- há 5 semanas
O EM Entrevista recebe neste episódio a ex-vereadora e ex-deputada federal Áurea Carolina, do PSOL. Pré-candidata ao Senado por Minas Gerais, Áurea falou sobre expectativas para as eleições deste ano e sua trajetória como parlamentar.
O EM Entrevista é um podcast do jornal Estado de Minas que vai ao ar no canal do Portal Uai no YouTube e nos tocadores de podcast.
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NotíciasTranscrição
00:00Olá pra você que assiste ao Portal Uai. Meu nome é Ana Mendonça, eu sou colunista de política do Jornal Estado de Minas.
00:05Hoje a gente está recebendo aqui dos nossos estúdios, Aura Carolina. Tudo bem, Aura?
00:10Tudo ótimo, Ana. Super feliz de estar aqui com vocês.
00:13Obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:15Dividindo essa bancada aqui comigo, tá a Silvia Pires, repórter de política do Jornal Estado de Minas. Tudo bem, Silvia?
00:19Tudo jóia, Ana.
00:21Que bom que você também está aqui.
00:23Aura, senhora é pré-candidata ao Senado. Por que tomou essa decisão?
00:26Ana, Silvia, essa decisão vem de, primeiro, um chamado do coração, né?
00:35Eu atuei na política institucional, fui vereadora em Belo Horizonte, deputada federal e decidi não concorrer à reeleição em 2022
00:43pra cuidar do meu filho pequeno, pra também elaborar sobre essa experiência, né?
00:49Do que é estar na política institucional, sendo mulher, mãe, tendo a minha origem, né? Popular.
00:54E eu voltei pra sociedade civil, continuei trabalhando com causas democráticas, mas sempre muito atenta, observando a conjuntura brasileira
01:03e muito preocupada, né? Com o que a gente está atravessando agora.
01:07O Senado está na mira da extrema-direita, existe um projeto muito explícito de ocupação do Senado
01:13pra corroer a democracia por dentro, né? Pra minar o Supremo Tribunal Federal, pra aprovar medidas que são desastrosas pro povo brasileiro.
01:23E eu me senti no dever, me senti também convocada pra retornar e dar a minha contribuição pra essa eleição que vai ser muito decisiva, né?
01:34Muito histórica, assim, de como a gente sustenta ou não o projeto democrático, depois de ter recuperado pós-2016,
01:42com o golpe que aconteceu contra a presidenta Dilma, depois com o governo Bolsonaro,
01:48que foi uma tragédia em termos de políticas públicas, né?
01:52No momento de pandemia, um governo completamente negligente, cometeu vários crimes, inclusive,
01:58chegando até uma tentativa de golpe liderada por pessoas do governo pra golpear o Estado brasileiro, né?
02:06Então, é uma situação muito dramática e que precisa de uma força grande no campo progressista.
02:13E sabendo da minha construção, do potencial de ampliar essas articulações, essas lutas no Estado de Minas Gerais,
02:20de me colocar à disposição, é que eu comecei a considerar a possibilidade e fui construindo, né?
02:26De volta ao PSOL, que é o meu partido, dialogando com lideranças do nosso campo também,
02:32entendendo que tem, sim, uma oportunidade, um momento em que a gente pode projetar uma campanha de encantamento,
02:39de alegria, né? Porque o Senado é sempre uma casa que passa despercebida nesse bolo de candidaturas, né?
02:46De uma eleição presidencial.
02:47Então, tô muito determinada, muito animada, apesar dos desafios que a gente tem pela frente.
02:54Depois de abrir mão de uma reeleição, como a senhora mesmo comentou, o que mudou nesse processo?
02:59O que te fez pensar em se candidatar agora e principalmente pro Senado?
03:03O Silvio, o mais legal dessa história é compreender que a política, pra mim, na construção que eu venho fazendo,
03:10que é coletiva, né? Que é com muitas lutas, nunca foi um projeto pessoal de fazer carreira,
03:16de ficar ali, né? Buscando de reeleição em reeleição, permanecer no espaço institucional.
03:22Isso, pra mim, não é suficiente.
03:23Eu acho que a gente precisa abrir caminhos pra que outras lideranças emerjam, né?
03:29A gente vê a dificuldade, muitas vezes, de renovação de lideranças com potencial, com viabilidade eleitoral.
03:36Então, eu tava muito comprometida também com a continuidade do projeto político que eu liderava,
03:41por meio da Célia Chacriabá, que foi eleita deputada federal, representa Minas Gerais,
03:46tem um papel fundamental no debate de justiça climática, em defesa dos povos indígenas no Brasil.
03:52Então, eu fiquei muito honrada, né? De saber que tem um legado e que a gente tá expandindo essa história
03:59pra que mais de nós possamos ocupar o poder.
04:02E aí, voltando pra sociedade civil, tem um aprendizado sobre estratégias de como a gente conversa com o nosso povo, né?
04:10Muitas vezes, as causas progressistas não chegam na boca do povo, são causas tão necessárias
04:15que fazem tanto sentido pra vida cotidiana, mas, às vezes, é difícil comunicar,
04:20às vezes, é difícil mobilizar as pessoas que estão trabalhando muito, que estão sacrificadas
04:26com jornadas de trabalho pesadíssimas, lutando pra sobreviver.
04:30Então, eu entendi que a gente pode ajudar nessa conversa, sabe?
04:36Conversar com jovens, conversar com as mulheres, conversar com o povo que trabalha, que rala muito,
04:41e falar de qual é o nosso projeto, qual é a nossa visão de política, né?
04:45E aí eu volto pra esse espaço da política institucional mais fortalecida também, né?
04:51Aprendi muito nos últimos anos, eu fui diretora executiva de uma organização
04:56que propõe campanhas de mobilização social pra agendas democráticas,
05:01na área socioambiental, climática, em relação aos direitos das mulheres, enfrentamento ao racismo.
05:07Então, eu quero muito que todo esse conhecimento retorne como um aprendizado
05:12pra gente continuar abrindo fronteiras nas eleições.
05:16Aurea, como que você enxerga a crítica que, na verdade, a sua pausa foi uma desistência da política?
05:23Eu acho importante refletir mesmo, né?
05:26O que que significa estar na política institucional com um compromisso de transformação?
05:32É isso que eu defendo, né? O que me moveu desde o início foi ter, de fato, um sonho de fazer com que as nossas lutas,
05:43lutas por emancipação, lutas por direitos, lutas por uma vida melhor, por felicidade, né?
05:49Por bem viver pra todo mundo, que isso pudesse ter resposta nas políticas públicas, na transformação da legislação.
05:56E as instituições são muito importantes, né? A política institucional é muito determinante pra nossa vida.
06:03Mas ela não é tudo.
06:04Tem um lado da sociedade civil, de organização comunitária, né?
06:09De como qualquer pessoa comum pode fazer muita diferença na sua vizinhança, fazer diferença na sua família, na sua comunidade.
06:17Então, eu venho desses lados todos, né?
06:20Eu tenho experiência de transitar em espaços institucionais e em espaços populares, informais.
06:26E eu vejo como que tudo isso é necessário e complementar, né?
06:30Não adianta a gente fazer a luta institucional sem ter esse lastro da construção social, coletiva, na minha perspectiva.
06:39E, da mesma forma, não adianta só a gente fazer luta do povo se as decisões são tomadas, em última instância, no Congresso, no governo, no Supremo Tribunal Federal.
06:50Então, a gente precisa ocupar os espaços de poder também, né?
06:54Encarar como uma desistência, na verdade, é uma incompreensão de trajetória, né?
