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  • há 2 dias

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:00A CIDADE NO BRASIL
00:28Vou entregar essa maldita cadeira de balanço hoje, sabia?
00:31Claro, deixa comigo. Não tem problema não.
00:34Então vai trabalhar, vai. Vai trabalhar.
00:39Tomou café?
00:40Você não tomou?
00:42Acabei agora.
00:43E quem é que você acha que fez o café pra você, sua anta?
00:46Ah, tá legal. Sei que foi você, ué.
00:48Só que o horário não combina.
00:50Chega, chega de falar, vai trabalhar. Chega!
00:54O que é? Não deu certo na caminha, não é?
00:58É a mais gostosa do bairro. Quem ela pensa que ela é?
01:01Mas quem volta comigo, que ela é maldita, viu?
01:03Quatro, cinco.
01:06Ela não foi no cinema?
01:08Não.
01:10Mas que desgraçada!
01:12E você, você até fez da casinha do cachorro pra ela?
01:15Hein?
01:16Não dá um couro nela, tio.
01:18Ela não dá boneza, não.
01:20O moleque é que você não tapa, viu?
01:22O que você pensa que é pra me dar conselho de mulher?
01:23Ah, não sei, não. Eu sei que comigo, comigo era no tapa.
01:27É.
01:28Você pensa que resolve tudo no tapa, é?
01:30O que? O que?
01:31Você mesmo ensinau que não se deve levar desaforos pra casa.
01:34Que desaforos, seu burro?
01:36O safari que ela me deu fora, só isso.
01:38Depois tem volta, tem volta. Chega comigo.
01:40Isso.
01:41Isso. Faz assim, ó.
01:42Tá tudo nela. Na volta.
01:43Na volta dá uma tapona na orelha dela pra ela sentir os pesos das mãos.
01:47Tá?
01:48Já tá me doendo no ouvido, sabia?
01:51O que?
01:51Tá me doendo no ouvido as besteiras que eu tô falando.
01:54Sabe as besteiras que eu tô falando?
01:55Olha aqui, eu vou te dar um praço.
01:57Ou você aprende a falar direito num cursinho, ou então...
02:01Ou então cada um sabe onde bota as mãos, sabia?
02:06Se você quiser levar seus foros por aí,
02:09depois vem, vem, vem, vem, vem,
02:10deixa eu descontar tudo em cima de mim, né?
02:21Não acredito.
02:23Você de pé já é essa hora, meu filho.
02:26Tem que estar às oito e meia da manhã numa fábrica de sucata,
02:29lá no Brás.
02:31Pra quê?
02:33Tem que levar um cara lá, ele quer comprar uma tonelada.
02:38E o que é que há? A convenção é razoável, dona Lucy.
02:41Tem café aqui?
02:42Já vai.
02:45Olha só.
02:48Peguei um cara lá no apartamento da Silvana ontem.
02:51Não, e daí?
02:53Ela é livre, faz o que ela quer.
02:56Não, tudo bem, não tô dizendo nada.
02:58Eu acho que tá tudo certo, tudo ótimo.
03:02Agora, cuidado com o velho, né?
03:04Ele não sabe dessas coisas, hein?
03:07E você fica de bico calado.
03:10Tu sabia desse cara?
03:11Ah, sim, por alto.
03:16Ele mora lá com ela?
03:18Não, claro que não, né?
03:19É só um namorado, só isso.
03:23Que nome dele, hein?
03:24Ah, esse eu não sei.
03:27Ela me apresentou, ela disse que era João, João, sei lá, João, qualquer coisa.
03:31Eu não guardei, não.
03:33O que você foi fazendo a tua irmã?
03:35Bom, eu ontem acordei cedo e fui lá tomar café da manhã com ela.
03:40Aí cheguei lá e tava o tal do João lá.
03:42Ela me apresentou, a gente conversou, bateu o papo.
03:45Ele pareceu simpático, gente fina.
03:48Será que sai casamento dali?
03:50Ó, você sabe como é que é a Silvana, né?
03:52Ela não se abre, né?
