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Descubra por que a safra de algodão 24/25 em Mato Grosso está a caminho de se tornar histórica. Nesta entrevista, a pesquisadora Daniela Dalla Costa, da Fundação MT, analisa os fatores que impulsionaram a produtividade em cerca de 5% em relação à safra anterior, mesmo com desafios como custos elevados e atrasos no plantio. Ela explica quais manejos podem otimizar a produção, discute os riscos do atraso na colheita para a qualidade da fibra e comenta sobre a demanda internacional por algodão brasileiro no atual contexto geopolítico.

Assista em: https://youtu.be/oJrw3g0oDSc

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Transcrição
00:00A safra 2024-25 de algodão no estado do Mato Grosso caminha para resultados históricos.
00:06Apesar dos custos elevados e atrasos no plantio e colheita, os cotonicultores devem alcançar produtividade de cerca de 5% maior que na safra passada.
00:17Para entender melhor esses fatores que levaram a essa estimativa, nós vamos conversar com a pesquisadora em fitotecnia da Fundação MT, Daniela Dallacosta.
00:26Bem-vinda ao Aura H do Agro, muito obrigada pela sua participação, Dani.
00:30A Fundação MT que é super importante para a pesquisa matogrossense, a gente sabe que é uma referência em vários estudos de várias commodities, o algodão é uma delas.
00:40Então eu queria começar te perguntando o que levou a essa produtividade, essa estimativa de alta de 5%.
00:47Queria entender, inclusive, qual que é o período que compreende essa série histórica.
00:52A gente está olhando para qual o passado, para falar que esse 5% é um volume acima da média histórica brasileira.
01:00Obrigada de novo pela participação.
01:03Olá, Mariana. Obrigada pelo convite.
01:06Bom, a safra 24 e 25 de algodão no Mato Grosso realmente é uma safra com resultados extremamente expressivos.
01:12Se nós pegarmos historicamente, a nossa maior produção histórica do estado se deu na safra 22-23, quando nós tivemos ali aproximadamente 311 arrobas de algodão em caroço por hectare de média.
01:27Só que naquela safra nós tivemos uma área de plantio menor do que na safra atual.
01:32Então foi cerca de 1,2 milhões de hectares de produção.
01:35Na safra 24 e 25, então atualmente, nós tivemos dois fatores que associados geraram ou estão gerando níveis de produção extremamente elevados.
01:45O primeiro fator é que nós tivemos médias de produtividade muito altas.
01:49Então, segundo dados da EMEA, está girando em torno de 308 arrobas de algodão em caroço por hectare.
01:55E associado a isso, nós também tivemos um aumento de área de produção.
01:59Hoje o estado produz aproximadamente 1,5 milhões de hectares com algodão.
02:03Então, quando a gente soma esses dois fatores, nós temos a segunda maior produção da história do estado.
02:10Perfeito. E aí a gente está falando também de, enfim, uma série de fatores, como você coloca aí, até os dados do EMEA.
02:20Mas esses fatores, eles incluem inclusive o manejo, questões climáticas.
02:25Então também queria que você trouxesse um pouco da avaliação, olhando para essa safra 24 e 25.
02:30Então, como que a Fundação OMT classifica, considera esses dois pontos?
02:36A condução, o manejo no campo, a cotonicultura bem-sucedida para chegar a esses resultados?
02:42Teve o fator climático também, que ajudou, atrapalhou.
02:45Queria entender um pouco como que vocês olham essas duas frentes que é isso, né?
02:49Se o campo vai bem, a produtividade lá na frente aparece.
02:52Exato. Não tem como produzir algodão se nós não tivermos um manejo muito bom.
02:59E das três principais culturas agrícolas que nós temos no estado, então soja, milho e algodão,
03:04o algodão é a cultura mais exigente e mais técnica.
03:09E associado a isso, hoje nós temos um cenário de produção, dos custos de produção estão muito altos.
03:13Então, o produtor tem cada vez se tecnificando mais, fazendo com que o manejo seja mais assertivo,
03:20um manejo mais preciso.
03:22E aí a gente vai, obviamente, ter reflexo também nesse aumento de produção.
03:26Então, hoje nós vemos que parte disso se deve a esses ajustes de manejo que o produtor tem feito ao longo do tempo.
03:33Mas, especialmente nessa safra, nós tivemos condições ambientais que foram muito favoráveis
03:38para essas produções elevadas, né?
03:41Então, nós tivemos chuvas em momentos que foram muito positivos para esse aumento de produtividade.
03:48Um exemplo muito claro disso é que nós registramos chuvas nos meses de maio e de junho
03:53em regiões agrícolas como a região de Sapezal, Campo Novo do Paracis,
03:58que são as maiores regiões produtoras de algodão do estado.