06:59Porque a minha caminhada vem justo desse lugar, né?
07:04De acreditar que outra política é possível.
07:07E a gente demonstrou, na prática, que realmente nós conseguimos entregar várias inovações, várias mudanças importantes.
07:16Eu tenho muito orgulho dos nossos mandatos, que se tornaram referência de inovação no legislativo, não só no Brasil, mas na América Latina.
07:24E como que isso se conecta com esse cotidiano mais ativo, né?
07:29De indignação, de proposição criativa, de como as pessoas constroem soluções para os seus problemas nos seus próprios territórios, né?
07:37Então, imaginar que a trajetória é começo, meio e começo, né?
07:42A gente vai, a gente volta.
07:43E, sendo mãe, mulher, foi muito importante eu priorizar os cuidados com a minha família.
07:49E foi uma coisa que a senhora falou lá atrás, né?
07:51Que daria essa pausa para cuidar dos seus filhos, da sua filha, né?
07:53É, o meu filhinho Jorge vai fazer seis anos agora.
07:57Nasceu poucos dias antes de eclodir a pandemia, né?
08:00Foi um momento muito difícil para todo mundo, né?
08:03Que a gente se viu ali tendo que lidar com a incerteza, tendo que lidar com o confinamento.
08:12Sabe, o luto, né?
08:13Das perdas, tantas perdas que poderiam ter sido evitadas, assim.
08:17E, imagina só, eu criando o meu neném, amamentando ali dentro de casa, né?
08:24E vivendo tudo isso.
08:26Então, o puerpério, que é um momento muito sensível para nós, mulheres, depois do nascimento da criança,
08:32ele precisa ser vivido com muito cuidado, né?
08:36Com muito suporte, com rede de apoio.
08:38E eu estava me sacrificando muito na dedicação ao mandato e conciliando com os cuidados com a minha criança,
08:46meu autocuidado, né?
08:47Eu acabei ficando muito exausta.
08:50Eu tenho falado dessa exaustão na política, né?
08:53Claro que a gente critica esses que ocupam a política só para defender seus interesses,
08:58seus privilégios, que não estão nem aí para a vida do povo.
09:01Mas nós que somos, de origem popular, vida real,
09:04quando a gente ocupa esses espaços, somos trabalhadoras da política.
09:07E eu era uma mãe trabalhadora da política, sem tempo para descansar.
09:12Às vezes, as sessões de plenário varavam a madrugada adentro.
09:16E eu me senti mesmo numa sinuca de bico, assim, de como eu posso me proteger.
09:23E num contexto também de muita violência política, de gênero e raça.
09:28A senhora sofreu algumas ameaças?
09:30Eu sofri ameaças, sofri ameaças digitais, sofri agressões,
09:35inclusive em atividades presenciais.
09:39Então, é um ambiente que vai testando a nossa fé o tempo inteiro, né?
09:43Quase que existe um mecanismo ali de expulsão das mulheres,
09:47principalmente mulheres negras, mulheres periféricas,
09:50mulheres de origem popular, assim, né?
09:52É um ambiente muito nocivo para as mulheres em geral.
09:55Não importa o posicionamento político ideológico, assim.
09:58Acaba sendo muito tóxico.
10:00Então, como que a gente se protege?
10:03E, nesses últimos anos, atuando na sociedade civil,
10:06eu colaborei com várias iniciativas de enfrentamento
10:09à violência política de gênero e raça no Brasil
10:11e de fortalecimento das mulheres na política institucional.
10:15Porque eu acho que essa é uma agenda para a democracia, né?
10:18Que é uma necessidade para o Brasil, para a população como um todo,
10:22para a gente sair dessa situação de estar na lanterna de representação feminina.
10:27Isso tem reflexos na qualidade da política que se faz nas instituições.
10:31Só para a gente matar esse assunto,
10:33caso o eleitor venha votar na senhora no Senado,
10:37pode esperar um processo contínuo ou talvez tenha uma nova pausa?
10:43A vida da gente é feita de muitas...
10:48A gente faz apostas, né?
10:49E, claro, que meu desejo é estar por inteiro, investida de um cargo,
10:57atuando com muita força, com muita determinação,
11:01porque essa é a minha característica, né?
11:02Eu gosto muito do trabalho legislativo,
11:05a parte de criar propostas, né?
11:09Debater publicamente, estar em comissões.
11:12Isso realmente, para mim, é um negócio muito fascinante.
11:15Eu fico muito empolgada.
11:18E, claro, meu filho já está crescido,
11:20eu não tenho intenção de ter mais criança, né?
11:23Então, eu estou num outro momento da minha vida,
11:25já estou com 42 anos.
11:26Então, eu me sinto na minha condição mais plena nesse momento,
11:32mais inteira, mais fortalecida, mais preparada, né?
11:36Mais consciente dos limites também.
11:38E eu acho importante falar sobre isso,
11:40porque eu sou uma mulher comum.
11:41Eu não sou uma pessoa extraordinária.
11:44Não, eu sou uma mulher comum,
11:46uma pessoa que se indignou,
11:47que viveu desde a adolescência em espaços de organização social,
11:51e fui entendendo que eu podia ir avançando.
11:54E eu quero encorajar outras mulheres
11:56a estarem em espaços de liderança também.
11:59Não só na política institucional,
12:00mas onde quer que a gente queira atuar, liderar, fazer a diferença.
12:04Então, eu quero dizer que nós somos humanas,
12:06e a gente pode repensar a trajetória.
12:09A gente não tem que vestir uma camisa assim, apertada,
12:12como se aquilo fosse um destino que não tem escapatória.
12:16Então, pensar que nós temos trajetórias e que o nosso bem-estar,
12:22a nossa saúde mental, tudo isso é tão importante quanto o trabalho
12:26que a gente vai desempenhar de interesse público.
12:30A gente não pode fazer com que a nossa dedicação, de repente,
12:33se torne um sacrifício, algo que vai custar a nossa saúde, a nossa alegria.
12:38Porque eu também quero continuar fazendo política com alegria.
12:41Quando eu comecei a ficar meio triste, eu falei,
12:43está na hora de entender a minha vida, o que eu vou fazer com isso.
12:47E agora eu volto, muito feliz de volta com essa possibilidade,
12:53e sabendo que eu tenho muito mais para dar.
12:55Agora, a senhora foi a vereadora, uma das vereadoras mais votadas,
13:01a deputada federal também uma das mais votadas,
13:03mas essa disputa para o Senado é um pouco mais acirrada,
13:06são só duas vagas, precisa de uma votação mais extensa ali por Minas Gerais.
13:10Como que vai ser esse movimento de ir até as cidades?
13:14Qual que é o plano da senhora nessa corrida?
13:17Silvia, ótima questão.
13:18Começando pela característica dessa eleição de renovação do Senado,
13:26com duas vagas em cada um dos estados do Brasil.
13:30Muitas vezes a população não consegue acompanhar,
13:33entender muito bem a diferença do Senado para a Câmara dos Deputados.
13:37Então, rapidamente, o Congresso Brasileiro tem duas casas.
13:41O Senado é a casa que representa os estados da federação.
13:44Por isso que nós temos 81 senadores, são três senadores representando cada unidade da federação.
13:51Diferentemente da Câmara dos Deputados, que representa a população dos estados.
13:55Por isso que a gente tem uma representação proporcional,
13:57conforme o tamanho da população de cada estado.
14:00Minas Gerais são 53 deputados federais e cada estado vai ter um tamanho de bancada diferente.
14:06Então, as questões do Estado precisam ser defendidas no Senado
14:11por gente que conhece a realidade do povo e que, acima de tudo,
14:15tem compromisso com a Constituição, com garantias de direitos, com a participação democrática.
