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O Caso Master atingiu o centro do poder político no Distrito Federal. Em depoimento de acareação conduzido pela Polícia Federal na sede do STF, o banqueiro Daniel Vorcaro admitiu ter conversado diretamente com o governador Ibaneis Rocha sobre a polêmica tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. O depoimento expõe versões conflitantes entre Vorcaro e o ex-presidente do banco público, Paulo Henrique Costa, sobre a origem de carteiras de crédito e a saúde financeira da instituição.

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Transcrição
00:00O dono do banco, Daniel Vorcaro, afirmou ter conversado diretamente com o governador do Distrito Federal, Ibanez Rocha,
00:09sobre a tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília.
00:13A declaração ocorreu em acariação conduzida no fim de dezembro pela Polícia Federal, na sede do Supremo Tribunal Federal.
00:21Vamos ouvir esse trecho.
00:22Uma pergunta que eu acho que precisa ser feita para o senhor é se em algum momento algum dos seus amigos políticos
00:30procurou viabilizar esse negócio, se o senhor teve contato com o governador de Brasília,
00:37se o senhor poderia fazer algum comentário relativo a isso.
00:40Eu queria só dizer o seguinte, se eu tenho tantas relações políticas como estão dizendo,
00:46e se eu tivesse pedido ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada,
00:52e não estaria aqui de tornozeleiro, não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo.
00:57Então, acho que, primeiro, vale a pena considerar isso.
01:00Segundo, o negócio com o BRB foi construído tecnicamente dentro do Banco Central, como eu disse anteriormente.
01:06E aí fica a frustração minha, porque não era para a gente estar aqui nessa sala e com essa exposição toda para o país,
01:12porque o prejuízo no final não foi só meu, foi do sistema financeiro.
01:16Até o dia 17 de novembro, todos os investidores do Banco Massa estavam recebendo em dia,
01:21fundos de pensão, clientes, pessoa física, todo mundo estava recebendo em dia, com muito custo,
01:26porque eu estava sofrendo uma pressão que já não era de hoje, já era de muito tempo.
01:29Mas, heroicamente, inclusive, a gente foi porque os nossos ativos eram bons,
01:34contra tudo que disseram desde o início, a gente conseguiu ceder ativos próprios, ativos do banco,
01:40e conseguimos honrar todos os compromissos até aquele dia, que teria tido a oportunidade de ter um desfecho muito favorável.
01:47Então, não teve facilitação política.
01:50Eu estive com o governador, sim, algumas vezes, porque ele era controlador indireto,
01:54mas não teve nenhum tipo de questão tratada, nesse caso, do BRB, que não fosse técnica.
02:00Talvez, no Brasil, se não fosse assim, eu não estava aqui e teria dado certo.
02:05Acho que a conclusão desse negócio é a maior prova disso, como foi o desfecho.
02:11Sim.
02:11Então, o senhor nega qualquer tipo de pedido a outras autoridades, parlamentares, secretários de Estado,
02:19diretores de órgãos públicos, etc.
02:21O Banco Central tem discricionalidade, tanto tem discricionalidade que uma diretoria
02:28conseguiu criar esse alvoroço todo, que foi a diretoria de organização financeira.
02:33Porque a própria diretoria de fiscalização tinha interesse em criar uma solução de mercado
02:39até um determinado momento e evitar esse caos que está se instaurado aí no país por conta disso.
02:48Então, o senhor reconhece que havia, de certa forma, uma crise de liquidez na instituição financeira do senhor.
02:53Existia uma crise, não era de hoje, mas o Banco Marcia sempre foi solvente,
02:59sempre teve muito mais ativo que passivo e sempre honrou todos os compromissos até o dia 17 de novembro.
03:05No depoimento, Vorcaro negou que tenha, de forma intencional, emitido títulos podres para ludibriar o mercado.
03:13Vamos ver.
03:14A gente precisa só pontuar aqui a questão de 12 bilhões de CCBs falsas.
03:20O senhor falsificou, o banco do senhor emitiu esses títulos e conseguiu fazer dinheiro com base nessa atuação que é criminosa.
03:37Desculpa, mas eu não concordo.
03:38Esse negócio não foi realizado.
