00:00Bom, mudando um pouco de assunto, olhando, claro, o tema dos negócios, economia, mas permeando ali a tecnologia,
00:08muito se fala dos impactos da inteligência artificial generativa na produtividade.
00:14E o Brasil está entre os mercados emergentes que têm um certo potencial de se beneficiar com a adoção dessa
00:20tecnologia.
00:21De acordo com o relatório da Moody's, o Brasil pode apresentar até 1,4% de aumento na produtividade como
00:30um dos efeitos da implementação da chamada IA generativa.
00:35Para a gente entender como é que isso funcionaria, vamos receber aqui no Fast Money o editor-chefe da MIT
00:42Technology Review Brasil, o Rafael Coimbra,
00:46um especialista em tecnologia, está sabendo tudo de inteligência artificial.
00:51Rafael, é um prazer recebê-lo aqui para a gente fazer essa integração, um entendimento de como isso pode permear
00:56o mundo dos negócios.
00:58A industrialização do Brasil passou um longo período de desindustrialização, agora tem uma certa retomada,
01:06isso representa 8% do PIB, pequeno se a gente olhar no todo.
01:09Mas nesse recorte, essa inteligência artificial generativa pode ajudar a um certo alavancamento desse nosso processo de abertura industrial,
01:21crescimento industrial, pode ser uma pedra no sapato?
01:24De que maneiras a Moody's chegou a essa conclusão que o Brasil faz parte da lista de emergentes que pode
01:29se beneficiar com a chamada IA generativa?
01:32Boa tarde, sempre um prazer recebê-lo aqui na nossa programação.
01:36Boa tarde, Marcelo, obrigado pelo convite, boa tarde a todos.
01:40Isso é possível, existe ali um potencial ganho, Marcelo, desde que a gente faça o dever de casa bem feito.
01:46Então o que a Moody está considerando ali é que a gente teria três rotas para o ganho da produtividade.
01:52A primeira rota é você simplesmente automatizar, é você pegar um trabalhador ou tarefas desse trabalhador
01:58e transformá-las em algo autônomo via máquina.
02:01Esse é um cenário que pode ser eficiente para as empresas, pode reduzir custos,
02:05mas obviamente não é o melhor dos cenários para os trabalhadores.
02:08A segunda rota é quando você pega uma pessoa que já está trabalhando, coloca a inteligência artificial
02:15para, vamos chamar assim, catapultar as habilidades, as competências dessa pessoa.
02:21Ou seja, ela passa a ganhar mais poder com a ajuda da tecnologia.
02:25E tem um terceiro caminho, esse é o melhor de todos,
02:28que seria quando a gente desloca a economia para novas funções,
02:32para novas áreas, novas tecnologias, novos tipos de negócios.
02:36A partir desse momento, é como se a gente tivesse ali uma expansão de cenário de novos mercados.
02:41Obviamente isso vai exigir mais qualificação, novas profissões vão surgir,
02:45a gente tem que estar preparado para esse futuro, mas esse seria um cenário muito bom.
02:49Então quando a gente olha para essas rotas,
02:52isso se equivale muito a um artigo que foi escrito agora também essa semana
02:56por três professores do MIT, dois deles prêmio Nobel,
02:59em que eles deixam muito claro que a melhor opção,
03:02muito coincidentemente com esse artigo, esse estudo da Moody's,
03:06a melhor opção é a gente criar essas novas fronteiras.
03:09Ora, quando a gente olha para o Brasil, tem uma peculiaridade,
03:12porque o Brasil, diferentemente de algumas nações mais desenvolvidas,
03:16não está ainda na economia do conhecimento.
03:18Para ter impacto da EA generativa, no sentido positivo,
03:22é preciso que a gente tenha trabalhadores digitalizados usando a EA generativa.
03:27Se a gente não tem, eles estão muito mais no campo do risco.
03:31Pessoas que fazem trabalhos mais automáticos, braçais,
03:35e que não tenham contato com novas tecnologias de EA generativa,
03:39essas pessoas, caso as indústrias, no caso como você citou,
03:43encontrem equipamentos que façam essas operações,
03:45essas pessoas infelizmente vão ser substituídas.
03:48Então o que a gente precisa aqui no Brasil é uma coordenação.
03:52Isso também fica muito claro, tanto no estudo da Moody's,
03:55quanto esse que eu estou citando do MIT,
03:56que é preciso um esforço de coordenação.
03:59A tecnologia por si só, ela não vai fazer nenhum milagre.
04:02Ela cai no colo ali de uma empresa ou de um trabalhador,
04:05cada um vai tentar, obviamente, usar para o seu melhor, para o seu benefício,
04:09mas se não houver algo muito coordenado,
04:11isso pode causar, inclusive, problemas econômicos,
04:14que é o caso da Moody's.
04:15É uma agência de classificação de riscos,
04:17está olhando ali o tempo inteiro para indicadores.
04:19Vai ter perda de emprego, vai ter perda de receita por parte do governo?
04:23Esse conjunto de indicadores é que vai determinar se, por exemplo,
04:27um país vai ter uma nota, uma classificação maior ou menor nos próximos anos.
