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A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) realizou nesta segunda-feira (25) uma Comissão de Relações Internacionais para discutir os efeitos do tarifaço imposto pelo governo Trump. Representantes dos setores mais atingidos apresentaram os prejuízos e reforçaram a necessidade de diálogo entre o Brasil e os Estados Unidos.
Reportagem: Valéria Luizetti

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Transcrição
00:00Durante a Comissão de Relações Internacionais realizadas na Assembleia Legislativa de São Paulo,
00:06representantes dos setores mais afetados com o tarifácio de Donald Trump apresentaram os prejuízos após a medida.
00:14A reportagem é de Valéria Luizete.
00:17A Assembleia Legislativa de São Paulo realizou nesta segunda-feira um seminário para debater os impactos do tarifácio imposto pelo governo de Donald Trump ao Brasil.
00:26A iniciativa foi do deputado estadual Paulo Fiorillo, do PT, presidente da Comissão de Relações Internacionais da LESP.
00:34Patrícia Gomes, diretora executiva de mercado externo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a ABMAC,
00:42apresentou um estudo da entidade que projeta perdas superiores a R$ 19 bilhões, o equivalente a 7% do setor.
00:50Ela destacou a preocupação com o impacto direto nos empregos da cadeia produtiva.
00:55Então a gente tem aí uma leitura que esse impacto vai ser diretamente nas exportações,
01:03mas também no fornecimento de tecnologias, de equipamentos que serão utilizados pelos nossos clientes,
01:09que pretendiam, enfim, exportar para os Estados Unidos.
01:13Então o impacto é grande no setor,
01:17e isso logicamente não é só investimento localizado, investimento produtivo localizado no Brasil,
01:22especificamente aqui no estado de São Paulo, a maior parte das nossas empresas estão aqui, quase 52%.
01:28O economista e assessor da presidência do BNDES, Antônio Corrêa de Lacerda,
01:33comentou que apesar dos impactos inegáveis do tarifácio para o país e para o estado de São Paulo,
01:40a diversificação de mercados ao longo dos anos ajudou a minimizar o problema.
01:45Nós, Brasil, temos uma diversificação significativa,
01:49tanto do ponto de vista comercial, quanto do ponto de vista dos investimentos.
01:54Então nessa relocalização das cadeias produtivas mundo afora,
02:00o Brasil é bastante diversificado, não só em relação aos Estados Unidos,
02:04mas também à Europa, mundo árabe, Ásia e até mesmo a participação também da África.
02:12Então isso nos dá uma ideia de saída bastante razoável,
02:17porque ao longo do tempo, evidentemente, você pode realocar essa produção.
02:23Mas para Aroldo Ferreira, presidente executivo da AB Calçados,
02:27mudar de mercado neste momento é algo extremamente difícil.
02:31Por isso que todo o nosso esforço junto ao governo federal,
02:35pedindo apoio para todos os governos estaduais também,
02:37é que a gente consiga ou incluir as nossas NCMs na lista de exceção
02:43para o imposto voltar aos 10%, que isso já estava organizado pela indústria,
02:50pelos compradores, ou nós continuamos, acreditamos no diálogo
02:55e o nosso vice-presidente comentou isso ainda na semana passada.
03:01Eduardo Heron Santos, diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil,
03:06alertou que dificilmente o país norte-americano conseguirá substituir,
03:11no curto prazo, os produtos brasileiros.
03:13Os Estados Unidos é, historicamente, o nosso maior comprador mundial de café.
03:18E eu percebo, deputado, que há uma tentativa, e isso é muito importante,
03:22até colaborar um pouco com a palavra do colega da BIMAC,
03:26nós defendemos hoje, a principal iniciativa é sentar e dialogar.
03:31Porque consumo de café não é uma coisa que você pega e transfere de um mercado para outro.
03:37Mercado se constrói, leva-se anos.
03:39Hoje, por exemplo, o mercado asiático, não há a menor dúvida,
03:43China, inclusive, é realmente um grande mercado promissor.
03:47Samo Tossati, da Assessoria Internacional do Governo do Estado de São Paulo,
03:52reforçou o esforço do Estado em manter o diálogo político com os Estados Unidos,
03:57especialmente entre representantes do setor privado de ambos os países.
04:01A gente mapeou quais são os principais estados norte-americanos
04:07com quem São Paulo mais comercializa.
04:09Pegamos os dez estados.
04:11Aí, dentro dos Estados Unidos, quais são os estados com os quais o Estado de São Paulo
04:17mais tem comércio.
04:19E, daqueles dez, oito seria quase a totalidade das exportações,
04:25pegamos os dez, a gente separou entre aqueles que são governados por republicanos
04:31e separamos que são governados por democrata.
04:35E o que a gente fez?
04:35A gente montou uma estratégia de entrar em contato
04:39e começar um processo proativo de gestões junto a esses governadores.
04:45Na reunião, Thomas Paris Caudelas, do Ministério do Desenvolvimento,
04:49Indústria, Comércio e Serviços,
04:52detalhou as ações do governo federal para lidar com o novo cenário.
04:55Ele mencionou mecanismos de suporte e a ampliação de acordos comerciais
05:00como alternativas para minimizar os prejuízos.

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