00:00O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, ele se reuniu na noite de ontem com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
00:08Em uma publicação nas redes sociais, Baleia disse que a conversa reforçou a parceria entre o MDB e o governador paulista, firmada há quatro anos.
00:19Segundo ele, a relação é marcada por lealdade e respeito.
00:23O encontro aconteceu em meio às negociações de bastidores entre o presidente Lula e o MDB sobre a possibilidade de uma indicação de um nome da sigla para a vaga de vice-presidente na chapa à reeleição em outubro.
00:36Integrantes da legenda negam que esse tema esteja em discussão formal no partido.
00:41Em São Paulo, o MDB é comandado pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio,
00:48e que contou com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua reeleição em 2024.
00:54No plano nacional, a sigla ainda não definiu se terá candidatura própria à presidência ou se vai apoiar outro nome
01:02ou se vai adotar uma posição de neutralidade na disputa, liberando os estados para apoiarem as lideranças que quiserem.
01:10Você, Luiz Felipe Dávila, o fator MDB, porque no âmbito nacional Lula tenta costurar uma parceria, inclusive cederia a vice ao MDB.
01:23Já o MDB de São Paulo muito alinhado com o espectro político mais à direita, né Dávila?
01:30Por isso, esta negociação não pode se restringir ao Estado de São Paulo.
01:38Esta negociação, o Tarcísio tem que colocar na mesa o apoio nacional do MDB à candidatura de direita.
01:47Nesse caso, como o Tarcísio trabalha para a candidatura de Flávio Bolsonaro, para a candidatura de Flávio Bolsonaro.
01:53Ou seja, tem que negociar não só o palanque regional.
01:57Esse é fácil, todo mundo quer estar no palanque do Tarcísio.
02:00O problema é negociar nacionalmente.
02:03Isto vai ajudar aqueles outros dez diretórios do MDB que estão nos estados onde está a grande parcela do PIB brasileiro
02:15e onde está 90% da arrecadação, para que este MDB seja escolhido e esteja com a oposição.
02:23E não sinta a pressão daquele dez por cento que vive mamando na teta do Estado e que quer levar o MDB para o lado do Lula.
02:33Então, é hora, já que vai negociar diretamente com o Baleia Rossi, que é o presidente nacional do MDB,
02:40tem que colocar não só o assunto de São Paulo, mas o assunto nacional à mesa.
02:47Pois é, você usa as estratégias que envolvem os grandes partidos, mas esses partidos são tão grandes
02:56que há lideranças que podem apoiar um lado ou outro, né?
03:00E o MDB eu acho que é um caso clássico, porque, por exemplo, em Alagoas tem Renan Calheiros,
03:05super alinhado ao presidente Lula.
03:08Então, o MDB caminha com Lula em alguns estados e caminharia, sei lá, com Flávio Bolsonaro em outros.
03:13Como é que ficariam os palanques estaduais? Uma situação bem delicada.
03:19Essa é uma das coisas em que realmente eu tenho dificuldade de compreender dentro da política,
03:24porque me parece que, dessa forma, não precisaria sequer existir partido político
03:30se não fosse para parasitar em cima do dinheiro público.
03:33Porque, imagina, você faz parte de um grupo onde, supostamente,
03:37você tem ali um alinhamento de interesses para um projeto de país.
03:41Qual caminho vamos seguir sem entrar no juízo de valor?
03:44É o maior Estado? É o menor Estado? É mais intervencionismo?
03:47É menos? Maiores impostos? Menores impostos?
03:50Só que nós estamos vivendo agora numa situação onde há o total antagonismo
03:56entre uma força, aqui conduzida por Lula para as eleições,
04:02seja ele ou qualquer outra pessoa,
04:04e, do outro lado, os postulantes mais à direita,
04:07com uma ideia completamente oposta.
04:08Então, se dentro de um mesmo partido nós vemos pessoas que irão para um lado
04:13e outros irão para outro,
04:15o que defende aquela comunidade, aquele partido?
04:20Será que, de repente, faz sentido você ter uma agremiação dessa
04:24onde consegue bilhões de reais em emendas,
04:28que, na minha opinião, é o único fato justamente para isso?
