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O PL, partido de Jair Bolsonaro, pegou carona no Big Brother Brasil (BBB) e divulgou uma paródia do reality show com um elenco formado por petistas.

Madeleine Lacsko, Duda Teixeira, Ricardo Kertzman e Luiz Gaziri, professor de ciências comportamentais, escritor e colunista da Crusoé, comentam:

Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.

Apresentado por Madeleine Lacsko, o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.

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Transcrição
00:00Seguimos aqui com o Papo Antagonista, gente, o PL, partido de Jair Bolsonaro,
00:06divulgou uma paródia do Big Brother Brasil, composta por petistas.
00:14E tem vídeo, olha que beleza. Vamos ver esse momento da política nacional.
00:21Se você pudesse me dizer, se você soubesse responder, o que você faria? Onde iria roubar?
00:41Se você dissesse quem você é, quanto vai custar nosso café?
00:48O que você faria? Quanto taxaria pra ter?
00:55Se querer é poder, aproveite o seu final, o povo vai vencer.
01:06Bom, muito provavelmente você deve achar isso uma bela de uma palhaçada.
01:12Mas a gente vê cada vez mais isso na política.
01:15E por que a gente vê cada vez mais? Porque dá certo.
01:20Por que será que isso dá certo?
01:23As pessoas falam que não gostam, que é palhaçada, que é baixo nível.
01:28Mas dá certo.
01:30A gente vai trazer aqui o professor de Ciências Comportamentais,
01:34colunista da Cruzoé, Luiz Gazir, pra conversar com a gente sobre esse tema.
01:41Gazir, seja muito bem-vindo, um prazer ter você aqui.
01:44Boa noite, Madá, Kertz, Manduda, meus queridos amigos.
01:49Prazer estar aqui novamente.
01:51Agradeço mais uma vez pelo convite.
01:53Vamos discutir esse assunto aí, porque as conclusões são interessantes, Madá.
01:56Por que que a gente tem essa coisa que parece uma infantilização,
02:02também uma junção do mundo político com o mundo de celebridades,
02:08fazer ali esses caracteres que parecem engraçados, colar apelidos.
02:16Por que que filmes como esse que a gente viu estão se tornando tão comuns?
02:23Madá, existe uma tendência do ser humano em defender o seu grupo, não é?
02:29Que os cientistas chamam de vias do meu lado.
02:32Então, a gente sempre acredita que o nosso lado é o lado do bem,
02:37o lado que está correto, o lado das pessoas que são honestas.
02:42E o outro lado é o lado diabólico, o lado que está perto dos terroristas,
02:48que defende corruptos.
02:51Então, a gente valoriza as pessoas do nosso grupo mais do que as pessoas do outro grupo.
02:56Agora, a questão interessante sobre como é que a gente faz para defender o nosso grupo,
03:02mesmo quando a gente vai lá e sabe que o nosso grupo está errado,
03:07que tem políticos lá do partido que eu defendo, que estão envolvidos em corrupção e tudo mais,
03:12esse caminho é o que é o interessante.
03:15Porque quando alguns cientistas, como a Susan Fiske, por exemplo, da Princeton,
03:19fazem experimentos sobre como é que nós ouvimos os argumentos do outro lado,
03:24elas chegam a conclusões que são muito interessantes.
03:27Então, se você pede para um grupo de pessoas analisarem,
03:31pessoas de direita e esquerda,
03:33analisarem pontos de vista sobre qualquer assunto de pessoas de direita,
03:39elas vão lá e prestam atenção nos pontos de vista que são fortes.
03:44Agora, se você coloca, vamos falar aqui novamente como um exemplo,
03:48uma pessoa de direita para analisar argumentos de esquerda,
03:51existem argumentos fortes e alguns argumentos que são ridículos.
03:56De quais argumentos as pessoas lembram?
03:59Dos argumentos ridículos.
04:01A gente sempre lembra dos pontos de vista fortes do nosso grupo
04:04e dos pontos de vista ridículos do outro grupo.