14:21E tudo isso é minha bagagem, é minha história por excelência,
14:27é como eu vinha fazendo política e como eu aprendi e quero continuar fazendo.
14:31Então, circular no Estado de Minas Gerais,
14:34sobretudo naquelas cidades em que eu tenho uma entrada,
14:37eu quero, claro, continuar cultivando laços, presença, escuta,
14:44ouvir as pessoas, ouvir as demandas.
14:46É esse o trabalho que eu tenho feito desde o lançamento da minha pré-candidatura,
14:50de circulação, de estar mais junto.
14:53E tem um desafio que é da própria estratégia digital,
14:57como que a gente alcança o maior número possível de pessoas
14:59para me tornar mais conhecida no Estado também,
15:03porque hoje eu sou mais conhecida em Belo Horizonte, na região metropolitana,
15:06embora tenha sido votado em quase todos os municípios de Minas Gerais
15:10quando eu fui candidata a deputada federal.
15:12Mas, é claro, não é comparável o desempenho proporcional
15:15para uma candidatura majoritária para o Senado.
15:18E dizer que, sendo duas vagas, a gente pode fazer uma eleição ganha-ganha
15:22no nosso campo progressista.
15:25Eu tenho visto com muito entusiasmo a pré-candidatura
15:29da prefeita Marília Campos, de contagem,
15:32e eu estou torcendo muito para que se consolide a candidatura da Marília
15:36para que a gente possa fazer uma dobradinha de mulheres, de luta,
15:39que trazem pautas muito abrangentes, que têm esse compromisso de vida.
15:44Somos gerações diferentes, dialogamos de forma diferente,
15:47com diferentes públicos, e eu acho que, somando as nossas forças,
15:51a gente só tem a ganhar.
15:53E lembrar que, em 2018, quando a gente tinha só uma vaga para o Senado,
15:57a ex-presidenta Dilma concorreu, infelizmente o campo progressista
16:02não teve uma estratégia muito acertada de fazer o ganha-ganha.
16:07Aliás, eram duas vagas, a presidenta Dilma concorreu,
16:10e não teve essa amarração de ganha-ganha-voto para dobradinha com a Dilma.
16:16E acabou que o segundo voto de quem votou na Dilma
16:18foi sendo como se fosse dispersado para outras candidaturas,
16:24inclusive candidaturas que não são exatamente progressistas.
16:30É importante dizer que o voto nem sempre é coerente.
16:34O perfil de votação é algo complexo,
16:37e as pessoas podem votar numa candidatura de um campo político
16:41e em outra de outro campo.
16:44Então, compreender isso como parte da matemática eleitoral
16:47é fundamental para a gente não errar.
16:50Claro que tinha toda uma onda ali de ataques contra a presidenta Dilma,
16:55uma onda contrária ao partido dos trabalhadores,
17:01mas é importante considerar que teve peso a falta dessa estratégia
17:05de ter uma segunda pessoa ali que pudesse casar a votação com a Dilma
17:10para ela ser eleita senadora.
17:12Então, acho que agora, em 2026, a gente tem a chance
17:15de editar uma outra estratégia.
17:19E eu fico muito empolgada com a possibilidade de fazer isso,
17:25até como um exercício criativo,
17:27de avanço dos caminhos do nosso campo progressista em Minas Gerais.
17:32A senhora falou da Marília Campos,
17:34mas existe uma indefinição ainda sobre o nome dela dentro do PT.
17:37Como a senhora enxerga esse momento que ela está passando?
17:40E faria essa dobradinha com o Alexandre Silveira?
17:42Olha, esse momento de indefinição vai gerando uma incerteza muito grande
17:51em todo o nosso campo.
17:53Claro que, do lado adversário, a gente vê também muitas indefinições ainda,
18:01mas quanto antes a gente tivesse já clareza de quem serão os nomes
18:07para o governo de Minas, para o Senado,
18:11como é que as chapas proporcionais estão sendo desenhadas também.
18:15Mas a gente tem tempo para preparar o terreno e construir com a população,
18:21fazer escuta e apresentar campanhas que vão ser vencedoras,
18:26que essa é a nossa intenção.
18:28Então, a gente fica nessa expectativa de ver que tem uma centralidade muito grande
18:35do presidente Lula na determinação dessas escolhas.
18:40Então, cada Estado passa por um cálculo específico de alianças,
18:45de conjuntura local.
18:49Então, eu acho muito importante.
18:51O ministro Alexandre Silveira já foi candidato ao Senado,
18:57teve um excelente desempenho.
19:01Teríamos que entender se, de fato, se consolida a candidatura dele ou não.
19:07Mas o que interessa é que nós somos lideranças do campo
19:10para a reeleição do presidente Lula,
19:12que é a nossa prioridade absoluta,
19:14para continuar preservando o projeto democrático no Brasil.
19:17A gente vive um momento de transição em que assegurar que lideranças emergentes
19:24vão fazer parte dessa nova fase da democracia brasileira é muito importante.
19:32Então, eu me coloco nesse bojo de lideranças emergentes
19:37com uma força, um potencial que precisa mesmo de espaço para crescer.
19:43E, claro, humildemente, me coloco totalmente à disposição para o diálogo,
19:48para somar forças,
19:50porque o que interessa o nosso bem maior
19:53é conquistar melhorias para a vida do povo.
19:57E a gente não vai fazer isso se a democracia brasileira estiver fragilizada ou ameaçada.
20:02Então, acho que nessas horas a confluência político-eleitoral
20:07é uma questão de sobrevivência,
20:09é uma questão de juízo, vamos dizer assim.
20:11E a gente precisa muito dessas aproximações, dessas alianças.
20:16E é a política que eu gosto de fazer também.
20:19Pelo que eu entendi, é uma construção, então.
20:21Independente de quem ser o nome, a reeleição do Lula tem que estar garantida.
20:26Com toda certeza.
20:27Essa é uma prioridade do PSOL.
20:29Ainda que a gente não possa formar uma aliança formal
20:33com determinados partidos do campo,
20:36a gente tem essa aliança que é estratégica,
20:38divisão para o Brasil.
20:39E nós vamos caminhar juntos, né?
20:41A reeleição do presidente Lula é a nossa prioridade número um.
20:46E junto com isso, claro, eleger um legislativo aliado do povo brasileiro, né?
20:51Porque esse congresso que está lá, pelo amor de Deus,
20:53assim, é dia após dia,
20:55é só notícia ruim, né?
20:58Aquela maioria que está lá hoje
20:59não representa a maioria da população brasileira.
21:02é uma distorção absurda, né?
21:04São donos do poder econômico que usam do poder político
21:09para fazer valer os seus interesses, as suas negociatas.
21:14Vira e mexe é um congresso que aprova medidas desastrosas, né?
21:17Contra licenciamento ambiental,
21:20para aumentar privilégios dos próprios políticos.
21:24Então, tem uma série de coisas ali
21:26que a gente precisa barrar,
21:28mas a gente só vai conseguir se compor
21:30um outro quadro para o legislativo,
21:32para as assembleias estaduais e para o Congresso Nacional.
21:35Então, a gente não pode perder de vista
21:37a importância da eleição de deputados
21:40e senadores em 2026, né?
21:43Às vezes o foco fica muito na campanha presidencial
21:45e dos governos e o legislativo
21:48fica um pouco no segundo plano.
21:51E é exatamente esse erro
21:53que está fazendo a gente pagar um preço muito alto, né?
21:56Porque estão se formando maiorias antipovo,
21:59antidemocráticas,
22:00que aprovam medidas muito atrasadas, né?