03:40E eu não sei quais os créditos, eles são bons ou são ruins, tem documentos ou não.
03:46Eu não tenho como saber que não foi o banco que originou.
03:48E o negócio não foi realizado, afinal.
03:50Então, não existiu ação criminosa em nenhum momento e nem do banco.
03:54A obtenção da vantagem não é...
03:56Se existisse alguma ação criminosa, o banco tinha que ter tido alguma vantagem e alguém tinha que ter tido algum prejuízo, o que não aconteceu.
04:02Mas as CCBs foram emitidas?
04:06O senhor imprimiu, porque tem no nosso processo.
04:08As CCBs, elas existem.
04:10Desculpa, mas a doutora está focada num ponto que é um ponto operacional do processo.
04:15Para você trazer um crédito para dentro de uma instituição financeira, precisa ter um rito.
04:20E esse rito, parte desse rito é a emissão de uma CCB.
04:24Agora, tanto o negócio não foi concretizado, que a gente não registrou nenhum prêmio.
04:27Eu poderia ter registrado o prêmio da operação da venda para o BRB.
04:30Como a gente tinha um contrato que dependia ainda de ser performado, a gente deixou ele numa conta transitória.
04:36Eu poderia ter registrado o prêmio.
04:38Eu poderia ter cobrado de clientes.
04:39A gente não teve nenhuma vantagem com o negócio, afinal.
04:41Essa conta que o senhor mostrou para mim não é a conta do prêmio.
04:46A conta que tem aqui é a conta dos pagamentos da Tirreno.
04:50Mas o prêmio também estava na conta transitória.
04:52Ele não foi registrado o prêmio no balanço do banco.
04:55Ele estava na conta transitória também.
04:57Ou seja, o banco não teve nenhuma vantagem com esse negócio.
05:01Ao longo do tempo, ficou o dinheiro na conta ESCO.
05:03E depois a gente vendeu outros ativos.
05:04A não ser ter vendido os outros ativos depois do BRB.
05:06O dinheiro que o senhor recebeu não ajudou o senhor nessa questão financeira a pagar as suas compromissas?
05:11A gente cedeu os nossos ativos a preço justo, inclusive com deságio.
05:14Os ativos que a gente vendeu mesmo não foi essa carteira.
05:17Por isso que eu tenho que discordar quando a senhora disse que a gente fez um ato início,
05:20que não teve ato início.
05:20A transação não ocorreu no final.
05:22E é por isso que a gente podia ter evitado isso aqui tudo.
05:25A transação não aconteceu.
05:27Para um crime ou para uma fraude acontecer, alguém tem que ter vantagem e outro tem que ter prejuízo.
05:31Nesse caso, o BRB não teve prejuízo, nenhum cliente teve prejuízo e o Banco Márcio não teve vantagem nesse negócio.
05:37Então, se o cara fez algum processo formal errado, se emitiram a CCB, se fez não sei o quê,
05:42são coisas administrativas que o Banco Central poderia ter tratado.
05:45Não precisava da gente estar aqui.
05:46O senhor acabou de falar aqui que o senhor precisava de dinheiro para fazer e para pagar os seus vencimentos.
05:51Precisava e conseguiu.
05:52Os 12 bilhões não ajudou o senhor?
05:55Os 12 bilhões não ajudaram o senhor?
05:56Claro, mas a gente vendeu ativos nossos.
05:58Eu vendi carteira, como a senhora disse, do Will.
06:00Eu vendi outros ativos, alguns inclusive com deságio.
06:03E não só esse, eu vendi ativos pessoais nos últimos seis meses.
06:06Eu fiz todo tipo de esforço para conseguir colocar o dinheiro no banco e honrar compromisso com investidores.
06:12Isso não tem nada de errado, pelo contrário.
06:14É uma gestão compromissada com o sistema financeiro e com os investidores.
06:19Então, no entender do senhor, só existiria um crime se houvesse um prejuízo, é isso?
06:26Só existiria um crime se existisse uma transação.
06:29Existia um projeto de uma transação, uma promessa de compra.
06:32Mas o senhor emitiu as CCBs, confirma.
06:35Sim, claro.
06:35Foram emitidas.
06:36Obviamente, não existe um crédito dentro de uma instituição financeira sem ter uma CCB.
