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  • há 2 minutos
As negociações entre Estados Unidos e Irã avançam em direção a um possível acordo para encerrar o conflito, com trocas de mensagens mediadas por representantes do Paquistão. Apesar do avanço, a tensão segue elevada na região, com o Irã voltando a fechar o Estreito de Ormuz neste sábado (18) em resposta à manutenção do bloqueio naval americano aos seus portos. Para analisar o cenário, a Jovem Pan entrevista o professor de relações internacionais Marcus Vinicius de Freitas.

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Transcrição
00:00Agora vamos ao noticiário internacional, as negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram nos últimos dias,
00:07mas continuam travadas em alguns pontos centrais.
00:10E pra gente entender melhor quais pontos são esses e o que pode ser feito a partir de agora,
00:16a gente convidou ao Jornal da Manhã o professor de Relações Internacionais, Marcos Vinícius.
00:21Professor, bom dia. Obrigada mais uma vez pela participação aqui com a gente.
00:27Bom dia, prazer em conversar com vocês sempre.
00:29Professor, a gente discutia durante toda essa semana que o grande objetivo dessa guerra até agora não foi atingido.
00:36Trump fez várias ameaças, tentou acordos no Paquistão, enviou ali a sua comitiva,
00:43mas mesmo assim o Irã não recua em alguns pontos e também as falas de Trump junto a Israel e
00:52tudo o que está acontecendo,
00:53também ele não consegue avançar nessa negociação.
00:57Tem alguém, algum lado está errando? Trump estava muito otimista quando essa guerra começou e acabou realmente caindo do cavalo,
01:06como a gente costuma dizer, professor?
01:09É engraçado porque a gente viu a mesma coisa com relação à guerra da Ucrânia, né?
01:14Que achavam que a Rússia venceria a guerra rapidamente,
01:20esquecendo que a Ucrânia havia se preparado para a guerra durante um tempo.
01:24E é o mesmo caso que você tem no Irã.
01:26O Irã se preparou aí há pelo menos umas duas décadas,
01:30sabendo que os Estados Unidos, após a intervenção no Iraque,
01:34poderiam facilmente querer articular uma invasão do Irã,
01:40como aconteceu neste processo, não uma invasão, mas uma guerra.
01:43Mas o fato é que você tem três aí elementos nesta guerra, com objetivos diferentes.
01:51Trump, até agora, a gente não consegue distinguir efetivamente quais foram os objetivos dele na guerra.
01:56Isso foi troca de regime, que ele afirma que aconteceu com a morte, com a decapitação do Ayatollah Khamenei,
02:01ou se é a questão da recuperação do urânio,
02:05das usinas que foram destruídas na guerra de 12 dias,
02:09ou se é o desbloqueio agora do Estreito de Hormuz.
02:12Então, os objetivos do governo Trump vão variando muito neste processo todo.
02:18E claro que, nessa situação, existem também os objetivos do primeiro-ministro Netanyahu,
02:24do Estado de Israel, que tem claramente para si que o objetivo é a troca efetiva do regime,
02:32ou, eventualmente, uma divisão do Irã em alguns países menores,
02:38assim, menos fortalecido e incapaz aí de articular uma guerra contra o Estado de Israel.
02:44Então, este é um objetivo diferente.
02:45E claro que, para o Irã, existe a questão da manutenção da sua soberania
02:51e também transmitir para os países do Golfo a ideia de que a sua aliança com os Estados Unidos
02:58é insustentável, porque os objetivos norte-americanos na região
03:02não é a proteção dos países do Golfo, mas, principalmente, a proteção dos interesses do Estado de Israel.
03:10Então, são objetivos distintos numa guerra.
03:14E claro que o problema todo neste processo é a questão midiática do presidente Trump,
03:21que tenta aí manifestar perante a opinião pública norte-americana
03:26desde o primeiro dia que ele venceu a guerra,
03:27tentando aí sobrepor-se a qualquer negociação
03:31e dizer que, justamente, ele conseguiu, como grande negociador,
03:36implementar todos os seus objetivos neste processo.
