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Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira (3), impulsionados pela escalada do conflito no Líbano e pelas ameaças ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. O barril do tipo Brent fechou em alta de 4,7%, cotado a US$ 81,40, após atingir picos de US$ 82 durante a manhã.

O mercado reage ao avanço das tropas de Israel no sul libanês e ao temor de que o Irã utilize milícias aliadas para atacar infraestruturas petrolíferas no Golfo. Especialista explica que a volatilidade atual reflete o prêmio de risco geopolítico, já que qualquer interrupção prolongada em Ormuz retira milhões de barris diários de circulação.

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Transcrição
00:00O óleo tem alta de mais de 7% depois do Irã anunciar o fechamento do estreito de Hormuz.
00:06E os valores de hoje, atenção, uma informação que acaba de sair, foram os mais altos em 14 meses.
00:12O nosso entrevistado é o sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura, ex-presidente da ANP, Adriano Pires.
00:18Como sempre, Adriano, uma honra te receber aqui na Jovem Pan. Muito bem-vindo, boa noite.
00:23Eu que agradeço, Tiago. É sempre prazer falar com você na Jovem Pan.
00:26Prazer é nosso. Bom, eu me lembro que a gente conversava muito com o senhor.
00:29Quando começou a guerra na Ucrânia, que houve uma pressão muito forte dos preços do petróleo.
00:34É possível fazer uma comparação? A crise dessa vez pode ser ainda mais ampla e pressionar ainda mais o preço
00:41do petróleo?
00:42Ou cada guerra tem uma especificidade e uma consequência no mercado, Adriano?
00:49Olha, é um pouco diferente, né?
00:51Na guerra da Ucrânia com a Rússia, você tinha dois fatores que pressionaram o preço a subir até de modo
00:56muito rápido.
00:57O mercado, naquela ocasião, estava com uma oferta reduzida, né?
01:01Menor que a demanda, né?
01:04Por quê? Porque antes você teve uma demonização muito grande de combustíveis fósseis por parte de ambientalistas.
01:10E muita empresa de petróleo tirou o pé do acelerador em investimentos, exploração e produção.
01:15Além disso, o outro fator era a guerra, né?
01:18Você estava uma guerra envolvendo a Rússia, que é um grande produtor de petróleo e de gás natural.
01:24Então, você teve ali o petróleo passando os 100 dólares muito rápido.
01:28Dessa vez, no conflito aí, Irã, Estados Unidos e Israel, a diferença é que no mercado de petróleo, a oferta
01:34hoje cresce mais rápido que a demanda.
01:36Então, você tem uma sobra de energia.
01:38Então, o que explica exclusivamente esse preço subindo para o rio do petróleo é o conflito.
01:44Não é o mercado como era na ocasião de Rússia e Ucrânia.
01:48Então, essa sobre-oferta que existe hoje no mercado acaba criando um certo colchão de amortecimento,
01:55evitando que o preço do barril suba com tanta rapidez como subiu na época da guerra da Rússia com a
02:02Ucrânia.
02:02Também, se a gente resolver a guerra daqui a duas semanas, vamos torcer para que sim,
02:07a volta desse barril a 60 dólares vai ser rápida.
02:10Por quê? Porque o fator que vai predominar para a redução do preço vai ser o mercado onde, como eu
02:18já falei,
02:19você tem um excesso de oferta hoje, oriunda de países não OPEP.
02:23É bom que se diga também.
02:25Quer dizer, hoje a sobra de energia é em função da produção do pré-sal brasileiro, da Guiana, dos Estados
02:31Unidos,
02:32um pouco a Argentina e a própria Rússia, que é da OPEP mais não é OPEP.
02:37Então, essas que são as diferenças fundamentais que existem entre a guerra da Ucrânia e de Rússia
02:43e a guerra hoje que a gente tem entre Irã, Estados Unidos e Israel.
02:50Professor Adriano, boa noite.
02:52Algumas estimativas, como JP Morgan, falam que se o conflito durar mais de três semanas,
02:58o petróleo pode bater nos 6, 120 dólares o barril.
03:01Haveria condições de se contornar isso com liberação de estoques das reservas dos vários países,
03:07inclusive dos Estados Unidos?
