00:00Estamos de volta ao vivo com o Real Time, agora 11 horas e 56 minutos e eu volto a chamar ao vivo o Rafael Coracini, que está acompanhado pelo presidente da Anfávia, Igor Calvete.
00:14A gente tentou conversar agora há pouco sobre a produção, tanto a produção quanto a venda de veículos novos que cresceram no ano passado, mas isso acabou sendo a metade do que esperava a Anfávia.
00:23Então, Rafael vai ouvir o nosso entrevistado exatamente sobre isso. Diga, Rafa.
00:30Oi, Nath. Bom dia para você, para quem nos acompanha. 2,6 milhões de veículos produzidos e também vendidos no Brasil em 2025.
00:42Uma alta de 3,5% na produção nacional e de 2,1% nas vendas de veículos novos.
00:51O Igor Calvé, que é o presidente da Anfávia, analisa para a gente esses dados. Bom dia, Igor.
00:57Bom dia a todos que nos acompanham, bom dia a você também. Olha, esses dados, eles são dados do ano de 2025, um ano que encerrou com muitas imprevisibilidades, um ano que nós conseguimos terminar com um saldo positivo na produção nacional.
01:13Tivemos mais de 2,6 milhões de unidades produzidas, o que inclui os automóveis, os comerciais leves também, os ônibus e também os caminhões.
01:23Mas a produção per si, ela não é suficiente. A gente tem que analisar o que dessa produção virou emplacamento, ou seja, tamanho de mercado, o que a gente exportou, o que a gente importou.
01:33E também no tamanho do mercado, nós tivemos quase 2,7 milhões de unidades emplacadas, que também é um número bastante importante, o mercado crescendo a 2%.
01:43Enquanto muitos setores industriais não obtiveram crescimento, o setor automotivo teve um crescimento, que foi um crescimento menor do que nós prevíamos, mas ainda assim um valor positivo.
01:53O que é super importante no momento em que nós estamos cheio de apreensões, com reforma tributária podendo entrar em vigor, questões dos taxas de juros bastante elevadas e questões geopolíticas no mundo também, que afetam, sobretudo, o nosso setor.
02:09Em dezembro, houve uma queda sensível em todos os números. Isso preocupa para 2026?
02:16Olha, em dezembro, costumeiramente, pela série histórica, é um mês que nós temos algumas questões. Por exemplo, da produção.
02:22A produção, as nossas fábricas entram em férias coletivas, então nós temos menos dias de produção em relação aos meses anteriores.
02:31Logo, o número de produção desse mês é um número geralmente mais baixo.
02:35Nós temos também uma questão que aconteceu pontualmente esse ano, a despeito da série histórica, que foi a redução dos embarques das exportações brasileiras.
02:43Mercados como a Argentina caíram de um mês para outro mais de 80% dos nossos embarques.
02:49Mas isso não é um fator estrutural. Foi muito em virtude de uma adequação da produção e de desvio da produção para o consumo do mercado doméstico.
02:59Muitas empresas fazendo novos lançamentos, novas tecnologias de propulsão.
03:03Isso fez com que os veículos e a produção ficasse aqui no Brasil diminuindo os embarques.
03:08Mas, apesar disso tudo, dessa queda de novembro em relação a dezembro, tivemos um ano que no cômputo geral foi muito positivo.
03:18O caso das exportações, ele é emblemático.
03:20Mais de 30% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior, no acumulado.
03:24O que é um dado surpreendente, porque é uma retomada da produção brasileira para a região latino-americana.
03:32E com relação às importações, também tivemos números robustos, né Igor?
03:38O que isso explica? Se poderia passar os números também?
03:40Claro. Nas importações, nós acabamos fechando o ano com aproximadamente meio milhão de carros importados no Brasil.
03:49Nós temos, nos últimos 10 anos, esse é o maior volume de importações ao mercado brasileiro de automóveis.
03:57É um dado importante, porque ele registra um movimento que acontece no mundo,
04:02que é um movimento de novos entrantes no mercado e também de novas tecnologias chegando.
04:08Para o ano de 2026, nós acreditamos, inclusive, que esse número pode diminuir,
04:13porque esses novos entrantes no mercado brasileiro têm anunciado que iniciarão a produção no Brasil.
04:18Aliás, o início da produção no país, pelo impacto que isso pode ter na cadeia automotiva, é sempre muito bem-vindo.
04:25Então, nós já estamos prevendo, sim, a entrada expressiva das importações,
04:29mas parte das importações desse ano serão transformadas em produção local.
04:34Novos fornecedores, então, novos empregos no país, o que é super bem-vindo ao país.
04:39E com relação às novas tecnologias de propulsão, também um avanço considerável de eletrificados, híbridos, elétricos?
04:46Os eletrificados são uma nova tendência no mercado, não só brasileiro, no mercado mundial.
04:52Nós estamos fechando, fechamos o ano de 2025 com 11,2% do mercado de emplacados,
05:01já sendo essas novas tecnologias.
05:03São os veículos elétricos, são os veículos plug-ins, são os veículos híbridos.