06:40Mas, assim como essas, diversas vezes a gente já existiu recompra de carteira, desfazimento de operações.
06:46Isso é uma coisa usual.
06:47A diferença nesse caso foi o tamanho.
06:49Mas isso não é fora do usual.
06:50Já em outro momento, Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apresentaram versões divergentes
06:59sobre a origem das carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master ao Banco Público
07:05durante a cariação conduzida no fim de dezembro pela Polícia Federal.
07:09Uma divergência que nós consideramos muito interessante, que merece ser explorada,
07:20é que o senhor Vorcaro, durante seu depoimento, diz que, a partir de janeiro, a partir da data
07:28de comercialização das carteiras da Tirreno, o senhor informou ao BRB que o doutor Paulo Henrique estaria ciente
07:39que essas carteiras seriam de originadores, seriam originadas por créditos da Tirreno.
07:45O senhor confirma?
07:47Não, na verdade, a gente anunciou que a gente faria vendas, naquela ocasião, de originadores terceiros.
07:54A Tirreno nem eu mesmo sabia, naquela ocasião, se não me engano, que existe o nome Tirreno.
07:59Acho que a gente chegou a conversar por algumas vezes e que a gente começaria um novo formato
08:06de comercialização, que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros e não mais originação própria.
08:12Então, o senhor avisou, então, que seriam carteiras originadas por terceiros.
08:17Sim, não me lembro a data específica, mas a gente chegou a conversar em algum momento
08:21que a gente teria essa comercialização desse novo tipo de carteira.
08:27Senhor Paulo Henrique, eu gostaria que o senhor comentasse essa afirmação.
08:31O meu entendimento, que eu coloquei aqui mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master
08:37que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente.
08:45Não tem essa informação de ser revendida pelo Master.
08:53Eu sabia que eram carteiras, naquela ocasião, dos mesmos originadores que faziam originação para o Master.
09:02Ou seja, era um ambiente já de clientes que faziam parte do nosso ambiente ali do Credicesto,
09:08mas não especificamente que tinham sido originadas por nós.
09:10Mas quando você apresenta a carteira para a comercialização, esse documento de origem também não faz parte do portfólio de documentos entregues
09:17da instituição que vai adquirir?
09:19Qual documento de origem?
09:21O originador do crédito da carteira, por exemplo.
09:24Eu não conheço no detalhe o procedimento da originação, mas acredito que quem fez originação na ponta
09:31não é uma informação que está nos procedimentos, tem onde eu entendo, não faz parte.
09:37Não faz parte da documentação, não.
09:38Normalmente a gente recebe uma planilha com a lista de todos os créditos, CPF, data de originação, valor, taxa,
09:46todos esses parâmetros, órgão conveniado e um conjunto, uma amostra de contratos e de comprovantes de aderbação.
09:57E o risco no final é o cliente da ponta final, então quem originou, como a gente falou inicialmente,
10:05não é relevante no processo de risco.
10:10E o depoimento também teve seus momentos inusitados.
10:14O advogado Roberto Podival, que faz a defesa de Vorcaro,
10:18negou a senha do celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro,
10:22citando receio, inclusive, de vazamentos.
10:26Doutora, só para começar, eu faço aqui uma questão de ordem.
10:31Nós entramos na sala de audiência, nós não estávamos com o celular.
10:36Eu tenho um caderninho aqui, anotando as perguntas que eu iria fazer.
10:41Acaba a audiência, nós chegamos na sala ao lado, a senhora me pediu
10:45se eu poderia abrir o sigilo do celular do Vorcaro,
10:49e eu disse que não abriria, porque nós tínhamos receio, inclusive, dos vazamentos.
10:54As questões colocadas aqui pela senhora, questões que vieram do ministro Dias Toffoli,
11:00já estavam sendo noticiadas pela Malu Gasparo.
11:04E falo com tranquilidade, porque nós processamos, inclusive, a própria Malu Gasparo.
11:07Então, não veio da defesa e não nos ajude em nada a isso.
11:11Mas é bom que fique consignado, que as perguntas que foram feitas aqui,
11:16mora a respeito das autoridades, mas é bom que se diga.