04:31Rafael, para explicar isso com mais detalhes para quem nos acompanha,
04:36eu pincelei alguns detalhes desse relatório da Moody's.
04:39E aí, a agência de análise de risco fala,
04:42claro, os ganhos não serão uniformes, eles vão depender de cada setor
04:47e como há inserção tecnológica de cada setor,
04:51mas as vantagens, os setores que dependem de dados e tarefas cognitivas rotineiras
04:57têm uma tendência a ter uma maior vantagem,
05:00exatamente como você explicava.
05:02Mas aí, que setores são esses?
05:04Está aqui de acordo com a leitura da Moody's.
05:07Serviços financeiros e seguros, tecnologia e software,
05:12logística e cadeia de suprimentos,
05:15terceirização de processos de negócio.
05:17O famoso chamado data center, entre outros exemplos,
05:23mas esse é o mais fácil da gente entender.
05:25Saúde e biotecnologia.
05:28Terceirização de processos, o data center,
05:31o chatbot automatizado quando você entra em contato com uma loja,
05:36ele te responde ali pelo WhatsApp,
05:38está aqui, tecnologia e software, serviços financeiros.
05:42A gente entende isso muito bem.
05:44Deixei o mais complicado para o final,
05:45para a gente trabalhar isso.
05:47Por exemplo, o Brasil está dando um salto em saúde e biotecnologia.
05:52Principalmente pós-COVID, nós mostramos a capacidade
05:54de desenvolver a própria vacina.
05:56A gente tem aqui o Instituto Butantan.
05:58Entre outros institutos de pesquisa,
06:01estou citando um só para ilustrar.
06:03Isto pode ser, como é que, por exemplo, agora,
06:06essa IA generativa pode entrar num campo
06:09que ainda o Brasil não é uma referência internacional,
06:12mas tem todo o caminho para vir a ser?
06:17Via equipamentos, via tecnologia hardware,
06:20isso é importante.
06:21A gente não consegue fazer hoje, por exemplo,
06:24pesquisas em determinados campos de complexidade.
06:27Se não tiver equipamento, às vezes até insumos básicos,
06:29e a gente pode usar a IA generativa, vou dar um exemplo.
06:32Existe um projeto já antigo do Google Mind,
06:36Google Alpha Folding,
06:38em que você coloca a inteligência artificial
06:40para descobrir novas formas das proteínas,
06:44o que eventualmente pode trazer benefícios
06:46para a descoberta de novas moléculas
06:48e novos medicamentos.
06:50Nesse caso aqui, a gente está falando de,
06:52óbvio, uma fronteira,
06:53porque muitas vezes a gente está ali no campo
06:55do desconhecido, a fronteira entre...
06:57A gente usar a inteligência artificial, às vezes,
07:00para enxergar o mundo de uma maneira diferente dos humanos,
07:04mas eu diria que nesse primeiro momento
07:06é uma capacidade habilitadora,
07:09é trazer mais inteligência, mais informações,
07:12hoje, com a ajuda de muito...
07:14Quando você coloca ali arquivos, documentos,
07:19compartilhados, no caso da ciência,
07:20por várias pessoas,
07:21é como se a gente tivesse ali um supercérebro
07:23de um superpesquisador ou uma superpesquisadora
07:26quase que na palma da mão.
07:28É claro que a gente tem o tempo todo ali,
07:31desconfia, tem que fazer checagem, verificação,
07:34nem sempre os resultados são perfeitos,
07:36mas ele nos habilita a ter um tipo de informação combinada
07:41que a gente não tinha anos atrás.
07:43Esse poder de muito dado,
07:45muito processamento em tempo real,
07:47faz com que potencialmente a gente saiba usar.
07:49Mas, novamente, não adianta ter essa tecnologia disponível
07:53se a gente não tiver as pessoas com essa cabeça,
07:57com as novas habilidades,
07:58para saber requisitar, por exemplo,
08:01uma função para uma máquina dessa.
08:02Ou, numa era mais agêntica,
08:04para transformar esse tipo de situação de passo a passo
08:07em uma cadeia de comandos
08:09para que essas IAs, em conjunto,
08:11nos ajudem a economizar, por exemplo, o tempo
08:14ou, como eu disse, abrir um novo olhar.
08:17A máquina é muito boa em encontrar, por exemplo,
08:19padrões, no caso de pesquisas,
08:22de descobertas de novas moléculas.
08:25Isso é uma grande vantagem.
08:27Temos que ter pessoas preparadas
08:29para saber usar essas ferramentas.
08:30Sem dúvida, né?
08:31A gente está entendendo que,
08:33por mais que a tecnologia,
08:35a inteligência artificial sejam um auxiliar,
08:38ela sempre tem uma tendência de trabalhar junto
08:41e potencializar esse talento humano.
08:44Rafael Coimbra,
08:45muito obrigado pelas explicações cristalinas.
08:48O Rafael, que é editor-chefe da publicação
08:52MIT Technology Review Brasil.
08:55Agradeço mais uma vez.
08:56Até uma próxima, Rafael.
08:57Muito obrigado mais uma vez.
08:59Até a próxima.
08:59E aí
09:00E aí
Comentários