00:00Os mercados globais iniciam a semana também sob a expectativa de novidades ligadas à tecnologia e à inovação.
00:06O foco agora se desloca para a Índia, com a realização do AI Impact Summit,
00:12o maior evento global sobre tecnologia de inteligência artificial.
00:16Sobre esse assunto, eu vou conversar com o Caio Bartini, que é economista, advogado, professor e consultor jurídico.
00:23Bartini, seja muito bem-vindo ao Radar.
00:25Obrigado, Marcelo. A você e a todos os Times Brasil.
00:28Queria então que você explicasse para a gente o que a gente pode esperar desse AI Impact Summit na Índia.
00:34Como os setores de tecnologia e de inovação também podem mexer com as bolsas e com as moedas?
00:42Marcelo, o que nós estamos observando não é apenas uma oscilação pontual em empresas de software.
00:49Trata-se, na verdade, de um ajuste estrutural na precificação do risco que é associado à inteligência artificial como infraestrutura
01:02econômica.
01:03Então, a inteligência artificial deixou de ser um segmento específico da tecnologia e passou a ser um vetor transversal de
01:13produtividade,
01:14de investimento e de concentração de capital.
01:17Então, essa recente pressão sobre empresas de software, ela decorre, eu vejo, de pelo menos a análise de três elementos
01:26centrais.
01:27Primeiro, a intensidade de capital, uma vez que o desenvolvimento de modelos avançados exige investimentos bilionários em data centers,
01:38semicondutores, armazenamento, energia.
01:41Então, vai alterar o perfil financeiro das companhias, aumenta o CAPEX estrutural, impacta o valuation das empresas,
01:51sobretudo no ambiente de juros elevados, ainda tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.
01:57Então, esse é um primeiro ponto que aqui eu coloco de importância nesse discurso.
02:02Como é que você vê o avanço indiano em tecnologia impactando o fluxo de capital para mercados emergentes, por exemplo?
02:08Porque a Índia, ela está se consolidando aí como um terceiro polo global de inteligência artificial, não é?
02:14Exatamente.
02:15Esse Impact Summit na Índia, ela sinaliza, eu vejo algo muito mais profundo do que um simples evento corporativo.
02:26Ele representa a tentativa de consolidação de um novo eixo geográfico de inovação tecnológica.
02:35Então, quando empresas como Microsoft, Antropic, Mistral, elas se reúnem em um país emergente com escala populacional,
02:45que tem a base técnica relevante e ambição industrial que seja clara, o mercado,
02:51ele lê isso como uma possível redistribuição estrutural de oportunidades.
02:58Então, a Índia aí combina as vantagens estratégicas que ela possui, tal como o capital humano que ela possui em
03:06larga escala,
03:07a questão do mercado interno, que é um mercado robusto, e também uma política pública que é voltada à digitalização.
03:15Então, essa convergência, ela vai consolidar, então, impactos diretos na alocação global de capital.
03:22Eu sei que, de algumas formas, o Brasil não pode competir com a Índia, porque não tem essa população gigantesca
03:28que a Índia tem,
03:28e também, se começasse agora, já estaria muito atrasado aí nessa produção de software como a Índia faz.
03:35Mas que passo, se você acredita que o Brasil poderia dar, pelo menos para seguir um pouco essa trilha,
03:40para ser mais relevante do ponto de vista internacional, para atrair empresas, investimentos em software, por exemplo?
03:48Uma excelente pergunta, Marcelo.
03:51Para o Brasil, essa reorganização global da tecnologia, do capital, ela gera efeitos concretos e também, eu digo, efeitos mensuráveis.
04:01Veja que o primeiro impacto que eu analiso é a dinâmica de fluxos financeiros.
04:05Em um ambiente em que investidores globais, eles recalibram portfólios para aumentar a exposição de ecossistemas
04:16que são considerados estratégicos em inteligência artificial,
04:20mercados que não apresentem uma agenda clara de inserção tecnológica,
04:25eles tendem a perder prioridade relativa na alocação de recursos.
04:31Então, isso afeta a captação de venture capital, de private equity e até de investimentos que são listados na B3,
04:41especialmente, Marcelo, nas empresas de tecnologia e inovação.
04:46Um outro efeito que eu também vejo é um efeito estrutural, ou seja, um efeito de produtividade.
04:53Economias que internalizam a IA em larga escala, elas tendem a registrar ganhos que sejam significativos de eficiência,
05:04seja em serviços financeiros, na indústria, na logística e também no agronegócio.
05:10Então, se o Brasil não acelerar a incorporação tecnológica, existe um risco de ampliação desse diferencial de produtividade
05:22em relação a países que se posicionam como polos digitais relevantes.
05:29E aí a receita é educação, educação e educação?
05:34Olha, Marcelo, eu não deixaria de lado.
05:36A parte, sem dúvida nenhuma, da educação é fundamental, ainda mais no ambiente tecnológico que nós estamos vivenciando.
05:45Então, existe aí uma dimensão lógica, além educacional, também estratégica, que é pouco explorada,
05:51que é a questão que envolve energia e infraestrutura.
05:54Só que tudo isso vai justamente ao encontro da educação, melhor educação, educação de base no Brasil.
06:03Não apenas uma educação em nível superior, que não tenha uma grande qualidade, mas uma educação de qualidade no seu
06:11nível base.
06:12Caio Bartini, economista, advogado, professor e consultor jurídico, muito obrigado pela sua participação hoje no Radar.
06:19Marcelo, eu que agradeço a você e todos os amigos aí do Radar na Tais do Brasil.
Comentários