11:19As perguntas que foram feitas hoje aqui pela senhora,
11:24que eram perguntas ditas pelo ministro,
11:27estavam na imprensa noticiadas quando acabou o ato.
11:30Então, só para deixar claro, e aí, respondendo a sua pergunta,
11:35quando a senhora me disse, a senhora abre o celular,
11:37eu digo, tem coisas pessoais, a senhora me disse, mas o sigilo é absoluto.
11:41O sigilo era absoluto, não deu, sei lá, 20 minutos.
11:45As questões estavam todas ali colocadas.
11:48Então, nós já, inclusive, já havíamos pedido a instauração de um inquérito
11:52para averiguar os vazamentos.
11:54Então, nós vamos relatar ao ministro Corrido,
11:57deixo aqui consignado, mas esse caso aconteceu,
12:0020 minutos depois da audiência acabar.
12:04Wilson Lima, Ricardo Kertzmann e Rodolfo Borges,
12:09muito boa tarde nessa sexta-feira.
12:12Já passando a bola para você, Wilson,
12:15muito revelador esses vídeos divulgados pelo Toffoli,
12:18mas a pergunta é, por que ele está divulgando só agora?
12:21Boa tarde a todos.
12:23Olha, eu não tenho como te responder essa pergunta, Inácio,
12:27porque essa é uma das várias perguntas que ficaram ainda no ar
12:30sobre esse processo, apesar de o ministro Dias Toffoli ter publicado uma nota
12:35para, alegadamente, se explicar sobre ele ontem.
12:39Inclusive, estou terminando uma análise para publicar no site da Cruzoé agora
12:42sobre esse assunto.
12:44O título da nota é
12:45Toffoli explica tudo, menos o inexplicável.
12:48Então, praticamente todas as decisões que o Toffoli tomou sobre esse caso
12:54são esquisitas, são estranhas e demandam explicação.
12:59Inclusive, o timing sobre o caso.
13:03Para falar um pouco sobre o tanto que a gente tem para dizer
13:06em relação a esse depoimento,
13:08eu começo só, vou pontuar algumas coisas,
13:10porque é muita coisa.
13:11O Ricardo vai falar ainda, o Wilson vai falar,
13:13e a gente vai continuar falando sobre isso
13:15ao longo do final de semana, ao longo da próxima semana.
13:18Agora, eu queria começar pelo final aí.
13:21O advogado Roberto Podvo, eu entendo o incômodo dele
13:25com o que ele chamou aí de vazamento,
13:28mas me incomoda muito mais,
13:29inclusive a delegada responsável
13:31por tomar os depoimentos e fazer a cariação,
13:36que o ministro Toffoli tenha indicado
13:38perguntas para serem feitas ao Vorcaro.
13:42Porque no momento em que o Toffoli
13:44determinou, e aí corretamente,
13:46em alguns dos recursos que ele fez
13:49para tomar decisões corretas,
13:52delegou à Polícia Federal que fizesse,
13:54que conduzisse esses depoimentos
13:56e decidisse se de fato deveria haver a cariação,
14:01e não houve a cariação que o Toffoli
14:03determinou originalmente,
14:05entre o investigador do Banco Central
14:07e o investigado, o Banco Master,
14:09porque a Polícia Federal entendeu
14:10que não deveria ocorrer e de fato não deveria ocorrer
14:12porque nunca ocorreu em nenhum outro processo
14:14esse tipo de cariação.
14:17O Toffoli indicou aí perguntas para serem feitas
14:20que não deveriam ter sido feitas.
14:22Aliás, a delegada fez sob a condição
14:25de que ficasse registrado
14:28que quem mandou fazer as perguntas
14:29foi o ministro de Astofoli.
14:31Então essa é uma questão.
14:32A outra, para não meenologar muito,
14:34é só essa defesa do Vorcaro
14:38de que ele não tem amigos o bastante,
14:40aparentemente, em Brasília.
14:42E aí vai ficar no ar, né?
14:43Porque ele disse que foi o Banco Central
14:45que determinou, ou que encaminhou,
14:47o que seria esse negócio com o BRB
14:50para salvar o Banco Master.
14:51Ora, olha, se tem um banco público nessa história
14:54e a solução seria de mercado,
14:57que é o que o Master indica,
14:59aí fica um questionamento.
