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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (09) os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. Em dezembro, os preços subiram 0,33%, resultado que levou o indicador a fechar 2025 com alta acumulada de 4,26%. Para falar sobre o assunto, a Jovem Pan entrevista André Braz, economista da FGV Ibre.

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Transcrição
00:00Nós vamos seguir no tema inflação, com esse resultado de 2025 abaixo do teto da meta,
00:05porque estamos recebendo agora aqui no Jornal da Manhã,
00:08o economista e coordenador do Índice de Preço da FGV Hibre, o André Brás.
00:13André, bom dia, bem-vindo aqui ao Jornal da Manhã.
00:16Muito obrigado, ótimo dia a todos e todas.
00:194,26% de inflação. Qual é a tua avaliação?
00:25A gente diz aqui que está dentro, não estourou o teto da meta, mas também não está no centro da meta.
00:31Qual é o ângulo que a gente pode ver aqui, André?
00:34Olha, com otimismo, porque no início do ano passado nós tínhamos um número que superava em muito o teto da meta.
00:42Em algum momento, dentro de 2025, chegamos a considerar uma inflação mais próxima de 6% para o ano passado.
00:50E, no entanto, ela ficou em 4,26%.
00:53É claro que boa parte do mérito está no grupo alimentação.
00:57Dependemos do clima, ele foi muito favorável para as nossas safras.
01:02A política monetária ajudou um pouco, porque também ajudou a estabilizar o câmbio.
01:07E o câmbio é um vetor de transmissão da inflação.
01:10Com ele mais estável, ajudou também a equilibrar um pouco a inflação em torno dos alimentos.
01:17Mas outros segmentos importantes do IPCA não performaram da mesma forma.
01:21A gente viu que serviços, serviços que as famílias consomem no dia a dia, que é pagar o aluguel, a escola, a parte de transporte também por aplicativo, subiu muito em 2025.
01:36Em média, 6%.
01:37Quer dizer, 1,5% acima do teto da meta.
01:41O mesmo a gente pôde verificar em preços monitorados.
01:44Energia, telefonia, gasolina, água, esgoto, enfim.
01:48Todos os preços controlados pelo poder público, em média, subiram mais de 5%.
01:53Também bem acima do teto da meta.
01:55Então, considerando que serviços e monitorados comprometem mais da metade do orçamento familiar, quase 60% do orçamento familiar, e esses preços ficaram muito acima da meta, a gente sabe que tem muito trabalho a ser feito.
02:10Mas é claro que, perto do que prevíamos, a inflação para o ano passado, o número foi realmente muito bom.
02:19Agora, eu também tenho uma questão, André, sobre os juros, né?
02:24A gente sabe que o brasileiro ainda sofre com essas taxas altíssimas de juros.
02:29Tem uma perspectiva de melhora para esse ano ou ainda muito pouco?
02:35Vou melhorar um pouco, né?
02:36Mas é a passos lentos, né?
02:38A inflação continua sendo um desafio.
02:41A alimentação, ela só teve uma inflação mais baixa, mas não quer dizer que os preços caíram.
02:46Então, como a alimentação já acumula, desde 2020 para cá, 55%, se eu não me engano, de alta contra um IPCA que gira em torno de 35%,
03:00quer dizer, a gente tem quase 20 pontos percentuais de alta acumulada para alimentos acima do próprio IPCA,
03:08o consumidor não está comemorando ou não está levando mais produtos para casa, né?
03:14A gente só teve uma desaceleração do processo inflacionário, né?
03:19E considerando que essa desaceleração, ela não foi também geral, né?
03:24Ela não pegou todos os produtos e serviços mais demandados,
03:28ficou muito concentrada no grupo alimentação,
03:31não dá também para chegar com muita segurança cortando os juros.
03:36Até porque o cenário doméstico e o cenário internacional pedem atenção.
03:41Então, algum movimento de corte de juros, tenho certeza que a inflação vai nos permitir fazer ao longo de 2026, né?
03:50Mas eu não faria nesse primeiro momento, quer dizer, em janeiro, né?
03:56Eu esperaria um pouco, números melhores, né?
03:59Mostrando, quem sabe, uma desaceleração em outros segmentos importantes
04:03para tomar uma decisão um pouco mais assertiva, né?
04:08Fazer um movimento um pouco mais forte e talvez até com um caráter mais duradouro.
04:14Aliás, André, olhando para frente, é claro que a gente está indo em janeiro,
04:19mas há já projeções indicando que talvez arroz, feijão se mantenham estáveis nesse ano,
04:25mas talvez a carne possa subir um pouquinho.
04:28Já é possível a gente imaginar ou tentar visualizar a possibilidade de aumento de preços
04:34para esse ano de 2026 diante dos dados que temos nesse momento ou ainda não?
04:40A gente imagina alguns cenários, né?
04:43Tem um cenário pessimista, tem um cenário um pouco mais otimista.
04:46De qualquer maneira, a gente prevê que a alimentação não deve ter uma inflação tão baixa quanto no ano passado.
04:52Ela pode subir um pouco.
04:54Mas nós erramos feio em 2025, né?
04:57Nós tínhamos expectativa de uma alta de 8% para a alimentação no domicílio,
05:01e ela ficou em 1,4, né?
05:04Então, eu quero errar também em 2026.
05:08Eu quero pensar que a inflação de alimentação vai girar em torno de 4%
05:12e ela, enfim, repita a dose de 2025, né?
05:16Vem em torno de 1, quer dizer, em termos reais, sem inflação para alimentação.
05:22Mas eu acho difícil que isso aconteça.
05:24A gente fica muito na mão do clima, né?
05:26Principalmente.
05:27Eu gostaria de ver outros grupos desacelerando, né?
05:31A parte de serviços, né?
05:33Preços monitorados subindo um pouco menos.
05:35E eu acho que é exatamente isso que vai acontecer, né?
05:38A alimentação sobe um pouco e os outros grupos, serviços em especial, desaceleram.
05:44O mercado de trabalho deve começar a sentir um pouco a questão dos juros.
05:48É no patamar em que estão.
05:49Independente do Banco Central cortado ou não os juros,
05:52um pouco dessa taxa de juros em janeiro.
05:54Ele vai permanecer muito alto mesmo com esse corte.
05:57E algum arrefecimento no mercado de trabalho isso deve trazer.
06:01Já houve indícios disso pela medida de PIB do último trimestre.
06:06E isso pode ajudar a frear um pouco essa inflação de serviços, né?
06:10Que assustou muito em 2025.
06:13Economista André Brás.
06:14Muito obrigado pela gentileza de falar aqui com a Jovem Pão.
06:17Bom final de semana para você.
06:19Igualmente.
06:20Um ótimo final de semana para todos.
06:21Obrigado.
06:22Obrigado.
06:22Obrigado.
06:22Obrigado.
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