03:39O fato é que este discurso não cai bem no Irã,
03:43que também tem que apresentar as suas justificativas,
03:47justamente para garantir a sobrevivência do regime,
03:52uma vez que, se houver a declaração de uma perda ou de derrota nesta guerra,
03:57também se cria uma instabilidade com vários grupos políticos dentro do país.
04:03Então, isto é, estes são os fatores aí, os vetores que a gente vê
04:07que complicam demasiadamente esta situação.
04:11Professor, eu queria ouvi-lo também a respeito da participação do presidente Lula
04:15num fórum sobre democracia que ocorre em Barcelona, na Espanha,
04:20no qual ele disse que não é possível que a gente acompanhe um presidente
04:24que acorda emitindo tweets, acorda promovendo guerras,
04:28uma referência ao Donald Trump.
04:30Fala-se também que o Trump não descarta uma possibilidade de ação em Cuba,
04:36também, para tentar, de algum modo, fazer com que Cuba atenda aos seus próprios interesses.
04:41E aí o senhor citou que o Trump tem tido um discurso de vitória internamente.
04:47convence a população americana dessa vitória?
04:51Ou seja, esse discurso do Donald Trump é convincente?
04:54Eu pergunto isso porque ele muda praticamente a cada três dias, não?
05:00Três dias você está sendo generoso, não é?
05:02Então, porque ele muda basicamente a cada tweet, né, nesse processo todo.
05:07Mas o fato é que ao manter aí esta ideia de não ter claramente os objetivos de guerra,
05:16qualquer coisa passa a servir como objetivo, não é?
05:20E claro que ele vai ajustando e ajustando isso às suas necessidades políticas no momento.
05:27Mas Trump tem aí um problema, se esta guerra virar aí uma guerra de atrito,
05:32como a gente observa, e durar aí até as eleições de meio de mandato,
05:35ele vai ter um problema grave com a sua própria base, do movimento MAGA,
05:40que o apoiou no sentido de que ele havia prometido que encerraria o ciclo de guerras
05:48desnecessárias para os Estados Unidos.
05:51E o que aconteceu é que, nessa história toda,
05:54ele optou por fazer esta guerra, a pedida do primeiro-ministro de Israel,
06:01e convencido também de que a ação seria fácil.
06:06E o que nós observamos é, efetivamente,
06:08de que isso se provou totalmente contrariamente àquilo que ele imaginava inicialmente.
06:13Claro que houve aí os sucessos militares,
06:15mas os iranianos souberam, particularmente na questão da economia global,
06:20jogar muito bem com esta questão simples do Estreito de Urruz,
06:25que vem causando um pânico global.
06:27Porque não é só a questão, nonato, de bloquear o Estreito,
06:31é o fato de gerar perigo para as embarcações,
06:34e, obviamente, as companhias de resseguro,
06:37que ficam em Londres e outras partes do mundo,
06:39não se sentem confortáveis em garantir essas embarcações,
06:43e, através deste mecanismo, o mercado global para.
06:48E parou aí já há quase 50 dias, e isso tem um impacto enorme.
06:52Então, o que nós votamos é que o presidente Trump vem e tenta dar esta impressão para a sua base,
07:00mas, efetivamente, o apoio a ele tem caído neste processo todo.
07:04A economia não está dando as recuperações e corre o risco de ter um aumento inflacionário,
07:10como nós já observamos recentemente.
07:13E, na eleição de meio de mandato, ele pode correr um sério risco
07:16de sofrer ali uma derrota, tanto no Congresso como no Senado,
07:21o que levaria, provavelmente, ao impeachment do presidente,
07:24e, quem sabe, até a queda dele.
07:28O que impede que isso aconteça é que muitos desconfiam
07:32da capacidade do J.D. Vance de ser um bom presidente dos Estados Unidos,
07:37em razão da forma como ele lidou com muitos assuntos,
07:40e, também, por ser o queridinho da indústria tecnológica,
07:45o que cria muita preocupação em outros setores da economia americana.
