00:00E sobre a reunião do Copom, a gente conversa agora com o Rodrigo Simões, economista e professor da Faculdade do Comércio de São Paulo.
00:07Professor, tudo bem? Bom dia, seja muito bem-vindo.
00:11Olá, Paula, bom dia e bom dia a toda a nossa audiência.
00:14Professor, o que esperar então dessa primeira reunião do Copom de 2026?
00:19A gente viu aí na reportagem o mercado, o Banco Central vai continuar com atitudes mais modestas,
00:26não deve ter um corte em relação à taxa de juros agora, é ano eleitoral, não vai tomar nenhuma decisão precipitada?
00:34Bom, Paula, sim, deu para perceber bem a matéria bem feita agora no início.
00:38O que acontece é o seguinte, é claro que agora nessa primeira reunião agora de março,
00:45existe uma expectativa de queda de juros, todo o mercado está esperando por isso.
00:51Mas o que tem acontecido, Paula? O mercado tem errado em alguns modelos, no modelo praticamente,
00:59porque da projeção inicial, desde 2024, 2025, não está fechando com a projeção final e com o resultado final esperado.
01:09O que isso acontece? Isso a gente tem verificado que existe uma parte da economia brasileira
01:16que não está sendo captada nos modelos. O que eu quero dizer com isso?
01:20Que para esse ano aqui de 2026, existe sim uma perspectiva de início de queda da taxa de juros em março,
01:29mas ainda precisamos esperar os dados, seja das pesquisas mensais da indústria, do serviço e do comércio,
01:37que vai sair pelo IBGE, acho que agora, no final de janeiro ou fevereiro,
01:40em relação a dezembro ainda, porque a gente ainda está olhando para dados de janeiro.
01:45E existe também uma questão muito pontual em relação a essa perspectiva de queda de taxa de juros agora em 2026,
01:54em que muitos dos analistas também não estão precificando, que é o quê?
01:58Que é a tarifa, que é a taxa, aliás, da reforma, da alíquota, que vai vir da reforma tributária para 2027.
02:06Uns falam que a taxa do IVA vai vir um pouco maior e isso pode prejudicar com o encarecimento da carga tributária,
02:13isso pode prejudicar um pouco os modelos de previsões macroeconômicas
02:17e aí faz com que nós aqui da Faculdade do Comércio estejamos precificando a taxa de juros em 12,75
02:25com uma inflação próxima a 4%.
02:29Por quê? Porque esse ano, além da incerteza, a economia também se mostra resiliente.
02:36Mercado de trabalho acrescido, com muita mobilidade e também flexibilidade.
02:41Então isso tem contribuído para que essa, entre a análise do mercado e a realização efetiva da economia como um todo,
02:52tenha ficado um pouco distante dos indicadores. Paula.
02:55Agora, Rodrigo, um aspecto também que eu quero comentar contigo é em relação ao episódio do Banco Master,
03:01porque isso automaticamente afasta os investidores.
03:04Será que essa tendência também pode gerar reflexos em relação à taxa de juros?
03:08Porque afasta os investidores?
03:10Olha, você sabe, David, que esse também é um ponto bem interessante.
03:15A gente ainda precisa entender como que isso será desenrolado, esse caso do Banco Master.
03:22A gente ainda precisa se aprofundar um pouco mais no que vai vir do STF e também no que virão das investigações.
03:30Por quê? Porque muita coisa ainda pode se prejudicar.
03:33Prejudicou fundos de previdência, tem manifestos aqui em São Paulo na própria porta do Banco Master.
03:40Então, isso realmente causa uma imagem ruim, mas eu não sei se chega a prejudicar tanto a questão da projeção da queda da taxa de juros.
03:51A gente vê sim uma perspectiva de queda, mas essa perspectiva de queda, David, pode ser que seja menor do que a gente imagina.
04:00Pode ser que a economia brasileira ainda tenha um 2026 um pouco mais resiliente.
04:06Mas lembrando, um ano eleitoral de mais gastos do governo para poder tentar se eleger,
04:13puxa a atividade econômica para cima e faz segurar a taxa de juros um pouco mais alta.
04:18Mas acho que o do Banco Master, David, prejudica sim a imagem e tudo,
04:24mas eu não sei se tem um impacto direto na taxa de juros.
04:26Os nossos comentaristas também participaram da entrevista.
04:31Acácio Miranda primeiro. Acácio, sua pergunta.
04:34Professor, bom dia. Vou pegar um gancho da sua última ponderação.
04:39Por estarmos num ano eleitoral, há uma elevação dos gastos por parte do governo.
04:44E quando nós olhamos para a taxa de juros e para a sua manutenção em patamares tão elevados,
04:50fica evidente que esta elevação é uma consequência de diversos fatores econômicos,
05:00dentre eles a inflação e os gastos elevados do governo.
05:04No seu entendimento, para que houvesse em 2026 uma diminuição dessa taxa de juros,
05:12qual seria a postura essencial do governo federal?
05:15Qual seria a medida ou quais seriam as medidas necessárias para tanto, se é que isso é possível?
05:23Muito bem, Acácio. Bom dia.
