00:00Muito bem, durante o evento do governo, Lula afirmou que o 8 de janeiro está marcado pela história como vitória
00:08sobre os que supostamente tentaram tomar o poder pela força, desprezando a vontade popular expressa nas urnas.
00:17Para a militância e também aliados, os integrantes do Planalto adotaram uma postura política e eleitoral,
00:23enfatizando o discurso de alegada defesa da democracia, com o Alckmin dizendo que a liderança do presidente salvou o país de uma ditadura.
00:35Já o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse que os envolvidos nos atos de 8 de janeiro não podem receber indulto,
00:43anistia, graça e que os tais crimes são imprescritíveis.
00:49Dávela, então a gente observa aí todo esse clima que foi esse ato de hoje,
00:53o Diego falava realmente que foi mais esvaziado, o presidente chegou a citar todas as autoridades,
00:58isso não é comum, né, quer dizer, tem muita gente, você não tem como citar todo mundo.
01:02Mas de qualquer forma, é esse o clima, né, quer dizer, é um clima muito mais eleitoral, político, dessa data, 8 de janeiro.
01:10É isso aí, Matos, o interessante é que o grande filósofo político e também servidor público renascentista,
01:18Nicola Machiavelli, dizia que cada homem vive de acordo com a sua fantasia.
01:23A fantasia da esquerda é que eles salvaram o Brasil de um golpe democrático no dia 8 de janeiro.
01:29Então essa fantasia é repetida no discurso, nos atos, nos gritos de guerra.
01:36O fato é o seguinte, não houve nenhuma tentativa de golpe, não houve mobilização de forças armadas.
01:44Aliás, as duas armas que mais destacaram na manifestação do 8 de janeiro foi a Bíblia e o batom.
01:52Se você acha que para derrubar um país com Bíblia e batom, realmente precisa de muita fantasia
01:58para achar que isso é uma forma de orquestrar um golpe de Estado.
02:03Nós estávamos falando de um presidente que já havia cumprido seu mandato, estava nos Estados Unidos,
02:08não tinha mais nenhuma ingerência sobre as forças armadas.
02:11Um ato que ocorreu num fim de semana, quando não havia ninguém em Brasília.
02:17Agora, transformar isso nesse cavalo de Troia, que foi uma tentativa de golpe democrático,
02:22é realmente uma fantasia que é preciso muita criatividade para tentar transformar isso em bandeira política e realidade.
02:30O fato é que quanto mais o tempo passa, Marcelo Matos, essa fantasia não gruda mais, não cola em ninguém.
02:38Aliás, não cola tanto em ninguém que a gente está tendo um projeto de dosimetria
02:42que é para reverter uma das barbaridades que foram as condenações injustas desses manifestantes.
02:47Então, assim, é uma narrativa que perde cada vez mais aderência.
02:51Não tinha aderência em relação aos fatos, mas tinha um apelo político lá atrás.
02:55Hoje, não tem nem apelo político, nem aderência aos fatos.
03:00Isto mostra que se esta for a aposta do governo, é uma aposta furada que vai dificultar cada vez mais
03:08o presidente Lula e o PT a convidar partidos do Centrão para entrar numa barca furada.
03:15E mais uma vez, Mota, foi lembrado que havia um plano para matar presidente, vice, ministro.
03:21Como é que você avalia todo esse entorno?
03:22Provavelmente, o comentário que eu tenho vontade de fazer é que é a primeira tentativa de golpe
03:30registrada pela história, onde ninguém estava armado e não havia participação das forças armadas.
03:37Eram civis, um bando de civis desarmados, desorganizados, que de alguma forma iam tomar o poder.
03:45Mas aí eu lembrei, Marcelo, que não é a primeira.
03:48Na verdade, é a segunda tentativa de golpe dessa forma, né?
03:51Porque a outra aconteceu no 6 de janeiro de 2021, se eu não me engano, né?
03:57Nos Estados Unidos da América, onde se criou, a esquerda americana criou a mesma narrativa,
04:04que é aquele grupo de pessoas que invadiu o Capitólio e desarmados,
04:09eles estavam tramando, realizando, tentando realizar um golpe de Estado.
04:14Uma tomada violenta do poder.
04:16Nos Estados Unidos, ainda tinha um fator mais complicado,
04:20porque naquele momento, o Congresso americano estava reunido para ratificar o resultado das eleições.
04:28Então, havia aí alguma possibilidade, aquele pessoal conseguir entrar no Congresso
04:33e atrapalhar aquela sessão.
04:35Então, evidentemente, um bando de civis desarmados não ia tomar o poder.
04:40A maior potência militar do planeta, que tem mais de 5 mil mísseis nucleares,
04:48cujo orçamento militar acabou de ser aprovado, o novo orçamento militar americano,
04:52é 1,5 trilhão de dólares.
04:56É mais do que todo o orçamento brasileiro.