05:08Essas tecnologias têm crescido, cada uma a seu modo, com o seu ritmo,
05:13mas crescido consistentemente no share da participação no mercado brasileiro.
05:18Essas tecnologias tendem a continuar crescendo também.
05:22É uma preferência do consumidor, é o caminho tecnológico que as nossas empresas têm seguido.
05:26E muitas vezes também é uma demanda de sustentabilidade.
05:29É importante destacar isso, sobretudo no ano que se encerrou, que foi o ano de COP30 no Brasil.
05:34E com relação ao acordo União Europeia-Mercosul, o setor também está inscrito aí nas novas decisões.
05:42Você poderia falar um pouquinho sobre o que deve mudar para os próximos anos?
05:45O setor automotivo faz parte, como economia brasileira, desse emaranhado,
05:53que é o acordo Mercosul-União Europeia.
05:56O nosso setor vai ser, de alguma forma, afetado a muitas oportunidades,
06:03mas também muitos desafios.
06:05O conhecimento que nós temos da oferta brasileira dá conta de que nós teremos um período de 15 anos
06:11até que as tarifas estejam em níveis de um acordo de livre comércio.
06:17Nos primeiros anos, nós teremos uma carência,
06:20mas logo depois começa um período de desgravação em que as tarifas diminuem.
06:24Nós temos, portanto, um período para melhorar as condições de competitividade do mercado brasileiro,
06:31das empresas brasileiras, seja em questão às logísticas, de infraestrutura,
06:35mesmo às questões tributárias.
06:36Então, temos esse período.
06:38É um período estabelecido para que esse movimento de competitividade aconteça.
06:43Então, há um desafio nos próximos anos que se seguem a entrada em vigor desse acordo,
06:49mas nós acreditamos, sim, que o setor automotivo brasileiro tem condições,
06:52condições de competir, mas sempre observando esse período de transição e de melhoria de competitividade.
06:58Você avalia o acordo, então, como benéfico para o país e para a indústria?
07:02A Anfávia se posiciona, sim, saúda, inclusive, a assinatura do acordo.
07:07Acho que para a economia brasileira, em geral, é um bom acordo.
07:11Mas, lembra, para o nosso setor, traz desafios adicionais aos que nós já temos.
07:15Com relação à tecnologia dos automóveis brasileiros, os veículos brasileiros,
07:21eles estão aptos hoje a concorrer com os que estão entrando,
07:24os que estão abrindo mercado lá fora também?
07:26O mercado brasileiro tem peculiaridades.
07:28Então, os veículos produzidos aqui, inclusive, que nós consideramos veículos, por assim dizer, de entrada,
07:33eles não são veículos, por exemplo, consumidos na Europa, são mercados diferentes.
07:37Então, de certa forma, a nossa produção aqui, em volume,
07:41ela também estará, por uma questão de diferença do consumidor, também mantida no país.
07:47As novas tecnologias, sim, mas sempre no Brasil há um processo,
07:52é um ritmo de internalização dessas tecnologias,
07:54que é diferente também dos países europeus, no caso desse acordo.
07:57Então, nós vamos ter, sim, um período de adaptação do mercado,
08:00tanto no Brasil quanto na Europa, porque todos nós, no mercado mundial,
08:04caminhamos para uma nova consolidação de termos de tecnologias.
08:09Então, as tecnologias de propulsão, as novas formas, estão expandindo no mundo,
08:13não só os elétricos, novos combustíveis,
08:16nada disso é muito claro ainda de como vai ficar no mundo.
08:19Então, nós temos, sim, uma expectativa boa em relação ao acordo.
08:22E para a gente encerrar as projeções, para 2026, o mercado deve seguir em crescimento?
08:28E quais são os destaques?
08:29Olha, a Anfaga tem um otimismo contido em relação a esse ano.
08:33Nós temos uma previsão de crescimento, tanto da produção quanto do emplacamento,
08:38assim como das exportações, mas são previsões ainda em patamares que acompanham desse ano,
08:442%, 3% em cada uma dessas variáveis.
08:47Mas isso é em função de alguns fatos.
08:50Eu acho que o ano de 2026, além de ser um ano eleitoral,
08:54que traz consigo mais instabilidade no cenário da economia política,
08:59nós temos um ano em que nós não temos certeza ainda se as taxas de juros vão diminuir,
09:03nem em que ritmo, muito menos na intensidade da queda da taxa de juros.
09:08Então, tem o fator da taxa de juros, tem o fator político,
09:12tem o fator da geopolítica também, da geoeconomia mundial,
09:16que também nós não sabemos como vai se comportar.
09:18Então, daí deriva esse otimismo contido da Anfaga para esse ano de 2026.
09:24Natália, eu volto com você no estúdio.
09:26Quero agradecer, Rafael Corazzini e também presidente da Anfaga, Igor Calvete,
09:31pela conversa super completa aqui sobre dados recentes
09:37e também as perspectivas para o setor agora em 2026.
09:40Ótimo trabalho, boa quinta-feira para vocês.