00:00Nós preparamos também uma ilustração para você entender um pouquinho do que mobiliza a população contra esse regime teocrático.
00:06Houve uma mudança geracional profunda, porque a maior parte da população nasceu depois da Revolução e não compartilha dos mesmos valores que são aplicados há décadas até hoje.
00:16Há também uma forte repressão interna, sobretudo da guarda revolucionária, com a aplicação severa dos dogmas religiosos xiítas de quem conduz esse regime teocrático.
00:28E aí a população, essa geração, não aceita essa mudança ou a permanência desse regime, ao mesmo tempo em que a repressão se mantém.
00:38Há um isolamento diplomático também, principalmente acentuado pela guerra com Israel e os Estados Unidos agora em 2025.
00:46A gente acompanhou boa parte desses conflitos e uma fragmentação dentro da elite do regime.
00:50Tensões entre os religiosos radicais e aqueles mais moderados que entendem que a maneira como o radicalismo está sendo aplicado ali faz com que essas manifestações se tornem cada vez mais frequentes,
01:02o que poderia colocar em risco esse regime teocrático.
01:05Ô Fábio Piperno, eu gostaria que você trouxesse a sua análise sobre a maneira como os Estados Unidos são colocados como protagonistas deste conflito
01:13e a tentativa do regime do Ayatollah Ali Kamenei de, digamos, excluir a própria população da comunicação ou da informação que a faça se tornar ainda mais estridente nessas manifestações.
01:29Eu vou começar por esse último tópico, o da tecnologia, que o Kambaçani chamou a atenção, Evandro, e você reforçou.
01:36Porque talvez isso tenha raiz no que aconteceu em 2009 e lá o regime iraniano tenha, digamos, extraído algumas lições.
01:47Em 2009 ocorreu um forte movimento oposicionista no Irã.
01:52Naquele momento havia uma oposição daquelas oposições consentidas, mas um pouco mais verdadeira, de fato alguém que obviamente não imaginava derrubar o regime dos Ayatollahs,
02:07porque ele também tinha essa origem, mas fazia sim uma oposição a algumas ideias que o Irã tinha, o Hussein Moussav.
02:19E aí o que aconteceu? Naquele momento ele se comunicava com o mundo pelo Twitter, porque ele foi colocado em prisão domiciliar.
02:26Depois disso as redes dele acabaram cortadas e tal e ele foi totalmente desconectado.
02:30Mas é óbvio que tem tudo isso aí que você apontou, uma série de insatisfações, o problema geracional é verdadeiro.
02:39Só que tem uma coisa, há mais ou menos 80 anos os Estados Unidos atuam ou para desestabilizar regimes iranianos,
02:47como fez, por exemplo, na deposição lá atrás, ainda nos anos 50 do primeiro-ministro Mossadegh.
02:53E aí foi entronizado Reza Palev, que tem a ver com esse conflito de hoje, porque o filho dele é uma das alternativas, a principal alternativa de oposição, está querendo voltar.
03:05E aí Reza Palev era um títero americano lá, até cair por conta dos movimentos aí da Revolução Islâmica,
03:12que, óbvio, implantou um outro tipo de ditadura no país.
03:16Só que aí uma ditadura hostil ao Ocidente, ao contrário da outra, com o agravante de que nacionalizou a indústria do petróleo.
03:24Exatamente, Fábio Viperni.
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