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A Comissão Europeia anunciou que pretende colocar em prática o acordo entre União Europeia e Mercosul, em meio a um cenário global marcado por tensões comerciais e incertezas tarifárias dos Estados Unidos. Em entrevista ao Real Time, Rodrigo Santiago, presidente do Conselho Empresarial de relações internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), analisou o que muda para o setor exportador brasileiro e os desdobramentos para a indústria.

Apesar do ambiente externo volátil, o comércio exterior do Rio de Janeiro cresceu 9% no último ano, impulsionado principalmente por petróleo, gás e pela recuperação das exportações do setor automotivo. A entrevista também abordou os riscos geopolíticos, a necessidade de diversificação de mercados e as expectativas da indústria em relação à queda da Selic.

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Transcrição
00:00E vamos voltar agora a falar sobre o anúncio da União Europeia
00:03de pôr em prática o acordo com o Mercosul.
00:06E também vamos falar sobre tarifato dos Estados Unidos,
00:09implicações para a nossa indústria.
00:12Sobre tudo isso, eu converso ao vivo com o Rodrigo Santiago,
00:16que é presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da FIRJAN,
00:21a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.
00:24Tudo bem, Rodrigo? Bom dia, seja muito bem-vindo ao Real Time.
00:27Bom dia, Natália. Obrigado pelo convite mais uma vez.
00:30A gente que agradece a sua disponibilidade.
00:33E já começo querendo te ouvir sobre esse anúncio da Comissão Europeia,
00:38que confirmou que vai colocar em vigor o acordo entre a União Europeia e Mercosul.
00:43Ajuda a gente a entender na prática, Rodrigo, o que muda para o setor exportador brasileiro?
00:50Olha, foi um anúncio que não nos surpreendeu,
00:54porque a presidenta da Comissão Europeia já sinalizava que gostaria de fazer uso
00:59desse dispositivo do acordo que permite a sua vigência provisória.
01:06Então, é uma fala que veio ao encontro do que ela já havia comunicado,
01:11mas uma fala com um custo político grande.
01:14Ela já viu que ela poderia ser interpretada como passando por cima do Parlamento Europeu,
01:21que, como aqui na entrevista o correspondente de vocês na Europa mencionava,
01:27há um processo jurídico em curso na Corte Europeia.
01:33A aplicação, a vigência do acordo, ela realmente nos interessa.
01:38A indústria brasileira é favorável ao acordo da União Europeia e Mercosul,
01:42porque sabemos que ele abrirá, ele será o maior acordo comercial do mundo.
01:49Em momentos de incertezas diversas, como a política tarifária americana,
01:54termos acordos comerciais como esse é do nosso interesse.
02:00Exatamente, para ajudar, inclusive, a gente a ficar menos dependente,
02:04de um lado ou de outro, diversificar, como tem sido tão falado ao longo do último ano inteiro.
02:10Agora, Rodrigo, você mencionou a questão do tarifácio,
02:13só que mesmo com ele, a corrente de comércio internacional do Rio de Janeiro cresceu 9% no ano passado,
02:20atingiu a marca de 80 bilhões, 200 milhões de dólares.
02:23O que impulsionou esse resultado? Quais são os setores que contribuíram para isso?
02:31Correto. E, de maneira geral, o comércio internacional foi resiliente ao tarifácio.
02:38O que mais impactou o comércio internacional e que impacta ainda
02:44são as incertezas ligadas e a insegurança ligada a essas declarações
02:50e como tem se falado nessa surreal politics que se instaura no mundo.
02:56Então, essa política surreal dessas decisões, por vezes tomadas, parece do dia para a noite.
03:02O nosso comércio, ele se manteve resiliente, especialmente o comércio do Rio de Janeiro,
03:07como você bem disse, cresceu 9%,
03:10muito impulsionado pelo crescimento das nossas vendas de petróleo e gás,
03:16que cresceram 5%.
03:18E vale lembrar que o Rio de Janeiro é um território de energia,
03:22é um território de petróleo e de gás,
03:24que somam mais ou menos 80% da nossa pauta de importadora.
03:29Então, o aumento das exportações de óleo e gás
03:33refletem necessariamente na nossa balança.
03:37Mas acho que vale notar um ponto interessante também
03:40é o aumento da venda do setor automotivo.
03:44Nós temos uma indústria automotiva importante no sul fluminense,
03:51um cluster de empresas de montadoras e de autopeças,
03:55e o setor automotivo registrou um acréscimo de 80% nas exportações para a Argentina,
04:03o que demonstra uma retomada de uma corrente bilateral tradicional para o Estado
04:11e especialmente para esse setor.
04:13Rodrigo, queria te ouvir mais sobre o setor de petróleo e gás,
04:17que você mencionou, é muito forte no setor exportador do Rio de Janeiro,
04:23incluindo extração, derivados, enfim.
04:24Como é que vocês veem essa concentração num produto que sofre fortes oscilações,
04:32tem sofrido oscilações muito relevantes,
04:35afetado por dólar, por mercado internacional, por guerras?
04:39Como que você vê essa concentração e as perspectivas para 2026?
04:45As perspectivas são positivas, mas, obviamente, o fator geopolítico,
04:51geopolítica da energia estão cada vez mais presentes nas decisões empresariais
04:59e nas decisões políticas ligadas a isso, e por isso a importância de instituições como a nossa,
05:04que é a Federação das Indústrias do Rio, de poder sempre pautar e defender
05:09os interesses da nossa indústria.
05:14Para nós, o petróleo, o óleo e a energia que aqui produzimos,
05:17é considerado essencial.
05:19Não é só essencial para a nossa economia, economia fluminense,
05:24mas é essencial para o desenvolvimento do Brasil como um todo.
