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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da disputa comercial que envolve tarifas impostas aos produtos brasileiros. O encontro tem grande expectativa para buscar entendimento entre os dois países. Alan Ghani, Roberto Motta e Thulio Nassa comentaram.
Comentaristas: Alan Ghani, Roberto Motta e Thulio Nassa

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Transcrição
00:009 horas e 26 minutos, a expectativa desta semana também é para a reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
00:07Os dois países enfrentam uma disputa comercial, como você sabe, após o tarifaço norte-americano imposto aos produtos brasileiros.
00:15É tema para o Alan Gani, que está aqui com a gente no estúdio, analisando esses assuntos econômicos também.
00:21Bom, Gani, a gente já falou aqui mais cedo que está difícil arrumar uma brechinha aí na agenda do presidente Lula.
00:26Eu acho que tem que se virar e arrumar, até porque demorou muito para o Trump sinalizar que poderia conversar com o governo brasileiro.
00:33Mas como é que o mercado lida com isso? É em compasso de espera efetivamente? É com algum ânimo?
00:39Porque quando o Trump disse vamos nos encontrar, houve um pico de animação. Isso agora arrefeceu, imagino, não?
00:45É, deu uma arrefecida, mas por outras variáveis, né?
00:48A reunião em si animou o mercado, o mercado ficou aí numa grande expectativa, com a possibilidade de, pelo menos, alguma redução da tarifa de 50%, abrindo espaço para uma negociação.
01:04Agora, é bastante importante o presidente Lula entender também o que o presidente Trump quer, né?
01:09Exatamente. Então, por exemplo, se for uma mudança da decisão do poder judiciário relacionada a Jair Bolsonaro e seu entorno, não tem muito que o presidente Lula possa oferecer.
01:22Agora, se for no campo econômico, um alinhamento maior com os Estados Unidos e, principalmente, a gente tem uma carta na manga também para poder negociar, que seria justamente as terras raras.
01:35A gente tem muita reserva de minerais aqui no Brasil, dos 17 minerais super essenciais para a indústria, mas a gente não tem capacidade de exploração desses minerais.
01:46Então, uma parceria com os Estados Unidos seria ótima nesse sentido, seria aquela relação ganha-ganha.
01:54Então, se for para o lado econômico e algo que o Brasil possa oferecer em troca de uma redução tarifária, seria excelente.
02:05O mercado está bastante ansioso para esta reunião, porque é claro que o desenrolar desta reunião pode, sim, trazer algum benefício econômico aqui para o Brasil.
02:18Agora, Gani, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnik, falou, inclusive, citando o Brasil numa lista de países que estão, segundo ele, prejudicando o país norte-americano.
02:32Essa fala, diante de uma semana cheia de expectativas para essa conversa, chama atenção.
02:37É, e é uma fala verdadeira, porque por mais que os Estados Unidos tenham um superávit comercial em relação ao Brasil, o Brasil usa muito deste argumento.
02:49Falando, ah, mas é injusto a tarifa, porque, veja só, os Estados Unidos têm superávit em relação ao Brasil.
02:55Mas eu diria o seguinte, os Estados Unidos têm superávit em relação ao Brasil, apesar do Brasil ser bastante fechado e protecionista contra os Estados Unidos.
03:09Então, são duas matérias diferentes.
03:12Então, o que os Estados Unidos querem, pelo menos neste aspecto, é uma abertura maior da economia brasileira.
03:20E aí, abrindo mais a economia brasileira, talvez o superávit dos Estados Unidos possa até, eventualmente, aumentar.
03:27Mas a abertura econômica seria extremamente benéfico para o Brasil.
03:31À medida também que a gente conseguiria importar dos outros países com menos tarifas protecionistas, com menos impostos.
03:41Isso significa a possibilidade de importar máquinas, equipamentos, tecnologia, matérias-primas, insumos, para desenvolver a nossa indústria nacional.
03:53Então, neste aspecto, acho que surge uma oportunidade para, em vez de entrarem numa guerra tarifária, com aumento de tarifas,
04:01para, quem sabe, ambos os países reduzirem as suas tarifas.
04:05E aí, é bom para todo mundo.
04:07Bom, vamos passar esse assunto também aqui para os nossos analistas e comentaristas de hoje.
