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Delegado reforça alerta para proteção de crianças e adolescentes no ES
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Avisos se somam a orientações de saúde e serviços durante o verão capixaba.
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00:00
Pois é, né gente, mas mais do que falar do crime é revoltante.
00:03
A gente escuta os detalhes desse crime e a gente fica assim, né, que absurdo.
00:08
Mas a gente quer ajudar a prevenir situações como essa.
00:11
Quais sinais uma criança pode dar quando está numa situação de violência, né?
00:15
Às vezes para os próprios pais, para a família é difícil acessar essas crianças, esses adolescentes.
00:21
O papel da família e da escola também.
00:23
Então por isso a gente conversa ao vivo aqui no estúdio com o delegado da Divisão Especializada de Proteção
00:28
à Criança e ao Adolescente, delegado Júlio César Cortina.
00:32
Bem-vindo, doutor.
00:33
Bom dia, Bruna. A você e todos os telespectadores.
00:36
Bom dia, doutor.
00:38
Quando a gente acompanha ali os detalhes desse caso, né, claro, é revoltante para todo mundo.
00:44
Agora, o fato do suspeito ser uma figura de autoridade, né, para essas crianças e para esses jovens,
00:50
isso dificulta as denúncias das vítimas?
00:53
Porque é um caso que já estava rolando ali há um certo tempo dentro das escolas, né?
00:57
Ele já tinha armazenado muitas imagens.
01:00
A polícia acredita que o fato da figura dele de ser um professor pode ter dificultado?
01:05
Ah, com certeza.
01:06
Principalmente esse tipo de situação que vai gerar um trauma para essa criança ou para esse adolescente,
01:12
vai dificultar, inclusive, ele revelar esses fatos que ocorreram num local que seria de proteção
01:19
para um local que se transformou num local de crime.
01:23
Sim.
01:23
Ele não teria nem coragem de revelar para os pais algo que aquela pessoa que seria responsável pela guarda da criança,
01:31
com o poder sobre ele dentro da instituição escolar,
01:34
ser o infrator aí desse tipo de violência sexual.
01:37
Com certeza.
01:38
Agora, chama muita atenção como os fatos foram descobertos, né?
01:42
A irmã de uma das vítimas percebeu uma mudança de comportamento dessa criança, né?
01:48
Doze anos a criança dentro de casa e falou, ó, igual é, tem alguma coisa errada acontecendo.
01:54
O papel da família ou de quem acompanha essa criança mais de perto,
01:58
seja pai, mãe, responsável, irmão, irmã,
02:01
em observar esse jovem, essa criança, porque vai dar sinais.
02:05
Às vezes pode demorar, mas dá sinais, né?
02:07
Dá, dá.
02:07
Bruna, isso você falou uma coisa importante.
02:11
Pode demorar, mas vai dar sinais.
02:14
E cada criança ou adolescente apresenta um tipo de comportamento diferente.
02:19
A gente já atendeu casos de crianças que foram constatadas mudanças
02:25
para a questão de agressividade e crianças e adolescentes que se retraem.
02:30
Acabam tendo um isolamento social.
02:34
Inclusive deixando de ter conversa com os próprios familiares.
02:39
Mas é importante essa questão de próprios amigos,
02:43
um colega de turma que nota que essa criança começou a mudar aqui faz um tempo.
02:50
Relate isso, por exemplo, se for na escola, relate isso para o coordenador.
02:54
Eles têm uma equipe.
02:55
As escolas hoje possuem equipes pedagógicas para avaliar essa criança e se há indícios de algum tipo de violência,
03:06
nem que seja física ou sexual, eles vão emitir um relatório.
03:11
E esses relatórios aí serão encaminhados tanto para o Conselho Tutelar, que é um outro órgão de proteção,
03:17
tanto para a delegacia especializada.
03:20
E lá a gente vai fazer essa investigação aí.
03:23
Essa criança, inclusive, se ela já fez esse relato depois na própria escola,
03:29
ela nem vai precisar se dirigir à unidade policial.
03:32
É mesmo, doutor?
03:33
Exatamente.
03:33
Isso é um medo de muitas famílias, não quer...
03:36
Não quer se expor.
03:37
Expor, né?
03:37
A criança ali, até o ambiente da delegacia, tem medo.
03:41
Isso.
03:42
Então isso é possível, né?
03:43
É possível.
03:43
É...
03:44
Para evitar a revitimização.
03:46
Porque essa criança já foi vítima do abuso.
03:50
Ela relatou uma primeira vez ali para um pedagogo ou para a coordenadora
03:56
e esse relatório que vai embasar a investigação policial.
04:00
Não somente a palavra ali da vítima, mas a polícia vai colher outros elementos informativos
04:06
para ser acostada ali no inquérito policial.
04:09
Perfeito.
04:09
Agora, muitas famílias ficam receosas por esse motivo que o senhor falou, né?