04:07Então, a gente gosta de coisas que mostram o quão ridículas são as pessoas
04:13que pensam diferente de nós.
04:15E é exatamente nesse tipo de viés que move os vídeos como o que a gente acabou de ver.
04:22Gazeiro, concordo com que o vídeo é ridículo, mas deu muito certo comigo, viu?
04:28Eu fiquei com essa musiquinha na cabeça e fiquei com a sensação também,
04:34pô, eu que estou nesse reality show, quero sair, né?
04:36Eu que quero sair dele.
04:37Mas, aliás, a nossa enquete, Madá, é quem ficou faltando nesse Big Brother da Baixaria, né?
04:45Se não me engano, é o Lulinha, o Frei Chico, Guilherme Boulos e talvez o Lindbergh Faria,
04:54se não me engano, na minha memória.
04:55Então, vocês que estão assistindo a gente, por favor, ali, respondam,
04:59depois a gente vê o resultado no final.
05:01Mas, Gazeiro, existe alguma explicação?
05:03Porque eu tenho a impressão de que esses vídeos da direita dão muito mais certo do que os vídeos da esquerda.
05:13Até o governo Lula tem dificuldade de fazer um videozinho que pegue, né?
05:18E o Nicolas Ferreira vai lá com uma facilidade e faz o negócio, tem milhões de pessoas assistindo.
05:24Existe alguma razão para a direita sair melhor nessas coisas do que a esquerda?
05:29Olha, Duda, certamente existem questões, né, de você dominar quais são os princípios de persuasão.
05:38Então, o Robert Cialdini, cientista da Arizona State University, ele é o pai da persuasão, da influência.
05:45E ele descobriu ali que existem sete princípios da persuasão.
05:49É que se a gente usar esses princípios, as pessoas, elas prestam mais atenção no nosso vídeo,
05:55elas compartilham com mais facilidade.
05:57Existem estudos do Jonah Berger, cientista da Universidade da Pensilvânia,
06:01que também demonstram o tipo hit da Stanford.
06:03Enfim, são vastas as evidências científicas daquilo que realmente faz com que a gente queira compartilhar,
06:10curtir, comentar posts nas mídias sociais.
06:14Só que, como eu sou um homem da ciência, existe uma outra questão também que explica a questão do engajamento maior
06:23nos vídeos da direita do que os da esquerda, que é o público.
06:27O público da direita, geralmente, é um público que tem um pouco mais de dinheiro,
06:33que tem uma conta no Instagram, que tem um smartphone.
06:36E o público majoritário da esquerda é um público que tem uma condição financeira
06:42que não é como a da condição das pessoas de direita.
06:47E, principalmente, não só na questão de acesso ao smartphone,
06:52como ter uma conta em mídias sociais.
06:55Às vezes, usam para outras coisas,
06:57ou ainda estão usando mídias sociais que são mais desatualizadas.
07:00Então, a gente tem uma sensação, muitas vezes, falsa,
07:06porque a gente vê lá x pessoas assistem o vídeo de uma pessoa de direita,
07:12de um candidato, de um político de direita,
07:14e y assistem o de esquerda.
07:16Então, a gente chega na falsa impressão de que, de repente, a direita tem uma quantidade
07:21de pessoas que apoiam maior do que as pessoas da esquerda.
07:26Só que a gente não pode esquecer que essa diferença de acesso às redes sociais existe.
07:31E a esquerda, por incrível que pareça, também sabe dessa limitação
07:35e sabe como trabalhar o público que não está ali nas mídias sociais.
07:40O Kertzmann, daqui a pouquinho, vai te fazer uma pergunta.
07:43Estão faltando aqui poucos instantes para o break comercial, Kertzmann.
07:48Por isso, eu não queria gastar a sua pergunta para uma resposta curtinha.
07:52Eu queria fazer aqui só um complemento, que nós temos mais ou menos um minutinho.
