00:00A maioria qualificada de países da União Europeia aprovou há pouco o acordo de livre
00:11comércio com o Mercosul, negociado há mais de 25 anos e criticado pelo setor agropecuário
00:18europeu e pela França, indicaram a AFP fontes diplomáticas.
00:23Com este sinal verde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar
00:28a Assunção para assinar na segunda-feira o acordo comercial que vai vincular o bloco
00:34à Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, então aprovado pelo bloco europeu esse acordo
00:41de livre comércio, Mercosul e União Europeia e só um detalhe, esse acordo será assinado
00:46em Assunção porque o Paraguai é o atual presidente do Mercosul.
00:51E agora eu vou conversar com o Leandro Benincá, ele que é consultor de investimentos da API
00:59Capital e nós vamos falar também sobre esse acordo, principalmente sobre esse acordo
01:04Benincá que acaba de sair, então foi aprovado finalmente pela União Europeia.
01:09Tudo bem, meu amigo?
01:11Muito bom dia para você, bom falar novamente contigo.
01:15E aí, Erick, Rodrigo, tudo certo com vocês aí?
01:17É um prazer estar de volta.
01:19Pois é, aprovado.
01:20Quentinho agora a notícia.
01:21É, quentinho, né, Benincá?
01:23E eu queria saber então de você, o que muda a partir de agora?
01:27Essa relação Mercosul-União Europeia pode também dar uma vida mais saudável para
01:33os produtos entre os dois países, né?
01:36Se bem que os franceses lá, os agricultores franceses não devem ter ficado muito contentes,
01:40não é isso, Benincá?
01:41É, eu não sei se você sabe, eu estou na França agora, né?
01:43Ah, você está aí?
01:44Ontem eu estava em Paris, estou na França, eu estava em Paris ontem, fui passear com
01:48os meus sogros aqui em Paris e a gente acabou vendo a manifestação de perto, ali no Arco
01:52do Triunfo, na Champs-Élysées, os agricultores disseram que viriam a Paris e vieram, né?
01:58Centenas de tratores invadiram ali, a polícia parou, várias estações de metrô foram comprometidas,
02:03paradas e eles fizeram um protesto grande.
02:06Há exemplos de outros protestos que já aconteceram aqui na Europa, na Bélgica, teve protestos
02:10mais agressivos, né?
02:11O da França aqui foi bem pacífico, a França acabou votando contra, a Irlanda votou contra,
02:15mas não teve jeito, o acordo foi realmente aprovado.
02:19Eric, a minha visão sobre esse acordo é meio dúbia, eu não tenho uma definição muito
02:24clara se ele é efetivamente bom ou não para os dois blocos, né?
02:28Porque tem muitos pontos complicados nesse acordo para os dois lados, tanto para o Mercosul
02:36quanto para a União Europeia.
02:37Apesar de ser muito bom, claro, para as exportações de grandes exportadores brasileiros, existem
02:42algumas coisas, alguns setores que são sensíveis, assim, né?
02:45Por exemplo, o setor do leite brasileiro, dos laticínios brasileiros.
02:49Como o laticínio na Europa é muito subsidiado e a produção é muito grande, a gente tem uma
02:54produção gigante na Europa, o Brasil pode ser efetivamente prejudicado, o setor de
03:01laticínios do Brasil pode ser efetivamente prejudicado.
03:04Outra coisa são diferenças gigantescas, né?
03:06Em custos de produção, em mão de obra, até nos subsídios, como eu falei, que entre
03:11os dois blocos que podem prejudicar uns aos outros, principalmente no que tange ao pequeno
03:16produtor, aos pequenos produtores tanto brasileiros quanto, enfim, do Mercosul quanto da União Europeia.
03:22Existe um outro medo de que esse acordo seja um acordo que seja um acordo de livre comércio
03:31peronomútil, porque existem os mecanismos de defesa que foram colocados, no Brasil os
03:37mecanismos para minerais, para industrializados, aqui na Europa os mecanismos de defesa para
03:43agronegócio, então existe essa resposta de protecionismo aí, esse acordo, mas a gente
03:54precisa ver efetivamente se esses mecanismos de controle vão ser implementados na prática
03:58para ser efetivamente bom para os dois blocos e não ser bom só para gigantescos produtores
04:04e exportadores.