04:13
De ir à delegacia levar a criança.
04:16
Mas tem família assim que pensa, gente, eu...
04:19
Que prova que eu tenho que levar?
04:21
Eu não tenho uma prova concreta.
04:23
Como é que é essa questão da pessoa decidir à delegacia, denunciar?
04:27
O que ela precisa levar ali?
04:29
O que ela precisa relatar, por exemplo, para que a denúncia seja validada?
04:33
Bruno, é assim...
04:35
Até por questão de receio ou medo, porque a gente sabe que a grande maioria dos casos
04:40
de violência sexual ocorrem dentro da própria família.
04:45
Verdade.
04:46
Ou seja, a família é alguém de confiança ou que tenha contato próximo com essa vítima.
04:52
Então, a pessoa tem receio de procurar a delegacia, com medo que alguém vai contar que ela foi lá.
05:00
Ela pode mandar um... procurar o conselho tutelar, ela pode fazer uma denúncia no próprio 181.
05:08
Diz que denuncia da nossa Secretaria de Segurança, que é uma ferramenta importantíssima
05:13
para a gente angariar ali e investigar e descobrir essas infrações.
05:19
Então, não se dirige diretamente à unidade, caso ela não queira.
05:23
Perfeito.
05:23
Mas ela querendo, porque ela está visando proteger ali a vítima, ela pode chegar e trazer o que ela tiver.
05:33
Bom, eu peguei no aparelho celular do meu filho, fui conferir.
05:37
Tem uma conversa estranha aqui com algum familiar, uma pessoa que ela desconhece,
05:41
que pode ter gerado ali um crime, ser constatado um crime.
05:46
Ela leve esse aparelho celular para a delegacia, se ela tiver testemunha ou se essa criança tenha contato
05:54
com algum outro amiguinho que possa ter revelado isso, traz o nome do amigo.
05:58
A gente vai encaminhar para o setor do psicossocial, que essas crianças e adolescentes não são ouvidos ali
06:04
pelo oficial investigador nem pelo delegado.
06:07
São acompanhados ali pela uma psicóloga ou uma assistente social.
06:11
São pessoas extremamente capacitadas ali para realizar a escuta especializada dela.
06:15
Perfeito.
06:16
Agora, doutor, quais os sinais mais claros, vocês que estão ali na linha de frente,
06:22
que essas crianças e adolescentes, elas costumam apresentar?
06:26
Se a gente pudesse falar assim, os dois sinais principais que essa criança pode apresentar para essa família,
06:33
que é um sinal de alerta de que uma atitude precisa ser tomada.
06:37
A gente verifica muito questões de automutilação.
06:40
Nossa.
06:41
Crianças e adolescentes que são vítimas de violência sexual, principalmente,
06:45
acabam se automutilando.
06:48
Nossa, que triste.
06:48
E outras questões é a questão de isolamento social.
06:54
Tanto se abala o psicológico, tanto físico quanto psicológico, acaba deixando ela retraída.
07:00
Ela não quer mais ter contato com outras pessoas, quer viver naquele mundinho dela ali.
07:04
E ainda, devido ao fato de não querer fazer essa revelação para terceiros,
07:10
essa situação acaba prejudicando ela cada vez mais.
07:14
Perfeito.
07:15
A gente sabe que, principalmente, a adolescente tem uma dificuldade, os pais têm uma dificuldade muito grande em acessar.
07:22
Os jovens se abrem com todo mundo.
07:24
Todo mundo é amigo, eu te amo pra cá.
07:26
Mas com os pais mesmo, com a família, rola essa dificuldade, né?
07:31
Então, o papel dos amigos, como o senhor colocou aqui muito bem.
07:35
Agora, o papel da escola também é fundamental.
07:38
Porque é na escola que esses meninos passam, muitas vezes, a maior parte do tempo.
07:42
E, às vezes, é um próprio professor, que é uma pessoa de confiança.
07:46
Mas deveria ser, né?
07:47
Nesse caso, a gente viu que não, mas exceção.
07:50
É um coordenador, é um amigo.
07:52
Qual que é o papel da escola em também realizar essas denúncias, né, doutor?
07:57
Não, o papel da escola é importantíssimo.
08:00
Principalmente que a escola faz parte ali do controle social informal.
08:05
Tanto a escola, como alguma unidade de saúde, conselho tutelar.
08:08
Mas é dentro da escola, por exemplo, que ocorrem muitas palestras sobre violência sexual.
08:14
E que esses alunos ali, crianças e adolescentes, ouvindo o que aquele profissional está dizendo,
08:22
vai poder constatar que alguma conduta que está sendo feita contra ele é crime.
08:28
E muitas dessas vezes, eles acabam procurando um professor ou um coordenador,
08:35
ou centro pedagógico, para revelar o que estava acontecendo,
08:38
ou no ambiente familiar, ou em algum outro ambiente com ele.
