00:00O ministro Ricardo Lewandowski entrega a Lula a carta de demissão e deixa a pasta da justiça.
00:06A decisão será que é imediata?
00:08Já há algum substituto?
00:10André Aneri chegando com as últimas informações nesse início dessa dança das cadeiras.
00:16André.
00:19Pois é, Tiago, o Diário Oficial da União deve publicar a demissão a pedido de Ricardo Lewandowski amanhã.
00:27Na carta de demissão tornada pública pela assessoria do Ministério da Justiça, Lewandowski disse que tomou a decisão por motivos pessoais e familiares.
00:37Em outro trecho, o ministro o agradeceu pelo que chamou de permanente estímulo e apoio com que foi honrado ao longo dos quase dois anos à frente da pasta
00:47e manifestou apreço e consideração ao presidente Lula.
00:51Lewandowski encerrou o texto dizendo que deixa o cargo com a convicção de ter deixado bases sólidas
00:58para que o ministério siga cumprindo sua missão constitucional, promover justiça, garantir direitos
01:05e fortalecer a segurança pública com legalidade, humanidade e democracia.
01:10Apesar dessas declarações, a saída de Lewandowski foi envolvida em várias especulações de que ele estaria esgotado dos embates com o Congresso Nacional
01:22após as discussões envolvendo a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção.
01:29Além disso, o ministro também não teria ficado satisfeito com esses planos já tornados públicos do presidente Lula
01:37de desmembrar o ministério criando uma pasta específica para a segurança pública.
01:43Por enquanto, quem substitui Ricardo Lewandowski interinamente é o secretário-executivo Manuel Almeida.
01:51O ministro da Educação, Camilo Santana, tem sido apontado como favorito para ocupar o cargo,
01:56mas para veículos de imprensa do Ceará, estado dele, Camilo Santana já declarou que pretende seguir ajudando o governo Lula
02:05nas palavras dele à frente da pasta da educação.
02:09O próprio governo já tem consciência de que a saída de Lewandowski é apenas o começo de uma fila de pelo menos 20 ministros
02:17que vão deixar os cargos até abril para se tornarem candidatos, principalmente ao legislativo.
02:24Bom, André, uma pergunta que tem a ver com outro assunto, porque depois da cerimônia dos três anos do 8 de janeiro,
02:32o presidente Lula conversou com o Gustavo Petro da Colômbia.
02:36A Venezuela foi o tema, não é?
02:37Isso mesmo, Tiago. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, telefonou para o presidente Lula
02:46e ambos conversaram sobre a situação na Venezuela, manifestando grande preocupação
02:52com o uso da força pelos Estados Unidos contra um país sul-americano.
02:57Os detalhes foram dados em uma nota oficial divulgada agora há pouco aqui pelo Palácio do Planalto.
03:02Segundo a publicação, os dois presidentes classificaram a ofensiva do governo norte-americano
03:08como uma violação ao direito internacional, também a Carta das Nações Unidas e ainda a soberania da Venezuela.
03:16E destacaram que tais ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança da região.
03:25Horas depois, ainda no dia de hoje, o presidente Lula também conversou por telefone
03:30sobre o mesmo tema com mais dois líderes internacionais.
03:34Ele e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, condenaram o uso da força sem amparo
03:41na Carta das Nações Unidas e no direito internacional.
03:44E concordaram sobre a necessidade de reforma das instituições de governança global.
03:50E em conversa com a presidente do México, Cláudia Sheinbaum, Lula e ela rejeitaram qualquer visão
03:56que possa implicar na divisão ultrapassada, segundo eles, do mundo em zonas de influência.
04:03E reiteraram a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio.
04:10Portanto, manifestações todas favoráveis à Venezuela e contrárias ao governo norte-americano.
04:17Tiago.
04:17É isso, as reações, ainda a questão da Venezuela, a gente vai falar daqui a pouquinho mais
04:21sobre a questão venezuelana.
04:23Até daqui a pouco, André, deixa eu chamar a Dora Kramer para, claro, tratar sobre essa
04:28sucessão do Ministério da Justiça.
