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Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Vinícius Rodrigues Vieira, professor de economia e relações internacionais da FAAP e da FGV, analisou a apreensão de um petroleiro venezuelano pelos Estados Unidos, classificou a ação como possível pirataria e avaliou os impactos geopolíticos e energéticos da escalada de tensão.

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Transcrição
00:00E sobre a escalada da tensão entre Estados Unidos e Venezuela,
00:04converso agora com Vinícius Rodrigues Vieira,
00:06que é professor de Economia e Relações Internacionais na AFAAP e também na GV.
00:11Boa noite, Vinícius. Tudo bem com você?
00:13Boa noite, Felipe. Tudo bem? Muito boa noite. Obrigado pelo convite.
00:17Com certeza. Vinícius, eu queria começar falando um pouquinho dessa cena que marcou ao longo da semana.
00:24Estados Unidos apreendendo um navio da Venezuela, um petroleiro da Venezuela.
00:29Como é que você viu isso? Foi um ato legítimo ou foi um ato de pirataria americana?
00:36Um pouquinho diferente do que a gente está acostumado a ver.
00:39É inevitável pensar que se trata de um ato de pirataria.
00:43E, de fato, qualquer definição do direito internacional aponta para isso.
00:48Por quê? O navio tudo indica ali, pelos relatos mais fidedignos,
00:53ele era ali de petróleo venezuelano, indo para o Irã.
00:57Também há muitos navios que acabam sendo levados para a Rússia também,
01:03são os parceiros principais da Venezuela fora do continente.
01:07Tem toda uma frota fantasma que está à margem, principalmente, das potências ocidentais.
01:13Mas, uma vez que uma outra potência toma um navio,
01:16podia ser um navio de qualquer produto, um navio militar, um navio mercantil,
01:20nós temos aí, claramente, um ato de pirataria que vai contra as regras do direito internacional.
01:25Então, os Estados Unidos, como em outras ações, inclusive nos bombardeios desses barcos,
01:31seja ali no Caribe, seja no Oceano Pacífico, próximo à Colômbia,
01:34que também está sendo alvo do Trump, menos que o Venezuela, é importante dizer,
01:38nós temos ações que vão contra o direito das nações, o direito internacional,
01:44que levou anos e mais de um século para ser construído como ele está.
01:49Pena que Trump não parece se importar com as regras do jogo entre os países
01:53e faz prevalecer a lei do mais forte.
01:56Professor, eu ia falar justamente, me lembrei também desses casos,
01:59o bombardeamento de navios, é de barcos ali, barcos muitas vezes.
02:03E teve aquele caso polêmico, onde foi um míssel, um segundo míssel foi disparado
02:08quando o barco já tinha sido atingido e está sendo investigado, inclusive,
02:12como um possível crime de guerra.
02:13Eu queria que você falasse desse caso específico.
02:15Que tipo de legislação, que tipo de prática os Estados Unidos quebrou,
02:21rompeu ao fazer esse disparo com o segundo míssel?
02:26Nós temos aí, Felipe, o seguinte cenário aqui, de modo bem resumido.
02:31Nós temos os mares territoriais.
02:33Os Estados Unidos já estão agindo no mar territorial,
02:36tanto ali da Colômbia, mas sobretudo no venezuelano.
02:39E nesse caso específico, nós temos aí uma questão que envolve o fato de que
02:45se há pessoas que cometem crimes no espaço internacional,
02:50ainda que fosse ali no mar aberto, o correto é haver a captura dessas pessoas
02:56pelas forças dos países envolvidos na questão, no caso,
03:00o país onde a embarcação está registrada ou para onde a embarcação foi,
03:04as pessoas são presas, são investigadas e julgadas conforme o devido processo legal.
03:12Nessa questão específico, é muito difícil punir os Estados Unidos,
03:16porque eles são uma grande potência e eles não integram aí, na prática,
03:21uma série de instrumentos de direito internacional,
03:24principalmente o Tribunal Penal Internacional, lá de Aya,
03:27que poderia ser aí um fórum onde, se o tribunal estivesse funcionando de fato,
03:31crimes de guerra pudessem ser julgados.