04:04Leandro, bom dia, praticamente o nosso correspondente em Paris, nosso correspondente internacional
04:11trazendo novidades ali, trazendo todos os acontecimentos em Paris em relação aos
04:15protestos.
04:16Todo o local ali, o clima em Paris, os protestos.
04:18A gente vai ligar para ele para saber se vai ter mais protestos ao longo do dia.
04:21Leandro, enquanto você está aí quietinho na sua casa, no seu hotel, eu queria saber,
04:28você falou sobre a repercussão desse acordo, eu também queria entender para o setor industrial
04:33brasileiro.
04:34Os agricultores franceses estão preocupados lá na França com a competição dos produtos
04:39brasileiros, dos produtos do Mercosul.
04:41Aqui no Brasil, há um temor também para a indústria brasileira em relação ao que
04:46vem lá da Europa?
04:49Tem, tem sim, porque, por exemplo, a Alemanha, que foi um grande voto a favor desse acordo,
04:55ela é exportadora de produtos de média e alta complexidade, que o Brasil não tem.
05:01E aí o produtor brasileiro, lógico, os grandes produtores, soja, o Brasil exporta mais de
05:0650% da soja do mundo, açúcar, mais de 44% do açúcar do mundo.
05:11Lógico que os grandes exportadores estão felizes da vida com isso.
05:14Mas, por exemplo, os setores da economia brasileira que estão tentando aí, ficam lutando todos
05:19os anos, passam por muitos desafios para conseguirem se consolidar e conseguirem exportar um pouquinho
05:24mais, esses começam a ficar com medo.
05:26Eu falei agora do setor de laticínios, por exemplo, que com certeza vai ser invadido
05:30pelo laticínio europeu, mas outro exemplo claro é a vitivinicultura, a produção de
05:35vinho brasileira, que tenta se estabelecer aí, a gente tem em São Paulo, Santa Catarina,
05:39Paraná e Rio Grande do Sul, que tentam se estabelecer e exportar os seus vinhos e que agora vão
05:44ver vinhos franceses, portugueses, espanhóis, italianos, ainda mais baratos entrando no mercado
05:51e que, como eu falei, tem diferenças gigantescas em custos de produção, em subsídios, em
05:57muitas outras coisas.
05:59Outra coisa são os industrializados, alemães e italianos, que podem também invadir o Brasil
06:04com custos mais baixos.
06:07Tem pontos negativos fortes, tanto aqui para a União Europeia quanto para o Mercosul e,
06:13enfim, eu não tenho uma conclusão muito acertada, muito definitiva se esse acordo foi
06:18efetivamente bom para todo mundo, viu?
06:20A gente precisa acompanhar agora ao longo do tempo também.
06:23Agora, Benin Ká, se a gente pode, então, tirar um lado positivo desse acordo, é que
06:29tanto o Bloco Europeu quanto o Mercosul, ele deixa agora de ser tão dependente assim da
06:34China e de países asiáticos e isso é importante nesse momento também?
06:39É muito, muito, muito, né?
06:41A pressão maior aqui em cima do Bloco Europeu era porque o Brasil tinha menos a perder e o
06:47Mercosul tinha menos a perder do que a Europa com isso, porque como o Mercosul já é exportador
06:52de grande parte, principalmente, desses produtos agrícolas, o que acontece, e até esse ultimato
06:57aconteceu no ano passado, já aconteceu meio que o ultimato tanto do governo brasileiro
07:01quanto do governo argentino, que era dizer, olha, se vocês não quiserem esse acordo, que
07:05já vem se arrastando há 25 anos, se vocês não quiserem esse acordo, a gente vai estreitar
07:09as ligações com os Estados Unidos e China, vocês que sabem, né?
07:13Então, a pressa toda a era do Bloco Europeu para não perder esses mercados latino-americanos,
07:19os quatro maiores países aí da América do Sul, não perder esse grande mercado que é
07:25importantíssimo para eles, mais importante para eles do que para nós, do Mercosul.
07:30Existe uma forte dependência dos produtos brasileiros e perder essa livre negociação,
07:35ter uma negociação com tarifas mais altas é, com certeza, muito prejudicial para eles,
07:40e aí essa parte é muito positiva, lógico, para o mercado brasileiro, que vai ver as
07:43suas exportações, se não aumentarem, mas pelo menos continuarem com o fluxo positivo
07:49que a gente já tem, né? O Brasil é o maior exportador líquido de alimentos do mundo, né?
