00:00Pois é, daqui a pouco a gente traz outras informações relacionadas ao caso do Banco Master.
00:05Agora eu quero chamar a atenção, movimentando inclusive a reportagem da Jovem Pan News.
00:10O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, disse que quer votar o fim da escala 6x1 até o mês de maio.
00:17Vamos acionar a Júlia Firmino, chegar ao vivo aqui em Os Pingos nos Isfra e trazer detalhes dessa manifestação do presidente da Câmara dos Deputados.
00:25Júlia, seja bem-vinda. Ótima noite a você, suas informações, por favor.
00:30É isso mesmo, Caniato. Boa noite pra você, pra quem tá contigo aqui no Pingos nos Isfra, a nossa audiência também aqui na Jovem Pan.
00:40De fato, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, disse hoje que quer votar a PEC da escala 6x1 em maio, ou seja, daqui a pouco, daqui pouco mais de três meses.
00:53Aliás, pouco menos de três meses. Mota, inclusive, chegou a dizer que há uma boa vontade dos integrantes da casa, sejam eles apoiadores ou não do governo, pra discutir esse assunto.
01:07E aí a gente tem um trechinho da fala de Mota. Vamos acompanhar?
01:10E há uma boa vontade, independente dos partidos da base aliada ou da oposição, em fazer essa discussão.
01:17As pesquisas recentes mostram que quase 80% da população brasileira é a favor dessa discussão acerca da jornada do trabalho.
01:25E sempre aparecem os pessimistas que lá atrás ficaram contra o fim da escravidão, que num passado mais recente ficaram contra a criação da carteira de trabalho.
01:35E nós vimos que essas decisões foram tomadas e o Brasil saiu mais forte.
01:39Saiu mais forte na garantia dos direitos do trabalhador, saiu mais forte no que diz respeito à prosperidade, à distribuição de renda,
01:46ao estabelecimento de uma classe média que consome, que é motriz para a economia.
01:50E que só foi possível graças a essas decisões que são tomadas com coragem e com responsabilidade.
01:59Essas falas de Mota vêm então justamente um dia depois que ele enviou esse texto pra ser aprovado, analisado na realidade,
02:08na Comissão de Constituição e Justiça, pra que o colegiado possa então fazer essa análise.
02:13Depois disso será enviado pra uma comissão especial da Câmara.
02:19E aí, se for aprovado tanto pela CCJ quanto por essa comissão especial na Câmara, aí sim segue pra votação no próprio plenário.
02:28O objetivo dessa PEC é justamente reduzir a jornada, a escala de 6 por 1.
02:35Deixa eu só tirar aqui o meu retorno que eu tô me ouvindo, não consigo me perco nas informações, Caniato.
02:39Mas, voltando, esse texto da PEC é justamente pra reduzir essa escala 6 por 1, de 6 dias trabalhados por um só de descanso, né?
02:52Esse texto, ele tá combinado.
02:54Junta então o texto que foi elaborado pela deputada Erika Hilton e também o texto que foi elaborado pelo deputado Reginaldo Lopes.
03:03E prevê então que seja uma jornada de até 8 horas por dia, que não ultrapasse as 36 horas semanais.
03:11E também será uma jornada aí com 4 dias por semana.
03:16Só que a gente precisa lembrar também, Caniato, que a gente já trouxe aqui na programação da Jovem Pan,
03:21que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também planeja enviar um outro projeto pra comissão, pro Congresso Nacional,
03:29que reúna todas as ideias relacionadas a essa proposta de escala reduzida, né?
03:35Da escala 6 por 1.
03:37E que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não desistiu dessa possibilidade.
03:42Então pode ser que surja aí também um novo projeto.
03:45Isso porque essa mudança é prioridade sim no governo agora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
03:52Viu, Caniato? Volto com você.
03:54Tá certo.
03:55Júlia, trazendo os bastidores dessa iniciativa, o governo federal quer avançar com essa proposta.
04:01Agora, Júlia, a gente tem acompanhado muitas repercussões, né?
04:04Por exemplo, entidades de alguns setores, da indústria principalmente, manifestaram a preocupação com essa proposta que aponta o fim da escala 6 por 1.