22:04Então, a gente está perdendo muito tempo
22:07tendo que barrar esses retrocessos, né?
22:10Muitas vezes a gente não consegue impedir todos
22:12e a gente deveria estar em outra energia, né?
22:15De proposição, de avanço, de melhorias,
22:18de criação, de um outro momento
22:21para o Brasil experimentar o florescimento
22:24da sua democracia, que ainda é tão jovem, né?
22:27Mas eu sou esperançosa.
22:29Apesar de tudo, o cenário é difícil.
22:31Globalmente também, o avanço da extrema-direita
22:34é um traço dessa quadra do século XXI, né?
22:39Então, a gente precisa contrapor
22:41com um trabalho popular,
22:42um trabalho educativo,
22:44em que a gente vai formando pessoas,
22:46formando lideranças,
22:47porque não vai ter um salvador da pátria, né?
22:49Não vai ser meia dúzia de gente
22:51que vai resolver isso.
22:52Tem que ser uma construção cotidiana,
22:54em que as pessoas vão se corresponsabilizando.
22:57E é nisso, é nessa política que eu boto fé, né?
23:00E é essa política que eu levo
23:01para o espaço institucional.
23:04O Senado, como a senhora mesmo comentou
23:06aqui ao longo da nossa conversa,
23:07ele é lido como uma casa mais conservadora,
23:10inclusive aqui em Minas Gerais,
23:13desde a redemocratização,
23:15a gente não conseguiu eleger nenhum político
23:19desse lado progressista,
23:20do lado da esquerda,
23:22dentro dessa casa.
23:24Como que a senhora vê
23:25uma forma de quebrar esse padrão?
23:27Você acha que 2026 vai ser um momento
23:29que vai se conseguir trazer novamente
23:32esse campo político de volta
23:35para a casa aqui representando Minas Gerais?
23:37Silvia, eu vejo que uma grande novidade
23:41é o surgimento de mulheres progressistas
23:44dispostas a ocupar o Senado.
23:46Aqui em Minas, Marília e eu
23:49estamos nos projetando como pré-candidatas.
23:52No Rio de Janeiro, a gente tem a Benedita da Silva,
23:56que é esse grande patrimônio,
23:58esse monumento da democracia brasileira,
24:00se colocando como pré-candidata ao Senado.
24:02Nós temos a Manuela Dávila,
24:04no Rio Grande do Sul, se colocando também.
24:07E temos outros nomes em discussão.
24:09A própria Marina Silva,
24:11que é a ministra do Meio Ambiente
24:12e da Mudança do Clima.
24:13A Simone Tebet,
24:15que também compõe o governo Lula.
24:17A gente tem outros nomes de destaque
24:19de mulheres inspiradoras, corajosas,
24:22que defendem a democracia
24:23e que estão entendendo que o Senado
24:26precisa ser o nosso foco de atenção,
24:30se colocando para essa tarefa decididamente.
24:34E eu vejo que isso pode trazer uma novidade
24:37muito positiva para o processo eleitoral,
24:40de mulheres progressistas se colocando no Brasil inteiro.
24:44Vocês sabem que eu gosto de campanha coletiva,
24:46essa é a minha característica.
24:48Então, eu fico sonhando com uma campanha coletiva
24:51de senadoras pelo Brasil inteiro.
24:53E a gente formar uma bancada de mulheres
24:56mais firmeza, corajosas e que são muito íntegras
25:00na defesa das suas causas,
25:02que são causas democráticas.
25:04Só lembrar um episódio terrível,
25:06quando a ministra Marina Silva,
25:09num momento no Senado,
25:11em uma comissão,
25:12foi agredida por senadores
25:14e chegou a ouvir que ali
25:15ela devia se colocar no lugar dela.
25:18Nada mais machista,
25:19mais repugnante.
25:21E esse descaramento machista, agressivo,
25:25precisa ser barrado.
25:27Então, eu acho que a população,
25:29prestando mais atenção na eleição para o Senado,
25:32que costumava passar meio batido,
25:35acho que agora, entendendo também
25:37o quanto é crítico ocupar o Legislativo,
25:40acho que vai dar uma resposta muito interessante.
25:43Eu acho que pode ser uma eleição surpreendente
25:45e, com isso, a gente muda um pouco
25:48esse perfil histórico de Minas Gerais
25:50nunca ter formado uma bancada de Senado
25:53arrojada, progressista, como a gente merece.
25:57Deputada, como que a senhora enxerga
26:00a ascensão da extrema-direita aqui em Minas Gerais?
26:03Você defende pautas muito diferentes
26:05do Nicolas Ferreira, por exemplo,
26:06mas vocês têm uma carreira parecida,
26:08passaram pela Câmara Municipal,
26:09depois foram para Brasília.
26:11Como que a senhora enxerga esse movimento?
26:13Olha, Ana,
26:15a ascensão da extrema-direita
26:17não pode ser lida só no nosso contexto de Minas Gerais.
26:20Primeiro, é um fenômeno mundial.
26:23A gente vê, em vários países,
26:26nos Estados Unidos,
26:27o retorno do Donald Trump
26:29à presidência da República
26:30é algo desastroso mesmo,
26:35porque representa retrocessos em escala global,
26:39ameaças de direitos,
26:41uma série de medidas que são violentas,
26:44que são de violação de direitos mesmo das pessoas,
26:49a perseguição à população migrante,
26:52o ódio à xenofobia,
26:54o ódio racial,
26:56essa tentativa de ser dono do mundo
26:58e sair taxando os países,
27:00impondo a sua política externa
27:02e a sua política militar também.
27:05Então, isso para exemplificar,
27:07mas são vários casos
27:09de lideranças populistas de extrema-direita
27:12que foram ganhando proeminência
27:14no cenário global.
27:16E, no Brasil, nós tivemos
27:17um dos grandes expoentes disso,
27:20que, felizmente, hoje,
27:21está cumprindo uma sentença
27:24por ter tentado golpear a democracia brasileira.
27:26Então, o Bolsonaro se tornou
27:29um dos grandes artífices
27:30de catalisar mesmo esse sentimento
27:33antissistêmico,
27:34mesmo ele sendo um cara
27:36que sempre participou
27:37do sistema político,
27:39mas ele se apresentava
27:41como um outsider,
27:43e isso colou,
27:44a população foi vendo nele
27:45por seu discurso machista,
27:49por seu discurso racista.
27:51Tem uma raiz autoritária
27:53na cultura brasileira
27:54em que as pessoas
27:55ainda reproduzem esses comportamentos
27:58e, quando veem isso sendo legitimado
28:00por pessoas de projeção pública,
28:04acabam achando que,
28:06não, está certo,
28:06ele pensa como eu,
28:08ele defende as coisas que eu defendo,
28:10quando, na verdade,
28:11são figuras hipócritas
28:14que não defendem a família coisa nenhuma.
28:16A gente vai ver qual é o arranjo familiar
28:17dessas pessoas.
28:19É uma família que vive
28:20num ranca-rabo,
28:21ninguém se respeita,
28:22uma família que não tem nada
28:23de exemplar para o Brasil.
28:26E as pessoas que realmente
28:27defendem a família,
28:29que defendem famílias saudáveis,
28:31famílias com amor,
28:32famílias acolhidas,
28:34vão sendo desqualificadas
28:37como se não fizessem isso.
28:38Então, a extrema-direita
28:40tem uma capacidade
28:42de vender gato por lebre,
28:45de contar a realidade
28:46de uma forma completamente mentirosa.