07:49Então, o fato é de que Trump busca aí tentar validar-se neste processo todo,
07:55usa a mídia, usa da questão da informação falsa, muitas vezes.
08:01A gente já viu que o presidente Trump utiliza de várias omissões de verdade
08:08no seu processo de tentar convencer a opinião pública a respeito de algum assunto,
08:12e, com isso, ele vai governando sempre sob essa tentativa de manter a expectativa
08:18de que os Estados Unidos continuam a ser a grande potência mundial.
08:22De fato, tem um poder militar verdadeiramente considerável,
08:27mas o fato é de que, paulatinamente, nós observamos
08:30que há uma deterioração na imagem dos Estados Unidos e na sua percepção global.
08:35E o grande processo disso tudo é que, ao avançar nesta guerra,
08:44a pedido, também, do governo do Estado de Israel,
08:47também prejudicou a própria imagem do povo israelense
08:51e do próprio Estado de Israel nesse contexto todo,
08:53porque nós observamos, nos Estados Unidos,
08:56uma queda no apoio à causa do Estado de Israel.
09:01Então, esta guerra foi muito ruim e tem sido muito ruim
09:04nesse aspecto de mídia e de repercussão interna nos Estados Unidos.
09:09Vamos chamar o nosso analista para fazer uma pergunta também,
09:12professor Jesualdo Almeida.
09:15Professor Marcos, bom dia.
09:17Professor, claramente os interesses dos Estados Unidos
09:19não estão muito delimitados nessa guerra,
09:21diferente dos interesses de Israel, que são claros e específicos.
09:25Se a guerra terminasse hoje, o objetivo de Israel teria sido alcançado?
09:30E mais do que isso, não estaríamos falando do fim do governo de Netanyahu,
09:36tendo em vista que esses objetivos provavelmente não foram alcançados?
09:40Veja, é uma questão sempre complexa, porque toda vez que você comenta
09:44a respeito das ações do Estado de Israel,
09:47normalmente você é classificado como antissemita, né?
09:50Nesse processo todo.
09:52Então, esta que é a grande questão quando se faz a análise do Estado de Israel.
09:56Mas o fato é que o grande perdedor nessa história,
10:01e se este acordo efetivamente for levado ao fim,
10:04é o primeiro-ministro Netanyahu,
10:07que conseguiu ali convencer os Estados Unidos inicialmente a tomar esta ação.
10:12Mas lembre-se, ele tentou isso com o presidente Bill Clinton,
10:15com o presidente Bush, com o presidente Obama,
10:19com o presidente Trump da primeira vez, com o presidente Biden,
10:22e conseguiu agora, desta vez, com o presidente Trump.
10:25E ninguém sabe efetivamente a razão pela qual ele conseguiu ser tão convincente neste processo.
10:32E Netanyahu, claro que conta com uma opinião pública,
10:35que talvez por não ter acesso à informação efetiva daquilo que está acontecendo no país,
10:40lhe é muito favorável na questão da guerra contra o Irã.
10:43Mas nós já observamos aí as primeiras manifestações no Estado de Israel,
10:47contrárias à continuidade de Netanyahu no poder,
10:51a questão da corrupção, que lhe assombra já há algum tempo no governo,
10:56e claro, que ele utiliza a guerra para se manter no poder.
11:00Quando perguntado a respeito disso,
11:03o presidente Bill Clinton, a quem Netanyahu fez o primeiro pedido,
11:07ele disse que Netanyahu se mantém no poder
11:11graças a esta dinâmica constante de guerra
11:14que gera na população a ideia de que não vale a pena trocar
11:18nesse processo quem está liderando particularmente no cenário de guerra.
11:23Então foi o próprio Bill Clinton que falou isso há algum tempo atrás.
11:26E o que nós notamos é que esta ideia,
11:30o próprio tweet do presidente dos Estados Unidos,
11:32dizendo que o Estado de Israel,
11:34que o governo Netanyahu estava proibido
11:37de fazer qualquer ação militar contra o Líbano,
11:41gerou dentro do estamento político a israelenses também algumas preocupações,
11:46porque vem nisso uma determinação do presidente dos Estados Unidos
11:51quanto àquilo que Israel pode fazer ou não.
