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O Direto ao Ponto Especial desta segunda-feira (02), apresentado por Fabrizio Neitzke, promove um debate aprofundado sobre a crise no Oriente Médio, agravada após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e as retaliações iranianas contra bases americanas e cidades da região.

Participam da análise o analista internacional Uriã Fancelli, o professor Danilo Porfírio de Castro Vieira, o comentarista Fábio Piperno e, direto de Israel, o especialista em Oriente Médio André Lajst. O programa detalha os desdobramentos militares, os impactos geopolíticos e os riscos de uma escalada ainda maior do conflito.

Ao longo da discussão, Lajst afirmou que “Israel tem muita confiança na defesa”, ressaltando a percepção de segurança estratégica do país diante das ameaças na região.

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Transcrição
00:00A gente tem uma situação bastante diferente, na verdade, entre todos os países da região Oriente Médio muito grande.
00:07A gente poderia dizer que os libaneses e os israelenses e os palestinos que vivem em Gaza
00:15estão mais acostumados, viveram mais cenas de guerras e ataques e bombas e barulhos
00:23do que, por exemplo, palestinos nessa Jordânia, onde não tem muita operação militar via aérea
00:30ou até mesmo jordanianos, que não lembro, a última vez teve uma guerra que envolvia a Jordânia
00:36provavelmente foi a guerra de 67.
00:40A gente está falando de a população da Arábia Saudita que quase nunca presenciou nenhum tipo de ataque ao seu
00:47país.
00:47Eu acho que agora os Emirados Árabes, acho que pela primeira vez estão experienciando ataques a Dubai,
00:54o ataque ao aeroporto, ataques no Bahrein, né?
00:59Apesar de os países terem bases americanas, os iranianos atacaram locais civis desses países árabes,
01:08tentando aí causar um grande caos econômico a fim de esses países então pressionarem os Estados Unidos
01:15para encerrar ou diminuir o tempo da guerra.
01:19Acho que essa é a estratégia iraniana.
01:21Mas em relação a esse tipo de situação, os israelenses especificamente têm uma experiência de vivência,
01:28eu posso dizer por Israel, também ser israelense já ter vivido aqui,
01:32e ter essa experiência que você teve ano passado e está tendo essa experiência agora também já pela décima vez.
01:38Israel é um país muito pequeno, muito pequeno.
01:42Aqui de onde eu estou, dá para ver o norte, não dá para ver agora, está de noite,
01:46mas dá para ver o norte de Tel Aviv, e se você olhar para o leste, você literalmente consegue ver
01:52a Cisjordânia,
01:54você consegue ver as montanhas já da Cisjordânia controlada pela autoridade palestina.
01:59E se você olha para o oeste, você vê o mar a dois quarteirões de onde eu estou.
02:03Então é um país muito curto, muito pequeno,
02:05onde os ataques, quando acontecem em Israel, são concentrados em cima de onde está a população.
02:11Um país muito pequeno, com 10 milhões de pessoas.
02:13Só que ao mesmo tempo, existe muita confiança, principalmente nas últimas décadas,
02:18com os avanços tecnológicos de Israel,
02:22em relação à defesa civil e ao exército e à força aérea.
02:25Eu acho que Israel tem uma das melhores forças aéreas do mundo,
02:28com certeza a mais experiente em ações como defesa civil, defesa aérea,
02:35interceptação de mísseis, interceptação de foguetes,
02:39e claro, os ataques cirúrgicos que Israel está realizando contra o regime iraniano nesse momento.
02:46Então, os israelenses também, como fizeram exército, fizeram parte das forças armadas,
02:52todos fazem praticamente,
02:53então, os israelenses estão acostumados com as ordens e a disciplina que a defesa civil pede para a população ter.
03:01O país está preparado para esse tipo de ataque,
03:05apesar de ser perigoso em determinados momentos,
03:10e um pouco tenso quando você escuta essas sirenes,
03:14mas ao mesmo tempo a população fica acostumada com isso,
03:17está acostumada e, seguindo as orientações da defesa civil,
03:21suas chances de sofrer algum tipo de ferimento ou morte são quase nulas, né?
03:28São centenas de mísseis sendo lançados,
03:31alguns, poucos, acabam furando a defesa civil,
03:36a defesa aérea, desculpe,
03:37e caem em zonas de civis.