04:15A questão da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, por exemplo, tem tratado da questão que envolve o que?
04:22O processo está sendo conduzido, os setores não estariam contribuindo, reuniões não estariam acontecendo.
04:30Conta pra gente qual é a crítica que vem sendo feita à condução dos trabalhos lá em Brasília, hein, Júlia?
04:40Ó, Caniato, a preocupação justamente da Fiesp é que é com a forma como esse debate tem sido conduzido em relação à escala 6 por 1.
04:51O que a Fiesp diz, né, defende é que qualquer alteração deve respeitar a soberania das negociações coletivas conforme previsto na Constituição Federal.
05:03A Fiesp ainda alerta que uma transição sem aumento de produtividade pode acabar em pressões inflacionárias e perda de competitividade.
05:13Quem também se manifestou foi a CNI, a Confederação Nacional da Indústria, que alertou que a mudança pode trazer riscos
05:21e pontuou que o país já tem problemas mais urgentes, como por exemplo, impostos altos, dificuldades fiscais
05:28e também a falta de mão de obra que pode reduzir essa jornada de trabalho, prejudica a competitividade da indústria e também a criação de empregos.
05:40Já as centrais sindicais, por outro lado, apoiam, né, essa mudança da jornada de trabalho.
05:47Elas defendem essa redução da jornada de trabalho e afirmam que essa é uma luta histórica dos trabalhadores,
05:52reforçada após a reforma trabalhista que aconteceu ainda em 2017, segundo aqui as centrais sindicais.
06:01E aí eles trazem que na visão das centrais pode gerar mais empregos, aumentar a produtividade e melhorar a qualificação profissional.
06:08Justamente aí, oposições, né, visões muito diferentes, caniato, mas a gente segue acompanhando tudo isso por aqui
06:15e traz mais informações agora na programação da Jovem Pan.
06:18Pois é, levantamento importante feito pela Fiesp e a Júlia segue acompanhando essas discussões.
06:23A gente vai trazer a análise dos nossos comentaristas e daqui a pouco a Júlia volta com outro destaque aqui na programação.
06:29Deixa eu começar com o Roberto Mota. A gente tem falado muito da escala 6x1.
06:33As entidades muito preocupadas, Mota, com o que se apresenta, a maneira como o trabalho está sendo conduzido em Brasília.
06:42As entidades que representam o setor produtivo não estão sendo chamadas para conversar, para contribuir.
06:50É uma situação realmente que pode impactar demais na maneira como as empresas produzem
06:58e na maneira como elas geram divisas também para o nosso país.
07:02Mota, o que mais lhe preocupa nesse processo?
07:06Uma situação no mínimo nebulosa, né?
07:08Quando a Fiesp se diz preocupada com a maneira como os trabalhos estão sendo conduzidos em Brasília.
07:16E aí a menção é esse impacto de quase 200 bilhões de reais nos custos de empregados.
07:23Não há surpresa nenhuma, Caniato.
07:27A surpresa é com a surpresa das pessoas, de que as consequências das ideias das pessoas que estão no poder sejam essas.
07:38Eles nunca esconderam.
07:40Eles nunca esconderam que tem a raiva do capitalismo,
07:45que acham que bom mesmo é estatizar a economia,
07:49que empresário é explorador dos outros.
07:52Eles nunca esconderam essas ideias.
07:55Como é que as pessoas podem conviver com essas ideias,
07:58achar que essas ideias são coisas normais
08:01e depois querem escapar das consequências?
08:05O nível de discussão na nossa política sobre essas ideias é praticamente inexistente.
08:13Você imagina, se a reforma tributária, que é uma coisa complicadíssima,
08:19com impacto sobre as próximas gerações,
08:23ela foi votada a toque de caixa, de madrugada,
08:26sem que a maioria dos deputados soubesse o que estava votando,
08:30por que ia ser diferente com essa história da escala seis por um?
08:36O que vale é uma frase bonitinha.
08:39O que vale é dizer alguma coisa sem dizer nada.