15:00Por que um banco público
15:01se envolveu nessa questão
15:04se a solução que eles defendem
15:07seria de mercado?
15:08É esse banco público que tem interesse
15:09mercadológico nessa questão
15:12ou que poderia absorver?
15:14Seria mesmo o banco estatal
15:15que deveria fazer isso?
15:17Esse é um dos vários problemas
15:18dessa história.
15:19O Banco Central, inclusive, segundo ele,
15:21não tinha condição
15:23de que esse negócio ocorresse.
15:25Então, a última questão
15:26que eu vou deixar no ar é,
15:27olha, o Vorcaro parece aí
15:30convicto de que não tinha nada de errado.
15:32a gente expôs esses vídeos,
15:35eles estão aí disponíveis,
15:36cada um que estiver assistindo
15:37vai chegar à sua própria conclusão.
15:39E a investigação vai,
15:41no final das contas,
15:42dizer se ele está correto ou não
15:43em alegar que só porque
15:45um negócio muito esquisito
15:47não chegou a ser concluído,
15:50portanto, não houve crime
15:51e ele não deveria estar
15:52de todo ozeleiro eletrônico.
15:53Agora, que continua tudo
15:55muito esquisito, continua.
15:58Wilson Lima, agora sim.
16:00Agora sim, boa tarde para você, Inácio.
16:03Boa tarde, Ricardo.
16:03Boa tarde, Rodolfo.
16:04Mas, principalmente,
16:05boa tarde para você,
16:06meu amigo e minha amiga
16:07de O Antagonista.
16:10Rodolfo, olha só,
16:11eu vou ter uma pequena divergência contigo
16:14porque, nesse caso específico
16:16do Banco Master,
16:17o depoimento do Daniel Vorcaro,
16:18na minha visão,
16:20data a máxima vênia
16:21de quem pensa o contrário,
16:23para mim me dá vários indicativos
16:25de que realmente tem uma coisa
16:26muito nebulosa.
16:27ali, ele utiliza,
16:30e aí, para a gente entender direitinho,
16:31acho que a gente tem que pegar um pouco
16:32como é que as coisas funcionam
16:34no mercado financeiro, não é?
16:35Ele tenta ali dar um,
16:38eu vou utilizar um termo popular,
16:40dar um migué, né?
16:41Eu acho que esse é o tempo
16:42que se fala em São Paulo,
16:43dar uma ludibriada ali
16:44no poder judiciário,
16:45dizer, não, olha só,
16:46estava tudo correto,
16:47foi só uma transação bancária, etc.
16:49Só que a grande verdade é que, assim,
16:51quando você tem um processo
16:53de negociação de papéis,
16:56você precisa ter liquidez
16:58naquele papel,
16:59você precisa dizer, olha só,
17:00eu estou vendendo uma participação X
17:02porque meu patrimônio é Y
17:04e eu vou conseguir entregar Z
17:05a partir dos investimentos
17:07que eu vou conseguir
17:08com esse patrimônio Y.
17:10O que aconteceu no caso
17:11do Banco Master?
17:12Ele apresentou uma projeção
17:16daquilo que ele não tinha,
17:18e é isso que é a grande questão.
17:19E quando se fala
17:20de negociação de papel,
17:21você precisa ter liquidez
17:24daquela história.
17:25Não adianta o Vorcaro dizer,
17:26ah, não, porque os meus papéis,
17:28o meu banco tinha liquidez,
17:30estava tudo certo,
17:31tudo bonitinho.
17:32Olha, pelo que a Polícia Federal
17:33já levantou, é tudo balela, tá?
17:35É tudo balela essa história
17:37de que a...
17:38Foi o Banco Central,
17:42de uma forma até,
17:44entre aspas, criminosa,
17:45tentou,
17:47quer dizer, liquidou o Banco Master
17:49para me prejudicar.
17:51O grande ponto, gente,
17:53é isso,
17:53o grande ponto é que o Daniel Vorcaro,
17:55pelo que se fala,
17:56pelas investigações
17:57da Polícia Federal,
17:58apresentou títulos podres,
18:00isso está ficando
18:00cada vez mais claro, sabe?
