00:00Vamos falar sobre a economia então, porque o estoque da dívida pública federal cresceu 0,07% em janeiro na
00:08comparação com o mês de dezembro.
00:09Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional e aqui quem fala conosco é o nosso tesouro do Jornal da Manhã,
00:15Alangane.
00:16Obrigado. Cássio, olha só, veja, o crescimento foi marginal, mas mesmo um crescimento marginal, 0,07%, é preocupante.
00:26Dá uma olhada aqui, 2010 para o pessoal da rádio que nos ouve, o estoque de dívida era de 1
00:33,69 trilhão.
00:37Hoje, em janeiro de 2026, 8,64 trilhões.
00:44Ou seja, se a gente está falando aí mais ou menos em 16 anos, essa dívida cresceu praticamente 6, 7
00:52vezes.
00:52É muita coisa, o país se endividou muito.
00:55Isso tem um problema.
00:57Significa que se o Estado está altamente endividado, ele está pegando recursos da sociedade.
01:04Só que isso tem um problema, né?
01:05Diminui a poupança nacional, eleva o risco e isso eleva a taxa de juros.
01:12Os juros mais altos penalizam principalmente a sociedade civil, né?
01:18A população.
01:19Então, veja, em parte a nossa taxa de juros é muito elevada, não é apenas por conta de uma questão
01:28inflacionária,
01:29mas, sobretudo, Cassius, por conta desse estoque de dívida muito elevado, 8,64 trilhões.
01:37Veja, a gente tem um endividamento público hoje próximo de 80% do PIB.
01:42É muita coisa para um país emergente.
01:45Tanto é que o nosso risco é maior do que o do Peru.
01:49O nosso risco é maior do que da Colômbia, do que do Chile também.
01:54Então, a gente precisa fazer uma reforma fiscal para que a gente consiga se financiar menos pegando dinheiro emprestado da
02:04sociedade
02:04e ter uma redução expressiva da taxa de juros.
02:07Ô, Gani, quando a gente fala também, né, quando o COPOM está reunido, que é o Comitê de Política Monetária
02:11do Banco Central
02:11para definir a taxa de juros, se vai ter a manutenção, se vai cair ou até mesmo se vai elevar
02:17a taxa de juros,
02:18este cenário é sempre colocado nessa reunião para fazer esse cálculo.
02:21Olha, a dívida pública está aumentando, então vamos dar uma segurada.
02:25Como é que fica essa questão?
02:26Todos, são vários dados, é claro, são vários fatores que acabam levando em conta uma decisão da taxa de juros.
02:30Mas a dívida pública também é um fator importante?
02:33Boa pergunta que você fez, porque basicamente o Comitê de Política Monetária está olhando para a inflação.
02:41Então, a gente vai colocar aqui uma taxa de juros que controle a inflação.
02:44Então, ele olha a expectativa inflacionária, ele olha a inflação corrente,
02:49mas ele leva em conta aspectos da política fiscal.
02:53Tanto é que ele coloca isso na ata.
02:56E quando esse endividamento está muito elevado,
02:59quando o Estado está muito gastador e precisando se endividar muito,
03:03qual que é o grande problema?
03:04A política de juros, que é o remédio para você combater a inflação,
03:09ele perde a sua eficácia.
03:11Então, você tem que dar um aumento ainda maior dessa taxa Selic
03:16para compensar essa política fiscal expansionista,
03:21de elevação do gasto público.
03:23Então, sim, ele leva em conta a política fiscal.
03:28Se o nosso endividamento fosse menor, se o nosso déficit também fosse menor,
03:32a gente poderia ter taxas de juros muito mais aceitáveis para controlar a inflação.
03:37Isso aí, eu falei, alangando o nosso tesouro.
03:39Muito obrigado.
03:41Já, já, mais análise econômica e política aqui no Jornal da Manhã.
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