07:55Acho que também tem um outro fator aí, Gazele, que se repete ao longo da história,
08:00que quem se sente subrepresentado na mídia mainstream migra para uma nova mídia.
08:08E a mídia mainstream é de esquerda.
08:13Então, a direita fez o quê? Ela não estava representada lá?
08:17Surgiu a internet?
08:18Quem primeiro foi para a internet é a direita.
08:20E em qualquer lugar, o pioneiro é quem domina.
08:27Não tem jeito.
08:28A esquerda vai ficar correndo atrás do rabo, ó.
08:32Estão faltando aqui 40 segundinhos.
08:35Isso é o que a gente vê.
08:37Então, assim, a direita, hoje em dia, tem alguns meios de comunicação.
08:43Isso muda.
08:43Mas se você for falar de artistas, por exemplo, o que a gente viu no Globo de Ouro,
08:48quem fez vai te jurar que aquilo não é partidário e que não é de esquerda.
08:53Por quê?
08:54Porque é tanta gente de esquerda que eles não conseguem mais medir o que é a neutralidade.
09:00Bom, a gente vai fazer um break aqui na TV BMC,
09:02mas nós continuamos ao vivo no YouTube do Antagonista.
09:08Daqui a pouquinho, na volta do intervalo, a gente continua com essa entrevista.
09:12Até já.
09:14Olá.
09:16Estamos aqui no intervalo, no intervalo.
09:19O Duda vai fazer aqui a nossa ponte com o nosso público, Duda.
09:24Vamos lá.
09:25Joana Barbosa.
09:27Vamos curtir, galera.
09:28Importante vocês curtirem o programa.
09:30Isso faz muita diferença para o Antagonista e nosso tão querido Papo.
09:36Estela Magalhães.
09:37BC demorou demais.
09:40Fernando Costa Rojas.
09:41Show de programa.
09:43Sérgio Lima.
09:45Uma CPI é garantia que não vai dar em nada.
09:49Helena Maria.
09:50Vamos dar like, gente.
09:52Marcia Brunetti.
09:53Muito boa a conversa com o Felipe.
09:55Ele mandou super bem mesmo, né, Madara?
09:57Mandou, mandou.
09:58Vai voltar, vai voltar.
09:59Ou de Tirano.
10:01Like 400 é o melhor jornalismo político do Brasil.
10:05Sérgio Lima.
10:06Um bom exemplo de como é gasto o dinheiro do fundo partidário.
10:12Deus Lira Pereira da Silva.
10:14Boa noite, pessoal do chat e do Antagonista.
10:18Rafael.
10:19Eu gostaria de saber qual o viés político desse canal.
10:22Olha, Rafael.
10:23Vai observando.
10:25Peço para o pessoal do chat responder o Rafael aí.
10:27Fiquem à vontade.
10:28Posso falar aqui, como Red de Conteúdo, nós somos o único canal que representa a isentolândia brasileira.
10:37Se você não gosta de radicalismo, se você não idolatra político e se você gosta de política, esse é o seu canal.
10:45O David Rebbe escreveu aqui.
10:48Já sou assinante faz um bom tempo.
10:50Vou ter direito a ganhar o livro.
10:52Acho que ele está falando desse livro aqui.
10:55Se eu não tiver direito, farei questão de comprar.
10:57Davi, o livro vai de graça para quem assinar o combo anual nesse precinho que a gente está vendo aí.
11:05Aos dois sites, acesso aos dois sites, Antagonista e Cruzeiro, por um ano inteiro, ganha o livro de graça.
11:11Se você já é assinante, aí tem a clara opção.
11:15O livro vai estar nas livrarias aí um pouquinho depois.
11:18O livro deve chegar em fevereiro.
11:21Essa turma que está assinando já vai ter uma live comigo já antes, já vai garantir o dela.
11:27Professor que virou sardinha.
11:29Boa noite.
11:30Greta Thunberg e sua flotilha já foi libertar o Irã?
11:35Rosé de Sarmento.
