00:00E vamos voltar agora a falar sobre o anúncio da União Europeia
00:03de pôr em prática o acordo com o Mercosul.
00:06E também vamos falar sobre tarifato dos Estados Unidos,
00:09implicações para a nossa indústria.
00:12Sobre tudo isso, eu converso ao vivo com o Rodrigo Santiago,
00:16que é presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da FIRJAN,
00:21a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.
00:24Tudo bem, Rodrigo? Bom dia, seja muito bem-vindo ao Real Time.
00:27Bom dia, Natália. Obrigado pelo convite mais uma vez.
00:30A gente que agradece a sua disponibilidade.
00:33E já começo querendo te ouvir sobre esse anúncio da Comissão Europeia,
00:38que confirmou que vai colocar em vigor o acordo entre a União Europeia e Mercosul.
00:43Ajuda a gente a entender na prática, Rodrigo, o que muda para o setor exportador brasileiro?
00:50Olha, foi um anúncio que não nos surpreendeu,
00:54porque a presidenta da Comissão Europeia já sinalizava que gostaria de fazer uso
00:59desse dispositivo do acordo que permite a sua vigência provisória.
01:06Então, é uma fala que veio ao encontro do que ela já havia comunicado,
01:11mas uma fala com um custo político grande.
01:14Ela já viu que ela poderia ser interpretada como passando por cima do Parlamento Europeu,
01:21que, como aqui na entrevista o correspondente de vocês na Europa mencionava,
01:27há um processo jurídico em curso na Corte Europeia.
01:33A aplicação, a vigência do acordo, ela realmente nos interessa.
01:38A indústria brasileira é favorável ao acordo da União Europeia e Mercosul,
01:42porque sabemos que ele abrirá, ele será o maior acordo comercial do mundo.
01:49Em momentos de incertezas diversas, como a política tarifária americana,
01:54termos acordos comerciais como esse é do nosso interesse.
02:00Exatamente, para ajudar, inclusive, a gente a ficar menos dependente,
02:04de um lado ou de outro, diversificar, como tem sido tão falado ao longo do último ano inteiro.
02:10Agora, Rodrigo, você mencionou a questão do tarifácio,
02:13só que mesmo com ele, a corrente de comércio internacional do Rio de Janeiro cresceu 9% no ano passado,
02:20atingiu a marca de 80 bilhões, 200 milhões de dólares.
02:23O que impulsionou esse resultado? Quais são os setores que contribuíram para isso?
02:31Correto. E, de maneira geral, o comércio internacional foi resiliente ao tarifácio.
02:38O que mais impactou o comércio internacional e que impacta ainda
02:44são as incertezas ligadas e a insegurança ligada a essas declarações
02:50e como tem se falado nessa surreal politics que se instaura no mundo.
02:56Então, essa política surreal dessas decisões, por vezes tomadas, parece do dia para a noite.
03:02O nosso comércio, ele se manteve resiliente, especialmente o comércio do Rio de Janeiro,
03:07como você bem disse, cresceu 9%,
03:10muito impulsionado pelo crescimento das nossas vendas de petróleo e gás,
03:16que cresceram 5%.
03:18E vale lembrar que o Rio de Janeiro é um território de energia,
03:22é um território de petróleo e de gás,
03:24que somam mais ou menos 80% da nossa pauta de importadora.
03:29Então, o aumento das exportações de óleo e gás
03:33refletem necessariamente na nossa balança.
03:37Mas acho que vale notar um ponto interessante também
03:40é o aumento da venda do setor automotivo.
03:44Nós temos uma indústria automotiva importante no sul fluminense,
03:51um cluster de empresas de montadoras e de autopeças,
03:55e o setor automotivo registrou um acréscimo de 80% nas exportações para a Argentina,
04:03o que demonstra uma retomada de uma corrente bilateral tradicional para o Estado
04:11e especialmente para esse setor.
04:13Rodrigo, queria te ouvir mais sobre o setor de petróleo e gás,
04:17que você mencionou, é muito forte no setor exportador do Rio de Janeiro,
04:23incluindo extração, derivados, enfim.
04:24Como é que vocês veem essa concentração num produto que sofre fortes oscilações,
04:32tem sofrido oscilações muito relevantes,
04:35afetado por dólar, por mercado internacional, por guerras?
04:39Como que você vê essa concentração e as perspectivas para 2026?
04:45As perspectivas são positivas, mas, obviamente, o fator geopolítico,
04:51geopolítica da energia estão cada vez mais presentes nas decisões empresariais
04:59e nas decisões políticas ligadas a isso, e por isso a importância de instituições como a nossa,
05:04que é a Federação das Indústrias do Rio, de poder sempre pautar e defender
05:09os interesses da nossa indústria.
05:14Para nós, o petróleo, o óleo e a energia que aqui produzimos,
05:17é considerado essencial.
05:19Não é só essencial para a nossa economia, economia fluminense,
05:24mas é essencial para o desenvolvimento do Brasil como um todo.
05:26Então, nós temos uma vontade de seguir desenvolvendo,
05:33não só a extração, refino, mas toda a cadeia ligada ao oligás,
05:38que permitirá também nos posicionarmos em outras novas frentes econômicas,
05:46notadamente em outras frentes de geração de energia.
05:49Mas a importância de manter uma cadeia de oligás pujante
05:53para poder também oferecer a energia demandada por todas essas cargas novas,
05:59notadamente data séria, etc.