04:31Mas como é que você conhece, de fato, o político?
04:34Como é que eu boto confiança num partido onde migra de um lado para o outro
04:39para situações completamente antagônicas?
04:41Fazendo uma analogia muito besta,
04:44é o cara que um dia é corintiano e o outro é palmeirense,
04:46o outro é flamenguista e pluminense,
04:47não tem o menor cabimento na minha cabeça.
04:50O que eu quero defender?
04:51Qual projeto de país essas pessoas defendem?
04:54Qual caminho a gente vai seguir
04:56para saber se esse partido tem ou não o meu voto
04:59e cada um tem essa liberdade.
05:01E aí, infelizmente, cada um desses partidos, na minha opinião,
05:05não tem projeto específico de país.
05:08Tem um projeto de poder
05:09onde cada partido tem um dono ou alguns donos
05:12e esses acabam conduzindo como o partido levará os votos,
05:19se para um lado ou para o outro,
05:20ou romper o contrato no meio do caminho com seus clientes,
05:23com seus eleitores e mudar do nada do dia para a noite.
05:26Pois é, a situação que envolve o MDB em destaque aqui em Os Pingos nos Is.
05:31Rápida parada para você que nos acompanha pela rede.
05:35Nós seguimos aqui trazendo as informações, as análises,
05:38as articulações das lideranças partidárias.
05:41O MDB é um partido enorme, né, Mota?
05:44Mas não tem aquela figura, o dono do partido,
05:46aquele que fundou um partido muito antigo.
05:49Então tem muitas lideranças.
05:50Baleia Rossi é o presidente nacional,
05:52mas em cada estado tem o cacique, né,
05:55o dono do MDB no estado.
05:58Então é muito difícil você fazer uma articulação
06:01em torno de uma aliança nacional.
06:04Todos os estados, todos os diretórios vão apoiar tal candidato, né,
06:08no caso de uma eleição presidencial.
06:11Então o que o MDB costuma fazer?
06:14Libera os estados para apoiarem que eles bem entenderem.
06:16E aí acabam atendendo aí aos anseios dessas lideranças.
06:21O que podemos esperar, Mota?
06:24Eu lembro da época em que o MDB era resistência contra a ditadura, Caniato.
06:30Eu acho que você não era nascido nessa época, né?
06:33Mas o MDB já foi isso, símbolo da liberdade, da resistência.
06:39Eu queria chamar a atenção por um aspecto dessa notícia.
06:42Quando a gente olha essas imagens que estão passando aqui na frente,
06:48nós estamos olhando para uma ilustração
06:51da explicação do fenômeno Jair Bolsonaro.
06:55Tem muita gente que não entende, né, o apelo,
06:58qual foi a razão da votação que Jair Bolsonaro teve,
07:02ou da atração que o eleitor, que o cidadão sente
07:07pelo fenômeno Jair Bolsonaro.
07:08A explicação está nessas imagens, meus amigos.
07:11Meus amigos, a explicação está em uma política que é feita
07:16ignorando o eleitor.
07:18Ora, não vamos discutir ideias,
07:20não vamos discutir as grandes questões que incomodam o brasileiro.
07:26Vamos discutir aqui os nossos acordos.
07:29Se a gente faz um acordão ou se a gente faz acordinhos.
07:32Quando a gente olha essa cena, parece que a gente está olhando
07:37uma recepção num restaurante de luxo,
07:41onde as pessoas estão tomando o seu isquinho,
07:43brindando com a sua champanhe, comendo caviar,
07:45e nós estamos do lado de fora,
07:48olhando o que está acontecendo.
07:51A gente é chamado de dois em dois anos
07:53para ir lá e depositar um votozinho na urna.
07:57Nós votamos os candidatos que são previamente selecionados
08:02por esses senhores, os donos dos partidos
08:06que operam a política brasileira.
08:09É um sistema completamente controlado por eles.
08:14E aí, em 2018, parece que aconteceu uma falha na Matrix.
08:20Por algum motivo que a gente ainda não entendeu,
08:23elegeram uma pessoa que não era exatamente desse clubinho
08:27e que ousou prestar atenção no que o cidadão
08:32e no que o eleitor diz.