11:36O Trump chegou a falar que iria infernizar a vida do presidente do Banco Central de lá.
11:43Canal Exposito.
11:47Boa noite, meus jornalistas preferidos.
11:51Sérgio Lima também.
11:52Trump atacando o presidente do Fed.
11:55Imagine se a taxa de juros de lá fosse igual a daqui.
12:01Deixa eu pegar mais aqui.
12:03Solidão escreveu.
12:04Que pergunta difícil de responder sobre a enquete do Big Baixaria Brasil.
12:10Napoleão Barreto.
12:13Ótimo.
12:14É aqui mesmo que devo ficar.
12:16Deve estar respondendo, reagindo ao que a Madea falou sobre o canal.
12:20E a gente já está voltando aqui ao vivo na TV BMC.
12:26Olá.
12:27Esse é o Papo Antagonista.
12:29Estamos de volta aqui na TV BMC.
12:31Depois do intervalo, a gente estava no intervalo no canal Antagonista no YouTube.
12:36Continuamos aqui a entrevistar o Luiz Gaziri, que é professor de ciências comportamentais.
12:43Está conversando aqui com a gente.
12:44O Ricardo Kertzmann guardou antes do intervalo uma pergunta para ele.
12:49Boa noite, Luiz.
12:51Na sua visão, eu vou te fazer uma pergunta.
12:54Eu nem sei se você vai ter uma resposta.
12:57Ela remete àquela velha questão do ovo ou da galinha.
13:01Mas, na sua opinião, essa banalização, essa infantilização, baixaria, essa falta de conteúdo da política,
13:10ela parte do eleitor para o político ou o contrário?
13:15É o político que banaliza, que infantiliza o eleitor?
13:21Ótima pergunta, Ricardo.
13:23Existem os dois lados, né?
13:25Então, quando a gente estuda ciência, a gente aprende a questão da direção da causalidade.
13:30Então, a gente não consegue encontrar uma direção só, não é?
13:35Então, obviamente, os nossos políticos, a gente sabe que a maioria dos que estão eleitos,
13:41eles têm pouca capacidade intelectual.
13:45Muitos aí têm, são raros.
13:47Os políticos, como a gente via antigamente, que sabiam discutir, que tinham uma linguagem bacana.
13:54E, obviamente, isso também é um reflexo do povo brasileiro, que tem, infelizmente, um nível baixo de educação.
14:00Eu, como professor, tenho uma pena enorme, esse tipo de coisa.
14:04Mas, vem dos dois lados, né?
14:06Nós elegemos pessoas que têm pouca capacidade intelectual.
14:09Então, o que sobra para eles é fazer vídeos onde eles vão tentar viralizar, fazer acusações que são falsas ou ridicularizar o inimigo.
14:21E nós temos também, obviamente, eleitores que gostam desse tipo de conteúdo, né?
14:27Que não conseguem, por exemplo, acompanhar a gente aqui, né?
14:31Que falamos um conteúdo mais sério, uma análise que é imparcial de verdade, que não quer ter solidariedade com pessoas que são corruptas.
14:43Então, parte também da parte do público brasileiro, com baixo nível de instrução,
14:48essa questão de gostar e preferir esse tipo de conteúdo do que aquele conteúdo que dá trabalho,
14:53que eu tenho que pensar novamente, que me faz refletir, né?
14:56Então, é uma combinação dos dois fatores.
14:58Isso, Gazir.
15:01E acho que esses dois fatores que o Kershman trouxe são bem importantes, essa questão.
15:08Mas eu acho que tem um outro fator ainda, cultural.
15:14O Tom Jobim dizia que no Brasil, sucesso é uma ofensa pessoal.
15:20Isso existe, todo mundo aqui que já trabalhou em multinacional sabe.
15:24Você tem em diversos países uma mentalidade coletiva, é cultural, que se você vê alguém fazendo sucesso,
15:33você quer colar naquela pessoa para ver como é que ela fez, porque se ela conseguiu, você também pode conseguir.