11:54O grande problema, aqui concluindo, Nonato,
11:57é que o que torna muito a situação também complicada
12:03é a forma como o Netanyahu se comporta neste processo todo.
12:07Professor, uma última pergunta aqui do nosso analista Túlio Nassa.
12:11Pois não, Túlio?
12:13Bom dia, professor.
12:14Muito obrigado por atender a Jovem Pan.
12:17Professor, a minha pergunta agora vai aqui para as Américas,
12:21vai especialmente para Cuba.
12:23Veja, se nós olharmos o posicionamento de Donald Trump,
12:26nós vamos perceber, por incrível que pareça,
12:28que essas ações dele não são tão imprevisíveis assim.
12:31Aquele livro, que não tem uma grande qualidade literária,
12:34que se chama Grande Outra Vez,
12:36que deu base ao programa político eleitoral,
12:39naquele livro ele já falava que ele teria que lidar com o Irã,
12:43ele já previa que seria até necessário algum tipo de intervenção,
12:47inclusive Cuba.
12:48Então a gente, às vezes, tem que dar crédito,
12:50entre aspas, não crédito no sentido positivo,
12:53para essas ameaças de Donald Trump.
12:56E aí vai a pergunta, ele deve ou não realizar alguma intervenção em relação a Cuba?
13:01Como deve ficar o cenário aqui nas Américas?
13:05Existe, Túlio, um aspecto muito importante,
13:09que é o lado ideológico nesta situação.
13:16E no lado ideológico desta equação,
13:19existe o secretário de Estado,
13:22que também é responsável pela segurança nacional,
13:25Marco Rubio, que é de origem cubana,
13:27e que vê na intervenção em Cuba uma possibilidade de restauração de Cuba
13:33a um governo diferente,
13:38e aí, eventualmente, o fim deste período em que Cuba esteve distanciado dos Estados Unidos.
13:44Então, a possibilidade disso acontecer,
13:48claro que, diante daquilo que aconteceu no passado,
13:52os americanos se comprovaram ineficientes, né,
13:55em suas ações, em suas várias ações contra Cuba,
13:58que teve aí uma resistência, uma resiliência impressionante
14:02para o tamanho da ilha e para aquilo que eles fazem,
14:05e podem oferecer em matéria de defesa,
14:07mas o fato é de que Cuba, a semelhança da Venezuela,
14:11é muito mais fácil,
14:14através de uma ação militar devastadora dos Estados Unidos,
14:17do que o próprio Irã, né, nesse processo todo.
14:20Agora, o grande medo, e aqui,
14:23eu tendo a concordar com aquilo que o presidente Lula disse,
14:28de que você não pode conduzir política global,
14:32tendo que ir ler todos os dias,
14:34várias vezes ao dia,
14:36aquilo que o presidente dos Estados Unidos está tuitando,
14:39e que vai se transformando em política pública internacional,
14:44e vai se transformando em política internacional.
14:46Isto gera uma instabilidade global,
14:48e é só nós pensarmos.
14:49Aí, o quanto isto, uma ação em Cuba,
14:52também afetaria a questão dos países da região,
14:56o quanto isso não seria um incentivo
15:00para que mais países buscassem a sua nuclearização
15:03com armas nesse sentido,
15:06justamente para se defender da imposição das vontades
15:11daquele que ocupa a cadeira na Casa Branca, em Washington.
15:15Então, isto é uma preocupação global,
15:17e claro que, neste processo todo,
15:20o mundo assiste preocupado,
15:23porque isto pode ser o estupim de um período multipolar,
15:27que nós observamos crescendo a cada vez mais,
15:30mas com esta preocupação de que mais países
15:33busquem um poder dissuasório,
15:35justamente diante da possibilidade de ações
15:39dos Estados Unidos à torto e à direita.
15:42Obrigada, professor Marcos Vinícius.
15:44Volte sempre com a gente aqui no Jornal da Manhã.
15:48Um grande prazer sempre.
15:49Obrigada, professor Marcos Vinícius.
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