08:35Portanto, Caniato, eu acho que a gente deve guardar essas imagens aí.
08:38E toda vez que a gente for falar do fenômeno Jair Bolsonaro,
08:42do porquê Jair Bolsonaro ainda está no centro das discussões
08:46da política brasileira, a gente mostra imagens como essa.
08:52Aí está a explicação.
08:54Recebendo a rede Jovem Pan, todos conectados aqui em Os Pingos nos Is,
08:59os nossos comentaristas analisam as muitas articulações,
09:03as negociações e as projeções para as eleições de 2026.
09:08Davila, você não acha que o MDB talvez ocupe um espaço
09:12que até agora estava sendo desenhado para o PSD?
09:17Mas o PSD, em razão das últimas contratações
09:21ou das últimas filiações,
09:24talvez pegue um outro caminho
09:26e ganhe um protagonismo diferente?
09:29E aí talvez o MDB seja a alternativa
09:31para dar sustentação a essas candidaturas majoritárias?
09:35É, o MDB pode fazer o que sempre fez, né, Canhato?
09:40Liberar de seus diretórios regionais,
09:44cada um apoia quem deseja,
09:46e o MDB como partido não apoia ninguém oficialmente.
09:50O MDB fez isso a vida inteira.
09:52Apenas em duas eleições lançou candidatos à presidência
09:55sem nenhuma expressão dentro do partido.
09:58O partido não se mobilizou,
10:00foi a candidatura que nós já falamos aqui do Henrique Meirelles em 2018,
10:03da Simone Tebbi, em 2022.
10:06O resto, o PMDB sempre foi esse partido
10:11que liberou o geral para cada um apoiar de um jeito.
10:14Esse me parece que deverá ser o curso do MDB
10:18para as eleições de 2026.
10:21É assim que ele pode focar neste aumento da bancada,
10:24que é o objetivo final do partido.
10:27Mas isso, Canhato, traz um custo político,
10:30enfraquece essas negociações regionais.
10:34Não é o que você fala em São Paulo.
10:35Não, o MDB aqui em São Paulo está com taxismo.
10:38Mas eu quero a vaga de vício do Senado.
10:40Alguém fala, pera, vai sentar no banquinho lá,
10:42porque eu estou negociando aqui uma outra coisa a nível nacional
10:45muito mais complexa,
10:47e, portanto, você está lá no terceiro, quarto lugar na fila.
10:51Daqui a pouco eu chamo você.
10:52Então, o problema é que vai perder poder de barganha,
10:56de negociação, nesses estados fortes.
11:00Porque, na verdade, isso tem a ver com essas alianças nacionais.
11:05Então, pode ser que essa seja a escolha do MDB
11:08para focar nos seus deputados,
11:11mas isso perde poder nas negociações
11:14para as candidaturas majoritárias nos estados.
11:17Pois é, e aí algumas pessoas da nossa audiência
11:20que acabam exemplificando posicionamentos
11:25antagônicos de figuras do MDB.
11:28Mas eu só queria compartilhar.
11:29O MDB em São Paulo, historicamente,
11:31sempre foi mais à direita.
11:33Tivemos alguns governadores
11:36que adotavam essa postura.
11:39Me lembro de Orestes Quércia,
11:41também de o Fleury,
11:43inclusive oriundo da segurança pública,
11:46foi governador por quatro anos.
11:48E aí o Mota bem lembrou o PMDB,
11:52que tinha um posicionamento, talvez,
11:53que hoje fosse considerado de centro-esquerda,
11:56mas todos os quadros mais à esquerda do MDB
11:59acabaram saindo do partido
12:01no final dos anos 80,
12:03e essa dissidência acabou resultando
12:06em um outro partido, o PSDB.
12:09Então, muitos quadros importantes do PMDB
12:11saíram e fundaram um outro partido, o PSDB.
12:15isso, Franco Montoro,
12:17Orestes Quércia,
12:18não, José Serra, enfim,
12:20várias figuras importantes
12:21acabaram fundando o Mário Covas também,
12:24um outro quadro importante do PSDB.
12:26bem,
12:27E...
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