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Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad, vê com reservas acordo entre os blocos.

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Transcrição
00:00Como nós já trouxemos no nosso portal ao longo dessa semana, tivemos a União Europeia dando aval ao acordo comercial com o Mercosul.
00:09Essa será a maior zona de livre comércio do mundo e que vem sendo negociada há mais de 25 anos.
00:17O tratado ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu para ser ratificado para entrar em vigor,
00:24mas a aprovação abre caminho para a assinatura do texto entre os blocos.
00:28A expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a União Europeia em 17 de janeiro, no final desta semana.
00:37Mas para falar das expectativas desse acordo, estamos com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad.
00:46Boa tarde, senador. Muito bem-vindo ao Meio Dia em Brasília.
00:50Eu já pergunto para o senhor como o Brasil pode se beneficiar deste acordo.
00:58Muito boa tarde, é um prazer estar falando contigo, com todos os telespectadores, aqueles que nos acompanham nas redes sociais.
01:07Dizer a você que você observa que já hoje teve uma nova nota da sobretarifa americana
01:17em relação aos países que têm negócios com o Irã, ou seja, fecham-se portas, mas tem que se abrir janelas
01:29para se buscar oportunidades de negócios, a fim de que os produtos, principalmente do agronegócio,
01:37possam vir a não ser prejudicados nas suas explotações.
01:40E é importante ressaltar isso, porque para você chegar num ponto de produzir alguma coisa
01:48e fazer com que isso possa chegar lá fora, no exterior, você tem que investir muito na qualidade
01:54e principalmente na sanidade desse produto.
01:58Por isso que a gente está aqui defendendo cada vez mais que acontece uma situação como essa,
02:04o setor do agronegócio no nosso país.
02:07E eu já dou boa tarde também ao Wilson Lima e ao Ricardo Kertzmann, que passam a integrar esta entrevista.
02:14Wilson, a palavra é sua.
02:18Boa tarde, Nácio, boa tarde, Ricardo, boa tarde, senador, mas como eu falo sempre aqui no programa,
02:22principalmente boa tarde para você, meu amigo e minha amiga de um antagonista.
02:27Senador, esse acordo é algo que o presidente Lula vem há muito tempo garimpando,
02:34ele coloca isso como uma de suas bandeiras de luta nesse terceiro mandato.
02:38O senhor, além de senador, é representante do agro.
02:42Então, o senhor conhece bem, o senhor conhece por dentro a cadeia produtiva brasileira.
02:46Eu queria lhe perguntar de uma forma muito objetiva.
02:50Do jeito que está, neste momento, esse acordo, ele é benéfico ou é maléfico para a economia brasileira?
02:57Bom, no primeiro horizonte que se diz cortina, ele é benéfico, mas aqui vale a lei de São Tomé, ver para crer.
03:10E o que nós vamos fazer?
03:12A gente já está pronta a indicação de criação de uma comissão, igual aquela que foi criada para ir para os Estados Unidos,
03:22para o acompanhamento, para e passo, semana a semana, dos desdobramentos desse acordo de livre comércio.
03:31Eu estive no Palasul, na condição de chefe da delegação brasileira, lá os países da América Latina,
03:40praticamente todos favoráveis à assinatura desse acordo, pelas janelas de oportunidade que deverão abrir.
03:49E fui também no Parlamento Europeu.
03:53O que a gente observou lá?
03:55Observou resistência de alguns países, porém, na sua grande maioria,
04:02concordância no sentido de entender que essa ação multilateral
04:08poderia proporcionar a esses países novas oportunidades e chances de negócio.
04:15na ponta, para quem está nos assistindo, o que importa para ele, que você que está me assistindo?
04:22Que os produtos importados de lá para cá possam vir a um preço menor,
04:27em função da queda de imposto que vai ter tabulado nesse acordo,
04:33e que aqueles que produzem aqui no Brasil, principalmente do setor do agro e da indústria,
04:39possam mandar os seus produtos para lá também, numa chance, numa oportunidade melhor.
04:47Ricardo Kertzmann.
04:49Boa tarde, Inácio Wilson.
04:51Boa tarde, senador.
04:52Muito obrigado pela presença.
04:53Boa tarde também, queridos amigos antagonistas.