28:48Não é à toa que é uma extrema-direita
28:50que se baseia em notícias falsas,
28:52em fábrica de desinformação.
28:54Tem todo um aparato,
28:56uma infraestrutura mesmo
28:57de comunicação e de mobilização
28:59para fazer convencer as pessoas
29:02de que essas posições
29:03são as mais corretas.
29:05São pessoas que vão em cima do medo,
29:09da insegurança da população.
29:11A gente vive um mundo
29:12de muitas incertezas,
29:14a questão da violência urbana,
29:16a questão da renda,
29:18os valores para a minha família,
29:20a crise climática.
29:22Então, na falta de respostas,
29:25essas pessoas oferecem
29:26um pacote pronto.
29:27A extrema-direita faz isso.
29:29Soluções fáceis,
29:30como se problemas complexos
29:32como a gente vive no Brasil
29:34pudessem ser resolvidos
29:36da noite para o dia.
29:37Infelizmente, por uma série de razões,
29:39isso tem aderência na população.
29:43Mas eu diria assim,
29:44que quando a gente faz
29:45um trabalho de proximidade,
29:47eu sou ainda daquelas que acreditam
29:50no trabalho de formiguinha,
29:51no um a um,
29:52na organização ali do bairro, sabe?
29:55Fazer um mutirão na comunidade,
29:58organizar uma horta comunitária,
29:59enfim.
30:00Quando a gente se junta
30:01para fazer tudo isso,
30:02a gente mostra que
30:04a resposta não está no ódio,
30:07a resposta não está na divisão.
30:09Pelo contrário,
30:10a resposta está na solidariedade,
30:12está na parceria,
30:14está em se confiar nas pessoas,
30:16uma sociedade muito desconfiada.
30:18Enfim,
30:19eu poderia ficar horas falando aqui,
30:20mas essas figuras que despontaram
30:23em Minas Gerais
30:24são figuras que dizem
30:26de um projeto,
30:28tristemente,
30:30muito fortalecido
30:32em todo o planeta.
30:35E a gente precisa combater isso
30:37com um trabalho muito sério,
30:39responsável, consequente.
30:41E eu não tenho medo
30:42de enfrentar isso,
30:43porque eu estou a serviço
30:47de algo que me mobiliza
30:50por dentro, sabe?
30:51Eu fiz essa pergunta
30:53porque o Nicolás Ferreira
30:54teve mais ou menos
30:55uma carreira parecida com a sua.
30:57A senhora enxerga a Câmara
30:59como um trampolim
31:00agora num ano eleitoral?
31:02Porque, querendo ou não,
31:03a gente também tem muitas candidaturas
31:04hoje na Câmara Municipal
31:05de Belo Horizonte
31:06que também são desse lado
31:08da extrema-direita,
31:09que pretendem focar em vagas
31:10tanto no Senado
31:11quanto também na Câmara.
31:14A Câmara Municipal
31:15pode ser sim um trampolim
31:16nesse sentido mais negativo
31:17quando o projeto é eleitoreiro,
31:21é um projeto de usar
31:22o poder político
31:23para se dar bem,
31:25para tentar fazer valer.
31:29É isso, é um jogo de interesses.
31:31E se a gente for puxar
31:32a ficha de patrimônio,
31:35tanto que esses caras
31:36estão fazendo o pé de meia deles,
31:40utilizando da política institucional
31:42como um caminho
31:43para reforçar os seus interesses econômicos,
31:48isso não está no mapa.
31:50Então, é trampolim nesse sentido.
31:52Mas não é trampolim
31:53quando isso faz parte
31:54de uma trajetória
31:56de muito embasamento,
31:58de muito compromisso
31:59e de integridade.
32:01Eu fui eleita
32:02deputada federal
32:03durante o mandato de vereadora
32:05e continuei trabalhando
32:07muito comprometida com Belo Horizonte.
32:09E deixou pessoas lá também, né?
32:11Exato, formamos a Gabinetona,
32:13fiz a sucessão à Bela Gonçalves,
32:15que era suplente,
32:16assumiu o mandato de vereadora,
32:18hoje ela é deputada estadual.
32:19Então, o nosso projeto,
32:21ele tem essa característica
32:24de sustentação coletiva, né?
32:27A gente não está ali fazendo despontar
32:29uma ou outra figura
32:31que vai se dar bem.
32:32Então, eu acho que a gente tem que olhar
32:34criticamente, caso a caso.
32:36E a população tem que fazer
32:38a sua avaliação,
32:40tem que premiar aquelas pessoas
32:41que têm trabalho real
32:43para demonstrar.
32:43Não é gente que fica
32:44fazendo espetáculo de rede social,
32:47fica esbravejando,
32:48gravando vídeo,
32:49ofendendo os outros.
32:51Acho que não é por aí o caminho.
32:52Eu não aguento mais isso, sabe?
32:54E eu acho que as pessoas
32:55estão do saco cheio também.
32:56Em geral, as pessoas não aguentam mais
32:58esse ambiente de brigaiada,
33:01enfim.
33:01A gente precisa sair
33:03dessa rota de colisão
33:05e pensar num caminho,
33:06um caminho mais saudável
33:09para a política, né?
33:10E não só confiar que isso é possível,
33:13mas fazer por onde, né?
33:14Demonstrar nas nossas práticas
33:16que a gente quer fazer isso dar certo.
33:19Agora, pegando esse gancho da Câmara,
33:21a gente tem visto um movimento
33:23ali dentro, inclusive,
33:25do PL,
33:25que é esse representante
33:26da extrema-direita,
33:28assumindo uma função
33:29que não é exclusiva da esquerda,
33:32mas que é tradicionalmente dela,
33:33que é esse campo de oposição
33:35ao governo,
33:36de oposição à prefeitura.
33:38Como que a senhora enxerga
33:39esse movimento desse grupo
33:41que está muito associado
33:42a pautas de costume,
33:44a pautas extremistas,
33:45tomando essa posição aí
33:47que está vindo
33:47num destaque um pouco maior
33:49do que a esquerda?
33:51Como que a senhora enxerga
33:52esse movimento?
33:55Olha,
33:55é importante a gente compreender também
33:59como é que é a estrutura
34:00do sistema político
34:01e dos partidos do Brasil, né?
34:03O PL hoje é um partido
34:05muito forte,
34:07porque conta com uma estrutura
34:09de financiamento partidário,
34:11também terá financiamento eleitoral,
34:13de acordo com o tamanho
34:16da sua participação
34:18no legislativo, né?
34:21Então,
34:22é um cálculo que se faz,
34:26de projetar lideranças
34:28e instrumentalizar
34:29essa estrutura
34:31para continuar ganhando espaço,
34:33poder político
34:33e poder econômico, né?