04:30E hoje veio, não é, Dora, a informação de que o desmembramento da pasta da segurança
04:37pública e a criação de um outro ministério seria feita só depois da aprovação da PEC
04:45e da segurança.
04:46Agora, uma aprovação de uma PEC dessa envergadura nesse ano eleitoral também é muito difícil,
04:51né?
04:51Ou existe espaço?
04:55Olha, pode até existir espaço para discussão, né?
04:58Mas esse tema da segurança pública, eu não faço a menor fé de que vai ser abordado de
05:05uma maneira séria e objetiva nesse ano eleitoral.
05:09Eu acho que vai ter demagogia para todo lado.
05:12Com relação ao Ministério da Justiça, o presidente Lula é tudo muito incerto, né?
05:17Ainda.
05:18Fala-se no nome, como o André Nery citou, do Camilo Santana.
05:22Mas o próprio Camilo Santana talvez saia do Ministério da Educação para concorrer ao
05:28Senado pelo Ceará.
05:30Mas, enfim.
05:31Mas há outras decisões que o presidente Lula precisa tomar.
05:35Primeiro, se ele vai fazer uma substituição efetiva no ministro Ricardo Lewandowski na
05:41Justiça ou se vai seguir o ano com o interino, com o secretário executivo.
05:47Isso é uma decisão importante porque disso depende de ter um representante da Justiça
05:53com mais, digamos assim, proeminência, mais destaque, mais peso político justamente para
06:01fazer o embate das questões de segurança no Congresso.
06:05A outra questão é se o presidente vai realmente dividir o Ministério da Justiça em dois,
06:13criando o Ministério da Segurança Pública já, agora, neste ano, ou se ele vai manter
06:19essa divisão como uma promessa de campanha.
06:23Como, aliás, foi em 22.
06:25A promessa de campanha era de que seria criado o Ministério da Segurança Pública, mas
06:30depois isso foi abandonado.
06:33Primeiro que o ministro Flávio Dino, que foi o primeiro ministro da Justiça, não queria
06:37abrir mão dessa, dessa, da pasta da Segurança Pública e depois o ministro Lewandowski também
06:45não queria.
06:47Então, a gente falar em nomes ainda é muito prematuro porque o cenário todo em relação
06:53ao Ministério da Justiça ainda é incerto.
06:57Porque aquela história, né, Kriegner, é difícil o setor público, a área pública,
07:02porque o ministro Ricardo Lewandowski se descansado nessa tentativa do embate com o Congresso
07:07Nacional, conversa com o Congresso Nacional, ou seja, para você ser ministro da Justiça
07:12e Segurança Pública ou qualquer outra pasta, você precisa ser um pouco político, né, para
07:17conseguir conversar e convencer.
07:20Exato, exato. E ainda mais nesse formato de relacionamento entre governo federal e o
07:26poder executivo, né, e o poder legislativo que o Brasil foi desenvolvendo ao longo do
07:31tempo, essa coalizão bastante suspeita, né, em que nós vemos aí uma série de acordos
07:37que são feitos, emendas parlamentares que vêm também para poder conquistar voto e apoio
07:43dos projetos do governo.
07:44E realmente não foi um ano fácil. Agora fica a pergunta, qual é o grande legado do
07:48ex-ministro, agora ex-ministro Lewandowski? A questão do PL antifacção não foi necessariamente
07:57aquilo que mais coroou a sua estadia no governo federal, justamente porque essa coroa, esses
08:03louros, a glória desse projeto, depois da alteração que foi feita pelo Congresso, caiu
08:08no colo do ex-secretário de Ritch, atual deputado federal Guilherme de Ritch aqui do Estado
08:13de São Paulo. Também se pergunta sobre a PEC da segurança, que é uma PEC que está
08:18sendo altamente discutida e altamente rejeitada pelas forças policiais e também pelos governos,
08:23por boa parte dos governadores. Então, qual é o grande legado que ele conseguiu acrescentar
08:29à pasta, à temática da segurança pública e às políticas públicas de segurança também
08:34do Brasil? Acho que essa deve ser a maior dor, uma dor ainda maior do que a dificuldade
08:40no relacionamento com o Congresso, Tiago.
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