04:59Agora, você imagina um bando de civis fazendo um tumulto,
05:04mas qual é a chance deles que tomarem o poder?
05:06Agora, é isso que o Davila disse.
05:09Só que eu vou modificar um pouco a visão do Davila.
05:12Eu não acho que é uma fantasia.
05:14Eu acho que é uma perversão.
05:17Porque a esquerda sabe muito bem o custo humano dessa narrativa que eles estão criando.
05:24Eu tenho certeza que há pessoas na esquerda que conhecem a história do Brasil tão bem quanto eu
05:31e sabem que a probabilidade disso tudo no futuro ser revertido é muito grande.
05:40Muito bem, agora são 6 horas e 27 minutos.
05:43Nós vamos a um rápido intervalo para o rádio.
05:45Mas, continuamos por aqui.
05:47Eu quero ouvir o Diego Tavares para saber também de toda essa narrativa que está sendo colocada.
05:52Diego.
05:53Você utilizou o termo perfeito, Marcelo Matos, narrativa.
05:57O que nós tivemos hoje foi o grande lançamento da narrativa,
06:01que será o norte da campanha eleitoral do presidente Lula.
06:04E tem alguns elementos do próprio evento que militam nesse sentido.
06:09Você lembrou um deles há pouco, a questão da nominata.
06:13O presidente Lula citou cada uma das autoridades que estavam presentes no evento.
06:17Talvez para deixar claro que ele tem uma espécie de apoio amplo de algumas figlas que ainda integram os seus ministérios.
06:26E, em segundo lugar, nós tivemos também um discurso do presidente sem qualquer tipo de improviso.
06:32Algo que é quase uma marca registrada do presidente Lula.
06:36Inclusive, ao longo desse terceiro mandato, rendeu muitas polêmicas.
06:39Hoje, o Lula seguiu o script.
06:42Isso é o comportamento típico do candidato que se encontra em campanha.
06:47Seguiu o script do marqueteiro.
06:49Não escapou uma vírgula daquilo que estava programado.
06:53É a narrativa pronta, empacotada e que agora, nos próximos dias, muito possivelmente, será vendida aos eleitores.
07:00Essa questão de ter vencido o golpismo no Brasil é um debate que o Lula quer travar em 2026.
07:08Ele não quer discutir o país.
07:09Ele não quer discutir um plano de país.
07:10Até porque, desconfio eu, que ele nem tenha até o presente momento mesmo,
07:14a despeito da grande história política que ele tem, da longa história política que ele tem,
07:18ele não tem ainda um plano para o Brasil.
07:20Então, é muito mais simples discutir como ele foi um grande campeão brasileiro contra o golpismo.
07:27Como ele foi o grande líder brasileiro que estava em seu descanso,
07:33mas que teve que deixar a sua aposentadoria e retornar à presidência do Brasil para salvar a democracia.
07:40Discutir essas platitudes é muito fácil.
07:42Difícil é entrar no mérito do crime organizado, do crescimento do crime organizado no país.
07:46Difícil é entrar no mérito do rombo recorde das contas públicas.
07:51Difícil é entrar no mérito do déficit recorde nas empresas estatais.
07:56Tudo isso é muito complicado de discutir.
07:58Então, fica muito mais fácil de fazer uma forcinha para cravar o adversário ideal,
08:02um adversário a quem interessa também, um discurso mais raso de Brasil.
08:07Afinal de contas, se a briga fica nessa, o Brasil livre do comunismo ou o Brasil livre do fascismo,
08:13ninguém precisa fazer plano nenhum, ninguém precisa ficar preocupado em se debruçar sobre planilha,
08:18sobre número, sobre a real situação do nosso país e dos muitos problemas que o nosso país tem.
08:24Então, o Lula, diante dessa possibilidade, está escolhendo o jogo da rejeição.
08:28Está escolhendo ir para o segundo turno naquela pegada de perder o candidato que tiver a rejeição maior.
08:36E Flávio Bolsonaro, infelizmente, atende a esses requisitos.
08:40É por isso que nós estamos dizendo já há um bom tempo que seria muito importante uma união no campo da direita.
08:45Porque se as rejeições fossem hoje, no duelo de rejeições, Lula ganharia o seu quarto mandato.
08:50E como você disse, né, Diego, foi tudo calibrado mesmo,
08:54porque ele não citou nada de Estados Unidos, de Venezuela, nem tocou nesse assunto.
08:59A gente sabe que ainda todas essas relações entre Brasil e Estados Unidos é um cenário delicado,
09:06porque nós tivemos aí a revisão de alguns itens, mas muitos setores aqui,
09:10o setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, ainda quer discutir o rebaixamento das taxas de 50%.
09:17Então, ele foi também cirúrgico em relação a essa questão de Venezuela e Estados Unidos
09:23e nenhum momento tocou nada essa invasão norte-americana que nós vivemos.
09:27Estamos de volta.
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