04:56Senador, desde que foi anunciado esse acordo, eu tenho dito o seguinte,
05:03que nada como um presidente beligerante como o Donald Trump,
05:07para fazer uma resistência desse protecionismo histórico da União Europeia,
05:11arrefecer um pouco.
05:13Eu estou como senhor, eu quero ver para crer, até a assinatura,
05:16eu acho que ainda tem muita água para passar por debaixo da ponte,
05:19e nesse acordo, os detalhes que já foram divulgados até agora,
05:22me parece que eles ainda mantêm muitas salvaguardas em direção à União Europeia,
05:28que não trazem tanto benefício assim para o Brasil.
05:30A minha pergunta nesse sentido, senador, é que,
05:34assim como quando o presidente Donald Trump saiu anunciando aquele tarifácio aloprado dele,
05:39não produziu um efeito devastador nas exportações brasileiras,
05:43eu gostaria de saber se o senhor concorda que tampouco a assinatura desse acordo
05:48também vai produzir algum efeito avassalador no sentido positivo para as exportações brasileiras,
05:53já que a demanda mundial por commodities agrícolas, minerais e tudo mais já está bastante aquecida.
05:59É muito bem colocado por você esse comentário.
06:04Eu digo que, numa situação como essa,
06:10nós temos que ter certeza dos desdobramentos e dos seus andamentos,
06:17da sua tramitação.
06:19Por isso, essa comissão vai ser importante,
06:21porque nós vamos fazê-la concorrer com gente da área,
06:26com gente que teve participação nessa formatação,
06:30eu cito aqui a ex-ministra Tereza Cristina,
06:36que com certeza não vai se faltar de participar,
06:41eu cito aqui o vice-presidente Hamilton Mourão,
06:44que também com certeza não vai querer deixar de participar,
06:48o senador Espiridião Amin,
06:50o senador Sérgio Moro,
06:52o próprio senador Jacques Wagner,
06:54que a Bahia também é muito produtora no setor do agro,
06:58ou seja, nós vamos fazer aqui uma mescla de parlamentares
07:03que entendem dessa questão,
07:06para poder realmente ver o benefício que o Brasil vai ter nessa situação toda.
07:11E eu volto a dizer e reafirmar,
07:14o nosso interesse aqui é fortalecer a cadeia produtiva nacional do Brasil,
07:21para poder aqui fazer gerar emprego, renda,
07:24e proporcionar aos nossos consumidores preços mais atrativos nos mercados europeus.
07:33Senador, sobre esse acordo com o Mercosul,
07:38muitos setores, sobretudo da indústria, temem que saiam prejudicados.
07:42O agro teria muito a ganhar, ainda que tenham todas essas salvaguardas,
07:46que podem até mudar ao longo dessa semana,
07:48está tendo muito protesto lá na França,
07:50a França é uma das mais resistentes a esse acordo, justamente pela questão do agro.
07:55Mas a indústria comenta-se que estaria preocupada,
07:59porque teria a concorrência ao longo dos próximos anos,
08:03de produtos mais tecnologicamente avançados da Europa,
08:07a custos cada vez menores.
08:09Existe realmente essa preocupação do governo, por exemplo,
08:12ou do Senado, no caso, de preparar a indústria para essa concorrência,
08:17ou isso é um cenário, digamos assim, antigo,
08:21e que já não é a realidade da indústria brasileira?
08:24Não, posso dizer a você, em relação ao Congresso,
08:27que eu faço parte e eu respondo pela Comissão de Relações Exteriores.
08:32Em relação ao governo, aí é uma outra consideração que tem que ser feita por algum integrante dele.
08:39Mas em relação ao Congresso, nós estamos atentos a isso.
08:43Nós vamos convocar a CNI, vamos ouvi-los,
08:47vamos ponderar com aquilo que precisa ser ponderado,
08:51com a nossa assessoria técnica legislativa.
08:54Não vamos dar passo em vão nem em falso.
08:57Você pode ter certeza disso.
08:59Aqui, o ambiente aqui é de comemoração,
09:03no sentido de mais de 25 anos,
09:05que isso está para ser amadurecido e ser assinado,
09:11mas o teste de São Tomé aqui também é algo que está na linha de frente da parede aqui.
09:18Tem que ver para crer.
09:20Vamos ver se o dia 17 realmente vai assinar.
09:22Nós estamos vendo protestos para tudo que é lugar aí da Europa.