05:26Então, nós temos uma vontade de seguir desenvolvendo,
05:33não só a extração, refino, mas toda a cadeia ligada ao oligás,
05:38que permitirá também nos posicionarmos em outras novas frentes econômicas,
05:46notadamente em outras frentes de geração de energia.
05:49Mas a importância de manter uma cadeia de oligás pujante
05:53para poder também oferecer a energia demandada por todas essas cargas novas,
05:59notadamente data séria, etc.
06:00Então, a importância do petróleo na nossa economia é muito importante,
06:06não só para o Rio, para o Brasil como um todo.
06:08E, claro, como você falou, nós não falamos de uma dependência,
06:12mas parecemos cada vez mais resilientes a importância de diversificar
06:17e diversificar também de novos investimentos.
06:20E, para nós, isso muito é na nova pesquisa, na ciência, na tecnologia, na inovação.
06:26Usar o dinheiro de forma correta, de forma inteligente,
06:30em colaboração com o poder público,
06:32para pensar as novas frentes de crescimento para a nossa economia.
06:36E esse momento das tarifas,
06:40já que Donald Trump sofreu um revés,
06:42essa derrota diante da Suprema Corte,
06:45aí voltou com a tarifa de 10%, ameaçando outra de 15%.
06:49Como é que isso impactou nas decisões do setor industrial do Rio de Janeiro?
06:55Qual é o ponto de atenção agora?
06:59O ponto de atenção permanece, essas incertezas,
07:02esse grande ponto de interrogação.
07:04A gente acorda com tarifa de 40%, vai do nível de tarifa de 10%,
07:09toma um café, ela vai para 15%, enfim.
07:11Então, essas incertezas, o empresário detesta incerteza.
07:15A gente teve, ao longo do ano passado, episódios de exportadores fluminenses
07:21que tinham suas exportações destinadas aos Estados Unidos
07:25e que ficavam pagadas no corpo.
07:28Nunca foram, de fato, enviadas para os Estados Unidos.
07:32E aí todo mundo perde.
07:33Perde o consumidor americano que não recebeu sua carga,
07:36perde o exportador brasileiro que só teve custo, e por aí vai.
07:39Mas, como eu disse no início, a nossa economia,
07:43a economia fluminense e a economia mundial, foram resilientes a isso.
07:46Falando pelo Rio, nós crescemos 9%, de maneira geral,
07:51e o nosso comércio bilateral com os Estados Unidos se manteve estável.
07:55O que isso quer dizer?
07:56Quer dizer que as incertezas geradas pela sua política tarifária,
08:00elas reduziram o comércio que deveria seguir
08:04como na média do crescimento do nosso comércio exterior.
08:09Se a gente fala, por exemplo, da geopolítica também,
08:13da importância dos parceiros nesse momento,
08:16China e Europa, que também são parte da tríade,
08:20junto com os Estados Unidos, dos nossos principais parceiros comerciais,
08:23China também cresceu 9%, Europa mais ou menos isso também,
08:28e os Estados Unidos não.
08:29Então, é esse ponto de atenção que nós queremos, principalmente,
08:34informá-los, trazer a importância da gente voltar
08:37a um âmbito racional de comércio.
08:42Talvez só um último detalhe, um último ponto,
08:45que essa decisão da Suprema Corte, claro,
08:50nos é benéfica momentaneamente,
08:52já visto que ela coloca o Brasil e o Rio
08:54numa posição de igualdade em relação aos outros países do mundo.
09:01Durante um tempo, as nossas exportações, por exemplo, de pescado,
09:05ficaram muito pouco competitivas face a outros países
09:10que possuíam acordos com os Estados Unidos,
09:12e ter todo mundo com o mesmo percentual
09:16nos coloca numa situação um pouco melhor.
09:19Só que a gente sabe que isso pode mudar a qualquer momento.
09:22Então, a importância do trabalho, dessa saída,
09:25por exemplo, do presidente Lula ao Washington,
09:28da manutenção de um trabalho de paradiplomacia
09:31dos setores privados brasileiros com o setor privado americano,
09:35nós fizemos muito isso encabeçado pela CNI
09:37e continuaremos a fazer isso ao longo desse ano.
09:40É, ficamos temporariamente, pelo menos, mais competitivos,
09:43menos assimetria nessas relações, nessa concorrência.
09:47Agora, Rodrigo, a gente viu agora há pouco dados do IPCA 15,
09:52inflação um pouquinho acima do esperado pelo mercado.
09:56De qualquer maneira, a tão esperada queda dos juros
09:58parece estar mais próxima do que nunca, né?
10:01Então, teremos novidades sobre Selic agora em março,
10:04na reunião do Copom.
10:05Quero saber das expectativas de vocês
10:08e se vocês estão confiantes de que isso deve dar algum impulso
10:11aí para a indústria.
10:13Olha, taxa de juros em indústria sempre foi uma relação muito tumultuada, né?
10:21Nós, claro, industriais, temos o sentimento
10:24e defendemos a queda dos juros,
10:27a importância de uma política,
10:28obviamente, uma política racional e técnica,
10:35mas juros altos no Brasil sempre foram,
10:38por os industriais e por muitos setores econômicos,
10:41usam um grande empecilho de investimento, de crescimento.
10:44Então, nós esperamos vivamente
10:46que realmente a taxa de juros entre, de fato,
10:53comecem a cair.
10:55Rodrigo Santiago, presidente do Conselho Empresarial
10:58de Relações Internacionais da Firjan,
11:01muito obrigada pela participação ao vivo com a gente
11:03nesta manhã aqui no Real Time.
11:05Boa sexta-feira para você.
11:07Para você também, Natália. Tchau, tchau.
11:09Tchau, tchau.
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