34:35Uma coisa que chama
34:36a minha atenção,
34:37por exemplo,
34:37é o apelo que se faz
34:39para que mais mulheres
34:41sejam candidatas
34:42e se filiem
34:43a esses partidos
34:44de direita,
34:45de extrema direita,
34:46e não necessariamente
34:49esses partidos
34:50estão interessados
34:51em defender direitos
34:52das mulheres,
34:53é porque
34:54tem uma obrigação
34:55de cumprimento
34:56da cota eleitoral,
34:59da cota de 30%
35:00no mínimo
35:01para candidaturas
35:02de mulheres,
35:03tem uma série
35:04de compromissos
35:05em relação
35:06à destinação
35:06de recursos,
35:07de financiamento
35:08em tempo de rádio e TV,
35:10por ajustes
35:11que a legislação
35:12foi fazendo,
35:13a justiça eleitoral
35:14foi cobrando
35:15que os partidos
35:16tenham mais compromisso
35:17com esse princípio
35:18da igualdade gênero
35:19e da igualdade racial,
35:21também na formação
35:22das suas chapas,
35:23mas esses partidos
35:24também são aqueles
35:26que apresentam
35:27candidaturas laranjas,
35:28porque usam as mulheres
35:30para serem candidatas
35:31e não têm um apoio efetivo,
35:33não estão ali de verdade
35:35interessados
35:36em trazer
35:37o que significa
35:39uma política de cuidados,
35:42em que as mulheres
35:43são tomadoras
35:44de decisão
35:45e vão transformar
35:47a política
35:48a partir das suas necessidades,
35:49enfim,
35:50eu acho que nós mulheres
35:51temos muito mais em comum,
35:53é claro que nós temos
35:54diferenças
35:54as mais
35:56variadas possíveis,
35:58mas nós temos
35:59muito em comum
35:59quando a gente fala
36:00das necessidades
36:01de cuidado,
36:02sabe?
36:03Então, esses partidos
36:03muitas vezes
36:04são oportunistas
36:05de pegar interesses
36:07legítimos da população
36:08e fazer aquilo
36:09descambar
36:10para essas pautas
36:11extremistas,
36:12eu tinha
36:14um convívio
36:15com mulheres,
36:16tanto na Câmara Municipal
36:17quanto em Brasília,
36:19de outras posições políticas,
36:21mas a gente
36:22interagia muito bem,
36:24em geral,
36:25assim,
36:25o relacionamento
36:25era muito bom
36:26e a gente tinha
36:27muita concordância
36:28no enfrentamento
36:29à violência
36:29contra as mulheres,
36:30que a gente precisa
36:31acabar
36:32com essa realidade
36:33absurda
36:34no Brasil,
36:35de uma epidemia
36:36de feminicídios,
36:37de ódio
36:38contra as mulheres,
36:39e a gente falava
36:40da representação
36:41das mulheres
36:41como um valor
36:42em si
36:42para todas nós,
36:44que a gente pudesse
36:44ter espaço democrático
36:47para falar
36:48das nossas diferentes
36:49visões para o Brasil
36:50e isso era muito interessante,
36:52já com os homens
36:53não era possível
36:54porque era uma política
36:55muito mais agressiva,
36:56claro que a gente
36:57tem parceiros
36:58e aliados homens,
36:59mas o lado
37:00da violência
37:01partia muito mais
37:02desses homens,
37:03trogloditas,
37:05agressores,
37:06principalmente
37:07de extrema direita
37:08que não sabem
37:09conversar,
37:10então eu acho
37:11que a política
37:12feita pelas mulheres,
37:13ainda que nós tenhamos
37:14muitas divergências
37:15políticas,
37:17ela costuma ser
37:19mais interessante,
37:20mais rica,
37:21mais conectada
37:23com os interesses
37:23da população,
37:25então o que eu diria
37:26é que a gente precisa
37:27ter muita atenção
37:29e muito cuidado
37:29com a movimentação
37:31desses partidos,
37:32no sentido de
37:33regimentar lideranças
37:35que muitas vezes
37:36vão ser manipuladas
37:37ou vão ser levadas
37:38para um caminho
37:39que não necessariamente
37:40seria o caminho
37:41inicial ou natural
37:42delas,
37:43talvez seriam pessoas
37:44muito mais maleáveis,
37:45muito mais interessantes
37:46de construir politicamente
37:48se não tivessem
37:49debaixo
37:50dessa pressão
37:52de ter que seguir
37:53uma agenda extremista
37:55e acabar jogando
37:56esse jogo
37:56do espetáculo digital,
37:58enfim,
37:59que todo mundo
37:59sai perdendo.
38:00Mas nesse caso
38:01da oposição
38:02ao prefeito
38:03Álvaro Damião,
38:04não te incomoda
38:05o fato
38:05da esquerda
38:07não ocupar
38:07mais esse espaço?
38:09Belo Horizonte
38:10a gente tem
38:10um quadro
38:11meio complexo,
38:12porque a prefeitura
38:14é uma formação
38:16de...
38:16é uma coxa
38:17de retalhos
38:17politicamente ali,
38:19a gente já vem
38:20nessa situação
38:21desde a gestão
38:25do ex-prefeito
38:25Márcio Lacerda,
38:27a gestão
38:27do Calil
38:28também tinha
38:29essa marca
38:30de muitas diferenças
38:32internas,
38:33mas isso
38:34no Álvaro Damião
38:35eu acho que está
38:36muito mais
38:37deflagrado,
38:38muito mais difícil
38:39assim.
38:40Lembrar que
38:41o Fuad Noman,
38:45que foi
38:45a candidatura
38:47que acabou
38:47recebendo
38:48um respaldo
38:48do campo progressista,
38:51não conseguiu
38:52estruturar,
38:54não teve tempo
38:55de estruturar
38:55um time
38:56mais coeso,
38:57então quando assume
38:58Álvaro Damião
38:58a coisa vai tomando
38:59outro caminho.
39:01Acho que é uma gestão
39:03que tem as suas
39:03contradições,
39:04as suas dificuldades,
39:05quando a gente
39:06foi debater,
39:07por exemplo,
39:07a tarifa zero
39:08em Belo Horizonte,
39:09o prefeito
39:09foi muito hostil,
39:11não abriu espaço
39:11para conversar
39:12com o movimento,
39:14não fez um esforço
39:17também para
39:17compreender
39:18as propostas
39:19que vinham
39:19da sociedade civil,
39:21dos parlamentares
39:22da Câmara,
39:23que estavam fazendo
39:24estudos técnicos
39:24de viabilidade,
39:26enfim,
39:26simplesmente resolveu
39:28detonar a ideia
39:29e depois veio
39:30com a gratuidade,
39:32a tarifa zero
39:33aos domingos
39:34e feriados,
39:35mas aumentando
39:36o custo da tarifa,
39:37ou seja,
39:38que jogo de cena
39:39é esse?
39:40Porque se estivesse
39:41querendo debater
39:42seriamente
39:42tarifa zero
39:43para a população,
39:45ter o transporte
39:45como um direito,
39:46poder circular,
39:47poder trabalhar,
39:48poder viver
39:49a cultura da cidade,
39:50a gente não estaria
39:52com essa medida
39:52que, claro,
39:54é um ganho,
39:54a gente celebra,
39:55é fruto da luta
39:56da tarifa zero,
39:57mas que é muito mais
39:58um jogo oportunista
40:00do que, de fato,
40:02uma resposta séria.
40:03E eu acho que a tarifa zero
40:04exemplifica o que é a realidade
40:06da gestão municipal hoje.
40:08O prefeito Álvaro Damião
40:09vem falando sobre essa questão
40:10da tarifa zero,
40:11que é uma conversa
40:12que ele tem que ter
40:12com o presidente Lula
40:13no âmbito mais nacional.
40:15Caso a senhora
40:15seja eleita senadora
40:16da República,
40:17pretende, talvez,
40:18fazer esse contato
40:20entre Lula e Álvaro
40:23para poder discutir
40:23essa pauta?
40:24Com toda certeza.
40:25Essa é uma luta
40:26que eu já trago há anos,
40:28eu acompanho o movimento
40:29Tarifa Zero,
40:30desde o seu surgimento
40:31em Belo Horizonte,
40:33a gente tem um compromisso
40:34muito sério
40:35com as pessoas
40:36de Belo Horizonte,
40:37com quem vive aqui
40:38na região metropolitana,
40:40eu participei
40:41de articulações
40:42para que a gente pudesse
40:43conquistar a gratuidade
40:45no dia da votação,
40:46nas eleições,
40:47isso é uma medida
40:48muito importante
40:49para reduzir
40:50a abstenção eleitoral,
40:51para que a população
40:52possa lá exercer
40:53o seu direito político
40:54de escolher nas urnas
40:55quem deve governar,
40:56quem deve legislar.