03:40Se você estiver dentro do quarto fortificado,
03:42a gente tem um quarto aqui onde eu estou hospedado,
03:44dentro do apartamento e fechar a porta de aço,
03:47as chances de acontecer uma coisa com a gente é muito pequena,
03:51porque o mísseis teria que bater diretamente na parede do bunker
03:54para acontecer alguma coisa conosco.
03:57Uma vez que o mísseis cair do lado,
03:59os estilhaços e o estrondo não vai causar uma destruição do bunker
04:04que está preparado para aguentar isso.
04:06Então, é realmente o que você falou.
04:08Eu também, aqui, eu fui ao supermercado,
04:12quando sair, o alarme, existem dois alarmes que tocam no celular,
04:16o primeiro é aquele da defesa civil,
04:18que nem em São Paulo, que aparece quando tem chuvas,
04:21que apita bem alto, dizendo que vai ter chuvas.
04:26Então, um grande alarme no celular surge,
04:30com uma informação em quatro línguas,
04:32russo, inglês, hebraico e árabe,
04:35de que existe um míssel, que foi enviado um míssel do Irã
04:39e que a zona que eu estou pode ter sirenes.
04:43Então, a defesa civil pede para eu ficar perto do abrigo antiaéreo.
04:47E caso eu escute a sirene, eu preciso entrar no abrigo.
04:50Então, teve vezes que tocou a primeira mensagem,
04:53mas não tocou a sirene,
04:54porque a defesa civil viu que o míssel estava indo para outro lugar,
04:59então não toca a sirene onde eu estou e, eventualmente, tocou.
05:02E aí você entra no abrigo e se tranca dentro do abrigo.
05:05Se você se trancar dentro do abrigo,
05:06as suas chances de sobrevivência são muito altas.
05:10E aí, a população está acostumada.
05:12A mesma coisa que a gente comparar com a violência urbana em São Paulo,
05:15ou no Rio de Janeiro, ou em outras cidades brasileiras.
05:18Quando você fala para os israelenses aqui,
05:21que tem gente no Brasil que anda de carro blindado,
05:24e que existem assaltos à mão armada,
05:26e que as pessoas roubam celulares e relógios nas ruas,
05:32eles também não entendem isso aqui,
05:34porque isso não faz parte da realidade do país.
05:37Então, cada país e cada sociedade tem que se acostumar com a sua própria realidade.
05:42Os israelenses se acostumaram a viver sobre estado de guerra.
05:45É um bairro extremamente complicado, extremamente violento, o Oriente Médio.
05:49Israel, como essa ilha, que é a única democracia da região,
05:54tirando o Líbano, que é uma democracia sectária, não funcional.
05:58Então, a única democracia estável e liberal da região sendo Israel.
06:02E os israelenses tendem a entender que vivem no Oriente Médio,
06:06e ao mesmo tempo ter uma vida tranquila,
06:08como um país europeu, como na América do Norte.
06:14André, em que há essa confiança nos sistemas de defesa israelenses,
06:18e a gente aqui não tem nenhuma dúvida que se trata
06:20de alguns dos sistemas mais avançados de defesa do mundo.
06:23Compartilhados, inclusive, com os Estados Unidos.
06:26Enfim, a gente sabe de toda essa história.
06:28Mas, quando a gente começa a falar desse conflito,
06:32é impossível não remeter o início dele ao 7 de outubro de 2023,
06:37quando Israel lidou com o Hamas.
06:40O Hamas e o Hezbollah também,
06:42os Hutis também, podemos colocar nesse balaio,
06:45são grupos paramilitares que têm, grupos terroristas,
06:49que têm uma estrutura muito menor, muito inferior à do Irã.
06:53O Irã é um adversário muito mais duro para Israel, não seria?
06:58Com certeza.
06:59O Irã é um país de 90 milhões de pessoas,
07:02com um PIB de mais de 600 bilhões de dólares,
07:06apesar de uma crise econômica.
07:07O Irã tem lá as suas estruturas nacionais e estatais.
07:12Dentro das estruturas, por exemplo, das guardas revolucionárias,
07:17existem o departamento de operações externas das guardas revolucionárias.
07:22Lembrando que as guardas revolucionárias
07:24são consideradas um grupo terrorista pela União Europeia,
07:28pelos Estados Unidos e por alguns outros países importantes do mundo.
07:31Então, dentro desse departamento de operações externas das guardas revolucionárias,
07:38eles já cometeram atentados, inclusive na Argentina,
07:43coordenado por eles, executado pelo Hezbollah,
07:46contra a Embaixada de Israel e contra a comunidade judaica em 92 e 94, respectivamente.