04:01E essa chuva, ela ocorreu num momento onde a gente estava retendo estruturas reprodutivas
04:06e enchendo as maçãs.
04:07Como nós tivemos água para reter mais estruturas e encher mais maçãs,
04:11isso acabou se refletindo em maior peso, em maior produtividade no final das contas.
04:17Excelente.
04:18Eu queria que você trouxesse, então, a continuação dessa avaliação,
04:21que é em relação à qualidade.
04:23Porque a quantidade foi favorável, mas a gente sabe que qualidade é tão importante quanto, né?
04:28Ou mais, até dependendo dos mercados ali, né?
04:32Como que vocês estão avaliando também essa parte de qualidade da pluma matogrossense
04:37se daria para a gente fazer uma comparação também em relação às safras passadas que vocês acompanham histórico?
04:45Exato.
04:46Eu acho que tão importante, na verdade,
04:48mais importante do que a quantidade produzida é a qualidade, né?
04:52Especialmente no que diz a precificação do algodão comercializado
04:55e também ao aceito do mercado externo.
04:57Historicamente, nós temos nessa safra um algodão com uma qualidade muito alta.
05:03Porque os mesmos ambientes ou as mesmas características climáticas de manejo
05:08que favorecem produtividades elevadas, também favorecem a qualidade de fibra.
05:12Então, o algodão dessa safra é o algodão com uma qualidade muito boa.
05:17Entretanto, nós temos alguns casos mais específicos e pontuais.
05:20Por exemplo, nessa mesma questão de sapezal que nós registramos ao conhecimento de chuva lá em maio e junho,
05:27essa chuva mais tardia, principalmente a de junho,
05:31ela pegou algumas áreas onde os capulhos já estavam abertos.
05:34E a pluma exposta, quando ela recebe essa umidade da chuva,
05:37ela acaba tendo redução de qualidade.
05:40Entretanto, são casos muito pontuais.
05:42De toda forma e de forma geral do estado,
05:45o que nós vemos é qualidade de fibra,
05:47uma qualidade de fibra muito boa,
05:49maior do que nós registramos na safra passada, principalmente.
05:53E aí, vou pedir para você, então,
05:55fazer um outro panorama dentro de toda essa avaliação da safra,
06:01que é, imagino que uma das partes que você mais acompanha,
06:04a parte de doenças da planta, né?
06:08Você é fitotecnista, então, queria entender um pouquinho,
06:11dentro dessa parte, dentro dessa atuação da Fundação MT, né?
06:15O que a fitotecnia tem a dizer sobre a qualidade desse algodão de 2024, 2025?
06:22Como que o produtor viu, encarou questões relacionadas,
06:26seja por questão climática, né?
06:28Mas condução de controle de fungos, de doenças,
06:32a própria adesão a produtos mesmo.
06:34Queria entender um pouco se daria para a gente falar um pouquinho
06:36se teve que entrar com muito produto químico,
06:38se teve que entrar com muito controle, enfim, biológico.
06:41Vocês têm esse mapeamento também?
06:44Nós temos, e o comportamento da safra 24 e 25
06:48em relação a ocorrência de doenças foi diferente
06:50do que da safra 23 e 24, por exemplo.
06:52A safra 23 e 24, nós tivemos um ambiente de produção
06:56com um período de nebulosidade muito grande.
07:00E quando nós temos muita nebulosidade,
07:02nós temos menos radiação disponível,
07:05nós temos uma planta crescendo mais,
07:07e nós temos um ambiente mais favorável ao avanço de doenças,
07:10principalmente da mancha-alvo,
07:13que é hoje uma das principais doenças,
07:14se não a principal doença do algodão.
07:17Na safra 24 e 25,
07:19nós não tivemos esse período de nebulosidade tão grande,
07:22então nós tivemos um ambiente menos favorável
07:25ao avanço de mancha-alvo,
07:27mas nós tivemos um pouquinho mais de ramulária.
07:29Então, quando a gente soma isso,
07:31associado ao fato de que o produtor veio de uma safra
07:35onde ele estava receoso porque teve muita doença,
07:39então ele veio para essa safra mais preparado,
07:42com o manejo fitossanitário mais ajustado para reduzir doença.
07:46Então, o que nós vimos é o cenário da safra 24 e 25
07:49com menos ocorrência dessas doenças.
07:52De toda forma, o produtor tem se preocupado muito
07:55com o manejo de doenças.
07:57Hoje é uma das principais estratégias de manejo,
08:00é um dos principais, inclusive, custos de produção.
08:04Tanto é que hoje, quando nós falamos no controle de doenças,
08:07nós também falamos em outras estratégias,
08:09não só a utilização de fungicidas ou de produtos químicos.