03:57Ela tá muito tempo com ele?
03:59Eu não sei, né, Luiz Paulo?
04:01Eu não sei de nada.
04:02Ela não fala muito comigo sobre isso.
04:07Pela intimidade que eu vi os dois, eles devem se conhecer há bastante tempo, dona Lucia.
04:16Seria uma boa semaninha se casasse, né?
04:20Ela é o que menos me preocupa.
04:23Você sim.
04:24Você é que deveria casar, arrumar um emprego e se assentar na vida.
04:27Ô, ô, ô, ô, dona Lucy.
04:29Todo dia de manhã é o mesmo papo?
04:30Será que você não cansa dessa lenga-lenga, não?
04:32Não, e eu tô errada.
04:34Uma mulher era capaz de pôr você no caminho certo, né?
04:37Porque um homem não progride na vida sem uma mulher do seu lado.
04:41O que quer progredir na vida pra vocês?
04:44Ganhar dinheiro?
04:45Pois eu prefiro ficar livre, prefiro a minha liberdade
04:48do que ficar preso a um emprego idiota.
04:50Eu acho que você se acostumou muito cedo à vagabundagem, viu?
05:01Então?
05:02Nada.
05:02Não tem nada de anormal no carro.
05:04Nenhum bilhete?
05:05Nada?
05:05Não, olha aqui, ó.
05:06O porta-luvas tem uma flanela, duas fitas cassete e um remédio pro nariz.
05:10Não é possível?
05:11Isso tá muito estranho.
05:11Não, não há nada, nada mesmo.
05:13Mas ele saiu porque ele não usou o carro?
05:15Não sabemos, Ana Cláudia.
05:16Olha, eu desconfio de uma coisa, viu?
05:18Fala, fala logo.
05:20Ele quis preservar o carro, vale uma nota.
05:22Ah, meu Deus.
05:23E a polícia, o que é que diz?
05:25Nada.
05:25Apenas me entregou o carro.
05:27Eles examinaram tudo, mas não acharam nada de suspeito.
05:30Não há indícios de que o carro tenha sido usado por muito tempo.
05:33Bom, mas eles continuam a procura do Herbert.
05:35Claro, mas não há pistas, é muito difícil.
05:38Mamãe, vamos entrar.
05:39Essa friagem não faz bem.
05:41Não sei, meu amor, mas eu quero acompanhar tudo isso de perto.
05:43Mas não adianta nada ficar aqui parado olhando pra esse carro, né?
05:46Vamos entrar aqui.
05:47Montenegro, você pode ligar de novo pra delegacia?
05:50Claro que sim.
05:51Pegou as chaves, Maurício?
05:52Peguei.
06:01Bom dia!
06:02Bom dia!
06:03Ai!
06:03Fica aí!
06:06Eu posso falar com o senhor, seu Baltasar.
06:08Claro, mas ali de cima, você, hein?
06:10É que eu recebi um recado da mulher de São Antônio da Venda, é verdade?
06:13Ah, a dona Maria?
06:14É.
06:14Claro.
06:15Por favor, só que a entrada, por favor.
06:16Ah, com licença, viu?
06:18Seu vontade, por aqui.
06:18Com licença, obrigada.
06:19Não repara na bagunça, não.
06:20Não, imagina.
06:25Desculpe, mas é que eu tô precisando de uma professora.
06:27Ah, eu já fui professora.
06:28Fala, rapaz.
06:29Qual o problema?
06:31É uma professora de português.
06:32Bom, eu já fui professora primária, mas depende do grau da pessoa, hein?
06:36Ah, zero, nenhum.
06:38Ah, não, Fábio?
06:38De pai e mãe.
06:40Quer dizer, de tio, não.
06:41Bom, nesse caso, eu posso.
06:43É o B a baita.
06:44É de garoto, não sabe nada.
06:45É quem é?
06:48L.
06:49É.
06:49Tá demais.
06:50Só fala besteira.
06:52Ué, não estudou nadinha?
06:55Nadinha.
06:55Lagou no segundo primário.
