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  • há 9 horas
Em entrevista com Felipe Fabbri, consultor de mercado da Scot Consultoria, o Hora H do Agro analisa o cenário atual das cotações, os motivos da lentidão nos negócios, as estratégias para o produtor se preparar e os impactos do mercado internacional nos preços. Um panorama completo para entender por que o milho segue pressionado e como isso afeta o planejamento da safra.

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Transcrição
00:00Nós vamos falar sobre safra, porque a colheita da soja já faz o produtor, então, olhar para o milho.
00:07Então, nada mais justo do que a gente discutir aqui os preços no Ações e Cotações.
00:15Ações e Cotações
00:17Nós vamos conversar com o consultor de mercado da Scott Consultoria, Felipe Fabri.
00:25Bem-vindo ao Hora H do Agro.
00:27Obrigada pela participação, Felipe.
00:29Felipe, queria falar com você, então, sobre essa dobradinha, né?
00:32A gente olha para a safra, olha para a evolução da colheita da soja, e aí é inevitável a gente já pensar no plantio do milho.
00:41Então, queria te perguntar como que está a cotação do milho, como que o produtor já também está se movimentando nessa dobradinha aí de toda a Santa Safra.
00:52Oi, Mariana. Primeiro, obrigado pelo convite, com o nome de toda a equipe da Scott Consultoria.
00:56Mariana, o produtor viu um ano de 2026 bem diferente do início de 2025, tá?
01:05Nós temos que destacar que estamos naquele período de entre safra do milho, só que apesar desse período de entre safra, o mercado, ele trabalhou bem moroso.
01:14Ele vem desde a segunda quinzena do mês de dezembro com o viés mais baixista, pegando janeiro aqui como referência, ele encerrou o mês com o preço base campinas, ali negociando em torno de 65 a 64 reais por saca.
01:31E nós não esperamos que o mercado do milho venha a reagir no curto prazo, tá?
01:36Mesmo diante de uma entre safra ainda, ou de uma ausência de volume mais robusto chegando no mercado, nós enxergamos fundamentos que acabam limitando uma movimentação de alta para o milho, diferente do que aconteceu em 2025.
01:51Em 2025, para quem não se recorda, o preço do milho durante esse período de entre safra, até ali meados de abril, ele disparou a casa dos 90 reais por saco em Campinas, foi um mercado bem altista, época, enfim.
02:04E depois, com a confirmação de uma segunda safra mais confortável, todo aquele receio de mercado ficando de lado, os preços vieram com uma trajetória batista que se estancou, por assim dizer, em meados de setembro e tem trabalhado com essa referência de meados de setembro para cá, praticamente a mesma, está sem muita novidade.
02:26Então, é um mercado, na nossa interpretação, que ele deve ter fundamentos mais baixistas para o curto prazo.
02:35Pensando nesses fundamentos, o que justificaria esse viés na nossa interpretação?
02:41Ano passado, aquela arrancada que houve para o milho, ela teve um estoque de entrada no ano de 2025 que a subsidiou.
02:49Havia pouco milho disponível no mercado brasileiro, foi o menor estoque de entrada da história dos últimos 13 anos para a cultura.
02:58E aí, com algumas dúvidas quanto ao potencial da safra em função de atraso de semeadura da soja e uma safra de verão com alguns receios também em andamento à época,
03:11aquela corrida pelo preço do milho, aquela corrida por busca pelo milho, acabou dando sustentação às cotações.
03:18Hoje o quadro é muito diferente.
03:20A gente tem um estoque de entrada em 2025 bem mais confortável, são 11 milhões de toneladas a mais, segundo a Conab.
03:28A colheita da safra de verão já começou em algumas regiões e a perspectiva é positiva.
03:33E a semeadura da segunda safra, ela está em andamento e tem um bom ritmo e uma perspectiva de safra não muito diferente do que foi no ano passado.
03:43Então, em termos de oferta para chegar no mercado brasileiro, ela deve ser uma oferta bem confortável e manter os preços naquilo que a gente chama de lado ao longo desse ano 26.
03:55E aí, como que vocês têm interpretado essa questão de, como você colocou, está aí tendo um cenário baixista e os produtores, é claro, acompanham isso dia a dia.
04:10Como que vocês têm acompanhado isso aí na Scott do ponto de vista de volume de contratos, da celeridade dos contratos?