03:34Então, os Estados Unidos agem, Trump, no caso, dessa forma, com a certeza de impunidade.
03:40E também, claro, é importante dizer, acho que o mais aí chocante é essa violação
03:45aos mares territoriais e, claro, essa lógica aí do direito do mar
03:49que envolve essas questões que eu mencionei, como de quem é responsabilidade
03:53de julgar e capturar e não aí fazer um julgamento, um extermínio sumário,
03:58porque não há nenhum indício de que todos esses, e ainda que sejam criminosos de fato,
04:04mereciam um julgamento justo à luz aí da legislação, da jurisdição ao qual estão vinculados.
04:11Professor, no final do século XX, início do século XXI,
04:14a gente viu os Estados Unidos atuando de forma bastante, enfim,
04:19bastante intrusiva ali, de forma militar, principalmente no Oriente Médio.
04:24E muitas daquelas incursões militares tinham ali como objetivo, um objetivo meio velado,
04:29mas era a busca por petróleo.
04:30A gente viu isso, eles até chegaram a inventar algumas desculpas para invadir o Iraque,
04:36por exemplo, aquela questão das armas de destruição em massa.
04:40No Oriente Médio, hoje em dia, os Estados Unidos têm muitos aliados.
04:43A gente tem visto a proximidade do governo Trump com os aliados árabes, por exemplo.
04:47Será que os Estados Unidos agora estão voltando as suas atenções
04:50para as nações mais petrolíferas, os produtores de petróleo aqui na América do Sul?
04:55Seria mais ou menos isso?
04:57Tem isso sim, Felipe, mas é importante pensar nisso além da questão do petróleo.
05:01Sem dúvida, o acesso a recursos naturais, principalmente fontes de energia suja,
05:06como é o caso dos combustíveis fósseis e, entre eles, sobretudo, o petróleo,
05:11é uma prioridade para o governo Trump,
05:13que rejeita aí a ideia de aquecimento global, necessidade de transição energética.
05:18Então, para os Estados Unidos terem força, é essencial terem acesso barato
05:24a matérias-primas e a Venezuela surge como um ator muito, vamos dizer, útil nesse contexto.
05:31Mas também é importante a gente prestar atenção em dois aspectos políticos.
05:34O internacional, os Estados Unidos estão enfrentando uma presença cada vez maior,
05:39sobretudo da China, naquele que, para os Estados Unidos, é o seu quintal,
05:43que é o hemisfério ocidental.
05:45Isso envolve a América Latina e, sobretudo, o Caribe.
05:47A Venezuela, para os Estados Unidos, mais do que uma nação sul-americana,
05:50é uma nação caribenha, tanto que ela faz, nós estávamos falando do mar territorial,
05:54fronteira ali com o mar territorial de Porto Rico, que é uma colônia americana.
05:59Mas também temos a dimensão doméstica.
06:01E qual é essa dimensão doméstica?
06:03A ideia de guerra contra as drogas, para satisfazer o que?
06:05O público mais conservador de Trump, que corre o risco de se tornar crítico
06:10aos republicanos e ao presidente americano,
06:12em função da baixa popularidade de Trump no contexto de aumento do custo de vida.
06:19Então, o Trump, para compensar isso, está aí se demonstrando como um xerife aqui
06:24da América do Sul, do Caribe, da América Latina como um todo,
06:27em nome dos interesses americanos, que sim, são relacionados ao petróleo,
06:33mas também envolvem essa dimensão da queda na popularidade do presidente americano.
06:38Com certeza.
06:40Muito obrigado.
06:41Conversei com Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Economia e Relações Internacionais
06:45na FAAP e também na AGV.
06:46Vinícius, obrigado e bom fim de semana para você.
06:49Muito obrigado.
06:50Excelente fim de semana a todos.
06:51Até mais.
06:52Obrigado.
06:53Obrigado.
06:54Obrigado.
06:55Obrigado.
06:56Obrigado.
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