06:00Então, a importância do petróleo na nossa economia é muito importante,
06:06não só para o Rio, para o Brasil como um todo.
06:08E, claro, como você falou, nós não falamos de uma dependência,
06:12mas parecemos cada vez mais resilientes a importância de diversificar
06:17e diversificar também de novos investimentos.
06:20E, para nós, isso muito é na nova pesquisa, na ciência, na tecnologia, na inovação.
06:26Usar o dinheiro de forma correta, de forma inteligente,
06:30em colaboração com o poder público,
06:32para pensar as novas frentes de crescimento para a nossa economia.
06:36E esse momento das tarifas,
06:40já que Donald Trump sofreu um revés,
06:42essa derrota diante da Suprema Corte,
06:45aí voltou com a tarifa de 10%, ameaçando outra de 15%.
06:49Como é que isso impactou nas decisões do setor industrial do Rio de Janeiro?
06:55Qual é o ponto de atenção agora?
06:59O ponto de atenção permanece, essas incertezas,
07:02esse grande ponto de interrogação.
07:04A gente acorda com tarifa de 40%, vai do nível de tarifa de 10%,
07:09toma um café, ela vai para 15%, enfim.
07:11Então, essas incertezas, o empresário detesta incerteza.
07:15A gente teve, ao longo do ano passado, episódios de exportadores fluminenses
07:21que tinham suas exportações destinadas aos Estados Unidos
07:25e que ficavam pagadas no corpo.
07:28Nunca foram, de fato, enviadas para os Estados Unidos.
07:32E aí todo mundo perde.
07:33Perde o consumidor americano que não recebeu sua carga,
07:36perde o exportador brasileiro que só teve custo, e por aí vai.
07:39Mas, como eu disse no início, a nossa economia,
07:43a economia fluminense e a economia mundial, foram resilientes a isso.
07:46Falando pelo Rio, nós crescemos 9%, de maneira geral,
07:51e o nosso comércio bilateral com os Estados Unidos se manteve estável.
07:55O que isso quer dizer?
07:56Quer dizer que as incertezas geradas pela sua política tarifária,
08:00elas reduziram o comércio que deveria seguir
08:04como na média do crescimento do nosso comércio exterior.
08:09Se a gente fala, por exemplo, da geopolítica também,
08:13da importância dos parceiros nesse momento,
08:16China e Europa, que também são parte da tríade,
08:20junto com os Estados Unidos, dos nossos principais parceiros comerciais,
08:23China também cresceu 9%, Europa mais ou menos isso também,
08:28e os Estados Unidos não.
08:29Então, é esse ponto de atenção que nós queremos, principalmente,
08:34informá-los, trazer a importância da gente voltar
08:37a um âmbito racional de comércio.
08:42Talvez só um último detalhe, um último ponto,
08:45que essa decisão da Suprema Corte, claro,
08:50nos é benéfica momentaneamente,
08:52já visto que ela coloca o Brasil e o Rio
08:54numa posição de igualdade em relação aos outros países do mundo.
09:01Durante um tempo, as nossas exportações, por exemplo, de pescado,
09:05ficaram muito pouco competitivas face a outros países
09:10que possuíam acordos com os Estados Unidos,
09:12e ter todo mundo com o mesmo percentual
09:16nos coloca numa situação um pouco melhor.
09:19Só que a gente sabe que isso pode mudar a qualquer momento.
09:22Então, a importância do trabalho, dessa saída,
09:25por exemplo, do presidente Lula ao Washington,
09:28da manutenção de um trabalho de paradiplomacia
09:31dos setores privados brasileiros com o setor privado americano,
09:35nós fizemos muito isso encabeçado pela CNI
09:37e continuaremos a fazer isso ao longo desse ano.
09:40É, ficamos temporariamente, pelo menos, mais competitivos,
09:43menos assimetria nessas relações, nessa concorrência.
09:47Agora, Rodrigo, a gente viu agora há pouco dados do IPCA 15,
09:52inflação um pouquinho acima do esperado pelo mercado.
09:56De qualquer maneira, a tão esperada queda dos juros
09:58parece estar mais próxima do que nunca, né?
10:01Então, teremos novidades sobre Selic agora em março,
10:04na reunião do Copom.
10:05Quero saber das expectativas de vocês
10:08e se vocês estão confiantes de que isso deve dar algum impulso
10:11aí para a indústria.
10:13Olha, taxa de juros em indústria sempre foi uma relação muito tumultuada, né?
10:21Nós, claro, industriais, temos o sentimento
10:24e defendemos a queda dos juros,
10:27a importância de uma política,
10:28obviamente, uma política racional e técnica,
10:35mas juros altos no Brasil sempre foram,
10:38por os industriais e por muitos setores econômicos,
10:41usam um grande empecilho de investimento, de crescimento.
10:44Então, nós esperamos vivamente
10:46que realmente a taxa de juros entre, de fato,
10:53comecem a cair.
10:55Rodrigo Santiago, presidente do Conselho Empresarial
10:58de Relações Internacionais da Firjan,
11:01muito obrigada pela participação ao vivo com a gente
11:03nesta manhã aqui no Real Time.
11:05Boa sexta-feira para você.
11:07Para você também, Natália. Tchau, tchau.
11:09Tchau, tchau.
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