04:12Túlio Nassa e Roberto Mota, que também estão com a gente.
04:15Ô, Mota, o Gani citou aí uma série de possibilidades, inclusive parceria em setores que a gente não tem condição de tocar sozinhos,
04:23com os Estados Unidos também.
04:25Mas, de algum modo, e você chamou a atenção disso no início do jornal aqui, para quem não acompanhou,
04:31é necessário também que a gente tome cuidado com outros parceiros que não agradam os Estados Unidos.
04:38Talvez, o principal deles seja a questão da compra de petróleo russo ou de negociações com a energia russa,
04:44como a Europa tem feito, não, Mota?
04:47Sem dúvida.
04:48A gente tem que separar iniciativas que são do Estado brasileiro e do governo brasileiro
04:54e iniciativas que vêm da iniciativa privada.
04:58É o mercado, são as empresas privadas que fazem o comércio exterior.
05:04Não é o governo, não é o Estado.
05:07Agora, é o Estado que toma iniciativas de alinhamento político.
05:12Trump fez aquela observação, no meio do discurso da ONU, que pegou muita gente de surpresa.
05:19Bagunçou o coro daquelas pessoas que diziam que Trump era malvadão, que Trump não queria conversa.
05:28Agora, é o governo brasileiro que não tem tempo livre para encontrar com o Trump.
05:34Veja só, o tempo do governo deve estar todo tomado com caminhadas e com a substituição do ministro do turismo.
05:44São assuntos muito importantes.
05:47Agora, na verdade, o problema é a gigantesca barreira ideológica que separa Donald Trump do governo do PT.
05:56Além, é claro, de todas as alianças que o atual governo do PT tem feito com alguns dos piores inimigos dos Estados Unidos.
06:09Otúlio, é muito difícil a gente falar em certezas ultimamente, né?
06:13Mas, na sua avaliação, esse primeiro encontro poderia até ser pelo telefone,
06:19até para saber que tom e que temas colocar na mesa de negociações num próximo encontro presencial?
06:27Olha, Soraya, analisando um pouco o perfil de Donald Trump,
06:32eu acho que ele não vai gostar nada desse primeiro encontro ser pelo telefone.
06:36Veja, ele fez um gesto generoso ao presidente Lula na Assembleia da ONU,
06:41chamando o presidente Lula para conversar, inclusive falando que semana que vem a gente já pode falar.
06:45Então, não me parece que Donald Trump, que é um personagem bem forte, bem personalíssimo nesse sentido de negociação,
06:53que vai gostar de um contato, vamos chamar, usando a expressão popular, meia boca, né?
06:59Agora, é interessante observar aqui que havia uma grande cortina de fumaça em relação a esse encontro,
07:05que era Jair Bolsonaro.
07:07Veja, Jair Bolsonaro foi julgado, condenado e, mesmo assim, Donald Trump procurou Lula para esse encontro.
07:13Então, a questão não é Jair Bolsonaro.
07:15A questão, como o Gani falou, deu uma aula aqui, a questão é geopolítica e geoeconômica.
07:20O buraco é muito mais embaixo, Soraya.
07:23Se nós formos analisar a questão da balança comercial dos Estados Unidos com o Brasil,
07:27ela é dinheiro de pinga, ela não é problema nenhum em relação à balança comercial dos Estados Unidos para com o mundo.
07:32Os Estados Unidos têm um trilhão de dólares de déficit comercial em relação ao mundo.
07:38Então, não importa se ele está ganhando ou perdendo em relação ao Brasil.
07:41O que os Estados Unidos estão fazendo?
07:43Ele está aplicando essas tarifas para forçar uma industrialização dentro do seu país.
07:48E o que ele quer dos países?
07:49Uma abertura comercial para que essa industrialização possa fazer sentido,
07:55que essa industrialização possa escoar os seus produtos para países como o Brasil e outros mais.
08:00Agora, o Brasil também precisa ter um alinhamento político e ideológico
08:04de acordo com as democracias do mundo e não de acordo com as ditaduras.
08:08Esse é outro componente geopolítico que entra na mala de negociação.
08:12Se nós não olharmos, portanto, os detalhes mais embaixo,
08:16nós vamos aqui só ficar na cortina de fumaça Jair Bolsonaro
08:19e não vai ter acordo nenhum com Donald Trump.
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