07:53Mais exporta do que importa, então, lógico que isso é muito, muito positivo para o Bloco
07:58do Mercosul.
07:59Daqui a pouco, viu, o Loureiro e o Berincá, nosso correspondente aí do seu lado, mas na Itália
08:04vai trazer mais informações sobre a aprovação deste acordo, né? Pela União Europeia, do
08:10acordo de livre comércio com o Mercosul, direto, então, lá de Milano.
08:13É, nós vamos trazer...
08:15A Itália era o voto de Minerva, né?
08:16Era o voto mais aguardado, Meloni.
08:19É isso aí, a Meloni estava esperando ali, tentando negociar com setores italianos,
08:24porque justamente era o voto que faltava para esse acordo ser aprovado e, pelo jeito, conseguiu, né?
08:29Exatamente, nós vamos trazer as reações, então, lá direto da Itália, com o nosso
08:33correspondente Diego Menzo Giorno, mas agora o Rodrigo Loureiro vai te fazer mais uma
08:36pergunta, Berincá.
08:38Ô, Leandro, a gente, vendo as exportações do Mercosul, e eu vou citar Brasil, vou trazer
08:45aqui para o Brasil essa discussão, vendo as exportações brasileiras para a Europa
08:48aumentarem por conta desse acordo, a gente pode esperar algum impacto no preço de produtos
08:53aqui no mercado doméstico?
08:55Por exemplo, vai ter empresa que vai preferir jogar o seu produto para a Europa ao invés de
08:59colocar aqui no Brasil, pensando que vai ganhar em euro ao invés de ganhar em real?
09:03A gente pode ver o produto, por exemplo, um arroz, mel, ficando mais caro por aqui?
09:09E, em contrapartida, alguns produtos podem baratear porque vai ter pressão, por exemplo,
09:14de um produto vindo com valor menor também da Europa?
09:18Esse é o ponto, né?
09:19A gente, com certeza, vai ter pressão dos produtos europeus, aqueles mais sofisticados,
09:23azeites, vinhos, queijos, todos esses vão acabar vindo com preços mais competitivos,
09:30indo para o Brasil, no caso, com preços mais competitivos, e podem fazer pressão sobre
09:35os preços brasileiros, podem fazer pressão negativa, abaixar os preços.
09:39E aí depende muito da política fiscal brasileira agora também, de permitir que esses produtos
09:45possam chegar e serem comercializados no Brasil, os produtos europeus, sem que eles sejam
09:51agressivamente taxados, agressivamente majorados de preço quando chegarem no Brasil, porque
09:58aí as desculpas agora de impostos, por exemplo, de importação, acabam.
10:02Então, a gente tem desde alguns produtos alimentícios, agrícolas, mas também carros, carros
10:09europeus podem chegar ao Brasil mais baratos, apesar de que a gente tem umas cláusulas aí,
10:14tem umas cláusulas importantes, umas salvaguardas importantes nesse acordo, que é o que eu falei
10:17do Peru no Mútil. Por exemplo, se as importações de minério por parte do Brasil, o Brasil começar
10:23a importar minério, começar a importar automóveis, e essas importações passarem de um certo
10:28limite, 5% ou 8%, dependendo de cada caso, podem ser que essas isenções tarifárias sejam
10:35cortadas. A gente tem uma investigação e possa cortar isso. A mesma coisa acontece com produtos
10:40agrícolas indo para a Europa. Se eles forem e aumentarem as importações, no caso do lado
10:47europeu, aumentarem acima de 5%, também podem ser cortadas essas isenções para que os mercados
10:54locais sejam protegidos. Então, a gente pode ver esse aumento das exportações, a gente
10:59pode ver uma queda nos preços, mas pode ser que isso seja até um certo limite, que isso
11:05tem um teto, pode ser não, vai ter um teto muito definido para isso. 5% em três anos
11:10por causa dos alimentos indo para a Europa, 5% a 8% por causa dos minérios industrializados
11:16indo para o Brasil.
11:19Que prazer falar com você, obrigado mais uma vez pela sua participação. Um grande
11:24abraço, meu amigo, um bom final de semana aí na França.
11:27Muito obrigado, um abraço para vocês, é sempre um prazer, eu estou de olho aqui, qualquer
11:30coisa é só chamar, só ligar e a gente faz uma correspondência aí, um abraço.
11:34Combinado, a gente te aciona sim, um abração, tchau, tchau.
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