09:26Quando eu fui na Europa, eu senti isso.
09:29Eu senti a resistência, principalmente na França.
09:32A gente andando lá, porque eu saí da capital de Paris e fui de trem até Estrasburgo,
09:41que faz a divisa com a Alemanha.
09:44E o que eu pude observar nos lugarejos pelo qual o trem passava?
09:50É o ambiente essencialmente agro dos setores.
09:54Ou seja, imagino que essa resistência vem justamente de um país que tem essa vocação.
10:02Porque a gente pensa na França, pensa logo em Paris, Torre Eiffel e esquece do interior.
10:09O interior deles tem uma predisposição muito voltada para o setor do agro.
10:15E aí, o que vai acontecer?
10:17Eles vão ter a concorrência nossa.
10:19E os nossos produtos são bons.
10:22São produtos que batem de frente com qualquer um outro que você colocar para disputar com os produtos brasileiros.
10:28A carne brasileira de excelente qualidade, os nossos grãos, o nosso café, o nosso suco de laranja.
10:36Ou seja, é algo que a gente precisa ver para crer.
10:39Vamos ver se dia 17 já sai a assinatura.
10:43Vamos ver como que nós vamos receber esses termos.
10:47Vamos ver como que os parlamentos europeus, principalmente, devem se portar.
10:53E naquilo que puder a gente sair na frente para poder ganhar realmente, na ponta, essa situação, nós vamos fazer.
11:02Senador, uma última pergunta.
11:04Como o senhor é o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado,
11:09tivemos, como você mesmo mencionou em uma das suas respostas,
11:12o presidente dos Estados Unidos anunciando tarifas de 25% a quem quer que fizesse comércio com o Irã.
11:19Isso atinge mais de 100 países, inclusive o Brasil.
11:22O Brasil, até agora, nem se manifestou em relação às manifestações
11:28que estariam sendo absolutamente esmagadas pelo governo iraniano,
11:34com relatos até de mais de 2 mil mortos.
11:37Você, o senhor, como presidente da Comissão, acha normal esse silêncio do Brasil,
11:43tanto em relação às manifestações iranianas, quanto às possíveis implicações econômicas
11:48de fazer algum tipo de comércio com o Irã?
11:53Veja bem, são duas coisas que você tem que procurar separar.
11:58O tempero já é forte demais se você misturar tudo.
12:01Essa questão do que está acontecendo lá, com mortes, com censura à imprensa,
12:07com presos largando para trás a democracia, a liberdade,
12:14ninguém, em sã consciência, há de concordar com isso.
12:17Não dá para passar a mão na cabeça de quem está na linha de frente dessa situação.
12:22Foi igual lá na Venezuela.
12:23Então, essa é uma questão que, na minha avaliação, tem que ter realmente uma posição forte,
12:30contrária a tudo isso aí.
12:32Nada melhor do que pacificar essa história, como houve na Venezuela,
12:38depois da prisão do ex-presidente Maduro.
12:43O que aconteceu lá?
12:44A liberdade, as presas políticos saindo dos seus regimes fechados,
12:51as famílias recebendo com aquela emoção que todo mundo viu,
12:55as coisas voltando ao normal.
12:57É isso que a gente espera nos tempos em que nós estamos vivendo.
13:01Não tem mais espaço para esses ditadores.
13:04Não tem.
13:05A gente tem que ver que nós estamos no século XXI,
13:08onde a informação do que acontece lá chega agora aí para você em menos de dez segundos.
13:13Isso é algo que precisa ser visto.
13:16Quantas questões de negócios é uma outra história que precisa também ser analisada
13:21e eu espero que o governo responda logo,
13:25para a gente poder ver como que vai ser a posição brasileira nesse quesito.
13:29O que eu penso que é importante que se tem hoje?
13:33Tem o estabelecimento de um diálogo já com os Estados Unidos,
13:38um diálogo já formado nos níveis superiores de presidente para presidente,
13:43dos ministros de ponta, com os ministros de ponta,
13:48para a gente poder ver onde que o Brasil vai ser acertado
13:52e o que fazer para o Brasil não ser.
13:55Isso é tudo a tal da geopolítica da diplomacia.
13:59Isso precisa ser colocado na mesa.
14:13Obrigado.
14:14Obrigado.
14:15Obrigado.
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