15:39E é natural.
15:40A mentalidade coletiva, não que a inveja não exista, não é isso.
15:45A mentalidade coletiva é mais assim.
15:48Aqui, o que eu vejo e que eu comecei a ver muito claramente, lá no primeiro governo Lula,
15:56é o orgulho da boçalidade e da ignorância.
16:01Começa com o Lula fazendo aquela exaltação de que ele não tinha faculdade.
16:10Até no documentário, como é que chama aquele documentário?
16:12Entre Atos.
16:13Vocês vão ver o Ricardo Couto, que era o assessor do Lula, que é um grande jornalista,
16:17falando para ele, Lula, essa coisa de faculdade já deu, para de falar isso.
16:22Ele fazia uma exaltação disso.
16:25Uma exaltação da ignorância.
16:27Sendo que, assim, ele não fez faculdade quando era jovem, porque não podia.
16:31E depois, porque realmente não quis.
16:33E vem o Jair Bolsonaro, que é uma disputa de ignorância ali, que é uma coisa impressionante.
16:40O Bolsonaro estudou, eu até fiquei magoada com a Amanda depois, porque eu falei assim,
16:45se o Bolsonaro passou, cara, não dá, né?
16:50Não dá, é um negócio de elite.
16:52Passa um cara daquele, entendeu?
16:54Que mal sabe articular pensamento.
16:57E que tem muito orgulho de ser boçal, de ser, às vezes, baixo, de ter um vocabulário
17:07de bordel de beira de estrada.
17:10Aliás, acho que bordel de beira de estrada ia expulsar, porque é muito baixo para eles.
17:15Mas, assim, a militância dele diz que isso é espontaneidade.
17:21A gente tem isso, não tem?
17:22Eu acho que tem essa coisa.
17:24Primeiro, o sucesso é uma ofensa pessoal.
17:28E quando eu vejo essa boçalidade, esse cara é igual a mim.
17:32Então, eu sou bom também.
17:34Eu não preciso estudar, eu não preciso me polir.
17:37Tem esse fator triste na nossa cultura, né?
17:40Certamente, Mada.
17:43É a questão de que a gente tem atribuições falsas e de certas...
17:50De causalidade, né?
17:52Então, a gente...
17:54Os cientistas até nomeiam essa tendência que a gente tem de viés do sobrevivente.
18:02A gente presta atenção mais na pessoa que não tem uma faculdade e se tornou presidente, né?
18:08Do que nas pessoas que não têm uma faculdade e se dão mal, não é?
18:13Então, a gente começa a superestimar a quantidade de pessoas que não têm uma educação formal
18:19e que conseguem ter sucesso na vida.
18:21A gente lembra facilmente da pessoa que não tem faculdade e virou presidente,
18:25que não tem uma educação superior e virou um super empresário,
18:30uma pessoa que nasceu numa comunidade muito pobre e daqui a pouco a pessoa subiu,
18:35porque o sobrevivente chama a nossa atenção, não é?
18:39O defunto, a pessoa que não fez faculdade e se deu mal,
18:43que é a grande maioria, ele não lança livro, não dá entrevista,
18:47ele não vira presidente, ele não vira empresário.
18:49Então, a gente subestima a quantidade de pessoas que estão nessa posição.
18:54Então, é agradável para nós, né?
18:58O ser humano adora enganar a si mesmo.
19:01É agradável para a gente acreditar que se aquela pessoa conseguiu ser presidente
19:06sem uma universidade, eu também consigo ter sucesso.
19:09Isso massageia o nosso ego, por mais que essa decisão seja uma decisão péssima.
19:14Então, você tem razão completa em tudo que você falou.
19:17Olha, quero aqui mandar um abraço ao nosso mecenas, Fábio Pur,
19:22que acaba de fazer um superchat de 500 reais.
19:25Bem-vindo de volta, Fábio Pur, que estava viajando no começo do ano agora.