04:18Os produtores estão fechando contratos de venda mesmo com esse comportamento baixista que, como você já falou, vem aí de setembro, na verdade?
04:27Ou tem produtor que está preferindo ser otimista e esperando para fechar contratos à medida que talvez a cotação melhore?
04:38Mariana, a gente vê um comportamento de poucos contratos de antecipação, contratos de entrega futura sendo realizados não só para o milho.
04:49Quando a gente compara soja, algodão e o próprio milho, todas essas commodities estão com atraso nessas vendas futuras.
04:59Eu vou destacar aqui a questão da soja, que é aquela que a gente tem tido um acompanhamento mais perto na questão dessas vendas futuras,
05:06mas nós estamos falando de quase seis pontos de atraso nas vendas de soja no ciclo 25-26 em relação ao ciclo de vendas 24-25, certo?
05:18E para o milho o comportamento não tem sido muito diferente, o produtor tem trabalhado com um pouco mais de otimismo na expectativa de preços mais firmes ao longo dessa temporada de 20-26.
05:29Só que aqui já dando até esse recado para o produtor, olhando para fundamentos, não só Brasil, eu citei aqui fundamentos Brasil,
05:37mas olhando para fundamentos do mercado internacional, ele também é um fundamento um pouco mais enviesado à baixa no nosso entendimento.
05:46Quando a gente considera a produção nos Estados Unidos, que acaba sendo também um formador de preços no mercado internacional e reflete nas cotações aqui no Brasil,
05:55eles acabaram de colher a maior safra da história, mais de 430 milhões de toneladas foram colhidas nos Estados Unidos.
06:02Então isso coloca um viés de limitação de preços ao mercado norte-americano, as referências na C-Bolt.
06:09Aqui no Brasil, acaba tirando um pouco da nossa competitividade em termos de exportação de milho,
06:15e aí o mercado doméstico, a demanda interna, acaba sendo a fundamental para uma potencial absorção,
06:21um enxugamento do que a gente tem de oferta a chegar.
06:25Um outro fator que a gente tem que analisar também é a questão climática.
06:28A gente está no começo de semeadura aqui no Brasil, ainda estamos falando de 12% das áreas tendo sido semeadas até então,
06:36ela vem com um bom ritmo, acelerado até para o que é a média histórica,
06:40mas ainda há todo um desenvolvimento à frente que pode mudar um pouco dessa posição de mercado que a gente está tratando.
06:48Por hora, não é o que a gente enxerga.
06:50Os modelos climáticos têm apontado para uma precipitação e até temperaturas
06:56que são mais confortáveis em termos de produtividade daqui até o período de desenvolvimento pleno da cultura.
07:03Por hora, se desenha realmente essa conjuntura um pouco mais enviesada para baixo.
07:07A dica, a orientação que seria é se a cooperativa, se o mercado tiver dando uma oportunidade de travar o preço do milho
07:15ou de fazer essa antecipação de venda com um cenário onde, conhecendo os meus custos de produção,
07:22a minha margem está ficando legal para a cultura, para a questão do milho,
07:26é melhor eu fazê-lo e não ficar contando, talvez, com uma virada de chave no mercado,
07:32porque os fundamentos nesse momento não mostram, não implicam aqui no nosso entendimento
07:37a uma virada de chave para preços mais sustentados ao longo de 2026.
07:42Então, eu vou aproveitar que você deu esse panorama, inclusive falando de Estados Unidos,
07:47e te perguntar o que mais que vocês têm acompanhado aí do ponto de vista de mercado internacional,
07:53porque a gente sabe que o milho, na verdade, é uma das principais commodities do mundo, né?
07:58E o quanto que o fator biocombustíveis está influenciando, se influencia nesse comportamento também baixista,
08:07porque a gente sabe que o etanol de milho tem caído nas graças aí do mundo inteiro, né?
08:13A gente sabe que os Estados Unidos são os maiores produtores,
08:16aqui no Brasil a gente também tem visto um acréscimo da produção de etanol de milho,
08:20mas tem muito comprador pelo mundo, né? Olhando para esse etanol.
08:24Isso também está influenciando? O que vocês têm visto aí dessa dobradinha?
08:28Mercado internacional e biocombustível?
08:31Perfeito, perfeito, Mariana.