40:58Então,
40:58essa é uma agenda
40:59de compromisso
41:00com a cidade,
41:01com as pessoas,
41:02não é de compromisso
41:03com o prefeito,
41:03A ou B,
41:05não é o compromisso
41:05de um presidente,
41:07isso tem que ser
41:08uma causa
41:09que nos une
41:10por sua necessidade,
41:13por ser um bem
41:14que indiscutivelmente
41:16traria melhoras
41:17para o comércio local,
41:18traria investimentos
41:19para Belo Horizonte,
41:20a gente tem vários estudos
41:21que mostram que as cidades
41:23que já têm tarifa zero
41:24tiveram melhorias importantes
41:27na economia local
41:28e, claro,
41:29na qualidade de vida
41:30das pessoas.
41:31A gente já está vendo
41:32que o ônibus em BH
41:33no final de semana,
41:34no domingo,
41:35as pessoas estão circulando mais,
41:37estão podendo passear
41:38no parque,
41:38enfim,
41:39curtir a vida,
41:40porque a vida
41:40não é só trabalhar.
41:42Teve um aumento
41:42de 40% da população
41:44ali entrando
41:44dentro dos ônibus,
41:45então acho que é
41:45uma questão importante.
41:47Com toda certeza,
41:48e reduz o número
41:49de carros,
41:49consequentemente,
41:51reduz a emissão
41:52de poluição,
41:53então,
41:54a tarifa zero
41:54é daquelas políticas
41:55que só tem benefícios,
41:57é uma dessas equações
41:59maravilhosas
42:00em que o bem-estar,
42:02o interesse público
42:03está acima
42:03de qualquer outra coisa.
42:05E que outras pautas
42:06que podem ser
42:07uma bandeira,
42:09uma frente
42:10que a senhora
42:11pretende atuar
42:12caso eleita?
42:13Silvia,
42:14uma questão muito crítica
42:15é o tema da saúde,
42:16pensar a defesa
42:17do SUS
42:19e pensar
42:20os cuidados
42:21de saúde integral,
42:23claro que ter
42:23atendimento médico
42:24perto de casa,
42:25ter uma unidade de saúde
42:26bem equipada,
42:28tudo isso é
42:29condição básica,
42:30mas a gente tem que pensar
42:31em saúde mental,
42:32em saúde para viver bem,
42:34a gente está vivendo
42:35num momento
42:36em que a população,
42:38os casos de ansiedade,
42:39depressão,
42:40de adoecimento psíquico
42:42estão crescendo
42:43cada vez mais,
42:44entre mulheres
42:45os números
42:45são alarmantes,
42:46as pessoas estão vivendo
42:47numa panela
42:49de pressão mesmo
42:50de ter que dar conta
42:52de tantas demandas,
42:54então a saúde
42:55tem que ser pensada
42:57nessa perspectiva,
42:58que saúde é ter também
43:00uma comunidade protegida,
43:01é ter segurança,
43:03é ter saneamento básico,
43:04é ter uma série
43:06de garantias
43:06para poder viver
43:08dignamente,
43:09ser uma pessoa
43:10cidadã
43:11é ter acesso
43:12a tudo isso
43:12que a Constituição
43:13brasileira prevê,
43:14então a perspectiva
43:15da saúde eu sei
43:16que é um dos temas
43:17críticos assim,
43:18que aparece lá
43:19no top 1
43:20das preocupações
43:21da população
43:22de Minas Gerais.
43:23Tem um debate
43:24também sobre
43:25os direitos
43:27das mulheres,
43:27enfrentar essa
43:29epidemia de feminicídios,
43:31ter uma representação
43:32qualificada,
43:33uma voz aliada
43:35das mulheres
43:36na sua diversidade,
43:37nas suas diferenças,
43:38mas compreendendo também
43:39as especificidades
43:41das mulheres
43:41em termos de saúde,
43:43em termos de trabalho,
43:44igualdade salarial,
43:45oportunidades
43:46para ocupar
43:47espaços de poder
43:48e uma vida protegida,
43:50mulheres vivas
43:51e livres
43:51nós queremos
43:52e para isso
43:53tem também
43:53uma necessidade
43:54de reforma
43:55do sistema político
43:56brasileiro
43:56e o Senado
43:57é uma casa
43:57por excelência
43:58para liderar
43:59esses debates,
44:00a gente precisa
44:00corrigir distorções
44:01nos partidos,
44:03precisa garantir
44:04que os recursos
44:05para apoiar
44:06mulheres na política
44:07cheguem efetivamente
44:08para as mulheres,
44:08para as mulheres negras,
44:10para as mulheres periféricas,
44:11indígenas,
44:12mulheres lésbicas,
44:13bissexuais,
44:14transexuais,
44:15travestis,
44:15pensar que nós somos
44:17toda essa diversidade
44:19e que nós temos
44:20direito de viver bem,
44:22todo mundo merece
44:23viver bem
44:24e uma vida protegida.
44:27Outros temas
44:27que a gente tem discutido
44:29são a questão climática,
44:31que é urgentíssima,
44:33não dá mais
44:34para falar
44:34em qualquer perspectiva
44:36de prosperidade,
44:38de ter uma vida boa
44:40sem trazer
44:41a questão climática
44:42e socioambiental
44:43para o centro.
44:44Nós estamos vivendo
44:45essas chuvas,
44:47essas preocupações
44:48com eventos climáticos
44:49extremos,
44:50são inundações,
44:51são deslizamentos
44:52de terra,
44:53tornados,
44:54e isso vai se tornar
44:55cada vez mais frequente
44:56e mais intenso.
44:57Nós estamos vivendo
44:58um mundo
44:58de crise climática,
45:00de aquecimento global,
45:02e as medidas tomadas
45:03pelo conjunto
45:04dos países
45:05ainda não têm sido
45:06suficientes
45:06para reverter
45:07essa tendência.
45:09Então,
45:09a gente precisa
45:09decididamente
45:10de um trabalho
45:11de base popular,
45:13de construir
45:14rede de solidariedade,
45:15de proteção,
45:16em que as pessoas
45:16vão cuidar
45:17umas das outras
45:18nos seus territórios,
45:19proteger as nascentes,
45:20arborizar as suas comunidades,
45:23ter mais parques,
45:24ter hortas comunitárias,
45:26isso numa perspectiva micro,
45:28e numa perspectiva macro,
45:29a gente tem que pensar
45:30no financiamento
45:31para a transição ecológica,
45:33o modelo de economia
45:34que vai sustentar
45:36essa indústria verde,
45:37essa indústria sustentável,
45:39de fato.
45:40Então,
45:40esse é um debate
45:41que o Senado
45:41precisa trazer também
45:43e sempre comprometido
45:44com a soberania
45:45do nosso povo,
45:46porque também não interessa
45:47fazer uma matriz
45:49de energia solar,
45:50por exemplo,
45:51fazendo aquelas
45:52grandes fazendas,
45:53o novo latifúndio,
45:55a gente vê aqueles parques
45:56enormes de energia solar
45:58ou de energia eólica,
46:00fazendo remorção forçada
46:02de populações,
46:03violando o direito
46:03de populações
46:04dos territórios.
46:06Então,
46:06esse é um debate
46:07muito comprometido também
46:08com a autodeterminação
46:09dos povos
46:10e comunidades tradicionais,
46:11das populações atingidas.