06:57Bom, eu posso tentar, né?
06:59As coisas elementares eu sei.
07:02Ótimo.
07:02E quanto é que vai custar?
07:05Ah, bom, isso a gente conversa depois, né, seu Baltazar?
07:07Não, senhoras e senhores, meus freguês costumam falar isso, depois eu levo uma facada.
07:10Eu sabia agora quanto é que vai custar.
07:11Bom, assim, uma aula fica, fica caro, né?
07:17Claro, claro.
07:18Já duas aulas sai, assim, um pouco mais barato.
07:21Agora, três por semana fica baratíssimo.
07:25Ah, então é três por semana que ele precisa, né?
07:27Agora tem um problema, né, seu Baltazar?
07:28Eu trabalho, né?
07:29Então, essas aulas eu só posso fazer a noitinha.
07:32Só a noitinha?
07:33É.
07:33Ah, não tem importância, porque de noitinha não faz nada.
07:36Ele fica jogando sinuquinha.
07:37Ah, então pronto.
07:38Não, ótimo.
07:40Bruno!
07:45Mãe, por que que o papai não mora com a gente, hein?
07:49Bem, é porque ele tem muito trabalho fora de São Paulo, né, Xixi?
07:55Mas todo mundo que eu conheço, o pai mora em casa.
07:59É, é assim mesmo, mas...
08:02Ah, mas a gente não pode se queixar.
08:06Ele é bom pra todo mundo aqui, não é?
08:08É.
08:10Vânia, vamos brincar com o Jonas lá no quintal?
08:13Vai indo que eu já vou, mas fica de olho nele que ele é muito pequenininho, viu?
08:17Tá.
08:18Vamos, fofinho, vamos brincar lá no quintal, vamos?
08:22Mãe?
08:22Hum?
08:23O que que ela tava falando com você?
08:25Do pai, né?
08:27Ela vê todas as meninas com o pai dentro de casa, aqui no bar, estranha.
08:31Sei lá.
08:32Não, só ela.
08:33Ah, não, Vânia, você conhece muito bem a situação, né, filha?
08:39Mãe, graças a Deus esse tronco aqui ainda pensa.
08:42Por que que ele não leva a família toda pra Porto Alegre?
08:45Ah, porque ele tem problema, não sei.
08:47Você já pediu isso?
08:48Não, nunca.
08:50Por que não?
08:53Vânia, eu não posso exigir nada do Mário.
08:56Ele é bom com a gente, nos sustenta.
08:59Com o dinheiro dele, você e o Amaury estão estudando.
09:01Não posso também encostar o homem na parede, né?
09:03Tudo tem um limite.
09:05Depois talvez ele nem queira.
09:06E aí não quer mesmo, é isso que eu acho.
09:08Ah, que seja.
09:09Eu não faço questão nenhuma de ir pra Porto Alegre com ele.
09:11Não?
09:12Não.
09:15Filha.
09:16Vem cá.
09:18O Mário, ele é muito mais velho do que eu.
09:22Você acha que a mamãe tá assim, perdidamente apaixonada por ele, eu acho?
09:25Não?
09:27Claro que não, filha.
09:29Olha, eu tenho muito carinho por ele, muito respeito, mas amor...
09:35Já passei tanta coisa na minha vida que eu nem acredito mais em amor.
09:40Basta ele dar o dinheiro, não é?
09:43Não fala assim, Vânia.
09:45Você sabe muito bem por que eu faço isso, hein?
09:47Por você, pela Marcinha, pelo Amaury.
09:50Depois, olha, o emprego pra uma mulher na minha idade hoje em dia não tá fácil, não.
09:54Tá legal, mãe.
09:55A gente entende.
09:59Se ele sumir um dia...
10:00Existe essa possibilidade, sim.
10:02Eu não sou nenhuma idiota.
10:05Se ele sumir, Vânia,
10:07a gente vai começar do zero.
10:11Do zero?
10:15Não tô aqui.
10:19Do zero boola.
10:21O que é assim?
10:22Por isso que eu devo...