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As liquidações de instituições como Banco Master, Will Bank, Reag Investimentos e Banco Pleno voltaram a pressionar o mercado. As investigações envolvendo Daniel Vorcaro também trouxeram reflexos aos investidores.

Em entrevista ao Real Time, o economista e partner da Troster & Associados, Roberto Troster, avalia que o impacto é localizado, mas defende revisão estrutural do sistema, incluindo mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), no limite de cobertura e na arquitetura de supervisão liderada pelo Banco Central do Brasil.

Para ele, além da responsabilização individual, é necessário discutir falhas institucionais para evitar novos episódios no futuro.

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Transcrição
00:00A gente muda um pouquinho de assunto, as liquidações do Banco Master,
00:05Will Bank, Reag, Banco Pleno, têm mexido com o mercado.
00:09As investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro também trouxe reflexos aos investidores.
00:16E sobre este assunto, converso agora com o economista e partner da Troster e associados,
00:21Roberto Troster, a quem eu agradeço aqui a disponibilidade.
00:25Bom dia para o senhor.
00:27Bom dia, Solaya. Tudo bem?
00:29Tudo bom.
00:31Olha, esse caso envolvendo o Banco Master, ele é desafiador em vários aspectos.
00:36Eu até comentei hoje mais cedo com a Mari.
00:39Primeiro, os valores envolvidos que, para muita gente, eu digo por mim mesmo,
00:44fogem até a compreensão do cidadão comum.
00:47Tem toda a complexidade da dinâmica empresarial, financeira,
00:52que envolve estruturas sofisticadas, conexões institucionais,
00:57sem falar o trânsito aí em diferentes esferas do poder.
01:01Agora, diante de todo esse cenário, quando um banco, ele entra no radar de uma investigação desse porte,
01:08qual é a primeira sensação aí que os investidores, que o mercado financeiro, de que forma ele reage?
01:16Bom, primeiro, dizem que não tem nada mais covarde do que o dinheiro, né?
01:22Então, assim, qualquer sinal de fumaça, perigo de povo, sempre alerta.
01:28Mas, no caso, está localizado, o fundo garantidor de créditos tem capital suficiente para cobrir,
01:36e vai ter que ser reposto, quer dizer, as perdas são equivalentes ao déficit primário do ano passado inteiro,
01:44quer dizer, são perdas volumosas, né?
01:48E, em última instância, o imposto que todos a mais nós vamos pagar.
01:53Então, o mercado financeiro continua.
01:55Segundo ponto, experiência, assim,
01:58Esse caso parece que é uma réplica exatamente do que aconteceu com o Banco Santos.
02:05Uma série de investigações, essa semana, o Daniel Volcaro foi convidado para duas comissões em Brasília,
02:14quando quebrou o Banco Santos, foi a mesma coisa.
02:17Reuniões, procurando os culpados, os cúmplices, etc, etc.
02:22Mas o caso se repetiu.
02:23Desde a época de Adão e Eva, sempre a pessoa são problemas,
02:29quer dizer, você não existe acreditar que daqui para frente todo mundo vai ser santo, né?
02:37Sempre tem um em um milhão que distorce um pouquinho.
02:41Então, o foco, em vez de procurar as pessoas que devem ser procuradas e punidas em uma dúvida,
02:48é procurar as falhas institucionais.
02:51Muito pouco está sendo feito nisso.
02:52Quer dizer, muito no que as pessoas falharam, quem foi o corrupto, quem não foi.
02:59Mas, espera, como é que a arquitetura de supervisão, a arquitetura de regulação falhou?
03:06E esse devia ser o ponto principal, na minha opinião.
03:10Se não for esse o foco, quer dizer, possivelmente, Soraya, daqui a 10, 20 anos, tomara que não,
03:17você vai estar me entrevistando de novo e falando, ó, lembra do Banco Basta, lembra do Banco Santos, lembra do
03:24econômico, né?
03:26Então, eu acho que esse deveria ser o foco principal.
03:36Trácia, bom, obrigada pelas tuas colocações, bem, bem, acho que temos bastante alinhamento com isso.
03:42E aí, uma pergunta bem específica em relação a isso, né?
03:44Quer dizer, as falhas institucionais.
03:47Me parece que uma delas é exatamente os incentivos, são os incentivos que estão postos com o FGC.