08:13Então, entra também a questão de escolha de cultivar,
08:17posicionamento de cultivar,
08:19arranjo de plantas, aumento de espaçamento entre linhas,
08:22alguns outros manejos, como de regulação de crescimento
08:26e a própria questão de utilização de controle biológico,
08:29que hoje também é uma ferramenta
08:31e que os próprios estudos realizados dentro da fundação
08:34nos mostram que ser realizado da forma correta
08:37e bem posicionado tem eficiência muito grande.
08:39Então, para reduzir isso, nós vimos nessa safra
08:42e é uma tendência de que se continue,
08:44o produtor vai associar essas várias ferramentas.
08:47É isso que eu ia te perguntar.
08:48Você enxerga que é uma tendência, então, de fato,
08:51o produtor ir com esse pacote tecnológico,
08:55que tanto se fala também há muitos anos já,
08:56mas para outras culturas, né?
08:59Já existe essa coisa do pacote tecnológico para soja, para milho.
09:03E aí a gente vê o algodão avançando em área,
09:06avançando em tecnologia,
09:08produtores cada vez mais tecnificados.
09:11E aí, nesse pacote, então, você acredita que
09:14entre, de fato, um caminho sem volta
09:18que o cotonicultor olhe esse manejo
09:22de uma forma, um amplo leque de produtos.
09:26Exato.
09:27Especialmente porque nós estamos falando
09:28de um cenário de produção
09:30onde os custos de produção estão muito altos.
09:34Então, o produtor precisa lançar a mão
09:35de várias estratégias
09:37para que, no final das contas,
09:38ele tenha um custo de produção menor
09:40para que a rentabilidade final seja maior.
09:42E a gente só consegue fazer isso
09:44quando a gente começa a fazer
09:46a associação de várias ferramentas
09:49que o produtor tem
09:49e não somente a utilização de produtos químicos.
09:53Então, sim, hoje eu vejo, eu acredito
09:55que é uma tendência que o produtor
09:57avance nessa utilização de várias ferramentas,
10:01desse pacote de ferramentas disponíveis
10:03para melhorar o controle fitossanitário
10:05e, consequentemente, a produtividade
10:08e a rentabilidade da cultura.
10:10A gente está fazendo esse panorama contigo aqui, né?
10:12Falando desde do plantio,
10:14das condições de plantio,
10:15passando pela questão climática,
10:16agora doenças,
10:17eu não posso deixar de perguntar
10:19na questão de colheita, então.
10:21Porque, ao mesmo tempo,
10:21a gente está vendo que a colheita
10:22está ligeiramente atrasada,
10:25mas também é delicado falar de um atraso
10:29quando a gente começa a olhar
10:30para várias regiões do país
10:31que estão avançando, né?
10:33A colheitadeira no campo aí.
10:34Mas, de alguma forma,
10:36vocês também têm acompanhado
10:38esse ritmo de colheita?
10:39Como que isso pode...
10:41Porque isso é fator decisivo
10:42para que toda essa produtividade do campo,
10:44né?
10:45Vire nome mesmo no mercado,
10:46vire exportação.
10:47Vocês estão acompanhando isso?
10:49De alguma forma,
10:49o atraso na colheita
10:50pode prejudicar,
10:53seja a qualidade,
10:53seja a comercialização?
10:56Eu não acredito
10:57que vai prejudicar a qualidade
10:58ou a comercialização, tá?
11:00A exceção, claro,
11:02daquelas áreas
11:02que, como agora nós temos
11:03a retomada de chuvas,
11:05por uma janela ambiental
11:07do Mato Grosso,
11:08elas tenham sofrido
11:10com alguma questão de chuva
11:11sobre a pluma aberta agora.
11:13Nessas áreas, assim,
11:14a gente tem impacto.
11:16Entretanto,
11:16hoje a gente está falando
11:17de uma área
11:18de quase 98,
11:19quase 99% já acolhida, né?
11:22Então, a área
11:23que ainda está presente
11:24no campo
11:24é muito pequena.
11:26O que eu vejo
11:27que isso pode ter impacto
11:28é na semeadura da soja,
11:31pensando na safra 25, 26.
11:33Nós temos vários exemplos
11:35de lavouras
11:35que tiraram
11:36ou finalizaram
11:37a colheita do algodão
11:38na semana passada
11:39e estão destruindo soqueira
11:41para agora,
11:42já em cima de imediato,
11:43realizar a semeadura
11:44da soja, né?
11:45Então, hoje eu vejo
11:46mais um impacto
11:47nessa janela
11:48ou nesses manejos
11:49iniciais da soja
11:51da safra 25, 26
11:52do que propriamente
11:54na questão
11:54de comercialização
11:55ou da qualidade
11:56de fibra do algodão
11:57da safra 24, 25.
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