18:02Você apresentar,
18:03você entregar para mercado
18:05um título que te paga
18:07130, 140% de CDI,
18:09sendo que os bancões
18:10com uma estrutura
18:11mais robusta
18:13não ofereciam
18:13esse mesmo produto,
18:15é para você desconfiar,
18:16sabe?
18:17Então é isso,
18:17ele prometia a lua,
18:19mas ele não tinha
18:20nem foguete
18:20para levar o camarada
18:21para a lua,
18:23é disso que se trata.
18:25E aí também,
18:26assim,
18:28o...
18:30na fala do Vorcaro,
18:31logo no início,
18:32quando ele fala,
18:32ah, porque
18:33se eu tivesse
18:34tanto amigo político,
18:36eu não estaria preso?
18:39Assim,
18:40essa fala,
18:41eu acho que ela ilustra
18:43muito
18:43o que que
18:45uma determinada
18:46ala da elite
18:47política brasileira imagina?
18:50A lei de política
18:50e econômica,
18:51uma parte dela.
18:52Imagina o seguinte,
18:53olha só,
18:54eu posso fazer
18:55o que eu quiser,
18:57tenho aqui
18:57três, quatro
18:58amigos políticos,
18:59uns três, quatro
19:00amigos magistrados
19:01e está tudo certo,
19:03os caras vão me blindar.
19:05Essa frase,
19:05para mim,
19:06ela é muito reveladora,
19:07sabe, gente?
19:07Ela revela realmente,
19:09assim,
19:09por mais que ele fale,
19:10ah, porque se eu tivesse
19:11tanto amigo,
19:12eu não estaria passando
19:13numa situação como essa,
19:15é aquela frase
19:16que ele deixa ali
19:17no ar de que,
19:18no fundo,
19:19no fundo,
19:19é isso que ele pensa.
19:22Então,
19:22é tudo muito grave,
19:24é nessa história,
19:25sabe,
19:26você pegando ali
19:26nas antenas,
19:27é tudo muito obsceno,
19:30essa história
19:30do Banco Master.
19:32Isso mostra
19:33que no Brasil,
19:34nós ainda vivemos
19:36um país de castas,
19:37se você tem acesso
19:37ao poder,
19:38você tem tudo,
19:39se você não tem acesso
19:39ao poder,
19:40você não tem
19:40absolutamente nada.
19:43Ricardo Kertzmann,
19:44uma das frases
19:45que até o Rodolfo
19:47salientou,
19:49é que o crime
19:50não teria ocorrido
19:51e, portanto,
19:53está tudo bem,
19:54porque não aconteceu,
19:55não chegou até o final.
19:57É mais ou menos
19:57o mesmo argumento
19:58da trama golpista,
19:59que eles disseram
20:00que não aconteceu,
20:01não chegou até
20:02o último estágio
20:03e, portanto,
20:04não tem nada de errado.
20:06Boa tarde,
20:07Inácio,
20:07boa tarde,
20:08Rodolfo,
20:09Wilson,
20:09boa tarde,
20:10amigos antagonistas,
20:11tenhamos todos
20:12uma ótima sexta-feira
20:13e um excelente
20:13fim de semana.
20:15Olha,
20:15Inácio,
20:16primeiro que eu entendi
20:18a sua colocação,
20:19pode guardar alguma
20:19semelhança,
20:20mas nesse caso,
20:22nem isso só ocorre
20:23o Vorcaro,
20:24porque não ficou,
20:26as operações não ficaram
20:27só no campo
20:28das hipóteses
20:30e das tratativas,
20:31várias operações
20:32de dezenas de bilhões
20:33de reais foram realizadas,
20:35causando um prejuízo
20:36monumental
20:37ao fundo garantidor
20:38de crédito,
20:39a fundos de pensão
20:40de municípios,
20:41de estados,
20:42enfim,
20:43a coisa não ficou
20:43só no âmbito
20:44do rascunho.
20:45Eu vou dizer para você,
20:47óbvio que eu vou fazer
20:48uma ironia aqui,
20:48Inácio,
20:49mas eu quase chorei,
20:50estava até pegando
20:50o lencinho
20:51quando o Vorcaro
20:52começou a dizer
20:53que a família dele
20:54estava sendo exposta,
20:55que ele não precisava
20:56disso tudo,
20:57essa exposição toda negativa,
20:59está todo mundo sofrendo.