07:51Então, eles têm muito mais estrutura, eles têm muito mais capacidades.
07:58Ao mesmo tempo, a ideia de guerra por procuração
08:02é interessante para o regime iraniano,
08:04através dos Houthis, através do Hezbollah,
08:07através da Jihad Islâmica e do Hamas,
08:09através das milícias cheitas no Iraque,
08:11porque eles conseguem fazer com que esses grupos ataquem os seus inimigos,
08:15os inimigos do regime iraniano,
08:17sem precisar receber retaliação de volta,
08:19uma vez que o ataque não está sendo efetuado do território iraniano.
08:24Então, existem também diferenças em relação a esses grupos.
08:30Os Houthis são um grupo que eles já se montaram,
08:33já se constituíram e depois receberam ajuda iraniana
08:37quando eles enxergaram um interesse em comum.
08:40O Hezbollah é um produto da Revolução Islâmica.
08:44Existiam oficiais iranianos transitando no Líbano na década de 80,
08:48no começo da década de 80,
08:49procurando pessoas dentro do Líbano
08:52para poder criar grupos radicais dentro do Líbano
08:55a fim de colocar vários cantões de grupos em volta de Israel
09:01para poder enfrentar a existência de Israel
09:04e sem precisar atacar Israel diretamente de solo iraniano,
09:08até porque naquela época o Irã nem tinha capacidade militar para isso
09:12na década de 80.
09:13Então, esses grupos, eles são mais fracos que o Irã,
09:18mas eles podem causar grande dano.
09:20Se a gente até lembrar o minuto 7 de outubro,
09:23esse mesmo quarto fortificado que tem nas casas mais novas,
09:27como tem aqui onde eu estou hospedado,
09:30é um quarto bem pequeno, de no máximo 5 metros, 6 metros quadrados,
09:36com paredes extremamente grossas e uma porta de aço.
09:39Mas esse quarto, ele foi preparado para foguetes vindos de Gaza e do Líbano.
09:46Ele não foi projetado para segurar um míssel balístico
09:48e com certeza não foi projetado para segurar
09:51dezenas de terroristas do Hamas que invadiram
09:53as comunidades israelenses no sul do país.
09:56Tanto que muitos israelenses assassinados,
09:59muitos civis israelenses assassinados no sul de Israel
10:02no 7 de outubro,
10:04estavam dentro desse quarto fortificado,
10:07desse abrigo antiaéreo,
10:09pois eles escutaram as sirenes,
10:11pois o começo do ataque do Hamas
10:13foi o lançamento de vários, de centenas e centenas de foguetes,
10:16e aí as pessoas escutaram a sirene
10:18e a primeira coisa que elas fazem é ir para o quarto fortificado.
10:21Mas o que o quarto fortificado não segura
10:24são tiros de AK-47,
10:27na maçaneta,
10:28tiros de RPG,
10:30e até mesmo a tentativa de incendiar
10:33o quarto do lado de fora para dentro
10:35através das saídas de ar.
10:36Isso sim fez com que centenas de israelenses
10:40perdessem a vida mesmo estando dentro desse quarto fortificado.
10:43Então a segurança que Israel consegue prover
10:46para a sua população,
10:47ela é muito avançada,
10:49mas ela não é hermética.
10:50Inclusive o porta-voz do exército
10:52fala o tempo todo na televisão
10:53que a defesa aérea é muito avançada,
10:57talvez a melhor do mundo,
10:58porque o país é muito pequeno,
10:59então é muito difícil de penetrar
11:01com mísseis e foguetes
11:03o espaço aéreo de Israel,
11:06mas ela não é hermética.
11:07Ou seja, vai ter algum míssel
11:09que vai conseguir passar,
11:10vai ter algum míssel que vai conseguir cair,
11:12e isso é sempre um assunto
11:16em desenvolvimento
11:17na indústria bélic,
11:20na defesa aérea israelense,
11:22na defesa aeroespacial israelense.
11:24Sempre tem algo para melhorar,
11:26para melhorar a segurança da população,
11:28ao mesmo tempo que a população é orientada
11:30a se comportar de uma determinada forma
11:32para poder evitar ao máximo
11:33o dano a civis.
11:35E aí
11:35E aí
11:35E aí
11:35Obrigado.
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