03:53E aí, FGC, que com um papel importantíssimo para essa redução de contágio, mas, por outro lado, tem esse clima
03:59de CDB até 250 mil, o FGC paga.
04:03O que está sendo pensado, o que você acha que poderia ser pensado para reduzir um pouco esses efeitos e
04:08esses incentivos mesmo perversos
04:11para que o sistema atue aí como um certo guardião da qualidade dos papéis que são emitidos?
04:17Bom, eu faria três coisas.
04:19A primeira, 250 mil é exagerado.
04:23Quando foi feito o FGC em 95, eu fiz parte, na época eu era da BBC, a professora brasileira de
04:31bancos,
04:31e eu subirei que o limite fosse 2 mil.
04:34Foi aprovado 20 mil, né?
04:36Depois foi subido para 100 mil e para 250 mil.
04:40Eu acho que é exagerado.
04:41Se você baixasse o limite de 250 mil para 50 mil, que protegeria 98%, ou 100% de 98%
04:53dos investidores,
04:55e abaixo de 50 mil de todo o resto.
04:59Se você fizesse isso, a conta cairia em mais da metade.
05:03Então, em vez de 50 mil, estaríamos falando agora em 25 mil.
05:08É um absurdo, um valor exagerado, mas você diminuiria isso.
05:13O segundo ponto, apesar de não estar explícito nos seguros de postos,
05:18mas está no FGIC, em todos os esquemas de seguros do mundo,
05:22é que o seguro é para garantir liquidez para bancos médios e pequenos.
05:28Funciona bem, complementado com as plataformas de investimento.
05:32Agora, tanto o FGIC como as plataformas são responsáveis para ver isso.
05:40Quando você vê que o recurso do FGIC não é para aplicar em crédito,
05:46a hora tinha que ter sido cortado.
05:49Então, o FGIC administra dinheiro de terceiros.
05:54O dinheiro não é do FGIC, é de todos os bancos que depositaram lá.
05:59Então, devia ter uma ação mais consciente, assim, deselador do que está acontecendo.
06:07E terceira coisa, a gente tem que ver toda essa arquitetura.
06:13O sistema financeiro é meio obsoleto, quer dizer, a regra básica é de 64,
06:20a CVM é de 76, tem 50 anos, o FGIC é de 95, tem 31 anos.
06:29Quer dizer, está na hora da gente começar a repensar.
06:32O sistema mudou muito e nós insistimos, mais ainda,
06:37quer agravar falando, vamos dar autonomia para o Banco Central.
06:41Não, tem que dar autonomia para a política monetária.
06:44Podia fazer um spin-off da política monetária,
06:47fazer só os responsáveis, uma instituição,
06:52uma instituição responsável por supervisionar todo o mercado financeiro,
06:58mudar a regulação, a regulação originalmente do Conselho Monetário Nacional,
07:03que é elemento do setor financeiro, do setor privado e do setor governo.
07:08Tirar o setor financeiro e tirar o setor privado fora.
07:11Então, você tem regulações muito, eu diria, limitadas.
07:18Falta, sim, uma visão mais completa do que ajuda mais para o bem-estar do país.
07:25E talvez mais fiscalização também por parte do Banco Central,
07:29para que a gente não veja nos próximos semanas, meses ou até anos,
07:35outros casos se repetindo como esse, né?
07:38É verdade, não só do Banco Central, quem que vai às auditorias, sabe?
07:43Não tem responsabilização das auditorias, não tem responsabilização das empresas de rating.
07:51E tesourarias e banco, um pouco afalado,
07:54quer dizer, ninguém gosta de falar que perdeu dinheiro no mercado financeiro,
07:58mas tesourarias e bancos perdendo muito dinheiro,
08:00dando linhas de curto prazo para o master.
08:04Então, tem que ver isso, sabe?
08:07E ver as análises de banco focam muito em compliance, sabe?
08:12Se alguns índices estão consistentes e pouco em desempenho.
08:16Quer dizer, como é que cada instituição gera lucro, né?
08:20Isso é o mais importante.
08:22Não existe mágico em banco.
08:24É captar dinheiro e prestar dinheiro a ferir bem o risco, né?
08:28Esse negócio de comprar predatórios, clientes ou gatas,
08:34é arriscado e quem paga a conta somos todos nós.
08:38Conversamos com o economista e partner da Troster e associados Roberto Troster,
08:42a quem eu agradeço mais uma vez a disponibilidade.
08:45Um bom dia para o senhor, boa semana.
08:47Boa semana, Soraya, Marina.
08:50Obrigada.
08:51E vamos ao longo chinês, começa hoje, né?
08:53O ano do cavalo.
08:56Obrigada.
08:56Obrigada.
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