08:33Eu vou até fazer um adendo, já começando com a questão de biocombustíveis,
08:36acho que é o principal ponto que a gente tem que destacar.
08:38O mercado do milho, no ano passado, ele não foi tão pressionado para baixo
08:43quanto poderia ter sido, pensando na safra 23, 24,
08:47que antecedeu a anterior, né? De 2005,
08:51ele não esteve tão frouxo, mesmo com uma produção muito maior,
08:55em função justamente da demanda pelas usinas de etanol de milho aqui no Brasil, tá?
09:00A gente, falando em mercado de milho brasileiro,
09:04a nossa maior parte da produção, ela acaba ficando no mercado doméstico
09:08e ela não tem tanta influência das contrações no cenário externo.
09:12Diferente da soja, a soja, ela tem uma precificação bem atrelada
09:15ao que Chicago impõe e o dólar também.
09:18Quando a gente vai para o mercado interno,
09:20a gente acaba, quando a gente vai para o mercado do milho,
09:23a gente acaba tendo uma conjuntura onde, principalmente,
09:26o mercado doméstico é quem for nos preços.
09:29E aí a gente viu um cenário que ajudou a limitar esse viés de baixa
09:33e, em 2026, pode ser um fator que também venha colaborar.
09:37Como? Há uma ampliação das usinas de etanol de milho aqui no mercado brasileiro,
09:43uma projeção de crescimento de quase 7 milhões de toneladas no consumo de milho,
09:48pensando só em mercado interno para essa temporada,
09:51diante de uma safra que, por hora, está sendo trabalhada como uma safra positiva,
09:57uma safra parelha, o que foi o ano passado.
10:00Então pode ter um papel fundamental para a manutenção de preços
10:04ou para uma limitação desse viés de baixa,
10:07inclusive com alguns momentos do ano,
10:10trazendo um pouco mais de viés de alta essa cotação.
10:13Em 2025 isso aconteceu.
10:15Nós tivemos a colheita de milho encerrada aqui no Brasil,
10:18as cotações acabaram não cedendo tanto,
10:20inclusive com algumas altas.
10:22Por quê?
10:23O produtor conseguia segurar um pouco mais do seu histórico,
10:27porque os armazéns estavam já com milho,
10:30não tinha tanta soja dentro dos seus armazéns,
10:32segurou um pouco desse milho e conseguiu trabalhar com ofertas de vendas
10:37às usinas de etanol de milho, principalmente,
10:40em referências um pouco melhores no mercado esporte.
10:42Isso pode vir a acontecer agora em 2026.
10:45A projeção é de aumento da produção de etanol de milho,
10:48mais plantas, mais unidades aqui, processadoras de etanol,
10:52chegando para consumir esse hipoproduto,
10:55e a gente não pode negligenciar um outro setor que é muito importante.
10:58E antes do etanol de milho entrar na pauta,
11:01nós tínhamos e temos ainda a relevância do setor de nutrição animal.
11:05E as projeções para a produção de carne bovina, suína e de frango
11:10indicam para um crescimento de alojamento,
11:13principalmente frango e suíno que comandam aqui o consumo de milho no Brasil,
11:17e isso deve também ajudar a limitar um viés de queda no mercado brasileiro.
11:23E aí quando a gente vai para o mercado internacional,
11:25toda essa trajetória de mudança da estrutura de consumo de biocombustíveis
11:30acaba beneficiando esse processamento aqui no Brasil
11:33para a gente ter canais de escoamento,
11:35não só no mercado doméstico, como também em outros países.
11:40Então é bom para a cadeia como um todo.
11:43Bom para o produtor, porque ele passa a ter um pouco mais de segurança,
11:45a gente está falando aqui de uma expectativa de sapo muito positiva,
11:49com um tom que talvez venha com um viés um pouco mais baixista a estável,
11:53isso pode garantir margem, a depender do momento de custo de produção dele
11:58dentro do ano safra 25, 26,
12:01e para o mercado acaba trazendo mais opções de venda.
12:05Então é muito bom para a gente conseguir trabalhar com um pouco mais
12:08de cadenciar esses preços ou segurar, limitar um viés de baixa.
12:12Então é muito bom para a gente conseguir trabalhar com um viés de baixa.
12:16Então é muito bom para a gente conseguir trabalhar com um viés de baixa.
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