19:31A pedido do Kertzman e do Duda, vamos novamente a Lula de Sunga.
19:38Por que a pedido deles?
19:40Porque é o seguinte, como é que funciona aqui esse programa?
19:42A gente viu essa foto.
19:45Nós fomos obrigados a ver.
19:47Eu, Duda Kertzman, a redação inteira.
19:50A gente tem como desver?
19:52Não, a gente não tem como desver.
19:54Então, nós vamos obrigar vocês também a verem.
19:57Agora, todo mundo vai ver.
19:59Estamos na mesma página.
20:02Bom, Gaziri, por que isso?
20:06O que que se pretende ativar na população ao fazer esse Photoshop do Lula mais jovem e mais musculoso?
20:18Olha só, Amada, existem pesquisas científicas do Anthony Greenwald,
20:26que é um cientista da Universidade de Washington e da Mazarin Banage,
20:29que é uma cientista da Harvard,
20:30que demonstram que as pessoas, elas têm um preconceito que é inconsciente com idosos, não é?
20:39Então, existe um teste que eles chamam de Implicit Association Test,
20:44teste de associação implícita, IAT, que é o nome desse teste,
20:49onde eles fazem o seguinte,
20:50então, se você, o participante fica ali olhando uma tela,
20:54e ele tem um teclado, um computador na frente dele.
20:56Se você vê uma foto de uma pessoa idosa,
21:00você vai apertar o botão da esquerda.
21:02Se você, logo em seguida, aparecer uma palavra positiva,
21:06você aperta o mesmo botão.
21:07Em outro modelo, existe lá,
21:09se vê uma pessoa magra, você aperta o botão da direita,
21:12e uma palavra negativa, você aperta o botão da direita.
21:15Esse teste demonstra que, logo depois de ver uma palavra positiva,
21:19as pessoas, elas demoram mais tempo para apertar o mesmo botão
21:23quando elas veem a foto de uma pessoa que é idosa.
21:26Isso significa o quê?
21:28Que nós temos dificuldade em associar alguém que é idoso
21:31com uma palavra positiva.
21:33Então, essa é uma coisa que eu posso falar da minha boca para fora,
21:37que eu não tenho preconceito com o idoso, etc.
21:39Mas se esse teste já foi feito com mais de um milhão de pessoas,
21:43se eu fizer esse teste,
21:44vai demonstrar que inconscientemente eu tenho um preconceito contra o idoso.
21:49Não porque eu sou preconceitoso por natureza, por exemplo,
21:53mas porque as pessoas assistem filmes, novelas, etc.
21:58E como é que os idosos são apresentados na sociedade, nas novelas?
22:03Como inocentes, como incapacitados, como muito bondosos.
22:11Então, a gente acaba criando essa imagem de que o idoso não tem capacidade,
22:15por exemplo, para governar.
22:17E é exatamente essa a tentativa do PT de fazer com que o Lula
22:22se pareça mais jovem, não pareça idoso,
22:25para tentar, obviamente, a reeleição.
22:28Ai, Gazir, agora você explicou tudo.
22:30Ontem, Duda e eu, estávamos relembrando aqui de outros governantes
22:34que...
22:36Eu lembro de o Rosnino Mubarak, no Egito,
22:39Luiz Eduardo dos Santos, em Angola.
22:40As fotos públicas deles nas ruas eram de 20, 30 anos antes.
22:48Então, assim, isso que você trouxe aqui para a gente
22:50explicou de vez o porquê.
22:53Luiz Gazir, professor de ciências comportamentais,
22:57ele é colunista da revista Cruzoé.
22:59Muita gente falando,
23:00traz mais vezes esse professor.
23:02Traremos, gente, traremos.
23:04Ele é nosso colunista, vai estar aqui sempre com a gente.
23:07Gazir, muito obrigada.
23:08Uma boa noite para você.
23:09Eu que agradeço, Madá, para os meus companheiros.
23:13Uma ótima noite para todos que estão nos acompanhando.
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