46:13Nós estamos
46:14num estado
46:14em que a mineração
46:15tem um peso
46:17que é muito
46:19preocupante também.
46:22A gente quer
46:23que as pessoas
46:23tenham
46:24uma cidade
46:26com riqueza,
46:28com circulação
46:29de oportunidades
46:30de emprego,
46:31de renda,
46:32mas a gente
46:32não quer a mineração
46:33a qualquer preço,
46:34por isso a gente
46:35enfrenta a mineração
46:35predatória,
46:37todo esse debate
46:38vem junto,
46:38enfim,
46:38tem muitas agendas aí.
46:40Antes da gente
46:41acabar o nosso papo,
46:42hoje no estado
46:42de Minas,
46:43a gente publicou
46:43uma entrevista
46:44com o deputado federal
46:46Reginaldo Lopes,
46:48quando ele fala
46:49sobre o fim
46:50da escala 6x1,
46:51que finalmente destravou
46:52essa pauta
46:52no Congresso.
46:54Ele é um dos autores
46:54do texto,
46:55junto com a Erika Hilton,
46:56que é do seu partido,
46:58queria saber a sua opinião
46:58sobre o texto
46:59e como que você acha
47:01que vai acontecer agora
47:02nos próximos meses,
47:03porque é uma pauta
47:04muito carente
47:05e que aconteceu
47:06por pressão popular.
47:08Finalmente,
47:08né, Ana,
47:09essa pressão popular,
47:10porque de fato
47:10não é um tema novo,
47:12muitos parlamentares
47:13progressistas
47:13há anos
47:14têm falado
47:15da necessidade.
47:15O próprio Reginaldo?
47:16O próprio Reginaldo
47:17é um expoente
47:18de que a gente
47:19precisa urgentemente
47:21cuidar das pessoas,
47:23cuidar de quem trabalha.
47:25A gente
47:25não pode mais
47:28conviver com
47:29a escala 6x1,
47:30que é desumana,
47:32que maltrata as pessoas,
47:34faz com que as pessoas
47:35não tenham tempo
47:36para viver uma vida
47:37para além do trabalho,
47:38né,
47:39e justamente esse é o tema
47:40do movimento
47:41que deu origem
47:42a essa mobilização
47:43recentemente, né,
47:44vida além do trabalho.
47:45A vida não é só trabalhar,
47:47gente,
47:47a vida também é descansar,
47:49poder estar em casa
47:49com essas crianças,
47:50poder visitar
47:51aos seus parentes,
47:52poder passear,
47:53poder ir numa praça,
47:55poder ver um filme,
47:56ir num show,
47:57ir num pagode,
47:58e tudo isso
47:59é tão importante
48:01quanto trabalhar, né,
48:02e as pessoas
48:03estão muito sacrificadas,
48:06né,
48:06com jornadas pesadíssimas.
48:08Então,
48:08reduzir
48:09a escala de trabalho
48:12e reduzir
48:13a carga horária
48:14de trabalho
48:15são medidas fundamentais,
48:16né,
48:17a gente precisa
48:17ter no máximo
48:19uma jornada
48:19de cinco por dois
48:20com dois dias
48:21de descanso
48:22e a gente precisa
48:23garantir que ninguém
48:24vai trabalhar
48:24mais do que
48:25quarenta horas
48:26semanais, né,
48:27esse é o mínimo
48:28de dignidade
48:29pra gente poder
48:30avançar depois
48:30pra caminhos
48:31mais interessantes,
48:35né,
48:35uma preocupação
48:36que eu tenho
48:37é de que
48:37existe ainda
48:38muita incompreensão
48:41sobre esse assunto,
48:42né,
48:42as pessoas falam,
48:43ah, vai quebrar a economia
48:44e os empresários
48:45não vão aguentar
48:46e não sei o quê,
48:47quando
48:47tem várias evidências
48:49ao contrário
48:50de que
48:50ter mais qualidade
48:51de vida
48:52faz com que as pessoas
48:53trabalhem melhor,
48:54possam se dedicar mais,
48:56a produtividade
48:57vai ser convertida
48:58positivamente
48:59também, né,
49:01e nada melhor
49:01do que pessoas
49:02felizes, gente,
49:03ninguém aguenta mais,
49:04sabe,
49:04tá todo mundo
49:05nesse mundo confuso,
49:07assim,
49:07a gente quer ser feliz,
49:08gente,
49:08eu quero ser feliz,
49:09eu quero que a pessoa
49:09que trabalha comigo
49:10seja feliz
49:11e não faz sentido
49:12a gente achar
49:13que vai dar certo
49:14um patrão
49:15ou, sei lá,
49:16alguns poucos
49:17ultra-ricos
49:18controlando
49:20um tanto de gente
49:21insatisfeita,
49:22trabalhando
49:23infeliz, né,
49:25então eu acho
49:26que é uma questão
49:26de justiça,
49:27uma questão
49:27de dignidade,
49:29as pessoas
49:29que ralam
49:30todos os dias
49:31que enfrentam isso
49:32sabem muito bem
49:33e foi justamente
49:34um trabalhador
49:37de uma farmácia,
49:38né,
49:38o Rick Azevedo
49:39que se tornou
49:40vereador no Rio de Janeiro
49:41que se tornou
49:42um grande porta-voz
49:43dessa causa, né,
49:45ele começou a postar
49:45conteúdos falando
49:47da indignação dele
49:49de ter que trabalhar
49:50na escala 6x1
49:51e ele foi recebendo
49:52apoio e adesão
49:53e adesão
49:54e se tornou
49:54esse grande movimento
49:55no Brasil
49:55e felizmente
49:57isso hoje
49:58é uma prioridade
49:59para o governo federal,
50:00a gente vê
50:01várias lideranças, né,
50:02a deputada Erika Rio,
50:03o deputado Reginaldo Lopes
50:04e a gente vê
50:05que hoje tem um caminho
50:06muito mais possível
50:08disso ser aprovado
50:09no Congresso Nacional
50:10e eu estou muito
50:11nessa expectativa
50:12todo lado dessas pessoas,
50:14né,
50:14a vida tem que valer
50:15a pena por inteiro,
50:17né,
50:17e a gente tem que ter tempo
50:18para curtir
50:20a nossa vida também
50:21porque ninguém sabe
50:22do dia de amanhã
50:22a gente fica só
50:23se matando de trabalhar,
50:24né, gente,
50:25então se a gente quer
50:25isso para a gente
50:26tem que querer isso
50:27para todo mundo
50:28porque se eu estou bem
50:30e quem está ao meu lado
50:31está bem
50:31a gente vai conviver melhor
50:33vai ter uma vida
50:34mais tranquila, né,
50:36então pensar que isso
50:37só vai trazer benefícios
50:39e que é uma responsabilidade
50:40do empresariado,
50:41da classe política
50:42liderar essa bandeira também.
50:44Aória,
50:44queria agradecer
50:45sua presença aqui
50:45no Estado de Minas,
50:46um prazer falar com a senhora.
50:48Ah,
50:48muito prazer,
50:49Ana,
50:49Silvia,
50:49super obrigada,
50:50mulheres jornalistas também,
50:52né,
50:53ocupando essa visibilidade
50:56com boas ideias,
50:57com um excelente trabalho
50:59e obrigada a todo mundo
51:00que acompanhou aí na escuta.
51:02Obrigada,
51:02Silvia.
51:03Eu que agradeço,
51:04Ana.
51:04Para ver esse
51:05e outros destaques,
51:06é m.com.br.
51:07Tchau, tchau, gente!
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