08:42Porque não há nenhum assunto sério que os políticos não consigam tratar
08:48de uma forma populista e irresponsável.
08:53A verdade é que assuntos como esse fim da escala seis por um
08:58são uma espada colocada sobre a cabeça de todos os que produzem no Brasil.
09:06Mais uma vez eu pergunto qual é a surpresa?
09:08Vocês não prestaram atenção na última campanha eleitoral, não?
09:13Vocês não prestam atenção no que os partidos de esquerda dizem no Brasil?
09:17Vocês já leram os programas partidários dos partidos de esquerda?
09:21O que mais tem lá é um ataque frontal à propriedade privada,
09:27ao modelo de livre iniciativa.
09:29O Brasil tem uma das piores, mais complicadas legislações trabalhistas do mundo.
09:37Mas nada é tão ruim que não possa piorar.
09:42Agora, Dávila, qual é a dúvida?
09:46Qual é a preocupação?
09:48Porque, sim, Cérica Hilton elaborou um projeto e apresentou.
09:52Depois um deputado do PT de Minas Gerais, o Reginaldo Lopes, apresentou um parecido.
09:57Por que o governo federal quer enviar um outro projeto?
10:01Qual é a leitura de muitos?
10:03Ah, quer transformar isso em troféu, né?
10:06É o troféu para ser utilizado o quê?
10:08Na campanha eleitoral?
10:09É isso, Dávila?
10:10Sim, troféu para a campanha eleitoral.
10:13Todas essas propostas da esquerda, como bem lembrou Motta,
10:17as ideias erradas, não estão embasadas em estudos, em dados, em pacto.
10:21Porque todos os estudos que já saíram sobre a legislação mostram o aumento do desemprego.
10:29A nota própria, a nota do Centro de Liderança Pública do CLP mostra que vamos gerar 600 mil
10:34em desempregos no setor formal da economia.
10:38Ou seja, vamos aumentar a informalidade.
10:41Depois nós vamos destruir empregos de qualidade.
10:46Por que?
10:46Vamos fazer umas perguntas básicas.
10:48A receita das empresas, você acha que vão continuar a mesma?
10:52Com um aumento desse?
10:53Para se contratar funcionário?
10:56E aí o que acontece?
10:57Vai ter recurso para contratar mais gente?
10:59Óbvio que não.
11:01Vai ser o quê?
11:02Vai encerrar a atividade de algumas empresas?
11:04Vai ter que fechar algumas empresas.
11:05Porque não tem como pagar essa conta.
11:08Vai aumentar em torno de 22%.
11:10Essa é a estimativa do custo formal de trabalho.
11:13Então é um absurdo total, Caniato.
11:16E o pior, a malandragem populista do Congresso Nacional.
11:22Essa fala do presidente do Congresso, ela é ridícula.
11:26É um presidente que está colocando em risco um projeto populista que vai aumentar o custo
11:32para as empresas, aumentar ainda mais as despesas públicas.
11:36Qual é o estudo que está mostrando o impacto desastroso que esta jornada terá nos estados e municípios
11:46que já estão gastando tudo o que arrecada com pagamento de folha pessoal e aposentadoria?
11:53É inacreditável.
11:54Onde é que está o estudo?
11:55Mas aí, de repente, esse projeto maluco é tratado em forma de urgência.
12:03Por quê?
12:04Sabe por quê, Caniato?
12:05Porque o governo acabou de liberar 1,5 bilhão de reais em emenda para parlamentar.
12:11É uma coisa inacreditável.
12:13O Brasil, cada dia, nos surpreende mais com a imoralidade, com o populismo, com a falta de seriedade no trato da questão pública.
12:23Onde é que estão os estudos?
12:25Onde é que estão os números?
12:27Mostrem, porque tudo o que saiu sobre essa legislação mostra que vamos destruir empregos formais,
12:34vamos aumentar a informalidade e vamos ajudar a piorar ainda mais as finanças do Estado brasileiro,
12:41aumentando a pressão sobre a dívida pública, aumentando a questão da taxa de juro
12:46e fazendo com que mais brasileiros estejam na inadimplência ou fechando seus próprios negócios.
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