21:00Olha,
21:01eu até sugeriria hoje
21:02que no prêmio
21:02Cara de Pau,
21:03a gente eliminasse todos
21:04no prêmio
21:05Óleo de Peroba,
21:06a gente eliminasse
21:07todos os demais concorrentes,
21:08porque é de tal sorte,
21:09uma cara de pau
21:11ele se referir
21:12com esses termos
21:13que eu vou te falar
21:13uma coisa,
21:14chega a ser infame
21:16ter que ouvir isso.
21:18Ele fala,
21:19o Wilson citou
21:20mais ou menos
21:21algo assim,
21:22ele fica defendendo
21:23o banco dele
21:24dizendo o seguinte,
21:24olha,
21:25até dia 17 de novembro
21:27todos os nossos clientes
21:28recebiam em dia,
21:29todos os nossos credores
21:30recebiam em dia,
21:31é claro que recebia em dia
21:32era um esquema de pirâmide,
21:33a pirâmide vai pedalando,
21:34vai pedalando,
21:35vai pedalando,
21:36até a hora que ela desmonta.
21:37O fato de até aquele dia
21:39que isso tudo está sendo pago,
21:40só corrobora e só comprova
21:42que havia
21:43esse esquema
21:44fraudulento
21:45de pirâmide.
21:46E continuava crescendo,
21:47diga-se de passagem.
21:49Claro que vai crescendo,
21:50porque a pirâmide é assim,
21:52né, Inácio?
21:52Eu pego o seu dinheiro
21:53te remunerando
21:55a taxas
21:55absurdamente altas,
21:57porque eu convenço
21:58alguém,
21:59que eu pego o dinheiro
21:59dele também,
22:00convencendo esse alguém
22:01a pagar taxas
22:02absurdamente altas,
22:03a investir em mim.
22:04e esse movimento
22:06é óbvio que vai crescendo,
22:07só que esse dinheiro todo
22:08que entra no meu caixa
22:09e que eu te empresto
22:10uma parte dele,
22:11porque entra muito mais
22:12do que eu empresto,
22:13o resto eu vou colocando
22:14no meu bolso
22:15e vou comprando imóveis,
22:17vou comprando ativos,
22:18o Wilson falou nisso,
22:19ele vai e fala assim,
22:20não,
22:20o banco possuía
22:21um ativo,
22:22os ativos eram maiores
22:23do que o passivo,
22:24o banco era líquido,
22:26uma ova,
22:27porque ele contabilizava
22:29ativos de valores
22:30muito pequenos
22:31por milhões.
22:32Hoje mesmo tem notícias
22:33a respeito disso,
22:34o imóvel que ele adquiriu
22:35por 22 milhões,
22:36que ele contabilizou
22:38e passou para o BRB
22:39por 120 milhões.
22:41Pô, assim até eu
22:42fico líquido, né?
22:43Fica facinho pra caramba.
22:44E detalhe,
22:45esse imóvel estava embargado.
22:46É, é, é, é, é, é isso, Ricardo.
22:51Eu ia falar que eu pego um carro velho,
22:55um carro de 1970,
22:57que custa 5 mil reais
22:58e passo adiante
23:00para um banco estatal
23:01dizendo que ele vale 5 milhões.
23:02Pô, fica fácil
23:03ser líquido assim.
23:05Só pra terminar,
23:06Wilson,
23:06pra passar pra você,
23:09me chamou atenção
23:10nas perguntas
23:11da delegada,
23:13em um determinado momento
23:14ela fala pra ele assim,
23:15ah, então o senhor
23:16nega que teve contatos
23:18com autoridades,
23:19com servidores,
23:20com parlamentares.
23:22Eu acho interessante, né?
23:23Por que que ela não perguntou também?
23:25O senhor nega
23:25que o senhor teve contatos
23:26com juízes,
23:27com desembargadores,
23:29com ministros?
23:29Eu acho que caberia
23:30essa pergunta ter sido feita,
23:32mas infelizmente não foi.
23:33nada,
23:34não é?
23:35Não é?
23:36Não é?
23:41Não é?
23:41Obrigado.
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