08:42
E daí, nesse momento, a escola faz essa realização do atendimento ali com essa criança,
08:50
prepara um relatório e encaminha daí para as entidades ali de proteção.
08:55
Interessante também, doutor, que normalmente esses crimes, o que vocês percebem?
09:00
Ele costuma acontecer por um longo período de tempo,
09:03
até ser de fato ali descoberto, ou nem sempre?
09:08
Não, isso tem uma grande variedade entre lápis temporal ou não,
09:13
porque tem algumas síndromes que se desenvolvem nessas crianças ou adolescentes,
09:18
que é a revelação.
09:20
Então, se acanham ali, pode ser que passe ali um mês, um ano, dois anos, cinco anos.
09:26
Nós já chegamos a pegar casos ali, que foi feita a revelação depois de 20 anos.
09:32
Nossa, a criança estava ali, dentro de casa.
09:36
Exatamente.
09:37
Aí, a investigação até acaba ficando um pouco mais complicada,
09:42
mas a gente tem que ir atrás de testemunhas, pegar esse relato,
09:46
que a gente sabe que a maioria desses crimes contra a dignidade sexual,
09:50
eles ocorrem ali na clandestinidade.
09:53
Sem testemunhas, sem imagens.
09:56
E isso, a palavra da vítima, corroborando com detalhes,
10:03
vai auxiliar em muito a própria investigação
10:05
e a responsabilização penal daquele indivíduo que cometeu o ato.
10:09
Perfeito. Por isso a importância, né, gente, de...
10:11
Mesmo que tenham se passado em muito tempo,
10:13
denuncie, procure a polícia.
10:15
Que orientação, nosso tempo está quase acabando, doutor,
10:18
você deixaria para as famílias que estão assistindo o tribuno amanhã?
10:22
E esse é um papel de toda a sociedade.
10:23
A gente está falando aqui das famílias que têm crianças e adolescentes em casa,
10:27
mas você, nós como cidadãos, a gente tem a obrigação, né,
10:31
se identificar algum sinal de fazer essa denúncia,
10:34
de estar de olhos atentos.
10:36
Então, que orientação que fica para quem está assistindo a gente
10:38
se deparar com uma situação como essa?
10:42
Denuncie. Denuncie.
10:43
Porque se não é conhecido ou é conhecido, faça a denúncia.
10:48
Porque você pode estar evitando que essa mesma pessoa acabe abusando
10:52
ou agredindo ou psicologicamente, fisicamente, outra pessoa.
10:57
Você vai estar prevenindo, vai estar fazendo uma repressão
11:01
contra uma conduta que já foi feita,
11:03
mas prevenindo uma futura que possa ser cometida.
11:06
Então, procure.
11:08
Procure a delegacia, possa procurar o Conselho Tutelar, o CREAS,
11:13
qualquer entidade de ensino, até a unidade de saúde, você pode procurar,
11:17
porque eles encaminham para a delegacia depois, é a situação.
11:21
Verdade. A gente está vendo ali, doutor, você falou da denúncia, né,
11:24
a imagem da delegacia, a localização da delegacia fica em Vitória, né,
11:29
é de fácil acesso. Qual que é o bairro é Maruípe, né?
11:32
É aqui na frente da praça do Jucutuquara.
11:35
Isso mesmo, na Paulina.
11:36
Bem em frente à pracinha ali.
11:37
Perfeito, doutor.
11:38
Obrigada aí pelas dicas, pela entrevista, a gente conversou aqui
11:42
com o delegado da Divisão Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente.
11:47
Doutor, muito obrigada pela presença, pelos esclarecimentos aqui no Tribuna Amanhã.
11:52
É um assunto que a gente precisa falar, né, e sem ter vergonha de denúncia,
11:59
porque é importante demais a gente proteger nossas crianças.
12:02
Obrigada, doutor.
12:02
Nada, eu que agradeço. A delegacia está sempre à disposição.
12:08
Obrigada, doutor.
12:09
Obrigada, doutor.
12:10
Obrigada, doutor.
12:11
Obrigada, doutor.
12:12
Obrigada, doutor.
12:13
Obrigada, doutor.
12:14
Obrigada, doutor.
12:15
Obrigada, doutor.
12:16
Obrigada, doutor.
12:17
Obrigada, doutor.
12:18
Obrigada, doutor.
12:19
Obrigada, doutor.
12:20
Obrigada, doutor.
12:21
Obrigada, doutor.
12:22
Obrigada, doutor.
12:23
Obrigada, doutor.
12:24
Obrigada, doutor.
12:25
Obrigada, doutor.
12:26
Obrigada, doutor.
12:27
Obrigada, doutor.
12:28
Obrigada, doutor.
12:29
Obrigada, doutor.
12:30
Obrigada, doutor.
12:31
Obrigada, doutor.
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