03:09E no caso do Brasil, nós teríamos de ter algum aumento, algum reajuste de preço de combustíveis?
03:16Olha, Denise, eu acho que essa volatilidade do preço do petróleo,
03:22esse conflito, ele vai ser determinado pela duração da guerra e pela intensidade.
03:26Como você tem essa sobre-oferta de petróleo, se essa guerra demorar duas, três semanas,
03:34a gente vai ficar um preço rodando em torno dos 80 dólares.
03:38Se essa guerra demorar cinco semanas, a gente já pode falar de um preço, na minha opinião,
03:43entre 90 e 100 dólares.
03:44E se a guerra durar mais de cinco semanas e houver estragos muito grandes,
03:48por exemplo, no próprio Estreio de Hormuz,
03:50aí esse petróleo realmente pode ir a 120, 130 dólares, né?
03:55Eu acho que não existe, assim, outra alternativa de preço
04:02que não é essa ligada à duração e intensidade da guerra.
04:05Agora, o Brasil hoje tem uma posição, de certa maneira, confortável, né?
04:10Porque a gente hoje é exportador de petróleo, né?
04:13Então, o petróleo hoje é o item principal da balança comercial brasileira.
04:17E preço alto do barril acaba gerando mais saldo na balança comercial
04:22e também arrecadação para governos e municípios, produtores e estados de petróleo,
04:28que aumenta o royalty, né?
04:30Que é um valor bem significativo.
04:32O lado ruim é a questão de, se a Petrobras repassar para a gasolina, para o diesel,
04:39os aumentos do preço do barril, você vai ter efeitos inflacionários
04:44e também vai ter efeito político que isso acaba tirando popularidade do governo, né?
04:49Agora, vamos ver como é que fica a política de preço da Petrobras.
04:52Hoje, você tem uma ideia, com o atual nível de preço em torno de 80 dólares,
04:57a gasolina e o diesel no Brasil estão entre 20% a 25% já mais baratas
05:03que no mercado internacional, tá?
05:05Então, acho que se continuar por mais de três semanas essa guerra,
05:12se o petróleo for a 90 a 100, vamos ver qual vai ser a reação da Petrobras
05:16a nível de repassar isso para o preço e se o governo vai permitir que a Petrobras faça isso
05:22no ano de eleição.
05:23Uma coisa que é importante ressaltar é que, apesar da gente ser exportador de petróleo,
05:27nós somos importadores de diesel e gasolina.
05:30Então, hoje, 25% mais ou menos dessa importação de diesel e gasolina
05:36é feita por empresas privadas.
05:38Se você não repassar o aumento do barril para o preço da gasolina e diesel no mercado interno,
05:43essas empresas privadas vão parar de importar,
05:46o que, em tese, significaria risco de desabastecimento.
05:49A não ser que a Petrobras seja obrigada pelo governo
05:53a importar esse volume que era importado pelos privados com prejuízo, né?
05:58Pagando mais caro lá fora e vendendo mais barato que dentro.
06:01Isso aí são... vamos esperar para ver o que acontece.
06:05Professor, agora a pergunta de Dora Cramer, que já avisou, não vai no economês, não é, Dora?
06:11Não, porque o professor Adriano Pires também é bom do exame do cenário mais amplo, né, professor?
06:18E é aí que eu queria que o senhor tangenciou agora um pouco isso que eu quero esmiuçar mais,
06:25que é saber o quanto, se dá para a gente já projetar, vamos votar o cenário mais longo.
06:31Porque, pelo amor de Deus, se o próprio Trump fala em cinco semanas,
06:35vamos projetar o cenário mais longo.
06:37O quanto o Brasil está vulnerável aos efeitos dessa guerra,
06:41levando em conta o risco inflacionário, eleição e um ponto aí que o senhor tocou,
06:50a possibilidade do governo resolver interferir na política de preços da Petrobras.
06:57Olha, Dora, eu acho que o Brasil, ele realmente está vulnerável em termos de efeitos macroeconômicos,
07:03como todos os países, que é a questão da inflação, né?
07:05O próprio Estados Unidos hoje, a gasolina já subiu hoje nos Estados Unidos e o diesel também subiu,
07:10porque lá você repassa imediatamente para o preço.
