:07É válido que eles não entrem nessa conta de desempregados?
04:12É porque o critério é desalentado ou não procurando emprego, né?
04:18Então, assim, é esse o critério.
04:20Quem está procurando emprego e não encontra emprego é que é o desempregado.
04:27Nós estamos vivendo um momento de pleno emprego e aí existem várias causas.
04:32Eu já discuti isso muito aqui com empresários, com deputados, e ninguém tem uma conta certa.
04:37Porque é a realidade do país.
04:39Hoje, para conseguir um empregado ali no nível baixo, está muito difícil, impossível, eu diria.
04:46Eu conheço empresários aqui que dizem que as pessoas vão, frequentam um dia e somem.
04:52Não voltam nem para buscar direitos que têm ou mesmo documentos, para se terem uma ideia.
04:56Essa é a realidade, né?
04:58O que está acontecendo?
05:00É muita informalização da economia.
05:02Então, hoje é mais importante a pessoa fazer o seu próprio serviço sem estar com carteira assinada
05:10do que entrar num trabalho fixo.
05:13É a realidade hoje, né?
05:15Pode modificar amanhã, não sei, mas é a realidade.
05:19Então, os números condizem exatamente com a realidade.
05:23Eu até diria que o Bolsa Família e outros assistencialismos que existem no Brasil,
05:31existem no mundo inteiro, nas economias mais desenvolvidas.
05:35Eu aprendi isso no debate sobre a Bolsa Família e um relator de direita dizendo,
05:40olha, o mundo inteiro tem política social e em todos os países existem polêmicas sobre isso.
05:47Então, houve uma mudança no mercado de trabalho que ninguém está entendendo.
Comentários