00:00A ordem de que o Hezbollah agora não pode mais agir militarmente dentro do próprio país.
00:04Isso porque o Hezbollah fez um ataque com um míssil contra Israel e aí derrubou um prédio.
00:11Então o estrago foi devassador e Israel já começa a fazer novas ofensivas contra o Líbano.
00:16Então quando a gente olha para esse processo de regionalização do conflito,
00:21que a ameaça do Irã sempre foi essa.
00:24Se nos atacarem a gente vai regionalizar o conflito.
00:28Regionalizar por diferentes motivos.
00:30Tanto pelo fato de que entendendo que esses países do Golfo seriam alvos
00:35e por terem uma boa relação com os Estados Unidos,
00:38eles por sua vez passariam a pressionar o governo americano para que parassem as suas ações,
00:44as suas ofensivas, quanto também para pressionar o resto do mundo.
00:48E aí entra a questão do Estreito de Hormuz nesse contexto especificamente.
00:51Um quinto do petróleo mundial passa por lá.
00:54A gente já viu refinaria na Arábia Saudita sendo atacada, não diretamente,
00:58mas por destroços de um drone.
01:00Gás natural liquefeito também em grande parte que passa por ali tem como destino a Europa.
01:06Em um momento no qual a Europa também enfrenta a sua crise energética
01:10porque deixou de comprar gás da Rússia, né?
01:13Ou pelo menos diminuiu bastante.
01:15Então, tanto é que o preço do gás liquefeito na segunda-feira aumentou 33%.
01:20Então, assim, o Irã entende que fazendo isso ele vai apertar os botões certos ao redor do mundo
01:29para que os países digam, olha, para com isso, porque isso vai começar a prejudicar todos nós.
01:34Aliás, Uriã, deixa eu fazer uma pergunta para você.
01:37Fugindo um pouquinho do conflito Irã-Israel-Estados Unidos,
01:40porque você mencionou a questão da Rússia e da Ucrânia.
01:43A gente sabe, e o próprio presidente Volodymyr Zelensky falou isso na última semana,
01:48de que os Estados Unidos estão cada vez mais distantes da Ucrânia,
01:52pressionando cada vez mais a Ucrânia para aceitar os termos russos de um cessar-fogo.
01:58E isso inclui a entrega de território, por exemplo, para a Rússia,
02:02algo que é inadmissível do ponto de vista dos ucranianos.
02:04E aí tem uma outra questão.
02:06Quando a gente fala de guerra entre Rússia e Ucrânia,
02:09um efeito direto disso tudo foi a falta de abastecimento para países europeus,
02:14que cortaram as relações com a Rússia.
02:16Nesse cenário em que o Irã tem atacado a estrutura energética do Oriente Médio,
02:21fechou o Estreito de Hormuz, que você destacou,
02:23por onde passa um quinto da produção de petróleo do mundo.
02:26Isso pode fazer com que os Estados Unidos pressionem cada vez mais a Ucrânia,
02:31talvez, para que ela aceite logo um acordo e isso facilite essa retomada do escoamento
02:38da matriz energética russa?
02:40Eu não sei se a questão seria pressionar a Ucrânia.
02:43Eu olharia para outra coisa referente a isso.
02:46O primeiro ponto é que, se o negócio escalar demais,
02:49isso vai ser benéfico para a Rússia por alguns motivos diferentes.
02:52O primeiro deles é o fato de que os recursos militares norte-americanos
02:57ou até mesmo ocidentais de alguns outros países vão ser redirecionados.
03:01para o Oriente Médio, justamente para proteger Israel,
03:04é o caso, por exemplo, agora dos sistemas de defesa antiaéreo.
03:08Israel não tinha conseguido substituir 100% os seus sistemas
03:14que haviam sido afetados no ano passado durante a Guerra de 12 Dias.
03:20Naquele contexto, o Irã lança, em uma noite, apenas 500 mísseis contra Israel.
03:2530 deles conseguem passar o sistema de defesa e atingem o território israelense.
03:33Então, o chefe do Estado maior estadunidense chegou, inclusive, a avisar o Donald Trump,
03:42aconselhando o Trump para ele não fazer essa guerra.
03:46Por quê?
03:47Porque com o que os Estados Unidos têm lá hoje, com os dois porta-aviões,
03:52isso seria talvez o suficiente para manter Israel e também as bases norte-americanas protegidas
03:57por talvez duas, três semanas, talvez um pouco mais.
04:00E as táticas desses países hostis, elas têm sido aperfeiçoadas,
04:06inclusive por conta das ações da Rússia na Ucrânia.
04:08A Rússia entende que é muito mais barato mandar um Shahed iraniano
04:13ou algum outro tipo de drone mais barato
04:15para tentar saturar o sistema de defesa ucraniano,
04:20que é caro, é extremamente escasso, ele é lento para ser produzido,
04:24para depois você vir com o míssil e atingir de uma maneira mais agressiva.
04:29Então, existe essa preocupação, sim, a tática de resposta iraniana agora
04:34em fazer ataques ali meio espaçados, de repente ataques menores a cada meia hora,
04:41tem o objetivo de fazer justamente isso,
04:43desgastar o sistema de defesa de Israel desses países.
04:48Mas aqui eu estou dando muitas voltas e não respondi a outra parte da sua pergunta,
04:51que é as outras maneiras como a Rússia acaba se beneficiando disso.
04:55Então, tem a questão do petróleo, por quê?
04:57Se o cano fecha no Oriente Médio,
05:00a Europa vai precisar voltar a comprar petróleo de outro lugar.
05:03Então, com o preço do petróleo subindo também a Rússia
05:08e mais sete países da OPEP,
05:11eles disseram que até abril eles vão aumentar a capacidade de produção diária.
05:15E a Rússia vai chegar lá,
05:17se oferecendo como uma alternativa internacional para isso.
05:21Então, sem contar que isso de...
05:25E não vou questionar em nenhum momento o fato de que todos nós,
05:29ou qualquer pessoa que defende valores de direitos humanos,
05:34de democracia, enfim, todo mundo deseja.
05:38Ninguém não ficou feliz com a morte do supremo líder iraniano.
05:43Talvez quem apoia ele, mas o resto do mundo comemorou isso.
05:47Acontece que a maneira como isso foi feita,
05:50vindo de fora, de um país que agiu unilateralmente,
05:54isso, de certa forma, também acaba beneficiando a Rússia.
05:58Por quê?
05:58Porque o Donald Trump, de certa maneira,
06:01ele pega aquela mesma carta da ONU,
06:03que havia já sido rasgada e amassada pelo Vladimir Putin,
06:07e ele amassa um pouco mais.
06:08Então, dessa maneira,
06:11acredito que o Putin está comemorando.
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