05:25E você sabe, Acácio, que é claro que você tem uma questão,
05:30e por mais que a gente esteja um tema batido, que a gente sempre fala de fiscal, fiscal,
05:36uma parte do governo, ele olha, eu acho que a boa parte do governo,
05:41ele olha muito só pelo superávit primário ali, que é aquele 0,50 que o Ministério da Fazenda tende a perseguir.
05:47Mas a conta não é essa, a conta é o déficit nominal.
05:528%, 9%, você rolar todos os anos, isso não tem limite.
05:59Isso, sabe? Acaba uma hora, a conta vai chegar e o ajuste vem pelo lado da inflação
06:04e pode prejudicar muito a economia lá em 2027, e se ainda não, mas lá em 2027.
06:10Mas o que acontece? Eu acho que o governo, ele tem que fazer a sua lição de casa,
06:16se não pelo corte de gastos, mas pelo menos pela revisão da qualidade do gasto.
06:24Esse é o principal ponto. Por quê?
06:26Porque nós sabemos que cortar gastos no Brasil, isso é quase que impossível.
06:32Você, ao invés de, quando a gente espera que venha uma política de corte de gastos,
06:36vem uma política de isenção fiscal. Então isso é o que acontece sempre.
06:40Só que nesse modelo como um todo de gestão, o que acontece para fazer com que a taxa de juros não caia?
06:47A gente tem uma inércia inflacionária que os agentes econômicos,
06:51eles vão reprecificando e vão meio que se acostumando com essa taxa de juros alta.
06:57É claro que ela freia a atividade econômica, que nem quando a gente pega os dados da pesquisa da indústria,
07:04em novembro, a indústria ficou zero. Zero a zero contra outubro.
07:09Então o que acontece? Está dando uma freada, mas é menos do que a gente imagina.
07:14E tem um ponto também que a economia brasileira, ela vem mudando, Acácio.
07:19Porque nos modelos matemáticos e econométricos, a gente não está conseguindo precificar a mobilidade do mercado de trabalho,
07:30a transitividade ali e a flexibilidade da economia brasileira.
07:35É claro que choques externos também contribuem bastante.
07:39Mas a gente tem uma surpresa da economia sendo resiliente.
07:43E essa força do agro agora em 2025 e da economia de serviços surpreendeu positivamente, viu, Acácio?
07:53Rodrigo, a próxima pergunta vai ser feita pelo Gisolda Almeida.
07:57Rodrigo, bom dia.
07:58Rodrigo, quando a gente olha as grandes economias do mundo,
08:02da quarta à décima, vamos colocar o Brasil entre essas, estão lá na décima.
08:06A inflação não é muito diferente entre elas, 2% a 4% como é do Brasil.
08:12O desenvolvimento do PIB é razoavelmente o mesmo, o número do PIB é o mesmo.
08:16Mas a relação dívida-PIB, a do Brasil é menor, por exemplo, do que a do Canadá, da Inglaterra, da Itália,
08:22cujos PIBs são muito parecidos.
08:25O que justifica o Brasil ter economias muito parecidas com esses países citados
08:29e ter uma taxa de juros tão alta a 15%?
08:33Essa taxa de juros a 15% não é excessiva?
08:36Ela não poderia estar calibrada para níveis menores?
08:38Levando em consideração que é praticamente a terceira taxa de juros mais alta do mundo,
08:42só perdendo para a Turquia, Venezuela e eventualmente para a Argentina?
08:48Gesualdo, bom dia, muito boa a sua pergunta.
08:51O que acontece, Gesualdo?
08:52Essa questão que você bem setou é bem verdade, tá?
08:56A taxa de juros nossa hoje, ela poderia estar em um patamar simplesmente abaixo de 12%
09:04já seria o suficiente para poder manter uma inflação abaixo de 4%, próximo ali dos 3,5%, tá?
09:09Esse aqui é o nosso modelo, nosso parâmetro aqui da faculdade.
09:13Agora, o que acontece?
09:14A economia brasileira, ela tem uma questão que começa pelos gastos públicos,
09:21tem a questão muito da incerteza, tá?
09:23A gente tem uma série de decisões políticas, tá?
09:28De curtíssimo prazo, que acaba afetando a perspectiva, tá?
09:33Do próprio ano corrente pelos analistas de mercado.
09:38Então, os modelos matemáticos que as casas de investimento,
09:42seja corretoras, bancos, utilizam,
09:44elas acabam não conseguindo precificar, tá?
09:48Essa narrativa durante o ano corrente, que acontece,
09:51pelos ruídos políticos, tá?
09:54Então, isso acaba distorcendo,
09:56porque quando o Banco Central, ele calibra ali a taxa de juros,
09:59ele está olhando para a inflação futura.
10:02Como que o indicador está se projetando?
10:05Só que tem um problema no meio do caminho, que é o seguinte,
10:09é essa diferença do time político com o time econômico.
10:13Isso não está andando junto, sabe?
10:14Então, assim, enquanto o governo está se preparando para se reeleger,
10:18a economia está se preparando para se desacelerar.
10:21E aí
10:26E aí
10:29E aí
10:35E aí
Comentários