07:13Na Europa também já subiu gasolina, subiu diesel.
07:16O gás natural, por exemplo, na Europa já subiu 50%.
07:19Então, tudo isso vai impactar enormemente a questão da inflação.
07:26Agora, no Brasil, a gente tem uma empresa de petróleo que ela é controlada, né?
07:31O ação de majoritário da Petrobras é o governo, né?
07:35E curiosamente, Dora, a gente está vivendo uma situação muito peculiar.
07:41Você lembra que a guerra da Ucrânia com a Rússia começou em fevereiro de 22 e o preço passou os
07:47100 dólares, né?
07:48E isso ocasionou um problemaço na época para o então presidente Jair Bolsonaro na campanha de reeleição, né?
07:56Lembra que ele zerou o piscofins, reduziu o ICMS, até teve queda de presidente da Petrobras.
08:03E agora, em fevereiro de 26, você tem outra vez essa hipótese de o petróleo chegar a 100 ou passar
08:10de 100,
08:11se essa guerra durar muito, foi muito intensiva.
08:13E estamos em ano de ereição.
08:16Agora, historicamente, a gente sabe que o PT sempre interferiu nos preços da Petrobras.
08:21Basta lembrar, período Dilma, quando a gente subsidiou enormemente o preço da gasolina e do diesel,
08:28que ajudou a Petrobras a ter aquela dívida gigante, a maior dívida de corporação do mundo, 120 bilhões de dólares.
08:34Então, a tradição do PT é interferir no preço.
08:38Então, a gente, vamos esperar, mas a hipótese disso acontecer,
08:43e da Petrobras ser usada pelo governo para conter a inflação,
08:47e, ao mesmo tempo, não perder popularidade nesse ano eleitoral, me parece que é muito grande.
08:53Inclusive, o próprio governo já citou essa possibilidade de aumento dos royalties,
08:57de aumento de dividendos, de repasses de recursos para o governo, ajudando no fiscal.
09:03Agora, isso teria implicações de mercado financeiro?
09:06E a gente tem visto, pelo menos antes desse conflito no Oriente Médio,
09:10um fluxo muito grande de investimento, puxado principalmente pelas empresas de commodities,
09:16Petrobras, a Vale.
09:18Isso não teria outras implicações do mercado financeiro, também de uma forma negativa,
09:23caso o governo resolva segurar os preços?
09:26Com certeza, né, Denise?
09:28Vai ter efeitos negativos, sim, né?
09:30Porque o Brasil, ele não é simplesmente...
09:34Poxa, peraí.
09:37Felizmente, trazendo o nosso vídeo aqui.
09:39Ah, voltou, professor, voltou.
09:41Podemos retomar, agora sim.
09:43Então, realmente, você tem toda a razão que isso vai ter efeitos no mercado.
09:47Até porque, em qualquer interferência que o governo faça em Petrobras,
09:52isso acaba repercutindo mal, porque cria o que a gente chama aí de instabilidade regulatória,
09:59de incertezas jurídicas, né?
10:01Então, isso não é nada bom para o mercado.
10:04E o Brasil também tem outros efeitos que podem abalar a economia brasileira,
10:09que, vou te citar um, importação de fertilizantes.
10:13No Brasil, a gente depende muito de fertilizantes.
10:15Essa guerra pode dificultar a importação de fertilizantes,
10:18pode dificultar exportações brasileiras.
10:20A gente exporta muita carne, por exemplo, ali por Oriente Médio.
10:23Então, eu acho que o estrago da economia, ele pode ser muito maior, né?
10:29Não ficar restrito só ao setor de petróleo.
10:32E isso vai ser um problema, né?
10:34Para o governo, volto a repetir, no ano de eleição.
10:37Como foi lá em 22, para o governo do presidente Bolsonaro.
10:41Professor Adriano Pires Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
10:45Como sempre, muito obrigado por contar com a sua participação aqui na Jovem Pan.
10:48Volto sempre, professor.
10:49Grande abraço, até a próxima.
10:51Um grande abraço a todos, sempre à disposição de vocês e uma boa noite.
10:55Perfeito.
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